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D. Yüküm Kavramının Anlamı ve Kapsamı

1. Alman Hukukunda “Yüküm” Kavramının Kapsamı

Em 25/01/1982, Lívia Romanelli d’Assumpção encaminha o relatório da viagem à Diamantina, realizada nos dias 15 e 16 de dezembro de 1981, ao Diretor da DTC/SPHAN/FNpM. No ofício a arquiteta denota a necessidade de se criar uma política de peso na cidade.

No relatório Lívia trata sobre o desenvolvimento urbano da cidade. Afirma que seu crescimento é notório, com muitas construções dentro e fora do perímetro tombado, sobre as quais a SPHAN não tem conhecimento. A arquiteta destaca que este crescimento não está ligado ao setor industrial e sim ao terciário, gerado por pessoas migrantes que buscam o êxito comercial, pois a cidade é pólo do Vale do Jequitinhonha. Segundo Lívia este fato é prejudicial ao patrimônio cultural da cidade, pois estas pessoas desconhecem os valores da arquitetura e cultura locais e nelas interferem. Alerta ainda sobre os novos loteamentos, que modificam o traçado urbano e criam possibilidades de novas volumetrias na cidade.

Em 04/03/1982 o presidente da Câmara Municipal, René Moreira solicita ao Diretor Aloísio Magalhães, da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a reabertura de seu escritório em Diamantina. Afirma que seu fechamento “vem

acarretando sérios prejuízos ao acervo cultural de nossa cidade”.

Em 14 e 15/04/1982, uma comissão da SPHAN/FNpM visita Diamantina. A comissão além de percorrer a cidade e verificar o local do loteamento da Santa Casa e sua possível interferência no centro histórico da cidade, realiza também uma reunião com o prefeito, na qual são abordados vários assuntos, dentre eles a solicitação ao prefeito da liberação de um funcionário municipal, em dias determinados, para a análise dos projetos da cidade.

Em 12/05/1982, Dimas Dário Guedes, Diretor da 7ª DR/SPHAN/FNpM envia a planta da cidade com a delimitação da área tombada solicitada pelo prefeito Silvio Felício dos Santos e requer ao mesmo, o envio da planta do loteamento do Seminário.

Em 04/11/1982, Dimas Dário Guedes, Diretor Regional, em ofício ao Dr. Irapoan Cavalcanti de Lyra, diretor da 7ª DR, solicita a reabertura do escritório em Diamantina, fechado em 1978 com a aposentadoria de Dagmar da Silva. Pelo fato das várias construções clandestinas, de projetos aprovados sendo realizados irregularmente, até por obras a serem realizadas pelo Instituto Pró-Memória, faz-se necessária a presença constante de um representante desta entidade na cidade de Diamantina. Segundo o ofício as atribuições deste funcionário seriam: (1) manutenção dos imóveis de propriedade do Pró-Memória; (2) acompanhamento e fiscalização das obras a serem iniciadas; (3) fiscalização dos projetos aprovados de novas construções e ou reformas; (4) protocolo dos processos provenientes da Prefeitura Municipal e (5) representação desta DR junto a comunidade local.

Em 05/09/1983, o prefeito Antônio Cruz de Carvalho encaminha ao Diretor da 7ª DR/Pró- Memória, Dimas Dário Guedes, “cópia da Lei no 1.264, de 26/08/83, que autoriza o Poder Executivo a instituir sob a Forma de Fundação, o Instituto Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico de Diamantina – IMPHA/Dta e dá outras providências”.

Em 05/09/1985, Lívia Romanelli d’Assumpção solicita a Maria Coletta Guatimosim Vidigal, diretora da SPHAN, permissão para a realização de reuniões periódicas para esclarecer e discutir com a população a análise de projetos; na intenção de conscientizar a comunidade local sobre a conservação da cidade. A intenção de Lívia é aproximar a sociedade dos princípios da SPHAN tornando-a uma aliada, uma parceira e não receptora de uma autoridade repressiva do desenvolvimento.

Em 31/12/1985, o Ministério do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, o Estado de Minas Gerais e a Universidade Federal de Minas Gerais firmam convênio para “apoiar a execução do “Projeto Diamantina” visando a preservação do patrimônio histórico-cultural e arquitetônico de Diamantina e o desenvolvimento sócio-econômico da Cidade e Região”.

