C- Tarihçiliği
I- Akdeniz’e Hâkim Olma Mücadelesinde Devletler
As superfícies de aplainamento no Brasil são reconhecidas em sua maioria no sudeste brasileiro, devido ao maior aporte de estudos relacionados à geomorfologia nessa região, sendo muito utilizadas nos estudos geomorfológicos de bases regionais.
Uma ampla revisão dos estudos vinculados às superfícies de aplanamento no Planalto Atlântico foi feita por PONÇANO e ALMEIDA (1993), onde relatam as várias propostas feitas por autores que estudaram essa região Tabela I.
Tabela I – Esquema das Fases de Erosão Regional, segundo diversos autores.
Período Geológico DE MARTO NE (1943) FREITAS (1951) KING (1956) ALMEIDA (1964) BIGARELLA ANDRADE (1965) VALADÃO (1998) Holoceno Pleistoceno Ciclo Quaternário Ciclo Paraguaçu Paleopavimentos Pedimentos P2, P1
Plioceno Pediplano Pd1(transição
Plio-Pleistoceno)
Mioceno
Ciclo Velhas Diversas
superfícies ao longo de vales, originados por erosão de vertentes sem planação lateral. Oligoceno Superfície Neogênica
Soerguimento Falhamentos Pediplano Pd2
Eoceno Cristas Médias Superfície Japí Paleoceno Superfície dos Campos Soerguimento Peneplano Terciário ou Nível B. Soerguimento e falhamentos Peneplanação Sul- Americana Pediplano Pd3 Cretáceo Superfícies Pós- Gondwana/ Superfície Gondwana Superfície Sul- Americana II final do Plioceno Superfície Sul- Americana I, formada entre Mioceno Médio ao Plioceno Superior. Superfície Sul- Americana, desenvolvida no Cretáceo Superior- Mioceno. Jurássico
Triássico Sup. Desértica
Permiano Peneplano Cretáceo ou nível B Soerguimento Carbonífero Superfície Pré- Permiana
Superfície Fóssil Superfície Itaguá
Devoniano Superfície
itupeva
O primeiro trabalho alusivo à existência de tais superfícies foi elaborado por MORAES REGO (1932), no qual se refere a uma superfície de erosão em São Paulo muito evoluída e, cuja idade, afirma ser Eocênica.
DE MARTONNE (1943) identifica em seu trabalho quatro superfícies erosivas, sendo elas: Superfície Pré-Permiana, com ocorrência restrita, Superfície de Campos em áreas com altitude em torno de 1800-2000 metros de altitude, localizada principalmente nas escarpas da Serra da Mantiqueira, em um patamar abaixo dessa, ele atribui a faixa de topos alinhados em altitude de 1100-1300 metros o nome de Superfície de Cristas Médias e, uma outra mais nova, em altitudes de 1000-900 metros de Superfície Neogênica.
FREITAS (1951) em seu trabalho sobre a evolução do relevo brasileiro faz uma relação com o trabalho DE DEMARTONNE (1943) no qual ele associa as superfícies dos Campos e Cristas Médias ao ciclo erosivo ocorrente no Cretáceo, sendo este, precedido por uma epirogênese da plataforma. A superfície que sofreu atuação deste ciclo erosivo foi denominada por FREITAS de Peneplano Cretáceo ou Nível B, onde os relevos têm seus topos entre 1400-1200 metros. Segundo ainda FREITAS (1951) esse nível B teria sofrido um escalonamento devido aos movimentos tectônicos ocorridos durante o Cretáceo, elevando esse nível a altitudes entre 2000-1600 metros, resultando, por exemplo, em modelados como o da Serra da Mantiqueira. Outro nível definido por FREITAS (op. cit.), trata-se do Nível A, com altitudes entre 1000-800 metros, desenvolvido após outro soerguimento epirogênico e responsável pelo escalonamento dos blocos, resultando assim, nas bacias de Taubaté e São Paulo. Ele ainda aponta um evento anterior que teria ocorrido na bacia de São Paulo que teria deformado os sedimentos ali existentes.
