Suyun dezenfeksiyonu Sphere Projesine
1.1. Afetlerde Su Temini
A jurisprudência do Órgão de Solução de Controvérsias da OMC é escassa no que se refere à possibilidade de aplicação de direitos antidumping entre membros de um ARC. No entanto, dos raros casos identificados que trataram, mesmo que superficialmente, sobre o tema, pode-se depreender que a imposição de medidas de defesa comercial no âmbito de um acordo regional não é incompatível com as regras da OMC145.
Nesse sentido, no caso Turquia – Restrições à Importação de Produtos Têxteis e Vestuário, o grupo especial estabelecido para analisar a controvérsia, esclareceu que:
We note, however, in the terms of sub-paragraph 8(a)(i), the possibility for parties to a customs union to maintain certain restrictions of commerce on their trade with each other, including quantitative restrictions (…). This implies that even for “substantially all trade originating in the constituent countries” to be covered (…), certain WTO compatible restrictions can be maintained.146
145 Nesse sentido, vide disputas entre Argentina e União Europeia no caso dos calçados (WT/DS/121), entre União Europeia e EUA no caso Wheat Gluten (WT/DS/166) e entre Turquia e Índia, no caso de vestuários (WT/DS/34).
146 WT/DS/34, relatório do grupo especial, parágrafo 9.150. O grupo especial concluiu, também, que tais medidas restritivas incluem direitos antidumping.
Foram pesquisados casos de aplicação de medidas antidumping entre Brasil e seus parceiros comerciais no âmbito de ARCs, sendo identificado um particularmente digno de nota.
O caso em apreço trata de uma investigação antidumping conduzida pelo DECOM (como visto anteriormente, a autoridade brasileira competente para condução desse tipo de investigação) e iniciada em 26 de agosto de 2008, por meio da Circular SECEX n.º 60, para averiguar a existência de dumping nas exportações para o Brasil de filme de polipropileno biaxialmente orientado (“filmes de BOPP”) originárias da Argentina, Chile, Equador, Peru, China e EUA, e de dano à indústria doméstica decorrente de tal prática.
Em relação às origens investigadas, o Brasil possui, no âmbito da ALADI, acordos de complementação econômica com a Argentina (ACE 14 e ACE 18 - MERCOSUL), Chile (ACE 35), Peru (ACE 58) e Equador (ACE 59). Em nenhum desses acordos há a proibição de aplicação de medidas antidumping entre seus membros.
No curso da referida investigação, as partes interessadas apresentaram suas manifestações, incluindo os exportadores do Peru e do Equador. A argumentação trazida ao processo por tais exportadores foi que, além de não restar configurada a existência de dumping, o aumento das exportações dos filmes de BOPP para o Brasil, durante o período investigado, ocorreu devido às preferências tarifárias concedidas no âmbito dos ACEs 58 e 59. Sendo assim, eventual imposição de medidas antidumping às exportações de filmes de BOPP do Peru e do Equador prejudicaria os benefícios atingidos por meio de tais acordos e significaria um retrocesso ao processo de liberalização comercial negociado entre os referidos países e o Brasil.
Em sua investigação, o DECOM concluiu que havia dumping nas exportações das origens investigadas para o Brasil. Além disso, o DECOM verificou que, ao longo do período de investigação, houve um expressivo aumento absoluto das exportações das origens investigadas para o Brasil.
No entanto, observou que a preferência tarifária outorgada para o Equador e Peru permitiu que tais países elevassem substancialmente suas exportações para o Brasil, deslocando os demais países investigados, que tinham uma maior participação no mercado brasileiro antes de tais preferências entrarem em vigor.
A partir da análise da evolução dos indicadores econômicos da indústria doméstica de filmes de BOPP, durante o período de investigação, e do aumento do volume de importações das origens investigadas, constatou-se que havia dano à indústria doméstica.
Não obstante, quando da averiguação da existência de nexo de causalidade entre as importações a preços de dumping e o dano à indústria doméstica, o DECOM concluiu que a indústria doméstica havia sido efetivamente impactada pelas importações, mas não em razão da prática de dumping. As preferências tarifárias outorgadas pelo Brasil a Peru e Equador, no âmbito dos ACEs 58 e 59, tiveram o condão de permitir um ingresso relevante de produto importado no País, que terminaram por influenciar negativamente no desempenho econômico-financeiro dos produtores nacionais. Portanto, ainda que tenha sido caracterizado o dumping e o dano, não ficou evidenciado vínculo significativo entre estes.
Desse modo, a investigação foi encerrada sem aplicação de direito antidumping definitivo sobre as importações de filmes de BOPP originárias da Argentina, Chile, Equador, Peru, China e EUA, por meio da Circular SECEX n.º 54, de 13 de outubro de 2009.
Esse caso se mostra especialmente relevante, porque é um exemplo de uso não abusivo de medidas antidumping pela autoridade brasileira, que procurou preservar os benefícios alcançados (preferências tarifárias) nos acordos de comércio celebrados entre o Brasil e seus parceiros latino-americanos, em vez de simplesmente aplicar um instrumento protecionista, sem respaldo legal para tanto.
Isso demonstra que, apesar de o antidumping ser um instrumento permitido pelas legislações internacionais, o objetivo de liberalização comercial em um ARC deve ser priorizado, de tal forma que os benefícios advindos do livre comércio no âmbito de ARCs não sejam revertidos pela aplicação excessiva de medidas protecionistas. Essa lógica deveria ser aplicada no comércio do Brasil com seus parceiros do MERCOSUL. No entanto, exemplos como o caso acima são a exceção e não a regra. A maioria dos países continua aplicando medidas antidumping como meio de proteger suas indústrias domésticas da concorrência internacional.