Cópia do Termo de referência para a elaboração do relatório preliminar.

Cópia da Lei no 1.264, de 26/08/83 – Lei Estadual no 5.775,de 30 de setembro de 1971. A Lei no 1.264, de 26/08/83, que estabelece a criação, como autarquia, do Instituto do Patrimônio Municipal. Os objetivos do Instituto: (1) proceder o levantamento e tombamento de bens; (2) exercer por delegação da SPHAN e do IEPHA a proteção e fiscalização do bens por eles tombados; (3) organizar, manter e orientar a formação e funcionamento do Museu Regional de Diamantina; (4) estimular estudos e pesquisas referentes a área de atuação; (5) manter sistema de vigilância permanente para proteção dos monumentos e (6) exercer as demais atribuições que decorrem do disposto na lei. (Artigo 3o).

“Lei no 69, de 31 de outubro de 1949 (Municipal). Delimita o perímetro sobre que recai, nesta cidade Diamantina, a proteção de que fala o Decreto-Lei Federal no 25, de 30 de novembro de 1937 e dá outras providências.”

O município, situado no alto do Jequitinhonha, há aproximadamente 300 km de Belo Horizonte, possui uma área de 4.672km2, e é atravessado por duas bacias hidrográficas, a do Rio São Francisco e a dos Rios Doce e Jequitinhonha. O aspecto singular de Diamantina justifica-se pelo destaque na exploração do diamante e não do ouro. Obtém com isto, o antigo Arraial do Tejuco um regime especial dentro do conjunto das Capitanias de Minas Gerais. Os diamantes encontrados por volta de 1720 proporcionam em 1724 a criação da Intendência dos Diamantes. Neste período, em função da presença de uma administração rigorosa, que impõe algumas normas de ordenação urbana, ocorre a polarização e a consolidação da área central. Por volta de 1770, no apogeu dos diamantes, o traçado urbano básico do Tejuco já se encontra praticamente definido. A exploração do diamante faz com que a riqueza se concentre mais nas mãos das elites divergindo das vilas onde o ouro é explorado. Entre 1771 e 1848 há um período de estagnação da cidade, quando a mineração do diamante decai. Desde então, até 1914 o município vive um novo crescimento, acompanhando o da província de Minas Gerais. Já nesta época, Diamantina se constitui como centro regional de prestação de serviços e comércio do alto do Jequitinhonha. Este desenvolvimento não se traduz num crescimento em termos de recursos para novas construções, desta forma, o traçado urbano permanece praticamente inalterado até princípios do Século XX. Ocorrem melhoramentos como a luz elétrica (1910) e a construção do cemitério (1905). No período entre 1914 e 1979 há um remanejamento das principais vias de acesso ao Estado, com isto, Diamantina perde sua importância motivada pelo entroncamento das estradas.

Na segunda década do Século XX a cidade cresce em direção a linha férrea. Em 1969, é concluída a rodovia de asfalto que liga Diamantina a capital do Estado. Este é o vetor que impulsiona o crescimento urbano da cidade.

Segundo o documento do SPHAN e Pró-Memória os instrumentos de proteção são: “leis municipais / estaduais; tombamentos (estaduais e municipais); estudos e planos; órgãos locais de preservação”. O plano foi: “Circuito do Diamante – Diretrizes para o Desenvolvimento Urbano de Diamantina – Fundação João Pinheiro / Governo do Estado de Minas Gerais / SEPLAN-MG. Belo Horizonte, 1980. 2v.”.

As legislações a respeito do tema são:

Decreto-Lei Federal no 5.746, de 13 de agosto de 1943, “declara de utilidade pública a desapropriação de imóvel, que menciona, situado na cidade de Diamantina, Estado de Minas Gerais, e dá outras providências”.

Lei Municipal no 9, de 25 de fevereiro de 1948, “autoriza a Prefeitura Municipal de Diamantina a doar ao Governo da União a Biblioteca ‘Antônio Torres’ e a alienar a Biblioteca João Raimundo Mourão e Bernardinho da Cunha”.