KING (1956) em seu trabalho sobre o relevo do Brasil Oriental também identifica superfícies de aplanamento e, as relaciona com aquelas por ele anteriormente estudadas no continente africano. Sendo assim, KING (op. cit) identifica as seguintes superfícies: Fóssil, de idade Carbonífera; Superfície Desértica, idade Triássico-Superior; Superfície Gondwana, do Cretáceo Inferior; Superfície Pós-Gondwana, do Cretáceo- Superior; Superfície Sul-Americana, no Terciário Inferior, segundo o autor, essa
superfície teria sido dissecada a partir Paleoceno, pelas superfícies subseqüentes, restando somente seus topos sub-nivelados; Superfície Velhas, Terciário Superior; e Superfície Paraguaçu, Quaternário.
Convém ressaltar que, as duas primeiras superfícies, Fóssil e Superfície Desértica são identificadas no continente africano por King e não foram identificadas no território brasileiro pelo autor.
ALMEIDA (1964) em seu trabalho sobre a geologia do Estado de São Paulo, também identifica superfícies de aplanamento, sendo estas: Superfície Itapeva, de idade Pré-devoniana; Superfície Itaguá, do Carbonífero; e Superfície Japí, do Pré- Pleistoceno. O autor ainda admite uma posterior, mais jovem que a Japí, relacionada a ciclos erosivos localizados, sendo, por ele identificada como Superfície São Roque - Jundiaí Ab’Saber 1992, caracteriza tal superfície como de caráter intermontano, identificando-a no estado de são Paulo entre a face norte da Serra do Japí e a Face sul da Serra do Jardim.
Para ALMEIDA (1964) a Superfície de Cristas Médias e, a dos Campos de DE MARTONNE constituem uma única superfície, onde, devido a ocorrências de falhamentos e flexuras teria sido deformada, restando alguns residuais acima de 1300 metros de altitude. Ele denominou tal superfície de Japí que, para o norte, passa a apresentar um nivelamento de seus topos em torno de 1200-1300 metros. Posteriormente ALMEIDA (1976) indica ser do Paleógeno, com base no nivelamento dos topos das intrusões alcalinas de cerca de 80Ma, sendo então, o desenvolvimento dessa superfície bem complexo, associado a processos de vulcanismo e soerguimento crustal, acompanhado por falhamentos e basculamentos.
PONÇANO & ALMEIDA, (1993) ainda destacam que, mesmo sendo controverso o seu surgimento, existe concordâncias entre os autores sobre o desenvolvimento de tal superfície durante o período Pós-Cretácico e, início do Terciário, em um paleoambiente de clima semi-árido, servindo assim de elemento para basilar a evolução do relevo Cenozóico partindo de tal superfície.
VALADÃO (1998) propõe para o Brasil Oriental a evolução do relevo segundo episódios de soerguimento e denudação durante o Cenozóico e Mesozóico, assim ele
descreve três grandes superfícies de aplanamento, a Superfície Sul-Americana, desenvolvida no Cretáceo Superior-Mioceno; Superfície Sul-Americana I, formada entre Mioceno Médio ao Plioceno Superior; e finalmente, a Superfície Sul-Americana II, elaborada posteriormente a um soerguimento crustal no final do Plioceno até atualmente. Porém, tal quadro não tem tanta validade quando extrapolado para a região Sudeste, devido a tectonismo que, interrompeu sua evolução e origem do seu arrasamento.
A área de estudo no contexto de tais superfícies estaria situada nos seguintes compartimentos dos autores supracitados, Superfície de Campos de DE MARTONNE (1940), Peneplano Cretáceo ou Nível B de FREITAS (1951), Superfície Gondwana de KING (1956) e Superfície Japí de ALMEIDA (1964), localizada nas superfícies de cimeiras encontradas na Região Sudeste.
Na explicação para a elaboração de superfícies de aplainamento, muitos autores utilizam-se de interpretações climato-geomorfológica como DE MARTONNE (1940) BIGARELLA & ANDRADE (1965); BIGARELLA & MOUSINHO (1965) RANZANNI & PENTEADO (1968), dentre outros.
Tal interpretação baseia-se nas transições climáticas decorridas durante os períodos geológicos, mais especificamente, o Quaternário. Essas transições climáticas com alternância de climas semi-áridos e úmidos, fundamentando-se na teoria da Bio- resitasia de ERHART (1956) que, postula que em fases de clima úmido haveria um desenvolvimento maior da vegetação e da ação química e, concomitantemente o aprofundamento do manto de intemperismo e aumento da predominância de formas convexas. A drenagem encontrar-se-ia encaixada, com pequena quantidade de sedimentos depositados ao longo do canal.
