1.3. Algılanan Değer Kavramı
1.3.1. Algılanan Değerin Önemi
Nesta seção faremos algumas observações sobre as opções metodológicas
realizadas para esclarecer nossas escolhas neste trabalho.
Utilizamos uma amostra com 27 estados brasileiros, incluindo o Distrito
Federal, entre os anos de 1992 a 1998, com o objetivo de abranger às duas gestões
dos governos estaduais (primeira gestão entre 1991 a 1994 e segunda gestão entre
1995 a 1998).
148Passemos às justificativas de nossas opções.
A primeira é relativa à troca do denominador das variáveis, onde substituímos
o PIB estadual pela Receita Corrente dos estados.
149A primeira razão para realizar
esta substituição é porque a medida de cálculo do PIB estadual foi feita a partir dos
impostos recolhidos (o principal imposto dos Estados é um imposto sobre valor
148
Como não termos os dados da PNAD para os anos de 1991 e 1994 para o cálculo da proxy de corrupção, o nosso período foi estabelecido de 1992 a 1998.
adicionado - ICMS), assim, utilizar o PIB estadual seria o mesmo que, por exemplo,
dividir o investimento e as despesas pela receita tributária. Para ilustrar este efeito,
verificamos a correlação entre o PIB estadual e as Receitas Tributárias, onde
encontramos uma estatística de 0,18,
150ou seja existe correlação positiva e
linearmente relacionada (vide Tabela 5). Adicionalmente, correlacionamos o PIB
estadual e a Receita Tributária com as demais fontes de receita, Receita Corrente e
Transferências, sendo que apresentamos todos os resultados na Tabela 5. Cabe
ressaltar que a Receita Corrente está negativa e fracamente correlacionada ao PIB
estadual, o que corrobora nossa opção.
Tabela 5 - Correlação entre o PIB Estadual e as Fontes de Receita (Receita
Corrente, Receita Tributária e Transferências) para os Estados
brasileiros no período de 1992 a 1998
PIB Estadual Receita Corrente Receita Tributária Receita Corrente Correlação de Pearson -.070 1 Sig. (2- caudas) .338 . N 189 189 Receita Tributária Correlação de Pearson .183* .814** 1 Sig. (2- caudas) .012 .000 . N 189 189 189Transferências Correlação de Pearson -.187* -.323** -.478**
Sig. (2- caudas) .010 .000 .000
N 189 189 189
Fontes Secretaria do Tesouro Nacional – STN e IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Contas Nacionais, Contas Regionais do Brasil 1985-2000, microdados.
Nota: Dados trabalhados pela autora. * Correlação é significante ao nível de 0.05 (2-caudas). ** Correlação é significante ao nível de 0.01 (2-caudas).
Além desta, a outra razão para termos realizado a substituição, é que não
podemos considerar o PIB estadual como a fonte básica de receitas dos para os
Estados, porque seus orçamentos são suplementados pelas Transferências
Correntes da União em muitos Estados. Verificamos pelos dados da Tabela 6 que
sistematicamente muitos Estados têm acima de 50% de suas Receitas Correntes
compostas pelas transferências da União.
