(em valores absolutos/milhões)
2004 2005(*) Campinas 643.746,00 441.787,98 Indaiatuba 159.418,00 118.320,00 Valinhos 91.550,00 57.422,00 Vinhedo 32.946,00 11.976,00 Holambra 66.622,00 5.796,00 Jaguariúna 143.766,00 - Paulínia 8.000,00 -
Fonte: Informações obtidas junto ao Assessor Financeiro da Assembléia Legislativa do estado
Nota: (*) Dados fornecidos até out/2005.
Cabe registrar que, essa insuficiência de dados de transferências da esfera estadual para os municípios, aqui registrada, é uma responsabilidade compartilhada, confessadamente, não insisti o suficiente para alcançar essa informação.
Nesse sentido, a tabela 20, fica como um registro e contribuição para outros estudos sobre financiamento da política de Assistência Social, principalmente em municípios do interior paulista.
3.2 O PROCESSO DE FINANCIAMENTO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL EM GOVERNOS MUNICIPAIS
Planejar é preciso, viver não é preciso.
Fernando Pessoa
Os instrumentos de gestão fiscal65 expressam as ações consideradas prioritárias num determinado governo e; as alocações de recursos nos orçamentos, traduzem-se em preferências de determinados serviços em detrimento de outros.
Esses instrumentos básicos de gestão pública foram previstos na CF/88 para
garantir uma integração entre planejamento e orçamento; unificação entre Orçamento Fiscal – OF; Orçamento da Seguridade Social – OSS e o Orçamento de
Investimento e; participação do poder legislativo ao longo de todo ciclo orçamentário.
Portanto, diante do objetivo central dessa tese, de identificar as condições pré-instaladas no campo do financiamento em governos locais para adesão do SUAS, a apreensão do ciclo orçamentário constitutivo do financiamento dessa
política, nos municípios da amostra, tornou-se fundamental.
Conforme o artigo 195 da Constituição, o ciclo orçamentário compreende: a Lei que estabelece o PPA; a LDO e a LOA. A elaboração do projeto de lei do PPA é
coordenada pela Secretaria de Planejamento ou órgão correspondente nas prefeituras municipais para posterior apreciação e aprovação do Legislativo.
O Plano Plurianual é publicado a cada quatro anos como uma lei ordinária onde estabelece, de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e metas da administração pública para as despesas de capital e outras delas decorrentes e os programas de duração continuada. Sua execução tem início no segundo mandato de cada prefeito e é encerrado no primeiro ano do prefeito seguinte.
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A gestão fiscal é a gerência da coisa pública sob o ponto de vista contábil e administrativo, portanto, o relatório de gestão fiscal engloba as informações sobre toda a responsabilidade do gestor público. O Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO); Lei Orçamentária Anual
(LOA) são os principais instrumentos que compõe o relatório de gestão fiscal em todo território nacional.
Ainda, o PPA relaciona o montante relativo dos dispêndios de capital66, as
metas físicas67 que devem ser alcançadas ao final de mandato, sendo discriminadas por tipo de programa e ação, detalhando ainda, as despesas que possuem duração continuada. Ou seja, o PPA, condiciona a programação orçamentária anual ao
planejamento de longo prazo e garante a continuidade de programas de governo na mudança de mandato.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias, baseada no PPA, tem a finalidade de
nortear a elaboração dos orçamentos anuais, estabelecendo metas e prioridades, define mudanças na Legislação Tributária e na Política de Pessoal. E, a Lei Orçamentária Anual é a materialização do aporte orçamentário e financeiro das metas estabelecidas no PPA.
A Lei Complementar nº. 101, de 4 de maio de 2000, ao estabelecer as normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade fiscal, em seu art. 1º, § 1º dispõe,
A responsabilidade na gestão fiscal pressupõe a ação
planejada e transparente68, em que se previnem riscos
e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e despesas e a obediência a limites e condições no que tange a renúncia de receita de despesas com pessoal, da seguridade social e outras, de garantia e inscrição em restos a Pagar.
Deixando explícito, entre outras coisas, a responsabilidade em elaboração de instrumentos com clareza de objetivos, controle público, metas definidas e equilíbrio entre despesas e receitas.
66 Dispêndio de capital: grupo de despesas que contribuem para formar um bem capital ou adicionar
um valor a um bem já existente, assim como transferir, por compra ou outro meio de aquisição, a propriedade entre entidades do setor público ou do setor privado para o primeiro. (Manual de Fundos Públicos, 2004:40)
67 Meta física: constitui um impacto físico, tangível e mensurável, observável a qualquer tempo na
avaliação de uma política pública. (Ibid)
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Grifo meu. Parece-me que este é uma grande desafio a ser enfrentado para a efetivação do financiamento da Assistência Social em governos locais.
E, ainda, no Capítulo IX que trata da Transparência, Controle e Fiscalização, na Seção I, art. 48, reforça o caráter público desses instrumentos explicitando o exercício da divulgação inclusive por meio eletrônico,
São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de conta e o respectivo parecer prévio; o relatório Resumido da Execução Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas
desses documentos.
Quanto ao acompanhamento e avaliação de todo ciclo de gestão fiscal, esta explicitado no capítulo X, nas Disposições Finais e Transitórias, mais propriamente no artigo 67,
O acompanhamento e avaliação, de forma permanente, da política e da operacionalidade da gestão fiscal serão realizados por conselho de gestão fiscal por representantes de todos os poderes e esferas de Governo, do ministério Público e de entidades técnicas representativas da sociedade (...).
A lei é clara e garante além de uma continuidade das ações de um mandato para outro, estabelece uma gestão pública organizada e transparente, no entanto, resta saber em que medida tem se efetivado o que é preconizado nesta lei.
Pois, no tocante a sua desobediência, no art. 73 dessa mesma lei, explicita os dispositivos de infração: Decreto-Lei nº. 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal); a Lei nº. 1.079, de 10 de abril de 1950; o Decreto-Lei nº. 201, de 27 de fevereiro de 1967; a Lei nº. 8.429, de 2 de junho de 1992.