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2.1.2.2. Akademik Birimler ve Yapı
E VALORES PRESENTES NA CARTA MAGNA
Destacamos, referenciados em boa doutrina, o entendimento da supremacia da Constituição no interior do ordenamento/sistema jurídico, do que decorre a superioridade hierárquica dos princípios, normas estritas (regras), valores e diretivas existentes na Carta Magna. Consideramos que a falta de reconhecimento, no sentido teórico e/ou prático, da superioridade hierárquica do definido constitucionalmente significa concretamente a ausência de adesão, verificável em diversos graus, à Lei Maior, desatendendo o princípio da legalidade constitucional.
Ressaltamos que o princípio da supremacia da Constituição exige que a interpretação do sistema/ordenamento ocorra a partir da Constituição e também significa uma rejeição de tentativas de principiar a mesma pelas pelos princípios, normas estritas (regras), diretivas e valores presentes nas regulações infraconstitucionais.
Entendemos que a Constituição como norma jurídica de maior hierarquia sujeita, penetra e cria ligação umbilical direta com todos os institutos e relações jurídicas, públicas e privadas, o que implica no reconhecimento de não ser aceitável qualquer contraposição rígida entre o Direito Público e o Direito Privado. A contraposição referida também não encontra sustentação em face da ordem jurídica ser una.
No rumo indicado, Pietro Perlingieri destaca que:
(...) A Constituição ocupa o lugar mais alto na hierarquia das fontes, (...). Daí a obrigação – não mais livre escolha – imposta aos juristas de levar em
consideração a prioridade hierárquica das normas constitucionais, sempre que se deva resolver um problema concreto.
(...) A solução para cada controvérsia não pode mais ser encontrada levando em conta simplesmente o artigo de lei que parece contê-la e resolvê-la, mas, antes, à luz do inteiro ordenamento jurídico, e, em particular, de seus princípios fundamentais, considerados como opções de base que o caracterizam.37
Igualmente lembra Celso Ribeiro Bastos, ao tratar da supremacia da Constituição, que:
Na Constituição, o fenômeno hierárquico ganha um sentido próprio, evidenciado pela circunstância de que não há um conjunto de normas às quais se pudessem filiar os preceitos da Constituição.
Deve-se evitar qualquer infringência dessa particularidade, reconhecendo- se que a Constituição é a norma superior em qualquer ocasião. (...)
O postulado da supremacia da Constituição repele todo tipo de interpretação que venha de baixo, é dizer, repele toda a tentativa de interpretar a Constituição a partir da lei. O que cumpre ser feito é sempre o contrário, vale dizer, procede-se à interpretação do ordenamento jurídico a partir da Constituição.38
Considera Luís Roberto Barroso, ao examinar a mencionada supremacia da Constituição, que:
Toda interpretação constitucional se assenta no pressuposto da superioridade jurídica da Constituição sobre os demais atos normativos no âmbito do Estado. Por força da supremacia constitucional, nenhum ato jurídico, nenhuma manifestação de vontade pode subsistir validamente se for incompatível com a Lei Fundamental. (...).39
Gustavo Tepedino, quando examina as premissas metodológicas para a constitucionalização do Direito Civil, anota que “a rigor, não há espaços de liberdade
37 PERLINGIERI, Pietro.
Perfis do Direito Civil: Introdução ao Direito Civil Constitucional. Op. cit.,
pp. 4-5.
38 BASTOS, Celso Ribeiro.
Hermenêutica e Interpretação Constitucional. Op. cit., pp. 101 e 102. 39 BARROSO, Luís Roberto.
Interpretação e Aplicação da Constituição: Fundamentos de Uma
absoluta, ou territórios, por menores que sejam, que possam ser considerados invulneráveis ao projeto constitucional”.40
Destaca Maria Celina Bodin Moraes, quando traça os caminhos para um direito civil constitucional, que:
Acolher a construção da unidade (hierarquicamente sistematizada) do ordenamento jurídico significa sustentar que seus princípios superiores, isto é, os valores propugnados pela Constituição estão presentes em todos os recantos do tecido normativo, resultando, em conseqüência, inaceitável a rígida contraposição direito público-direito privado. (...)
(...) toda norma do ordenamento deve ser interpretada conforme os princípios da Constituição Federal. Desse modo, a normativa fundamental passa a ser a justificação direta de cada norma ordinária que com aquela deve ser harmonizar.
Negar tal atitude hermenêutica significa admitir um ordenamento assistemático, inorgânico e fragmentado, no qual cada núcleo legislativo responderia a tecido axiológico próprio, desprovido de unidade normativa, traduzindo-se em manifesto desrespeito ao princípio da legalidade constitucional.41
Pensa Gustavo Tepedino, quando trata das relações de consumo e a nova teoria contratual, que:
(...) A Constituição Federal não pode ser considerada como mero limite ao legislador ordinário. E nem mesmo como mero limite ao intérprete, reprimindo os atos ilícitos.
A Constituição Federal cuidou analiticamente de diversos institutos do direito privado, embora tenha tido o cuidado de fixar, em seus primeiros artigos, os fundamentos e os princípios da República, de moldes a vincular o legislador infraconstitucional e o intérprete a uma reunificação axiológica que independa da regulamentação específica de cada um dos setores do ordenamento.
É preciso pois superar os velhos limites das doutrinas do direito constitucional tendentes a restringir a atuação das chamadas normas programáticas, não auto-aplicáveis. Toda regra constitucional é norma jurídica com efeitos imediatos sobre o ordenamento infraconstitucional.
40 TEPEDINO, Gustavo. In:
Temas de Direito Civil. Op. cit., p. 21.
41 MORAES, Maria Celina Bodin. A Caminho de Um Direito Civil Constitucional. In:
Revista de Direito Civil, nº 65. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1993, pp. 21-32, pp. 24 e 26.
A Constituição é toda ela norma jurídica, seja qual for a classificação que se pretenda adotar, hierarquicamente superior a todas as demais leis da República, e, portanto, deve condicionar, permear, vincular diretamente todas as relações jurídicas, públicas e privadas.42
2.3. OS PRINCÍPIOS E DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS DEVEM SER