SUÇ İŞLEME VE HAYSİYETSİZ HAYAT SÜRME SEBEBİYLE BOŞANMA
A- Alternatif Şartlar
Para a elaboração deste trabalho ressaltamos entre as questões mais aparentes e mais ocultas sobre Jean-Nicholas Arthur Rimbaud, as que consideramos mais ligadas a sua poética. Esta era sua companheira inseparável. Então, resolvemos examiná-los tête à tête, em detrimento, por exemplo, de Rimbaud e sua cooperação poética com Verlaine ou Nouveaux (apesar de inevitavelmente citá-los), ou frente a outro poeta para a realização de um comparatismo literário (o que, de certa forma, não foge às praxes das academias de letras). Tanto estivemos atentos a sua poética que não tratamos amiúde, por exemplos, da sua temporada na África, o grande missivista que foi, as águas recorrentes desde O barco ébrio e tantos outros temas possíveis. Delimitamos o território como nosso até onde se fez poesia, passando disso o estudo teria um caráter mais histórico, antropológico, geográfico, turístico (teria sido Rimbaud um turista mochileiro no nascedouro do turismo como fenômeno social e mercadológico, um cruzado, um judeu errante?), enfim, estaríamos no campo de qualquer ciência – teria seus méritos – porém estaríamos longe da literatura, da poesia.
Estruturamos este estudo em duas partes. Na primeira, compusemos um perfil geral de sua poética, discutindo-a e referenciando autoridades pertinentes sobre os temas expostos, como também utilizando o próprio Rimbaud, o poeta ou o emissário incansável de cartas, destas em especial, as Cartas do Vidente. Na segunda parte, delimitamos sua poética, as suas duas prosas principais, a prosa de
diamante (como assim Barroso chamou a Saison) e as Iluminações.
Dos primeiros poemas estudamos as aproximações miméticas e bajulações aos mestres da poesia que Rimbaud tanto e tão bem se esmerou: mais de uma vez escreveu a Théodore de Banville, sem sucesso. Indicado por Demeny escreveu a Paul Verlaine, este o acolheu, ciceroneou, para depois cegamente segui-lo. Delíros — II Virgem louca, o esposo infernal, delata uma parte dessa parceria também conjugal, depoimentos de autos policiais desmentem-na melhor ainda, sabemos.
Eu é um outro foi lido sob a ótica de indecidíveis nuanças desdobrando e
desdobradas na visão de estilo, inovações e características. Buscamos a compreensão de uma discussão que se mantém aberta, a da existência de um
projeto poético, no qual não cremos, mas como é evidente que a questão se matem, apresentamos uma construção inetrrogativa: projeto poético?
O silêncio poético de Rimbaud é sempre um comentário rápido. Neste estudo, resolvemos buscar maiores detalhes sobre esse fato. Sempre tivemos o interesse de entender como um garoto de 16 anos produz O barco ébrio, revoluciona inúmeras práticas, reivindica e instaura “o novo — ideias e formas” (RIMBAUD, 2009, p. 41) como o verso livre, estende essa liberdade livre até a composição de poemas em prosa, escrevendo (concomitantemente?) as duas grandes prosas, Uma estadia no
inferno e Iluminações e depois dá “Adeus” ao mundo sob a forma de romanças
(RIMBAUD, 1998, p. 165). O silente e anunciado “adeus” à poesia.
Na segunda parte, a Estadia e as Iluminações são contempladas. De início, apontamos as reverberações sobre qual foi produzida primeiro, e ao final mais parecem ser concomitantes que outra coisa, e que por razões “diversas” a Estadia foi datada e impressa “abril-agosto, 1873”. Da “primeira”, estruturamos uma leitura de cada uma de suas prosas, “tecendo-lhes” um fio-condutor, um percurso “unificador” de textos que surgem ora como isolados por suas heterogeneidades entre si e internas e ora demonstram-se bastante coesos. Fato é que essas
heterogeneidades radicais (MEIRA, 2002) são puramente inerentes ao perfil do
poeta, não necessariamente recursos díspares, linhas divisórias e separatistas, ou seja, não se repelem entre si e não desconstroem “a unidade” discursiva, ao contrário, são umas das rupturas (Blanchot), são singularidades do poeta. Nesse laboratório da poese da Saison indicamos expressões e “criações” que se reafirmam ao longo das prosas, que demonstram a sutil e peculiar construção de Uma estação
no inferno. E é por tratarmos uma figura tão singular que grafamos Uma estação no inferno, a palavra saison para a qual tinha uma predileção estranha (BAROSSO,
1994, p. 363) e rascunhou à margem de alguns poemas a frase “para dizer que não é nada, a vida; eis pois as Estações” (BAROSSO, 1998, p. 381). Ainda na “Estação”, comentamos também dezenas de estudiosos que elaboraram “interpretações” sobre o “veneno” que abre a Noite do inferno e reaparece em outros textos, que parecem distanciarem-se, mas na verdade são identitárias. Ainda na Estação, iniciamos uma análise sobre o Oriente, espaço-tempo de sabedoria que Rimbaud também apresenta na prosa seguinte. Da “segunda” prosa, Iluminações, elegemos a(s) Cidade(s) para continuarmos as observações do Oriente apresentado por Rimbaud e a noção de não-lugar dessas representações e dessa(s) Cidade(s). A ideia de
observar o Oriente surgiu da mesma forma que outras palavras também nos chamaram a atenção. De algumas, mesmo en passant, realizamos alguns registros, a exemplo disso temos o tema música, que elencamos suas demasiadas ocorrências e formas — Ó Ruídos e Visões! — Villes [II] rugem melodiosamente, as festas, ressoam, grita, buzinam, orfeônicas e rumor, mugem, cantam, soluçam, brota a música desconhecida, festa da noite, burburinho. Músicas, festas e danças, o Sabá da Estadia, os Rolands das Iluminações.