149
Mauro (1996) divide as variáveis pelos PIB. 150
Tabela 6 - Relação da Transferência pela Receita Corrente para os Estados
brasileiros no período de 1992 a 1998
Região Estados 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 SE ES 0.25 0.19 0.19 0.19 0.22 0.21 0.27 SE MG 0.19 0.19 0.23 0.23 0.21 0.21 0.21 SE RJ 0.10 0.17 0.14 0.14 0.14 0.19 0.20 SE SP 0.06 0.08 0.07 0.07 0.08 0.08 0.09 S PR 0.15 0.14 0.19 0.18 0.19 0.23 0.22 S RS 0.12 0.13 0.15 0.14 0.15 0.16 0.19 S SC 0.18 0.15 0.17 0.17 0.20 0.20 0.18 N AC 0.87 0.82 0.87 0.85 0.85 0.78 0.71 N AM 0.26 0.25 0.28 0.19 0.19 0.24 0.32 N AP 0.81 0.81 0.91 0.90 0.87 0.85 0.85 N PA 0.38 0.43 0.37 0.44 0.41 0.47 0.49 N RO 0.47 0.46 0.49 0.54 0.56 0.39 0.50 N RR 0.76 0.70 0.79 0.81 0.80 0.80 0.76 N TO 0.67 0.69 0.71 0.68 0.67 0.70 0.70 NE AL 0.48 0.60 0.52 0.55 0.48 0.53 0.56 NE BA 0.23 0.30 0.30 0.32 0.31 0.37 0.39 NE CE 0.35 0.35 0.33 0.38 0.37 0.38 0.38 NE MA 0.55 0.62 0.59 0.63 0.58 0.64 0.65 NE PB 0.52 0.57 0.53 0.53 0.52 0.52 0.58 NE PE 0.29 0.34 0.29 0.32 0.32 0.33 0.36 NE PI 0.56 0.60 0.66 0.64 0.62 0.56 0.58 NE RN 0.51 0.53 0.53 0.54 0.52 0.50 0.52 NE SE 0.54 0.56 0.51 0.49 0.48 0.45 0.51 CO DF 0.55 0.52 0.55 0.60 0.57 0.56 0.55 CO GO 0.18 0.08 0.20 0.20 0.19 0.18 0.18 CO MS 0.13 0.15 0.18 0.21 0.24 0.29 0.33 CO MT 0.25 0.22 0.27 0.27 0.27 0.30 0.40 Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional (STN).Nota: Dados trabalhados pela autora. A relação das siglas dos estados e regiões encontra-se no Apêndice D.
Assim, não considerar estes dois motivos e dividir todas as variáveis
utilizadas nos testes pelo PIB estadual, no nosso entender, seria uma
superestimação do tamanho das variáveis.
151Desta forma, para evitarmos estes
problemas, dividimos todas as variáveis utilizadas nos testes pela Receita Corrente.
Na sua composição encontra-se as Receitas Tributárias adicionadas às
Transferências Correntes recebidas da União pelos para os Estados brasileiros no
período de 1992 a 1998s.
152151
Se a tentativa de colocar as variáveis em termos do PIB é indicá-las em termos da base que gera recursos, dividir as variáveis pelo PIB não é uma medida adequada. Estados e Municípios gastam muito acima da sua capacidade tributária (geraria a medida do PIB estadual) devido ao peso das transferências do governo federal (ARVATE; LUCINDA, 2004).
152
Não consideramos as Receitas Totais no lugar das Receitas Correntes porque falta a Receita do Capital, mas não se trata de diferença significativa, pois as Receitas de Capital representam muito pouco na Receita Total dos estados.
Uma segunda opção metodológica é relativa à divisão feita na amostra total
entre estados ricos e pobres para buscarmos robustez nos nossos resultados.
Optamos por fazer uma clara distinção entre os estados ricos (regiões Sul e
Sudeste) e pobres (regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste). Esta distinção já se
encontra na literatura, como podemos ver em Hirschman (1958) e Cardoso e Faletto
(1969), que apontaram uma dualidade na sociedade brasileira, assim dividida: um
setor moderno e urbano (Sul e Sudeste) e um setor atrasado e tradicional (Centro-
Oeste, Norte e Nordeste).
Além desta literatura, nos baseamos em dois critérios: o PIB Estadual e a
participação das Transferências sobre a Receita Corrente (vide gráficos 1 e 2).
Gráfico 1 - Produto Interno Bruto Estadual para os Estados brasileiros no período de 1992 a 1998 Fonte: IBGE.
Nota: Dados trabalhados pela autora. A relação das siglas dos estados e regiões encontra-se no Apêndice D. 0 548000 SP RJ MG RS PR BA DF PE GO CE ES PA AM MT MA PB RN AL SE RO PI TO AP AC RR SC MS SE SE SE S S NE CO NE CO NE SE N N CO NE NE NE NE NE N NE N N N N S CO 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998
Gráfico 2 - Relação da Transferência pela Receita Corrente para os Estados brasileiros no período de 1992 a 1998
Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional – STN.
Nota: Dados trabalhados pela autora. A relação das siglas dos estados e regiões encontra-se no Apêndice D.
Tanto o PIB Estadual como a participação das Transferências sobre a Receita
Corrente, quando separados em duas amostras - Estados ricos e pobres,
apresentaram diferenças significantes quanto aos testes de independência da
amostra: para a variância, Teste de Levene, e para a média, Teste t (vide tabelas 7 e
8).
