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Alt Problem 3: Örgütsel adalet ile iĢ tatmini arasında nasıl bir iliĢk

5.1. Sonuç ve TartıĢma

5.1.3. Alt Problem 3: Örgütsel adalet ile iĢ tatmini arasında nasıl bir iliĢk

Essa subcategoria emergiu dos discursos das mães que revelam sua avaliação sobre o atendimento de seus filhos, principalmente, nos Serviços de Saúde. A maioria das mães relatou que seus filhos recebiam, no momento da entrevista, os atendimentos de que precisam nos Serviços de Saúde, mesmo que para isso elas tenham recorrido à saúde suplementar. Os discursos evidenciaram uma busca persistente dessas mulheres para a garantia do atendimento das necessidades dos filhos. O relato de M3 enfatiza a invisibilidade das necessidades especiais das crianças com condição crônica, o que se reflete na organização do sistema de saúde.

E o caso da tomografia, que agora que eu tô correndo atrás, praticamente só isso que é mais necessário, mas o resto tá indo, conseguindo tudo bem, tudo tranquilo, sem problema. (M2-101)

Essa estrutura que agora o município tem pra saúde, porque especialidade eu não encontrei, mas, vamos supor, cada bairro tem uma Posto de Saúde, então, se eu chegar hoje ali pra consultar, tem médico. A saúde daqui não é ruim, só não é preparada pros meninos que têm paralisia cerebral. [...] Aqui é muito precário por causa disso, eles não enxergam, o que que tem, tem a FAE e encerrou, não tem mais nada, mais nada, infelizmente é assim, pra um hospital não ter um neurologista infantil... No Posto de saúde do bairro, todo dia de manhã tem médico, pediatra. Não tem médico especializado. (M3-104,108-109)

Eu consegui tudo pra ele, essa questão de médico, eu consegui com muita facilidade, não tive que ficar esperando. Então, eu acho que, pra mim, nas minhas possibilidades, acho que tá bom. Porque o que eu não consegui, que foi a oftalmologista, eu pago, mas tá tranquilo, dá pra poder pagar, porque não é todo mês que ele vai. E os outros, eu acho que eu consegui com facilidade, não tem muita coisa a reclamar não. [...] Eu sempre, toda vez que eu ia eu conseguia, sem precisar de muita demora, assim, eu acho que num tem tanta dificuldade assim não. Até que graças a Deus deu pra... nossa se eu tivesse dificuldade eu acho que eu tava doida. (M4-104)

Tô muito satisfeita, assim, embora seja insatisfeita com algumas coisas, graças a Deus tá indo tudo muito bem, sabe. (M5-162)

Dificuldade também foi a demora do SUS em atender, por exemplo, igual esse exame, essas consultas específicas, demora muito. (M6-35)

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a perspectiva das famílias

[Atendimentos para a filha] todos os que eu precisei eu consegui. [...] O que eu fui atrás até hoje eu consegui. [...] No geral, eu acho o atendimento que eu tenho tido lá no ambulatório do Hospital A, tem me ajudado, que também é público, o de lá eu acho que tem me ajudado, sim. Agora, aqui [no município], pra te falar a verdade não, me encaminharam quando eu tive a pré-eclâmpsia e tudo, mas eu acho que eles fizeram o mínimo, porque eles podiam ter feito antes pra nem chegar a ter e eles não fizeram. Mas, de qualquer modo, do que eu tenho ido hoje em dia desde que a ela nasceu e do que eu tenho levado lá no Hospital A tem sido legal; assim, eles têm me orientado, essa é uma facilidade, que eu tenho tido e que já tá pra acabar porque é até dois anos, que eles acompanham. (M10-80,132)

Eu acho que não [falta atendimento], porque tudo o que a médica me pediu, eu tô fazendo, eu já tenho, eu já consegui, a não ser mais pra frente se precisar, eu num sei, mas ainda não, graças a Deus eu tô conseguindo fazer o acompanhamento. (M12-97)

É muito complicado esse negócio de SUS. É fácil porque eu corro atrás, porque, num é... E eu até brigo se for o caso, porque, se for aquela pessoa acomodada, num consegue nada não. Se não ficar de cima, cê num consegue não. Que tem que ficar de cima mesmo. Que é lento, muito lento.[...] Pelo menos dos que já me falaram que ele precisa eu já corri atrás né, aí num faltou nada assim, ainda não. (M13-82,87)

Duas mães (M11 e M14) abordaram que os filhos não estavam recebendo atendimentos por profissionais de saúde que elas consideram necessários diante das necessidades das crianças. A mãe M14 estava realizando atendimento com a equipe de cirurgia do Hospital D, mas falou sobre a preocupação em conseguir o atendimento por fonoaudiólogo para a filha. A mãe M11 narrou as dificuldades para conseguir atendimento por médico em seu município.