A decisão pelo título é muito instigante porque buscamos tanto algo que pudesse ser “interessante”, matutamos tanto como se quiséssemos encontrar algo distante do objeto, até que percebamos que é este circunscreve nossos passos. Rimbaud é o objeto. E Rimbaud se multiplica e nunca se repete em seus desdobramentos de ser todos (indefinidos) e por suas indecidibilidades, decidimos então por E Rimbaud se fez Rimbauds.
Para Rimbaud ser, é ser e não ser. Ele se percebe constantemente dúbio. Ser poeta é estar poeta: é um estado e por ser estado, é uma passagem e não um propósito de vida. E o seu Adeus, o seu silêncio à literatura constituem-se em um
não-estar poeta. Quando provocado acerca de poesias (e raramente respondia)
afirmava não penso mais nisso. Ele é um eterno insatisfeito ou apenas um questionador da condição humana? Ou/e mesmo questionador da vida em si: la vrai
vie est absente, (a verdadeira vida é/está ausente). Para ele ser é ser E não ser,
vale dizer, Rimbaud rejeita em definitivo a tirania do “ou” validada noutro tempo no discurso de Hamlet, por exemplo, e, como um empreendimento visionário, adota a genialidade do E; esta sua opção/percepção do dúbio de estar vivo e/ou ser/estar humano (na língua francesa os verbos ser e estar, como na língua inglesa, são um só, être.), sua indecidibilidade decide-se pelos opostos. Essa indecidibilidade não o faz ponderar uma escolha entre os extremos duais e sim de usufruir de todas as antinomias possíveis, e assim, Rimbaud despensa a alternância do “ou”, decidindo- se pela reintegração dos opostos, não pela diminuição dos diâmetros, mas pela aproximação de elos equidistantes. Ao dispensar a tirania do “ou” admite as adições do “e”.
Este não deixa de ser um exame sumário. Pelo perfil panorâmico projeta (futuras) discussões: Rimbauds. Ser complexo é descrito assim pelo lusitano Senna:
Rimbaud não é um molho de varas, ao contrário de várias personalidades igualmente complexas; não que não seja, de facto e por inteiro, aquilo — Rimbaud é um caso excepcional de unidade e plenitude psíquicas [...] não pressentimos na sua personalidade qualquer lacuna, qualquer rarefracção, somos levados a defini-lo; e é pela mesma razão que, depois de defini-lo, ele será, sempre, tudo o que se tiver dito e, exatamente o contrário. (SENNA, 1994, p. 21, 22). Rimbauds, campo minado e de fronteiras móveis, permanece não para
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Anexo A
Sonnet du trou du cul120
Obscur et froncé comme un oeillet violet Il respire, humblement tapi parmi la mousse Humide encor d’amour qui suit la rampe douce Des fesses blanches jusqu’au bord de son ourlet. Des filaments pareils à des larmes de lait
Ont pleuré sous l’autan cruel qui les repousse À travers de petits caillots de marne rousse, Pour s’aller perdre où la pente les appelait. Mon rêve s’aboucha souvent à sa ventouse ; Mon âme, du coït matériel jalouse,
En fit son larmier fauve et son nid de sanglots. C’est l’olive pâmée, et la flûte câline ;
Le tube d’où descend la céleste praline : Chanaan féminin dans les moiteurs enclos ! (RIMBAUD, 1998, p. 268).
120Sonnet du trou du cul, original. Todos os poemas que se encontram em lingual francesa, nestes
Anexo B
Soneto do olho do cu121
Obscuro e pregueado cravo violeta
Respira, humildemente no meio da espuma Inda úmida de amor que em doce encosta ruma Da brancura da bunda à beirada da meta. Filamentos tais como lágrimas de leite Choraram, sob o vento cruel que os repele, Através de coágulos de barro em pele,
P’ra se perder depois onde a encosta os deite. Mi’a boca se ajustou muita vez à ventosa Minh’alma, do coito material invejosa, Fez ali lacrimal e de soluços ninho. Azeitona em desmaio e taça carinhosa O tubo onde desce celeste noz gostosa Canaã feminino em suor muradinho! (SILVA, 2007, p. 6, 5).