Já nas fases secas haveria uma atuação maior do intemperismo físico e redução da vegetação, já em relação ao recuo das encostas, haveria a formação de relevos residuais e a presença de depósitos detríticos como as formas pedimentares. A drenagem se encontraria muitas vezes entulhada de sedimentos com escoamento difuso e rios intermitentes.
A partir dessa interpretação, BIGARELLA & ANDRADE (1965) e BIGARELLA E MOUSINHO (1965) identificam formas de relevo ligadas a tais interpretações reconhecendo três eventos de pediplanação da paisagem brasileira e suas respectivas superfícies. Denominaram tais superfícies de Pd3, a mais alta, Pd2, a intermediária e
Pd1, a mais inferior. O Pd3 seria o mais antigo, pois corresponderia a uma superfície
desenvolvida no final do Cretáceo, equivalente a Superfície Sul-Americana ou Japí. O Pd2 teria se desenvolvido Paleógeno, e o Pd1 seria o aplainamento mais jovem
desenvolvido durante o Plioceno Pleistoceno. No Pd1, foram identificados ainda dois
níveis pedimentares embutidos, P1 e P2, tendo estes, amplitude local, enquanto os pediplanos seriam regionais. Os autores relacionam os níveis P1 e P2 a variações climáticas ocorridas durante o último período glacial, onde, no sul-sudeste do Brasil, teriam se instalado climas mais secos, sendo que, esses níveis teriam como respostas os depósitos correlativos, os sedimentos detríticos em linhas de pedra e colúvios. Tal interpretação é um dos elementos usados para a explicação do afeiçoamento da paisagem da área de estudo e, a construção dos pacotes coluviais encontrados na área.
CORREA & MENDES (2003) em trabalho sobre elementos conceituais sobre as superfícies de erosão, colocam vários pontos que, seriam necessários na elucidação da teoria de superfícies de erosão. Para os autores, alguns problemas metodológicos surgem na análise da teoria, como: “a homologia geomorfológica entre erosão/deposição que é complexa, pois, o relevo é, antes de tudo, um fenômeno de destruição, e o mesmo não se detém após a produção de um nível deposicional correlato, mas sim, continua a evoluir de acordo com as leis do equilíbrio dinâmico de ajuste entre as formas, stocks litológicos e processos superficiais”. Com relação aos modelos de KING (1956), os autores apontam os pontos de difícil observação citados por HELGREN (1979):
- Os continentes estão sujeitos ao alçamento episódico generalizado; - Todas as encostas sofrem recuo paralelo por longas distâncias;
- Os “knick points” dos rios recuam continente adentro por longas distâncias;
- Superfícies de baixo relevo, extensas, só se formam em relação a um nível de base comum: o nível do mar.
Como proposta para a elucidação de tais problemas relacionados às superfícies de erosão, esses seriam os elementos utilizados:
- Relacionados aos dados de TFA (Traço de Fissão em Apatita), mostram que em determinadas áreas a isostasia compensaria a denudação e, as formas se manteriam positivas (em equilíbrio dinâmico) se os “stocks” geológicos permitirem, até que se ultrapasse um patamar geomórfico, assim, as superfícies não se formariam após a denudação regional, mas, se manteriam como feições dinâmicas na paisagem, sofrendo erosão e perda de material. Suas evidências morfológicas estariam ligadas ao processo de recuo das encostas em margem passiva e, a diminuição das idades do TFA das encostas em direção ao interior, porém, não é o que se observa, os dados então apontam para uma manutenção das formas, em equilíbrio dinâmico.
- Quanto aos perfis de alteração como marcadores de tais superfícies, CORREA & MENDES (op. cit) citam as características e processos pelos quais tais perfis podem passar, dentre outros fatores, como elementos que, dificultam sua utilização como marcadores cronológicos.
- Um último ponto estaria ligado a método de amostragem e identificação da superfície, sendo as escalas de observação um grande entrave, já que, a escala local permite uma amostragem menor para a conformação da superfície. Já em escalas maiores ocorre o inverso, a demanda de dados devido a maior proximidade altimétrica entre as superfícies.