3. ADSORPSĠYON
3.3. Adsorpsiyon Ġzotermleri
Nossa pesquisa apóia-se nas considerações ontológicas e na possibilidade epistemológica desenvolvidas por Michel Foucault, cuja teoria baseou-se na busca pelas verdades através de um esforço analítico exaustivo, sem filiações ideológicas e acima de compromisso com métodos, que é apresentado como um modelo arqueológico de investigar (FAIRCLOUGH,2001;THIRY-CHERQUES,2008).
Uma vez que nossa investigação busca a compreensão e interpretação de um dado fenômeno, nosso estudo encontra-se inserido no paradigma interpretativista (DENZIN;
LINCOLN, 1994), e apóia-se na condição do sujeito construir e, ao mesmo tempo, ser
construído pelo mundo social e cultural em que vive. Consideramos que a linguagem é o meio de construção e geração de conhecimento e, desse modo, a compreensão de um saber encontra-se na possibilidade de estabelecer nos discursos um sistema de relações, um jogo de correlações e dominações, ou seja, na possibilidade de decifrar as regras a que estão sujeitos (FOUCAULT,2007;THIRY-CHERQUES,2008).
A Arqueologia, recusando todas as formas como nos naturalizamos, encontrou a alternativa do retorno do ser na linguagem. O conceito arqueológico é, por tanto, tributário de uma teoria da linguagem, em que essa deixou sua vigência de representação, e a verdade passou a ser revelada de forma pragmática, pelo conjunto dos fenômenos culturais (FERREIRA,
2006;FISCHER,2001;THIRY-CHERQUES,2008). O ciclo arqueológico buscou tornar crítico o
que escapava à crítica na história, problematizou o saber localmente, e forneceu instrumentos que possibilitaram reflexões e re-construções típicas das questões investigativas pós- modernas.
Desse modo, a adoção da arqueologia foucaultiana se deu por consideramos que o legado deste filósofo trouxe as possibilidades para nosso modelo investigativo. É um método de análise histórica que liberta o homem de seu centro e invalida a metanarrativa, indo bem além de um desenvolvimento das pesquisas qualitativas para o campo social, questionando a própria objetividade das investigações empíricas (EIZIRIK, 2006; FAE, 2004; FAIRCLOUGH,
2001; FERREIRA, 2006; FISCHER, 2001; PIMENTEL; VASCONCELOS, 2007; SCHEURICH;
MCKENZIE,2005; THIRY-CHERQUES, 2008). Por essas razões, deixa uma contribuição única
para o desenvolvimento das pesquisas nas Ciências Sociais que envolvem a condição de “ser” e “ter” do sujeito [pós]-moderno.
3.1.1 A análise arqueológica
A analítica arqueológica de Foucault busca descrever a constituição do campo discursivo, entendendo-o como uma rede que é formada na inter-relação dos diversos saberes ali presentes. Através desta rede, e das características que lhe são próprias, é possível encontrar o espaço de possibilidade para a emergência do discurso (EIZIRIK,2006;FAE,2004;
FAIRCLOUGH,2001; FERREIRA,2006;FISCHER,2001; PIMENTEL; VASCONCELOS,2007;THIRY-
CHERQUES,2008).
O discurso para o trabalho arqueológico constitui o social, seus objetos e sujeitos em práticas discursivas relacionadas interdiscursivamente e inter-textualmente. As relações que ocorrem no campo de enunciados podem ser intertextuais numa condição de seqüencia e dependência, ou interdiscursivas diferenciadas por pertencer a campos de presença, concomitância ou memória (FAIRCLOUGH, 2001). Através da arqueologia temos uma base
para investigação sistemática das relações nos textos e nos tipos de discurso e entre eles. A investigação, dessa forma, se dá sobre a estrutura ou articulação das formações discursivas que geram a ordem do discurso, em que a busca é por localizar os efeitos da prática discursiva sobre a construção do saber (FAIRCLOUGH,2001;FOUCAULT,2007). O foco
da pesquisa arqueológica está localizado sobre as condições de possibilidade do discurso (SCHEURICH; MCKENZIE,2005).
O modelo arqueológico tornou possível buscar por meio de um estudo qualitativo as regras de formação que definem os discursos mundanos de marca, suas modalidades enunciativas, sujeitos, conceitos e estratégias discursivas. Entendemos por modalidades enunciativas os tipos de atividades discursivas em que o sujeito social existe como uma função do próprio enunciado; já os conceitos são os aparatos utilizados para tratar um campo de interesse que, por serem mutáveis, precisam ser analisados no interior do campo de
enunciados a ele associados. A estratégia possibilita uma rica explicação dos diferentes tipos de relação que podem existir nos textos e entre eles (FAIRCLOUGH,2001;FOUCAULT,2007).
Em consonância com o modelo, a análise arqueológica não foi realizada no sentido de buscar o que o enunciado quer significar, e sim constituiu um descobrimento, uma elucidação trazida à tona através da rede de interligações formada pelo dispositivo. O discurso deve sempre ser revelado enquanto prática que obedece a regras (FOUCAULT, 2007; THIRY-
CHERQUES,2008).
Fomos buscar no campo de enunciados as relações intertextuais de seqüência e dependência de acordo com as quais os grupos de enunciados estão combinados, como também relações interdiscursivas que podem apresentar-se como enunciados não pertencentes à marca, mas reconhecidos como verdadeiro, envolvendo descrição exata, raciocínio bem fundamentado ou pressuposição necessária; ou por outro lado, rejeitados criticados, discutidos e julgados de forma implícita ou explicita (Campos de presença); ou ainda os enunciados que relacionam-se entre formações discursivas, apesar de originados em diferentes formações (Campo de concomitância), e finalmente os enunciados que, apesar de não serem mais aceitos e discutidos, permitiram por meio deles estabelecer relações de filiação, gênese, transformação, continuidade e descontinuidade histórica (FAIRCLOUGH,2001).
Enfim, dentro da proposta arqueológica, ao invés de procurar fazer interpretações desses enunciados, se buscou a decifração, ou seja, fazer aparecer através da analítica interpretativa “(...) as idéias, os ideais, os conceitos, mas também os sentimentos, os instintos, a filosofia” (THIRY-CHERQUES,2008, p. 232) sociais que, no presente trabalho, se entrelaçam