Lei Federal no 2.200, de 12 de abril de 1954, “cria em Diamantina, Estado de Minas Gerais, o Museu do Diamante e a Biblioteca Torres, e dá outras providências”.

Lei Municipal no 1.264, de 26 de agosto de 1983, “autoriza o poder executivo a instituir como forma de fundação, o Instituto Municipal do Patrimônio Histórico e Artístico de Diamantina – IMPHA/DTA – e dá outras providências”.

O tombamento denominado “acervo arquitetônico e paisagístico da cidade” de Diamantina realizado em 16/05/1938 pela inscrição 66 na folha 12 do livro de Belas Artes. A área tombada delimitada pela Lei Municipal no 69, de 31 de outubro de 1949. Diamantina também possui monumentos tombados isoladamente.

Texto “Diamantina: Caminhos para sua preservação” da arquiteta Lívia Romanelli d’Assumpção.

“O arraial do Tejuco tem sua formação quadrangular, com reticulado semelhante ao

recomendado pelo conjunto de ‘Leis das Índias’ ”. Em 1831 Diamantina foi elevada a vila

e a cidade em 1838.

A industrialização e o desenvolvimento dos meios de comunicação exercem influência tardia, na provocação de modificações na região do vale do Jequitinhonha, pouco alterando o desenvolvimento econômico da região. A área é considerada das mais pobres do país e talvez do mundo.

A segunda fase de crescimento, na década de 1980, é atribuída à característica de “prestação de serviços” que a cidade adquire, porém, acarreta um problema associado ao patrimônio. Os imóveis, “foco” para sua instalação, são os localizados no centro da cidade, é óbvio. Ocorre que, para receber estes serviços, necessitam de reformas que os descaracterizam. O crescimento urbano da periferia da cidade também interfere em sua leitura espacial. A área central do perímetro de tombamento é a que mais conservada. D’ASSUMPÇÃO afirma que “por este motivo a 7ª DR/SPHAN já não usa do mesmo rigor

na aprovação de projetos conforme estejam na área central do perímetro de tombamento ou na sua periferia”. A arquiteta elabora uma nova proposta para o perímetro de

tombamento, abrangendo esta área, ainda mais preservada e fiscalizada pela SPHAN. O restante do perímetro também é considerado parte da área tombada, porém, com critérios menos restritivos do que na área central.

Praticamente todas as cidades históricas enfrentam a questão de garagens para os veículos. Hoje nas grandes cidades este também é um fato preocupante, já que os

prédios com garagem, e ainda, com mais de uma vaga, são mais valorizados e assumem a liderança preferencial no mercado. Ao mesmo tempo, a facilidade para aquisição de veículos infla deles as cidades. A grande dificuldade é, como abrigá-los numa cidade histórica sem interferir drasticamente nas fachadas das casas. As ruas destas cidades não estão preparadas para este tipo de tráfego que causa danos aos calçamentos, dificultam os passeios a pé, já que é uma característica marcante das cidades da época de Diamantina, os passeios mínimos.

A expansão urbana exige estudos de uso e ocupação do solo, que não é atribuição do IPHAN, apesar de afetar a conservação urbana da cidade. Este estudo, assim como o Plano Diretor, ficam a cargo da Prefeitura Municipal, que cuida da legislação urbana da cidade. O planejamento cuidadoso facilita a preservação urbana além de evitar uma série de questões.

Outra questão séria que abrange o Brasil é a escassez de recursos públicos para se aplicar na preservação urbana.

A falta de participação da população na discussão dos critérios também é preocupante, pois na medida em que as propostas são realizadas, sem que a população seja ouvida, limita a assimilação das mesmas, bem como inibe a possibilidade de parceria, o que dificulta sua aplicação.

Em seu texto Lívia apresenta como problemas primordiais, que exigem urgência de resultados: a redefinição da área tombada, solução para o tráfego de veículos pesados na cidade, bem como para estacionamentos e garagens dentro da área tombada. Lista ainda outros problemas, também urgentes, porém não prioritários: questões de adensamento urbano, parcelamento e loteamento da área urbana central, manutenção da área urbana da cidade e sua expansão.