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1.2. Döviz Kuru Sistemleri

1.2.3. Alternatif Döviz Kuru Sistemleri

Na seção anterior vimos algumas versões preliminares, outras mais recentes, mais críticas e, ao mesmo tempo, algumas tentativas de conciliação, entre as análises históricas de um lado, e a fenomenologia como filosofia transcendental, de outro. Como já pode ser evidenciado, o problema da história em Husserl foi discutido metodicamente por vários comentadores na literatura. Em particular, David Carr (1974) dedicou uma importante monografia à compreensão do elemento histórico na filosofia de Husserl.

Carr (1974) destaca entre as raízes da “virada histórica” na obra de Husserl, dois importantes conceitos da teoria fenomenológica: a fenomenologia genética e a fenomenologia da intersubjetividade. Tais elementos, para ele, podem ajudar a compreender a nova abordagem histórico-teleológica na “Crise”.

Na teoria genética, a vida transcendental da consciência é revelada em seu caráter de fluxo, cumulativo mas também projetivo, de modo tal que as vivências ou atos, os quais eram o foco original da fenomenologia são postos na perspectiva temporal, onde o ego se constitui na unidade de uma história (Hu I, p. 75).

Já o conceito da historicidade da vida de consciência, está ligado à noção de história justamente por meio da “intersubjetividade”. Já chamamos a atenção anteriormente para essa relação por meio da ideia das “tarefas comuns” (RICOER, 1949).

A pergunta que agora podemos nos colocar é como esses desenvolvimentos se relacionam com a nova abordagem histórica da “Crise” e, adicionalmente, quais consequências metodológicas essa abordagem implica para a fenomenologia.

Levando em consideração os argumentos de Carr (1974) e Ricoer (1949), podemos enunciar do seguinte modo o problema da historicidade: “somos seres conscientes, portanto, históricos”, posto que “nossa vida de consciência se constitui na unidade de uma história”. O fato é que a vida de consciência atual é, ainda que parcialmente, derivada de sedimentações passadas ou habitus, como os chamava Husserl. Disso resulta que, por conta dessa peculiaridade, constituem-se para o filósofo – mas também para qualquer ser consciente – não apenas evidências prévias, mas, como poderíamos chamá-las, pseudo- ou quasi-evidências, as quais influenciam a vida de consciência atual.

Ora, não devemos perder de vista a conexão da historicidade da vida de consciência com o parágrafo onde Husserl afirma serem os filósofos herdeiros da tradição filosófica. É justamente aqui que reside a necessidade das análises históricas da “Crise”.

Husserl dirige-se aos filósofos, na qualidade de seres históricos e, portanto, aplicando- se o conceito à “consciência dos filósofos”, somos obrigados a admitir que não há nada de especial que torne o filósofo um ser menos histórico do que qualquer outro, porém, com um agravante: o filósofo herda o próprio modo de por os problemas filosóficos. É como se o filósofo, antes de superar esta esfera da historicidade, não pudesse tornar-se autônoma e genuinamente um filósofo. Ele deve proceder não a partir das filosofias, das ideias de outros filósofos, mas das coisas e dos problemas.

Nesse sentido, poderíamos considerar esta “redução histórica” como uma reedição da “epoché filosófica” proposta por Husserl nas Ideias (Hu III), a qual se refere ao conteúdo das filosofias precedentes e com a aceitação ou não, por parte do filósofo, de uma ou mais doutrinas particulares. Note-se, porém, que a “redução histórica” vai além do conteúdo das doutrinas filosóficas para afirmar que o problema de fundo reside na própria essência histórica da consciência, portanto, o filósofo não se dá conta do modo como “coloca os problemas”. Sua consciência é, por assim dizer, antecipada pelo fluxo histórico do qual ele participa, como membro de uma comunidade de filósofos que se dedicam a uma tarefa mais ou menos comum. Tais influências são obviedades (Selbstvertändlichkeiten), tão prejudiciais quando os pré-juízos da atitude natural (CARR, 1974).

Trata-se de retomar na própria reflexão a reflexão dos predecessores, não se trata apenas de reavivar a cadeia de pensadores, a sua comunhão de pensamento, o seu acomunar-se teórico e de transformá-los em algo de vivente e atual, mas sim de exercitar, em base a esta unidade integral atualizada, uma crítica responsável, uma crítica de tipo peculiar, que tem o seu terreno nessas finalidades históricas e pessoais, nas relativas conquistas e nas recíprocas retificações e não nas obviedades privadamente assumidas pelos filósofos atuais. (Hu VI, § 15)

Ainda no § 15, Husserl afirma acerca da autonomia do filósofo:

Pensar autonomamente, ser um filósofo autônomo na vontade de liberar-se de todos os preconceitos: esta exigência lhe é imposta pelo fato de ter intuído como todas as obviedades sejam preconceitos, como todos os preconceitos sejam obscuridades derivantes de uma sedimentação tradicional, e não apenas juízos dos quais resta duvidosa a verdade, e que isso vale antes de tudo para aquela grande tarefa, para aquela idéia que se chama “a filosofia”. E todos aqueles juízos filosoficamente válidos podem ser reconduzidos a ela. (Hu VI, § 15)

E, finalmente, acerca do caráter geral das considerações históricas na “Crise”:

Uma reconsideração histórica como aquela que estamos discutindo é, portanto, na realidade, uma profundíssima autoconsideração que tende a uma compreensão do que se é enquanto seres históricos. Esta autoconsideração serve às decisões; e aqui ela equivale naturalmente a uma retomada da tarefa verdadeiramente mais peculiar, daquela tarefa que a autoconsideração histórica nos permitiu compreender e esclarecer, e que atualmente é atribuída a todos nós. (Hu VI, § 15)

As três passagens acima permitem passar agora à crítica da tradição filosófica na “Crise”.

Benzer Belgeler