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2.3. Erken İslam Maden Sanatı (VII IX y.y)

2.3.5. Anadolu Selçuklu Maden Sanatı

Os sistemas de lida com a morte são compostos por fatores variáveis e invariáveis. Desvelar os seus constituintes fundamentais é fundamental para esta pesquisa, pois tal conhecimento nos dará melhores parâmetros para analisar e comparar os sistemas de lida com a morte linense e Bororo, para averiguar as semelhanças e diferenças nas configurações dos mesmos e para perceber seus reflexos na vida dos membros desses grupos.

Os sistemas de lida com a morte por serem uma reação coletiva a algo tão capital como a morte parecem ter raízes nas estruturas fundamentais do humano; muito embora sejam discutidas as suas importâncias relativas, costumam ser admitidas por todos como descritivas do que é próprio do homem e caracterizam nossa espécie. Pois, os sistemas de lida com a morte são constituídos fundamentalmente por: instituições sociais (Homo socius); práticas e aparatos técnicos (Homo faber); símbolos (Homo symbolicum); explicações e teorias (Homo

sapiens); discursos ou palavras (Homo loquax); crenças (Homo Religiosus); o lúdico (Homo ludens); e de incertezas, confusões, contradições e desordens (Homo demens).

Os sistemas de lida com a morte possuem estes itens primários, que se integram e interagem de modo dinâmico, dos quais originam diversos arranjos e rearranjos no decorrer da história, nos diferentes agrupamentos humanos. Isso permite compreender os inúmeros sistemas de lida com a morte existentes; bem como facilita a identificação dos constituintes variáveis (instituídos e instituintes) que também compõem os sistemas de lida com a morte, derivados de fatores sociais, históricos e culturais.

Cabe agora investigar a funcionalidade dos sistemas de lida com a morte na vida do homem, tanto em um nível psíquico quanto coletivo. Parece que o horror e a angústia gerados no homem por ser conhecedor do seu fim fez com que este reagisse a tal condição construindo sistemas de lida com a morte capazes de atenuar a sua dor, mitigar os abalos sociais e norteá- lo diante de um evento tão desorientador. Assim, os sistemas de lida com a morte, a princípio, funcionam como um meio de resistência, buscando adiar a morte e prolongar a vida. Na impossibilidade disso, estes funcionam como meio de reação regulando e norteando o indivíduo e o seu grupo, diante da morte.

No nível individual, os sistemas de lida com a morte têm a função de “evitar” o sofrimento da perda, primeiramente com tentativas para não deixar morrer. Quando esgotadas essas possibilidades, estes oferecem recursos para minimizar a dor e o horror, que se instalam no indivíduo, diante da iminência da própria morte ou da morte do outro, visando facilitar a elaboração do luto e a ressignificação da biografia. Na instância coletiva, os sistemas de lida com a morte pré-estabelecem meios que facilitem a reconfiguração dos papéis, ações, vínculos, etc. Assim, impedem que a morte paralise o desempenho das rotinas do dia a dia, o que geraria um colapso social. O aparelhamento institucionalizado constituído, com pré- indicações explícitas e implícitas de como enfrentar e manejar as situações de morte, favorece a reestruturação social e retomada da vida.

Sintetizando, os sistemas de lida com a morte propiciam a reorganização pessoal e social funcionando como uma espécie de receita ou mapa que sinaliza, aos membros do grupo, como lidar com as situações relativas diretamente à morte. Assim, aos indivíduos com risco de morte são ofertados modos que visam estender a vida (adiar a morte), ou àquele que está prestes a morrer, maneiras de “morrer corretamente”, ou aos entes queridos que sofrem a perda, como se reorganizarem, diante o caos provocado pela morte.

Os sistemas de lida com a morte, quanto à sua funcionalidade, podem ser pensados a partir do conceito de organizadores sociais de Kaës (2005), o qual propõe que a formação intermediária faz a função de vínculo, de ligação, de mediação e de transformação entre ordens descontínuas, separadas e rompidas da realidade (o dentro e o fora, sono e vigília, conteúdos latentes e manifestos etc.). No âmbito social, os organizadores sociais cumprem a função intermediária realizando um papel de regulação e proteção psicossocial, “como se” fossem uma espécie de aparelho psíquico grupal (KAËS, 2005).

Nesta perspectiva, os sistemas de lida com a morte são organizadores sociais que realizam intermediações nas questões concernentes à morte, auxiliando na regulação psíquica e social. Os sistemas de lida com a morte são encarregados de manter e ligar objetos

separados, neste caso, os vivos e os mortos; bem como religar e reinserir os vivos na dinâmica da vida cotidiana, dilacerada após a ruptura provocada pela morte, promovendo, assim, uma transformação individual e coletiva. Deste modo, suaviza a lida com um dos maiores impactos da existência humana: a morte.

A partir da semiótica, podemos dizer que os sistemas de lida com a morte são códigos culturais que possuem uma estrutura de ampla complexidade que é transmitida, notada, absorvida e da qual se processa informações objetivando que as situações relativas à morte sejam reguladas e atenuadas, tanto no âmbito individual quanto coletivo. Os homens convivem com os outros e com a natureza, mediados por processos simbólicos ou signos com poder de representar as coisas presentes ou ausentes através do acesso a um universo semântico composto de um agrupamento de estruturas essenciais, dentre elas vida/morte (CARVALHO, 2006). Levando-se em conta que os sistemas de lida com a morte são referências ou sinais que podem ser transmitidos e interpretados pelos membros do grupo, parafraseando Peirce (1990), poderíamos dizer que estes sinalizam algo que está para alguém no lugar de alguma outra coisa. Ao que parece, isso ocorre pois a possibilidade de perder ou a perda propriamente dita, sem este intermediário cultural, seria muito mais difícil e penosa de ser elaborada. Destarte, sem os sistemas de lida com a morte, seria muito difícil para os vivos darem continuidade às rotinas do dia a dia, interrompidas pelas ocorrências de morte e do morrer.