VI. ASIL ĠġVEREN ALT ĠġVEREN ĠLĠġKĠSĠNĠNE GETĠRĠLEN
5. Alt ĠĢveren ĠliĢkisinin Genel Olarak Muvazaalı Olması
A doutrina clássica, consubstanciada nos artigos 2º e 3º, caput da CLT, evidencia que são cinco os elementos caracterizadores de uma relação de
emprego203: prestação de serviço por pessoa física, pessoalidade ou caráter intuitu
personae, não eventualidade, onerosidade e subordinação, sendo este último elemento o mais relevante a ser aferido para o presente estudo, porquanto sua conceituação clássica é hoje insuficiente para caracterizar as relações de trabalho insurgentes.
O requisito da subordinação, certamente o de maior destaque na identificação de uma relação de emprego, corresponde à sujeição, submissão, obediência às ordens de outrem, seja em relação às coisas ou às pessoas, revelando sempre a condição que lhes é imposta para que se submetam a regras ou determinações
derivadas ou oriundas do regime que lhes é estabelecido.204 Sua etimologia advém
do latim subordinatio, de sub + ordinare, que, por sua vez, provém da palavra latina ordo, ordinis.205 Derivam dela os vocábulos ordenar, ordenamento, ordenação. Subordinação é uma palavra derivada da subideia de subordinação e de ordenar, ou seja, por uma coisa sob a regência de outra.
Nas palavras de Nascimento, o primeiro autor a definir a subordinação como
traço essencial da locatio operarum206 foi Ludovico Barassi, em Il contratto di lavaro
nel diritto positivo italiano, no ano de 1901, sendo que, posteriormente, o Código Civil da Itália de 1942 acolheu a prestatore di lavoro subordinato (art. 2.094) como
elemento distintivo do “lavoro autonomo” (art. 2.222).207
203
“Art. 2º Considera-se empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço.” “Art. 3º Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário”. In: BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Rio de Janeiro, DF, 09 ago. 1943.
204
SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. Rio de Janeiro: Forense, 1990, p. 274, v. II.
205
HOUAISS, Antônio. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Versão 3.0.
206
Locatio conductio operarum significou a locação conduzida para a produção de uma atividade. Cf. a descrição do mundo do trabalho em Roma em CASAL, Angel Gomes Iglesias. La influencia del
Derecho Romano em las modernas relaciones de trabajo. Madrid: Civitas, 1995. 207
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso de Direito do Trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho, relações individuais e coletivas do trabalho. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 400.
Orlando Gomes e Elson Gottschalk definem a subordinação a partir da doutrina italiana. No entendimento dos referidos autores, “tanto ao poder de comando como ao de direção do empregador corresponde o dever específico do
empregado de obedecer”.208
Romita atribui contornos jurídicos à subordinação trabalhista na medida em que identifica o trabalho subordinado quando alguém se obriga não a executar uma obra ou prestar um serviço em sua integralidade por conta de um comitente, mas a prestar o próprio trabalho em favor de outrem, sendo que
O trabalhador participa, de forma continuada e no âmbito da empresa, do ciclo produtivo, inserindo-se na organização empresarial. Absorvido na organização técnico-administrativa da empresa, o trabalhador se acha em posição de subordinação ou dependência perante o empregador, que exerce o poder de comando.209
Em síntese, a subordinação significa participação integrativa da atividade do
trabalhador na atividade do credor do trabalho210, sendo uma condição especial
oriunda da conduta das partes em um contrato de atividade que, como suporte fático, fisionomiza o contrato como de trabalho.
A subordinação do empregado ao empregador não é econômica, nem técnica, nem reverencial, mas jurídica. Em linhas gerais, subordinação jurídica quer dizer poder residual de controle, pelo qual, mesmo nos casos de alto grau de autonomia, ainda se percebe o poder de determinação, mostrando que a prestação de trabalho não tem finalidade própria, mas é heteronomamente dirigida a outra pessoa, física ou jurídica, que dela se apropria, ou seja, o empregador.
