2.2 Agregalar
2.2.2 Agregaların Özelikleri
Como vimos no capítulo anterior, os antropóides no seu ambiente natural apresentam uma capacidade de transmissão cultural não desprezível, mas a comunicação simbólica por eles desenvolvidas é extremamente simples. Chimpanzés, bonobos, orangotangos e gorilas criados em cativeiro, entretanto, são capazes de aprender linguagens simbólicas bastante sofisticadas, inclusive a língua falada pelas pessoas que cuidam deles (MILES; HARPER, 1994, p. 261), e essa competência lingüística é acompanhada de evidências de capacidade de auto-reflexão:
All of the ape projects have reported self-recognition by their animals, demon- strated by naming themselves, mirror self-recognition, and self-signing. [. . . ] Washoe signed QUIET to herself while sneaking to a forbidden part of her yard [. . . ]. Thus, apes appear to be able to use their signs for internal reflection and show a degree of self-awareness. (MILES; HARPER, 1994, p. 266).
Um pré-requisito fundamental para o desenvolvimento de habilidades lingüísticas é o envolvi- mento emocional dos antropóides com os humanos. Os antropóides que adquiriram competência lingüística foram expostos à língua inglesa e ao convívio humano desde o nascimento. Eles foram criados soltos, fazendo o que queriam. Os seus companheiros humanos os tratavam como sujeitos com livre-arbítrio e direito à individualidade. Os seus “treinadores” não eram apenas treinadores. Eram pessoas socialmente importantes para eles e, por isso, eles se sentiam emocionalmente motivados a se esforçar para se comunicar com essas pessoas.
O bonobo Kanzi, por exemplo, durante sua infância foi, incidentalmente, tratado pela pesquisadora Sue Savage-Rumbaugh praticamente como se fosse uma criança humana normal. Kanzi nasceu em cativeiro e foi separado de sua mãe biológica por Matata, outra bonobo que passou a cuidar de Kanzi como se fosse seu próprio filho. Durante os dois primeiros anos de vida de Kanzi, Savage-Rumbaugh estava tentando, praticamente sem sucesso, ensinar Matata a se comunicar usando um tabuleiro eletrônico com símbolos desenhados. Nesse período, Kanzi não estava recebendo nenhum treinamento, mas tinha permissão de permanecer com Matata durante as “aulas”. Se Kanzi fizesse alguma travessura realmente séria, Matata o repreendia e não se importava que Savage-Rumbaugh também o repreendesse, mas ela visivelmente não gostava quando a pesquisadora repreendia seu filho sem motivo:
[. . . ] Kanzi was quick to recognize when I was irritated and to solicit Matata’s support if I tried to take back my pen or insist that he pick up things that he had just scattered all over the floor. He felt compelled to explore with considerable élan all dimensions of behaviors that were ‘okay’ with Matata but frustrating to me. This exploration of behavioral options as interpreted by me versus Matata often became Kanzis’s raison d’etre for an entire morning or afternoon. (SAVAGE-RUMBAUGH; SHANKER; TAYLOR, 1998, p. 20).
Uma das travessuras de Kanzi consistia em tocar uma letra qualquer do tabuleiro antes que sua mãe tivesse tempo de pensar numa resposta para uma pergunta de Savage-Rumbaugh. Entretanto, o comportamento de Kanzi se transformou completamente quando foi decidido que Matata deveria ser levada para um outro local para se reproduzir. Sem Matata, Savage-Rumbaugh tornou-se o ser mais significativo para Kanzi e, ao invés de se divertir irritando-a, ele passou a procurar agradá-la. Kanzi passou imediatamente a usar o tabuleiro para se comunicar com Savage-Rumbaugh, demonstrando que havia compreendido bem as lições dirigidas à sua mãe.
A competência lingüística de Kanzi continuou progredindo e dezenas de novos símbolos foram gradualmente adicionados ao seu tabuleiro. Dentre as palavras adicionadas, “bom” e “ruim” provocaram um efeito interessante, indicador da capacidade de Kanzi de compreender
noções abstratas:
When the lexigrams ‘good’ and ‘bad’ were first placed on Kanzi’s keyboard, I did not think he would use them frequently, or with intent. I put them on so that everyone would have a clear way of indicating to Kanzi when we felt that he was being good or bad. To my surprise, Kanzi was intrigued with these lexigrams and soon began using them to indicate his intent to be good or bad, as well as comment to his previous actions as ‘good’ or ‘bad’. [. . . ] He would, for example, announce his intent to be bad before biting a hole in his ball, tearing up the telephone, or taking an object away from someone. (SAVAGE-RUMBAUGH; SHANKER; TAYLOR, 1998, p. 52).
Para testar a competência de Kanzi na compreensão de inglês falado, Savage-Rumbaugh pronunciou 660 frases pedindo a Kanzi para que fizesse coisas que não eram parte do seu cotidiano. Kanzi executou corretamente 72% das tarefas, uma taxa superior à obtida por Alia, uma criança humana de dois anos e meio que respondeu corretamente a 66% dos pedidos. As frases foram pronunciadas usando um sistema de som e a pesquisadora estava por trás de uma janela de vidro espelhado que somente permitia a visão numa direção (SAVAGE-RUMBAUGH; SHANKER; TAYLOR, 1998, p. 69).
A capacidade lingüística dos antropóides treinados por humanos indica que nosso último ancestral comum com os bonobos e chimpanzés atualmente existentes já possuía vários pré- requisitos cognitivos necessários para a evolução da linguagem. O estímulo que faltava foi decorrente, de alguma forma, do bipedalismo. Um possível cenário seria o de que os humanos passaram a andar sobre dois pés para transportar alimentos do ambiente aberto da savana para a segurança das copas das árvores, mas, ao ficar com as mãos livres, puderam intensificar a comunicação por gestos. Por 3 ou 4 milhões de anos, a comunicação por gestos permitiu um acúmulo progressivo da cultura e aumentou continuamente a demanda por inteligência social para lidar com as informações e contra-informações típicas da fofoca.