BULGULAR VE YORUMLAR
1. Akademik Başarıyı Etkileyen Öğrenciden Kaynaklı Faktörlere İlişkin Bulgular ve Yorumlar
Mais recentemente, Lambrecht oferece uma interpretação mais pragmática para a unidade de Tópico. Em princípio, o autor utiliza a ideia de “aboutness” apresentada por Hocket (1958): para Lambrecht, um referente será interpretado como Tópico de uma proposição se, num dado discurso, esta proposição for construída como sendo sobre esse referente. Em uma expressão com Tópico, a proposição deve expressar uma informação relevante, ou “nova”, sobre o referente expresso pelo Tópico (LAMBRECHT, 1994). Esse conceito ancora-se no Princípio da Relevância, formulado por Strawson: declarações são feitas sobre o que é uma questão de interesse, é o contexto que define o que é de interesse ou não38 (STRAWSON, 1964). Em expressões com Tópico, necessariamente, a informação
expressa deve ser relevante sobre um referente, ou seja, uma informação que aumente o conhecimento do interlocutor sobre o assunto.
O componente pragmático da proposta de Lambrecht (1994) está na associação entre aboutness e relevância. Segundo ele, a relevância é construída a partir do contexto discursivo particular em que ocorreu a produção da locução. Em outras palavras, um constituinte será uma expressão tópica se a proposição expressa pela cláusula com que este está associado é pragmaticamente construída como sendo sobre o referente desse constituinte. Em outras palavras, é o contexto que leva à interpretação sobre qual é o Tópico de uma locução. Um mesmo conteúdo linguístico pode representar estruturas informacionais diferentes, dependendo do contexto em que foram produzidas, pois não há nenhuma marca linguística que determine a estrutura informacional da sentença.
38 "We do not, except in social desperation, direct isolated and unconnected pieces of information at each other, but on the contrary intend in general to give or add information about what is a matter of standing or current interest or concern. There is a great variety of possible types of answer to the question what the topic of a statement is, what a statement is 'about' [...] and not every such answer excludes every other in a given case." (STRAWSON, 1964, p. 92).
Lambrecht afirma ainda que uma mesma mesma estrutura, expressando uma mesma proposição, pode ter estruturas informacionais diferentes e, portanto, Tópico é uma função da construção pragmática dos enunciados.
Observem-se os exemplos do autor:
i. As crianças foram para a escola.
i.a O que as crianças fizeram? (Tópico)
i.b Quem foi para a escola? (Foco)
i.c O que aconteceu? (Foco distribuído na sentença)
Supondo-se a ocorrência do enunciado apresentado em negrito, “as crianças foram para a escola”, o referente “as crianças” será interpretado como Tópico ou foco a depender do contexto em que foi produzido. Será Tópico apenas se for produzido em um contexto em que pode ser considerado como uma resposta para a pergunta em i.a. Para que seja Tópico, o referente “as crianças” tem que ser necessariamente informação contextualmente conhecida. Segundo Lambrecht, essa expressão só pode ser Tópico da sentença caso seja uma resposta a uma pergunta do tipo “O que as crianças fizeram?” (i.a) porque, em tal caso, a predicação é pragmaticamente relevante ao referente já estabelecido no discurso. Se, por outro lado, a sentença é produzida como resposta à pergunta “Quem foi para a escola?” (i.b), a expressão “as crianças” não é uma expressão tópica. A predicação não tem relevância, uma vez que seu conteúdo não expressa nada de “novo” sobre o referente, ao contrário, a informação nova transmitida pela expressão “as crianças”, que recebe então um foco.
Com isso, o autor argumenta que Tópico e sujeito não devem ser confundidos, pois são conceitos fundamentados em níveis distintos, o pragmático (ou seja, definido pelo contexto) para o Tópico, e o sintático (linguisticamente marcado pelo falante) para o sujeito (LAMBRECHT, 1994).
6.2 ALGUMAS INVESTIGAÇÕES SOBRE O TÓPICO NO PORTUGUÊS DO BRASIL
Um dos primeiros trabalhos a abordar a questão da estrutura informacional produzido no Brasil é estudo de Liberato, que pretende estabelecer uma definição operacional da oposição dado/novo, tomando como base teórica principal a ideia de “giveness” expressa por Chafe (1975) (LIBERATO, 1980). Segundo a pesquisadora, a expressão
da “dadidade” (expressão da autora) em português tem como principal consequência sintática a codificação linguística reduzida da expressão “dada”, em contraste com o que acontece com a informação nova. As estratégias para esta redução são: pronúncia mais fraca, uso de pronomes, uso de sintagmas nominais definidos e elipses.
No que se refere à prosódia, Liberato (1980) sustenta que a informação dada pronuncia-se mais baixa e com maior velocidade39, a menos que tenha valor contrastivo. A
informação nova, por outro lado, não necessariamente será pronunciada com maior intensidade do que o resto da sentença. A autora argumenta que a pronúncia baixa e rápida parece ser exclusiva de elementos dados, entretanto, os exemplos apresentados são todos criados pela pesquisadora, ou por autores citados em seu trabalho. Liberato (1980) não tinha condições de avaliar a veracidade estatística de sua hipótese, para saber se este padrão é efetivo ou não.
Em relação ao Tópico, Liberato (1980) argumenta que os seus diferentes conceitos (“o cabide no qual se pendura a mensagem”, “a moldura na qual se encaixa a sentença”, “aquilo sobre o que se fala na sentença”) são vagos e insuficientes para uma identificação inequívoca do Tópico de um sentença. Todas estas definições, entretanto, revelam “um aspecto importante da organização da mensagem, a escolha de um ponto de partida psicológico”40.
Para ela, a proposta de Halliday (1970), em que o Tópico é sempre o primeiro elemento da sentença, é a mais operacional, ainda que o termo “elemento” contenha seu quinhão de vagueza: como entender a palavra elemento em seu [de Halliday] critério? Seriam palavras, sintagmas? (LIBERATO, 1980).
Outros pesquisadores que procuraram investigar o fenômeno do Tópico no PB trouxeram contribuições importantes e serão mencionados brevemente nas seções seguintes.
39 Esta afirmação, baseada em Chafe (1975), apresenta alguma semelhança com a ideia de Cresti (2000), se pensarmos na associação entre entonação e função informacional. Um exemplo seria a unidade de Apêndice de Comentário, que é, por definição, formada por informação que precisa ser dada, discursiva, situacional ou cognitivamente, razão pela qual essa unidade é frequentemente composta por itens lexicais preenchedores e resumitivos, como “e tal” “e tudo“.