A fim de separar os casos fronteiriços situados na zona cinzenta ou grise, onde a autonomia e a dependência se confundem, Álvares da Silva cita o professor titular da Universidade de Bremen, Alemanha, Wolfgang Däubler, para quem os critérios da ordem de comando e da inserção do trabalhador na organização da empresa são decisivos nesse trabalho de distinção, in verbis:
Ela – a subordinação – define-se segundo a intensidade com que o trabalho seja realizado perante quem é cometido (para execução), principalmente
208
GOMES, Orlando; GOTTSCHALK, Elson. Curso de Direito do Trabalho. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 133 apud OLIVEIRA, Murilo Carvalho Sampaio. (Re)pensando o princípio da
proteção na contemporaneidade. São Paulo: LTr, 2009, p. 76.
209
ROMITA, Arion Sayão. A subordinação no contrato de trabalho. Rio de Janeiro: Forense, 1975, p. 92.
210
Cf. VILHENA, Paulo Emílio Ribeiro de. Relação de emprego: estrutura legal e supostos. São Paulo: LTr, 1999, p. 478.
segundo a vinculação temporal e a integração na organização do empregador.211
A expressão “subordinação” equivale a um estado de dependência, de sujeição ao poder de outrem, sendo que a doutrina tem interpretado a fórmula “sob a dependência deste”, contida no caput do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho, como “mediante subordinação”. Todavia o referido dispositivo não especifica que tipo de dependência seria essa, de modo que coube à doutrina identificar critérios de definição sobre tal elemento.
Para alguns, a dependência é de natureza hierárquica, “situação em que se encontra o trabalhador por se achar inserido numa organização de trabalho de
outro.”212 Também denominada subordinação hierárquica, consiste em um
fenômeno jurídico, derivado do contrato de trabalho, pelo qual o trabalhador acolhe o
direcionamento objetivo do empregador sobre o modo de execução do trabalho.213
Para outros, a dependência é de fundamentação técnica, “significando que o empregado depende tecnicamente do empregador, tese que recebe a crítica daqueles que defendem que os tecnocratas não dependem do empregador, este é
que na verdade depende daqueles.”214 A partir da correta visualização do processo
organizativo da empresa moderna, infere-se a fragilidade da noção de dependência técnica, na medida em que o empregador adquire a tecnologia ofertada por meio da contratação de empregados especializados, subordinando-os, sem ter a pretensão
de tomar para si seus conhecimentos215, ou seja, nem sempre é necessário ao
empregador deter conhecimentos específicos sobre os aspectos do processo de produção.
Por outro lado, há quem sustente seja a dependência de ordem econômica, levando em conta o fato de que o único meio de subsistência do trabalhador é a
retribuição pela atividade prestada em proveito de quem lhe paga216, mas
211
ÁLVARES DA SILVA, Antônio. Na vanguarda do Direito do Trabalho. Belo Horizonte: RTM, 2012, p. 49.
212
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 36. ed. São Paulo: LTr: 2011, p. 164.
213
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 9. ed. São Paulo: LTr, 2010, p. 282.
214
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 36. ed. São Paulo: LTr: 2011, p. 164.
215
DELGADO, Maurício Godinho. Curso de Direito do Trabalho. 9. ed. São Paulo: LTr, 2010, p. 283.
216
MORAES FILHO, Evaristo de; MORAES, Antônio Carlos Flores de. Introdução ao Direito do
esquecendo-se de que, embora relevante, a dependência econômica não fisionomiza, por si só, a relação de emprego.
Atualmente não se questiona que a subordinação oriunda da relação de
emprego é a de caráter jurídico217, consubstanciada na “situação contratual do
trabalhador em decorrência da qual está sujeito a receber ordens”218, em outros
termos, ao estado do empregado de submeter-se à direção geral do empregador na execução dos serviços. Portanto a subordinação apta à configuração da relação de emprego corresponde à subordinação jurídica, sendo irrelevante a dependência meramente hierárquica, técnica ou mesmo econômica do trabalhador em relação ao contratante.
Por fim, alguns preferem entender a dependência sob o prisma da
alteridade219, considerando que é empregado aquele que presta serviços por conta
alheia, alienando os frutos do seu trabalho, sem assumir os riscos do empreendimento. Contudo a subordinação jurídica decorre precisamente do fato de o empregado prestar serviços por conta alheia, sendo, na realidade, uma consequência da alteridade e a mais visível evidência da relação de emprego.