1. Takrîr Yöntemi (Metodu)
1.4. Allah Rasûlü’nün Jest ve Mimikleri
1.4.8. Allah Rasûlü’nün Yüz İfadeleri
O conceito de indústrias criativas não foi suficiente, porém, para dar conta de todos os papéis centrais que a criatividade vem assumindo pra si na dinâmica socioeconômica atual, sobretudo na dinâmica urbana. Um primeiro aspecto desta colocação diz respeito à relação entre criatividade e trabalho. Se, por um lado, existe uma série de funções (serviços e trabalhos manuais) relacionadas às indústrias criativas que não estão relacionadas diretamente com o uso da criatividade, de outro, há uma série de profissionais cuja profissão envolve a aplicação direta de suas capacidades criativas na criação de valor econômico e que não se limitam a trabalhar nestas indústrias (HOWKINS, 2002; SCOTT, 2006). De fato, segundo relatório publicado no Reino Unido (HIGGS et al., 2008) haveria mais “pessoas criativas” trabalhando fora das indústrias criativas do que dentro delas.
Estas pessoas não se resumem de modo algum aos artistas, embora estes sejam um núcleo importante e “paradigmático” (VIVANT, 2012, p.48) no que diz respeito ao modo de
organização das relações de trabalho. Ao mesmo tempo, estes são obrigados a se adaptar aos novos tempos, apesar das suas diferenças com relação aos “demais criativos”.
Os empresários culturais, apoiados em gerações mais jovens, que se encontram familiarizadas com as novas tecnologias, exigem que os produtores artísticos e comunicacionais sejam regidos por critérios de eficácia e rendimento no design de seus produtos, no uso do tempo e dos materiais, que cumpram os prazos na execução dos trabalhos, e estimem os preços levando em conta a lógica econômica e não apenas as necessidades intrínsecas da criação (CANCLINI, 2000, p.368).
Mais uma dualidade, neste caso entre sobreviver e se dedicar a uma vocação, que sempre foi característica do modo de vida dos artistas, parece se desfazer aos olhos dos que analisam os “criativos”.
Como já apresentado, a definição de classe criativa de Florida (2002) abrange as ocupações mais diversas e possui limites bastante elásticos, definindo-se por ser a classe de profissionais pagos para criar - seja na arte e na cultura (o que inclui artistas de rua e professores), seja nos setores industriais tecnologicamente avançados (e seus alto executivos), seja nos mercados financeiros (com seus financistas internacionais), seja até mesmo na forma de pensar a sociedade (como o fazem os “novos burocratas” do planejamento estratégico) – o que, de pronto, põe em questão sua pertinência (SCOTT, 2008, p.76; VIVANT, 2006).
Na visão de Florida (2002), a situação dessa classe, em relação aos demais trabalhadores, seria favorável, uma vez que controlam os meios de produção (sua própria criatividade)74, o que lhes rende mais autonomia e flexibilidade – em termos de vestuário (no-collar), alocação de tempo ou local de trabalho – salários duas vezes maiores que a média e a possibilidade de integrar trabalho e lazer (realização e prazer) – embora reconheça a contrapartida em termos de stress, instabilidade, falta de tempo, etc. Segundo este autor, estes profissionais compartilham de um ethos comum, o que permite identificar suas características e valores enquanto classe: criatividade (autoexpressão), individualidade, abertura a diferença e meritocracia, a partir do qual baseiam um estilo de vida, em alguns aspectos, alternativo, em outros, tradicional (FLORIDA, 2002, p.82) – para Nicola et al. (2007), um encontro da ética boêmia com a ética protestante, que permite transformar a contracultura em espaço para converter capital humano em modo de fazer dinheiro, tal como bem denomina o rótulo bobo (bohemian bourgeoisie) (MARTINS, 2011).
74Nas palavras de Howkins (2002, p. ix): “Pessoas com ideias – pessoas que possuem ideias – tornaram-se mais poderosas que pessoas que trabalham com máquinas e, em muitos casos, mais poderosas do que pessoas que
Para Vivant (2006), a compreensão de Florida sobre o sentido de classe social é extremamente simplista, presa a um aglomerado estatístico em torno do emprego e do consumo que ignora uma análise qualitativa da existência ou não de uma consciência de classe. Para Nicola et al. (2007), trata-se de uma definição positiva da classe média75, da valorização do seu estilo de vida próprio, com sua necessidade especial de construção de um capital simbólico que a diferencie (HARVEY, 1992, p.312). Nesse sentido, a diversidade da qual fala Florida (2002), como ele mesmo reconhece, é uma diversidade restrita a uma elite escolarizada. Ou seja, a classe “criativa” não é criativa simplesmente por acaso ou por vocação como se faz parecer, mas por corresponderem, em grande parte, a uma parcela privilegiada da sociedade (SCOTT, 2008, p.76).
Por outro lado, manter-se nessa “classe”, no contexto do capitalismo flexível (onde a flexibilidade é uma norma e não uma opção), significa se submeter a condições de trabalho que só a primeira vista parecem fáceis como Florida quer demonstrar. Os processos de trabalho - caracterizados cada vez mais por uma organização por projetos, laços mais frouxos entre trabalhador e empresa, crescimento do trabalho autônomo e temporário (desemprego frequente), e o correspondente grau de instabilidade, irregularidade, falta de proteção e risco que os acompanham - forçam entre os membros mais elitizados da força de trabalho uma “autoexploração” na forma de uma corrida individualista em busca de qualificação, redes de contatos e experiências que favoreçam sua autopromoção, que os exaure – obrigando-os abrir mão da vida pessoal em favor da profissional, aumentando os níveis de ansiedade e depressão, diminuindo o tempo e o ânimo para a participação na vida política e mesmo impondo restrições a sua capacidade criativa, uma vez que estas devem se adequar as necessidades do mercado (HESMONDHALGH, 2008, MCROBBIE, 2011; RAUNIG, 2007; SCOTT, 2006, 2008; VIVANT, 2012).
Ao mesmo tempo, Florida (2002) destaca como a própria existência da classe criativa e as demandas que esta gera como uma classe bem remunerada e muito ocupada, reforça o crescimento de uma classe de serviços em ocupações de baixo salário e pouca autonomia (são domésticas, office boys, secretárias, garçons, cuidadores, etc.), reforçando a polarização de renda inerente à lógica neoliberal (ROSS, 2007; SCOTT, 2008).
75Em detrimento de uma definição negativa como aqueles que não pertencem nem a classe proletária, nem a classe capitalista.
De fato, em ambas as classes, ou na classe trabalhadora de modo geral, ao mesmo tempo em que cresce a exigência por habilidades ditas intelectuais ou criativas - racionais ou emotivas, nos termos de Scott (2008) – cresce a extensão com que a vida do trabalhador é subsumida pelo capital e que as condições de precariedade se estendem do trabalho para a vida como um todo. As fronteiras entre o mundo do trabalho e o da vida ficam mais tênues e é esse o verdadeiro sentido em que lazer e trabalho se misturam (PIRES, 2009; RAUNIG, 2007; RUBIM, 2009).