BÖLÜM 3: DEBÛSĐ’DE AKIL-VAHĐY ĐLĐŞKĐSĐ
3.1.2. Aklın Bilgi Kaynaklığının Temellendirilmesi
Este trabalho se baseia em dados obtidos a partir do registro das interações entre monitor e alunos envolvidos em atividades conjuntas realizadas em viagens de estudo de campo.
Tais dados são de natureza discursiva, embora estejam incluídas aqui formas verbais e não verbais de discurso: foram registrados a fala e os gestos produzidos nas aulas de campo. A análise se dá em vários níveis, partindo da produção de enunciados pelos participantes e chegando na estrutura da atividade como um todo. O foco é a participação de cada modo semiótico (fala e gesto) no desenvolvimento da interação comunicativa entre os alunos e o monitor. O caminho que seguimos para analisar a participação dos modos foi a investigação da forma como as intervenções dos participantes se articulam, nos gestos e na fala, para a construção de significados.
Para tanto, transcrevemos todas as falas e todos os gestos, identificamos cada uma das mensagens contidas no discurso e as quantificamos de acordo com nossas categorias de análise, que apresentaremos logo mais.
A análise fina, que envolve o detalhamento de todas as produções comunicativas da interação, produz um corpo de dados que é manejado quantitativamente, mas que, tanto em relação ao tratamento inicial dos dados, como
em relação aos desdobramentos de sua análise, situa esta pesquisa em uma abordagem qualitativa.
A análise que se ensaiou aqui, tendo em conta a busca de reconstituir os processos de construção de significado a partir de indícios presentes nas interações discursivas, em uma perspectiva sociogenética, aproxima nossa pesquisa da abordagem microgenética (DE GÓES, 2000), orientada para a perspectiva enunciativo-discursiva.
O Cenário
Todas as atividades de campo foram realizadas no Parque Estadual da Ilha do Cardoso – PEIC, localizado no extremo sul do litoral do estado de São Paulo, na região do Vale do Rio Ribeira de Iguape mais próxima de sua foz.
O parque, administrado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e pelo Instituto Florestal, foi fundado por decreto publicado em Julho de 1962. Conta com uma área de 22.500 hectares (SÃO PAULO, 1989) que abriga grande número de espécies vegetais e animais, incluindo diversas espécies endêmicas bem como espécies ameaçadas de extinção.
É uma unidade de conservação que tem recebido grande volume de visitas de escolas, principalmente devido a vários fatores: à proximidade com a cidade de São Paulo (cerca de 200 km); à existência, no parque, de ecossistemas diversificados e bem preservados; e à ótima infra-estrutura de visitação de que dispõe. Além de contar com monitores ambientais do próprio parque, conta com as instalações do CEPARNIC – Centro de Pesquisas Aplicadas em Recursos Naturais da Ilha do
Cardoso, construído em 1974 e que possui alojamento para 50 pessoas, refeitório, anfiteatro, laboratórios e museu.
As atividades que acompanhamos foram realizadas em quatro ambientes diferentes: o manguezal; a mata de restinga; a praia arenosa em que se desenvolve a vegetação de duna; e o costão rochoso.
Os manguezais são formações que se desenvolvem em regiões onde a água dos rios entra em contato com a água do mar, nas regiões tropicais e subtropicais. Apresenta uma baixa diversidade de plantas altamente especializadas para a sobrevivência em áreas que recebem forte influência da água salgada do mar e que fornecem abrigo para uma grande diversidade de organismos, principalmente aquáticos. Estes, constituem uma complexa teia alimentar baseada em microorganismos que se utilizam dos nutrientes provenientes dos ricos sedimentos trazidos pelos rios e ali depositados para fazer do manguezal um ambiente de alta produtividade.
A mata de restinga é uma formação que se desenvolve sobre solo predominantemente arenoso, em áreas que são na verdade antigas dunas arenosas, que ao longo do tempo sustentaram comunidades vegetais rasteiras que imobilizaram a areia do solo, enriqueceram o solo de material orgânico e protegeram-no da ação do sol, modificando assim suas características e transformando muito lentamente todo o ambiente. Gerações e gerações de cobertura vegetal se sucedem, com formações cada vez mais ricas até a constituição da mata de restinga.