A minha maior preocupação é essa agora, ela ter o acompanhamento com a fono pra ela desenvolver a fala. (M14-63.1)

Aqui no meu bairro, não consegue médico, não consegue nada nesse lugar. Pediatra aqui se ficar dois meses é muito... [...] Não fica muito tempo, aí, pra pessoa conseguir marcar a consulta é uma burocracia danada, tem que acordar de madrugada, dormir na fila, aí, você consegue marcar, chega o dia o médico não vai ou então o médico já foi embora, entendeu. Ocorreu tudo isso. Aí, marcava para fazer controle com a enfermeira, chegava lá, a enfermeira não tinha ido. Aí, foi

acarretando, acarretando, acarretando, ‘Ah, deixa isso pra lá!’. Levo ela pra tomar

vacina... (M11-25-27)

Os discursos de M11 evidenciaram o desânimo da mãe em continuar buscando o atendimento da filha nos Serviços de Saúde do município após as diversas tentativas mal- sucedidas. No entanto, a mãe reconhece a importância de sua filha ter o desenvolvimento avaliado por um profissional de saúde.

Ó, pra te ser sincera eu não sei, eu sei que não tá tendo médico na região, tá todo mundo reclamando, então não te garanto que tem, mas também não te garanto que não tem [médico n Centro de Saúde de referência no momento da entrevista] [...] A última vez que eu fui lá, deve ter uns três meses, que foi pra pesagem. Que antigamente tinha pesagem com o nutricionista, agora nem isso tá tendo mais... (M11-33-34)

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Ela precisa de um pediatra pra ver como é que tá o desenvolvimento dela, se é o caso da gente procurar uma fonoaudióloga, se é o caso da gente caçar uma fisioterapeuta. [...] Eu sinto falta, no caso, principalmente do acompanhamento médico, porque eu acho que deveria ter, igual no caso dela, pra mim saber se ela tem algum problema, só eu falar não é legal, eu acho que deveria ter uma médica pra me

aconselhar, olhar ela, examinar ela diretinho, falar ‘Não, ela tá precisando’ ou virar pra mim e falar ‘Não, isso é normal’. (M11-42-49)

A percepção de que a ida ao Serviço não resolve suas demandas ou que o atendimento realizado não tem relevância para o filho é um fator que influencia no distanciamento das mães dos Serviços. No caso das mães M10 e M11 essa percepção ocasionou o afastamento da Atenção Primária, que deveria possibilitar o acesso ao sistema de saúde e coordenar a atenção.

Então é por isso que eu procuro usar menos o Posto de saúde porque não tem retorno. (M10-130)

Agora a pesagem, as próprias agentes de saúde, que vêm na sua casa, que ficam lá e faz a pesagem. Pesa e nem anota no cartão, nem nada. Só pesa lá, anota no papel delas e te manda embora... Ultimamente eu nem vou, é todo mês, nem vou, fazer o quê lá? Pra mim, não vale de nada. (M11-35)

Os relatos das mães revelaram também outras dificuldades para o acompanhamento dos filhos nos Serviços de Saúde, além das mencionadas relativas ao acesso e à utilização, como: pouca boa vontade dos profissionais em atender as demandas apresentadas, pouca informação sobre procedimentos para obtenção de atendimentos, exames e medicamentos no sistema de saúde, rotatividade de profissionais, problemas na realização de referência e contrarreferência, desorganização dos Serviços em relação ao agendamento e à comunicação das consultas, interrupção temporária do atendimento e inviabilidade de pagar a passagem do transporte coletivo.

Porque o pessoal do Posto de saúde não informa a gente? [...] E eu descobri, o negócio é que há muito pouca informação pra gente, sabe, eu descobri que eu poderia ter cadastrado ela pra tratar [com dentista] pelo Posto de saúde gratuitamente acho que até os seis, sete anos de idade e não fiz isso, mas não sabia e acho só podia até um ano também. Pelo menos eu acho que não porque eu pedi à enfermeira se ela não podia, se ela não podia pedir pra mim, tentar encaixar, ela

‘Não, liga lá e pergunta não sei o quê’, mas se ela tentar, não tem muito mais chance

do que eu mesma? Então você nota que na verdade não há assim muito boa- vontade, sabe. (M10-97-98)

Diz que demora a sair mesmo [o exame de genética]. A enfermeira até tentou descobrir esses lugares que tem, acho que tem clínica especializada, assim Família Down, esses negócios que tem, diz que eles às vezes conseguem, mas no Posto aqui, mudou muito a enfermeira... (M1-80)

Só que, quando a gente foi voltar no otorrino [após fazer exames], a otorrino do CAE não me deu o papel de retorno, teve que esperar o Posto marcar pra outro lugar, em outro hospital, foi lá no Hospital B. (M6-19)

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No Posto, eles não estavam mandando as consultas pra mim, não me avisavam e colocava como falta, quando eu fui buscar o remédio dela na última crise que ela teve que eu fiquei sabendo disso. Que não é que não tinha consulta, é porque as consultas não estavam chegando na minha casa. [...] A ACS tava de férias e tinha uma outra pessoa que tava responsável e essa pessoa passou pra uma outra, mais irresponsável ainda, e ninguém me trouxe. (M9-46,51)

