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2.4 SEÇİLEN ÜLKE UYGULAMALARINDA İŞVEREN HİZMETLERİ

2.4.5 Belçika

2.4.5.1 ACTIRIS-Brüksel Bölgesi Kamu İstihdam Kurumu

Não se sabe ao certo como eram implementadas as ordenações portuguesas no Brasil. De acordo com Pierangelli (1983), é sabido que, em 1530, por determinação do então rei de Portugal, D. João III, o Brasil deveria ser colonizado e foi confiada ao seu amigo de infância, Martim Afonso de Souza, a organização dessa ‘empreitada’16.

O Brasil foi dividido em doze capitanias hereditárias, entre 1534 e 1536 e a seus donatários foram outorgados os poderes sobre as jurisdições criminais e cíveis. Pierangelli (1983) afirma que “[...] as cartas de doação estabeleciam que os donatários tinham jurisdição e alçada de morte natural para os peões, gentios e escravos, e, até dez anos de degredo e cem cruzados de pena, para as pessoas de maior qualidade” (grifo do autor). Pode-se perceber que desde a criação da colônia já havia a distinção social na aplicação das penas.

Outro fator relevante, mencionado pelo referido autor, é que existia uma espécie de lei criada pelos donatários, uma espécie de foral de direito e, somente com a chegada de Tomé de Souza em 1548, ocorreu uma mudança significativa com a fundação de Salvador, a primeira cidade da colônia, criando na colônia o cargo de ouvidor-geral, que presidia a justiça e o de capitão-mor da costa, responsável pela defesa do litoral.

Dentre as atribuições dos ouvidores nomeados para o Brasil colônia, podemos enumerar as seguintes: conhecer o local a sua jurisdição; sentenciar os feitos; conhecer os distritos e os respectivos juízes ordinários das vilas. Os pontos sem especificação ficariam submetidos à legislação do Reino.

A administração judicial, na colônia, sofreu fortes modificações com as denominadas leis extravagantes ou leis especiais, algumas delas, foram compiladas pelas ordenações Filipinas (PIERANGELLI, 1983).

16Embora essa afirmação possa contradizer o que foi escrito anteriormente, o que gostaríamos de ressaltar que como não havia a presença do rei e sua corte no Brasil colonial (nos primórdios), a aplicabilidade das ordenanças não eram controladas de perto pela corte portuguesa.

Com a criação do Tribunal da Relação17 da Bahia surgiram novas atribuições e cargos na esfera jurídica do Brasil, vejamos:

QUADRO 01: Atribuições jurídicas após o Tribunal da Relação da Bahia

CARGO COMPETÊNCIA

Governador geral Regia a relação e tinha como orientação a Casa de Suplicação de Lisboa.

Desembargadores de agravos e

apelações Julgar todas as apelações e interpostos contra as sentenças criminais. Ouvidor geral Suas atribuições eram semelhantes às atribuições dos corregedores da

corte na esfera criminal e civil.

Procurador dos feitos da Coroa e

Fazenda Sua competência era a de requerer tudo o quanto se relacionasse a justiça pública contra os presos, promover e acompanhar os processos instaurados.

Desembargadores extravagantes Sua função não era especificada, porém, substituíam os desembargadores de agravo e apelações nas ausências ou impedimentos destes.

Chanceler Extinguiu-se a competência de conhecer as suspeições arguidas contra o governador geral, passando a competência para os desembargadores.

Donatários No que se refere à esfera criminal sua alçada estava limitada apenas nas decisões sobre os peões e cristãos livres, até a pena de morte natural, nos demais casos, independente da qualidade18 do agente, deveria ser concedida a apelação.

Juízes de fora O cargo foi criado em 1696, recebiam essa denominação porque não faziam parte da terra ou era de fora do senado. Em cada localidade eram eleitos os juízes ordinários pelos seus vizinhos. Quando chegava um juiz de fora cessavam os poderes dos juízes ordinários.

FONTE: Fundamentado em José Henrique Pierangelli (1983)

Ocorreu uma mudança significativa em 1712 com a Carta Régia que isentava judiciário da dependência dos governadores gerais e ouvidores, dando maior autonomia ao judiciário brasileiro. Houve ainda a segunda Carta Régia em 1745, escrita por Alexandre Gusmão, dirigida ao Corregedor da Corte que pedia cautela a este e lembrava que as leis deveriam ser redigidas com calma e que era competência dos ministros executores modifica- las.

Em 1751 foi criado o Tribunal da Relação do Rio de Janeiro, assim, o Brasil passou a ter duas relações e as jurisdições do sul ficaram subordinadas ao recém-criado tribunal.

Com a chegada da Real Família Portuguesa ao Brasil e sua instalação no Rio de Janeiro em 26 de fevereiro de 1808, os aspectos processuais criminais sofreram significativas mudanças, foram expedidos diversos alvarás com diversas determinações. As principais foram (PIERANGELLI, 1983):

17 Tribunal de Relação era o Tribunal de Justiça de segunda instância de Portugal para causas cíveis e criminais. 18 No caso em questão, o termo qualidade estava associado à condição socioeconômica do agente.

 Criação: Conselho Supremo Militar e de Justiça; Tribunal de Mesa do Desembargador e da Consciência e Ordens;

 Criação de novos cargos específicos para os juízes de fora, ouvidores, corregedores, juízes ordinários.

 Em 22 de fevereiro de 1813 as apelações interpostas por parte da justiça, pelos juízes de primeira instância deveriam ser enviadas aos ouvidores das comarcas, porém, quando excedessem a sua alçada, deveriam ser encaminhadas às Relações dos Distritos; no mesmo ano foi expedido um alvará que regulamentava o tempo e a jurisdição de cada juiz ordinário das vilas.