A vegetação de duna é aquela que se desenvolve nas áreas mais altas da praia arenosa, que não são atingidas pelas águas do mar. É composta, principalmente, de espécies de plantas rasteiras que geralmente possuem vários
pontos de fixação no solo, raízes superficiais e folhas grossas e impermeáveis. Tais espécies mostram muitas características interessantes, como adaptações à alta insolação, à falta de estabilidade do solo arenoso, à baixa oferta de água e à alta salinidade, entre outras, que as permite viver em um ambiente bastante inóspito.
O costão rochoso se apresenta na forma de praias rochosas que abrigam uma variedade de organismos, muitos deles fixos à rocha, que se distribuem no espaço de forma diretamente relacionada com o alcance da água do mar durante as variações de maré. Abaixo da linha das marés mais baixas, os organismos nunca são expostos, vivem permanentemente na água. Acima da linha da maré mais alta, nunca são submersos, recebem apenas borrifos de água das ondas. Em toda a linha intermediária, a zona entre-marés, a distribuição de organismos é dependente da proporção do tempo em que ficam submersos ou expostos, bem como de adaptações que os protejam dos efeitos do batimento das ondas.
Apresentamos, a seguir, algumas imagens que mostram aspectos dos ambientes visitados e do Parque Estadual da Ilha do Cardoso.
Rocha do costão da Ilha do Cardoso, em que se percebe o padrão de distribuição dos organismos fixos: cracas no topo, mexilhões e algas no meio e ostras na parte de baixo.
Vegetação de duna, vista a partir da praia.
Interior do manguezal na maré baixa.
Os Atores
Os alunos que participaram das atividades observadas, divididos em grupos que continham de 12 a 23 participantes, cursavam a sexta série do ensino fundamental, sendo provenientes de famílias de classe média ou de classe alta.
As três escolas cujas viagens acompanhamos estão localizadas da cidade de São Paulo, em bairros que concentram moradores das classes sociais mais altas. Duas delas possuíam duas classes de sexta série do ensino fundamental, e a terceira contava com quatro classes. Todas têm um histórico de mais de 10 anos realizando viagens de estudo e contam com professores experientes nesse tipo de atividade.
As viagens, de três dias de duração, foram organizadas em parceria com agências de turismo educacional. Duas das viagens foram operadas por uma agência de maior porte, uma das líderes de mercado, e a outra viagem, por uma agência pequena, em número de funcionários e clientes. No entanto, ambas a agências têm mais de 10 anos de atuação, são bem conceituadas entre as escolas e possuem uma rotina de trabalho semelhante, contando inclusive com monitores de perfil bastante semelhante.
Os monitores que acompanharam os grupos vivem todos na cidade de São Paulo e prestam serviços para as agências de turismo educacional. Não são funcionários das empresas, apenas participam dos projetos de viagem, que incluem visitas à escola, na fase de preparação, e a atuação nas viagens. Apresentamos, a seguir, um breve perfil de cada um dos três monitores cujo trabalho acompanhamos, identificados aqui com nomes fictícios.
Daniel é biólogo, formado há quatro anos, e há seis anos trabalha como monitor. Faz cerca de trinta viagens educacionais por ano, além de desenvolver projetos em educação ambiental e turismo. Tem vinte e cinco anos de idade e já atuou como professor por quatro anos. Lecionou em escola rural, para alunos de primeira a quarta séries do fundamental, foi professor de ciências no ensino fundamental e de laboratório de biologia no ensino médio. Em nossa pesquisa, é o monitor que acompanhou os alunos, junto com um monitor local, no ambiente do manguezal.
Marina é bióloga formada há oito anos, trabalha como monitora há sete e atua em cerca de dez viagens educacionais por ano. É pesquisadora na área de biologia celular, em que cursa programa de doutorado. Tem trinta e um anos de idade e tem pouca experiência como professora, adquirida em estágio de ensino para alunos de terceiro grau. Em nossa pesquisa, é a monitora que acompanhou os alunos, junto com um monitor local, nos ambientes de costão rochoso e praia com vegetação de duna.
Marcelo é também biólogo, tem trinta e cinco anos e é formado há onze, além de ser mestre e doutor em zoologia. Trabalha como monitor há dez anos, fazendo cerca de sete viagens educacionais por ano. É professor há 4 anos, e leciona atualmente em curso pré-vestibular, além de curso de preparação para concursos e curso de pós graduação latu-sensu em educação ambiental. Em nossa pesquisa, é o monitor que acompanhou os alunos, junto com dois monitores locais, no ambiente da mata de restinga.