Que eles ali trabalham mal demais no Posto, [...] as recepcionistas se ocê não ficar de cima não, cê perde os exames, perde as consultas tudo. [...] Eu até assustei

quando elas falaram comigo ‘O negócio veio e voltou...’, ‘Como assim veio e voltou? Ocês num tem os telefones lá de casa tudo e até meu celular...’, falou assim ‘Ah, deve que ligou lá uma vez e cê num tava e não ligou mais’, eu falei ‘Uai, se eu não tô em casa, eu tô no celular’, igual eu falei com ela, eu saio muito com ele [para

atendimentos] (M13-75-76)

Lá [serviço de reabilitação] é assim, quando fecha, o nome continua lá, ele que te liga procê ir de novo. [...] Do meio de fevereiro e março, ficou fechado de novo, abriu hoje, quase um mês e meio. (M7-60-61)

A única coisa que eu acho que assim que pecaram em negar foi o passe, que eu acho de extrema importância, igual eu não fui à fisioterapia segunda, não vou amanhã, por falta de dinheiro porque o cartão que eu uso é do pai dela, de serviço, que é aquele BHBus e acabou os créditos devido eu ter ido muito em outros médicos esse mês, eu levei em urgência, fiz exame, fiz tomografia, então acabou, teve lugares que eu peguei dois, quatro ônibus, teve outros que o pai dela foi eu peguei oito, então assim, devido isso eu não tenho dinheiro para ir, se eu tivesse passe e isso eu sei que vai atrasar ela. (M5-133)

Esses resultados remetem aos aspectos da continuidade informacional e relacional, já abordados, mas principalmente da continuidade gerencial. Miller et al. (2009), em seu estudo sobre a continuidade, afirmaram que a continuidade gerencial pode ser definida como o fornecimento adequado de serviços que se complementam dentro de um plano de gestão compartilhada entre todos os Serviços da rede. Esse tipo de continuidade refere-se à conexão entre os vários profissionais e usuários na concepção e prestação de serviços de saúde; porém, para os pais de crianças com condições crônicas de saúde, os resultados evidenciam que a noção de continuidade gerencial pode ser estendida para incluir o planejamento e as informações necessárias para garantir a saúde da criança em um sentido mais amplo, visando à qualidade de vida da criança.

Entretanto, Miller et al. (2009) constataram que os relatos dos pais evidenciam uma realidade de Serviços compartimentalizados, sobretudo entre profissionais que trabalham em diferentes Serviços e Setores. Os discursos dos pais revelaram vários planos de cuidados separados, de acordo com as diferentes áreas de responsabilidade, ao invés de um plano que compreenda as necessidades da criança como um todo. Portanto, configura-se como desafio garantir a comunicação eficaz entre os Serviços com localizações geográficas distintas e os diversos setores. Os autores concluem que o ideal de continuidade gerencial para os familiares

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é contestado por aspectos estruturais, processuais e atitudinais, dentro dos Serviços e entre eles.

Em relação à atuação dos profissionais no interior dos Serviços de Saúde, é relevante considerar a reflexão de Merhy (2007) sobre o trabalho vivo em saúde. Segundo o autor, os profissionais, com sua sabedoria e prática, têm autonomia para decidir sobre seu encontro com os usuários, exercendo certo autogoverno do processo de trabalho e indo além do protocolado. Dessa forma, os profissionais podem estabelecer uma relação mais acolhedora no encontro com os usuários e reconhecer seus problemas e suas necessidades.

Os usuários procuram obter no encontro com os profissionais “uma relação de compromisso, que tenha como base a sinceridade, a responsabilização e a confiança na intervenção, como uma possível solução [...]” (MERHY, 2007, p. 76). Entretanto, o autor destaca que os usuários são recebidos nos Serviços de Saúde de modos distintos pelos profissionais. Algumas pessoas por experiências anteriores nem procuram o serviço, por saberem que não adianta, pois não serão recebidas (MERHY, 2007).

Diante da desorganização e desarticulação dos serviços, revelou-se a busca das mães para garantir a continuidade do cuidado do filho, evidenciando sua atuação central e constante no cuidado das crianças com condições crônicas. Nessa discussão é interessante considerar a abordagem de Bellato et al. (2009), que reconhecem a família como elemento central do cuidado, sendo ela que busca, produz e gerencia o cuidado, para o familiar com condição crônica. Entretanto, os autores ressaltam que, além de unidade cuidadora, ela é também unidade a ser cuidada pelos Serviços e profissionais de saúde, o que demanda a garantia de políticas públicas para que tenha condições de cuidar e ser cuidada.

As dificuldades apontadas pelas mães refletem desafios para a continuidade do cuidado que perpassam a melhor organização da oferta de serviços e do sistema de informação, mas também a mudança da conduta dos profissionais de saúde no encontro com essas mães e crianças. Ressalta-se, ainda, a importância de essas mães receberem apoio e serem informadas sobre seus direitos e as possibilidades para melhorar sua qualidade de vida e de seus filhos, em uma perspectiva intersetorial.

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Benzer Belgeler