121
Tradução de Marcos Silva, 2007.
Anexo C
∞122
Franzida e obscura flor, como um cravo violeta, Respira, humildemente anichado na turva Relva úmida de amor que segue a doce curva Das nádegas até o coração da greta.
Filamentos iguais a lágrimas de leite
Choraram sob o vento ingrato que as descarna E as impele através de coágulos de marna Para enfim se perder na rampa do deleite Meu sonho tanta vez se achegou a essa venta; Do coito material, minha alma ciumenta
Fez dele um lacrimal e um ninho de gemidos. É a oliva extasiada e a flauta embaladora, O tubo pelo qual desce o maná de outrora, Canaã feminil dos mostos escondidos. (RIMBAUD, 1998, p. 269).
122 Versão de Ivo Barroso, que preferiu utilizar esse ícone já que esse poema assim foi separado de
ANEXO D
Chanson de la plus haute tour123
Oisive jeunesse A tout asservie, Par délicatesse J'ai perdu ma vie.
Ah ! Que le temps vienne Où les coeurs s'éprennent. Je me suis dit : laisse, Et qu'on ne te voie : Et sans la promesse De plus hautes joies. Que rien ne t'arrête, Auguste retraite. J'ai tant fait patience Qu'à jamais j'oublie ; Craintes et souffrances Aux cieux sont parties. Et la soif malsaine Obscurcit mes veines. Ainsi la prairie
A l'oubli livrée, Grandie, et fleurie D'encens et d'ivraies Au bourdon farouche De cent sales mouches. Ah ! Mille veuvages De la si pauvre âme Qui n'a que l'image De la Notre-Dame! Est-ce que l'on prie La Vierge Marie? Oisive jeunesse A tout asservie, Par délicatesse J'ai perdu ma vie.
Ah ! Que le temps vienne
123 Trata-se da 1ª forma publicada da qual temos conhecimento.
Où les coeurs s'éprennent ! Mai 1872.
Anexo E
L'Éternité124
Elle est retrouvée. Quoi? — L' éternité. C’ est la mer allé Avec le soleil. Âme sentinelle Murmurons l’aveu De la nuit si nulle Et le jour en feu.
Des humains suffrages, Des communs élans Là tu te dégades Tu voles selon.
Puisque de vous seules, Braises de satin,
Le Devoir s’exhale Sans qu’on dise: enfin. Là pas d’espérance, Nul orietur.
Science avec patience, Le supplice est sûr. Elle est retrouvée. Quoi? — L' éternité. C’ est la mer allé Avec le soleil. Mai 1872.
(RIMBAUD, 1994, p. 234).
124
Anexo F
A ETERNIDADE125
Achada, é verdade? Quem? A eternidade. É o mar que se evade Com o sol à tarde. Alma sentinela Murmura teu rogo De noite tão nula E um dia de fogo. A humanos sufrágios, E impulsos comuns Que então te avantajes E voes segundo... Pois que apenas delas, Brasas de cetim,
O dever se exala Sem dizer-se: enfim. Nada de esperança E nenhum oriétur Ciência em paciência, Só o suplício é certo. Achada, é verdade? Quem? A eternidade. É o mar que se evade Com o sol à tarde. Maio 1872.
(RIMBAUD, 1994, p. 234, 235).
125
Versão de Barroso para primeira forma de L’éternité.
Anexo G
Elle est retrouvée!126 Quoi? L' éternité. C est la mar mêlée
Au soleil Mon âme éternelle, Observe ton voeu Malgré la nuit seule Et le jour en feu. Donc tu te dégages Des humains suffrages, Des communs élans! Tu voles selon... — Jamais l' ésperance. Pas d' oriétur. Science et patience, Le supplice est sûr. Plus de lendemain, Braises de satin, Votre ardeur Est le devoir. Elle est retrouvée!
— Quoi? — L' éternité. C' est la mer mêlée
Au soleil. Mai 1872.
(RIMBAUD, 1998, p. 172).
126
Trata-se da 2ª forma do poema L’éternité, integrado ao poema Alchimie du verbe, da Saison, por isso está sem o título.
Anexo H
Achada, é verdade?127 Quem? A eternidade. É o mar que o sol
Invade.
Observa, minh’alma Eterna, o teu voto Seja noite só
Torre o dia em chama. Que então te avantajes A humanos sufrágios, A impulsos comuns! Tu voas como os...
— Esperança ausente, Nada de oriétur
Ciência em paciência, Só o suplício é certo.