Tabela 7 - Teste de Independência das amostras para a Variância em relação
ao Produto Interno Bruto Estadual e para a Relação da Transferência
pela Receita Corrente dos Estados brasileiros no período de 1992 a 1998
Variáveis Teste F Sig. Resultado
PIB Estadual Levane 27.301 .000 Não foi assumida a igualdade de variância Transferências
pela Receita Corrente
Levane 61.745 .000 Não foi assumida a igualdade de variância Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional – STN.
Nota: Dados trabalhados pela autora.
0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0.35 0.40 0.45 0.50 0.55 0.60 0.65 0.70 0.75 0.80 0.85 0.90 0.95 1.00 es tad o AP AC RR TO MA PI DF PB RN AL SE RO PA CE PE BA MT AM ES MS MG PR SC GO RJ RS região N N N N NE NE CO NE NE NE NE N N NE NE NE CO N SE CO SE S S CO SE S 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998
Tabela 8 - Teste de Independência das amostras para a Média em relação ao
Produto Interno Bruto Estadual e para a Relação da Transferência pela
Receita Corrente dos Estados brasileiros no período de 1992 a 1998
Variáveis Teste t Df Sig. (2-caudas)
PIB Estadual t -2.16 55.41 .035 Transferências pela Receita Corrente t 18.86 203.47 .000 Média da Diferença Desvio padrão da Diferença
Intervalo de Confiança de 95% da Diferença
PIB Estadual -12520.25 5798.13 -24138.02 -902.47 Transferências
pela Receita Corrente
.33 .017 .30 .36
Fonte: Secretaria do Tesouro Nacional – STN. Nota: Dados trabalhados pela autora.
Por fim, a terceira opção metodológica, foi com relação à causalidade, pois
optamos por uma direção na causalidade entre as variáveis, embora reconheçamos
existir a possibilidade da mesma houver no sentido inverso.
Como muito bem colocado por Mauro (1996), deve-se olhar com muito
cuidado qualquer recomendação de política ao se assumir a causalidade no sentido
do índice de corrupção para as demais variáveis testadas porque um maior nível de
gasto também pode ser fonte de corrupção (pode-se inverter, por exemplo, algumas
das colocações efetuadas na introdução deste trabalho: a escolha de gastos por
parte do governo pode gerar as oportunidades de corrupção). Não estamos livres
deste problema ao escolhermos a proxy de corrupção. Por exemplo, é perfeitamente
factível admitir que um maior nível de gasto possa levar a um aumento nos salários
públicos e, portanto, a uma relação de salários maior.
4 RESULTADOS EMPÍRICOS
Nesta seção, apresentaremos os resultados empíricos de modo a responder
as hipóteses apresentadas na seção anterior para governos estaduais do Brasil.
153Para examinar os efeitos potenciais da proxy de corrupção sobre a taxa de
crescimento do PIB, Investimento e Gastos dos governos subnacionais, utilizou-se à
técnica de dados em painel. Primeiro, por esta técnica considerar a heterogeneidade
individual, característica que os estudos temporais ou seccionais não levam em
conta.
154Segundo, porque o painel traz uma maior variabilidade dos dados, menor
colinearidade entre as variáveis, maior número de graus de liberdade e maior
eficiência na estimação.
155Mas levando-se em conta as deficiências que podem
ocorrer na amostra, tais como: o enviesamento de heterogeneidade,
156ou o
enviesamento de seleção.
157Considerando, por um lado, que os modelos com efeitos fixos têm seus
coeficientes como constantes fixas ou mesmo que variem por estado ou no tempo
não sejam aleatoriamente, por outro lado, os modelos com efeitos aleatórios
pressupõe que seja desconhecido o comportamento específico dos estados e
períodos de tempo, e, desta forma, não podendo ser observado e nem medido. Ou
seja, a matriz de covariância
Apesar da literatura recomendar efeito fixo ou aleatório para determinados
tipos de modelos, neste trabalho foi utilizado o teste de Hausman para selecionar se
a especificação seria com efeitos fixos ou aleatórios.
158153
Mauro (1996) trabalha com Mínimos Quadrados Simples (OLS) e em dois estágios (2SLS). 154
Hsiao (1993); Marques (2000). 155
Marques (2000). 156
O enviesamento por não ter considerado uma eventual diferenciação dos coeficientes no tempo e / ou nos estados (Marques, 2000).
157
O enviesamento devido a erros na coleta de dados, que acabam gerando uma amostra não aleatória (Marques, 2000).