 Em 1818 foi proibido o comércio de escravos e das sociedades secretas no Brasil; A família real portuguesa deixa o Brasil e 26 de abril de 1821, e nomeia, por força de decreto, em 07 de março de 1821, D. Pedro para regente da colônia. O príncipe regente antecedendo as mudanças que poderiam ocorrer na colônia, decreta algumas leis na esfera criminal, relevantes para assegurar a liberdade individual com base na Constituição do Reino (PIERANGELLI, 1983, p. 78):

QUADRO 02: Decretos do Regente

CRIAÇÃO DO DECRETO “cabimento”

23 de maio de 1821

[...] que desde a data em diante nenhuma pessoa livre no Brasil possa jamais ser presa sem ordem por escrito do Juiz, ou Magistrado Criminal do território, exceto somente o caso de flagrante delito, em que qualquer do Povo deve prender o delinquente.

[...] nenhum Juiz ou Magistrado Criminal possa expedir ordem de prisão sem proceder culpa formada por inquirição19 sumária de três testemunhas, duas das quais jurem contestes assim o fato, que em Lei expressa seja declarado culposo, como a designação individual do culpado; escrevendo sempre sentença interlocutória20 que obrigue a prisão e livramento, a qual se guardará em segredo até que possa verificar-se a prisão do que assim tiver sido pronunciado delinquente.

[...] quando se acharem presos os que forem indiciados criminosos se lhes faça imediata, e sucessivamente o processo, que deve findar dentro de 48 horas, peremptórias21 improrrogáveis, e contadas do momento da prisão.

12 de julho de 1821 Desenvolve e determina princípios que sobre a liberdade de imprensa se acham estabelecidos nos arts. 8.º, 9.º e 10.º das Bases da Constituição.

12 de novembro de 1821 Permite que os acórdãos22 das Relações, e nas sentenças em que vencidos, ficando responsáveis pelos julgados os que assim não o fizerem.

19 Inquirição em sentido antigo mais se referia às perguntas feitas às pessoas acusadas de delito, e suas respostas. É o que se entende hoje por qualificação. E quando se referia à indagação promovida por meio de outras pessoas, por não ser certo o autor ou indigitado do autor do delito, melhor se dizia inquirição devassa, pela qual se pretendia colher as informações acerca dos fatos delituosos e das pessoas que os tivessem cometido. (DE PLÁCIDO e SILVA, 2012, p. 348)

20 Sentença interlocutória, no caso em tela, é quando o Juiz decide a questão incidental com o processo ainda em curso.

21 Peremptórias, extensivamente, pelo caráter de definitivo e irrevogável, em que se tem o vocábulo, é empregado a respeito das provas no sentido indiscutível. (DE PLÁCIDO e SILVA, 2012, p. 456)

12 de março de 1822 [...] estende ao Reino do Brasil o perdão concedido aos réus no Reino de Portugal por ocasião do juramento das bases da Constituição.

18 de junho de 1822 [...] cria Juízes de Fato para julgamento dos crimes de abuso de liberdade de Imprensa.

FONTE: Pierangelli (1983)

De acordo com Cristiani (2009), houve dois aspetos relevantes no período de colonização do Brasil: primeiro foi a tentativa de burocratização dos agentes públicos e segundo, o favorecimento das relações pessoais que serviam de paradigma para a escolha desses agentes públicos.

A respeito do processo de burocratização ressalta, ainda, o referido autor, que foi uma tentativa de Portugal de manter o domínio sobre a colônia, com isso seria possível manter-se distante de questões pessoais, sendo dessa forma, indiferente às pressões e influências. Porém, isso não ocorreu, sobretudo, na esfera da Justiça.

Quando os magistrados partiam de Portugal rumo à colônia, tinham a finalidade de representar os interesses do reino e não suas aspirações pessoais. Contudo, ao chegarem à colônia, não correspondiam a isso porque colocavam seus interesses pessoais acima dos interesses da Metrópole.

De que maneira se dava isso? Segundo Cristiani (2009, p. 359):

À elite local era extremamente conveniente a união com o corpo burocratizado de operadores jurídicos. A recíproca também não deixava de ser verdadeira. De um lado, encontrava-se uma elite local com esquemas de corrupção e de manutenção do statu quo. Do outro lado, magistrados dispostos a tudo a fim de garantirem privilégios para si e para os seus.

A partir dessa afirmação é possível vislumbrar como foi o período colonial no Brasil, sobretudo, na esfera jurídica. De acordo ainda com o autor, os magistrados nem sempre faziam parte da nobreza, seus cargos eram indicados pelo reino. Os magistrados queriam fazer parte da nobreza e como não possuíam o título, queriam angariar riquezas para que, pelo menos no sentido econômico, chegasse o próximo a ela. Na colônia chegavam a casar suas filhas com fazendeiros ricos, dessa maneira satisfaziam seus anseios e a elite local gozava de determinados privilégios junto à justiça local.

22 Acórdão. Na tecnologia da linguagem jurídica, acórdão, presente do plural do verbo acordar, substantivo, quer dizer a resolução ou decisão tomada coletivamente pelos tribunais. (DE PLÁCIDO e SILVA, 2012, p. 29)

Para Cristiani (2009) esses fatores de interesse que havia no período colonial, demonstravam que os magistrados não estiveram tão afastados da população, como desejava Portugal, assim sendo, observa-se que foi lamentável tal atitude porque, ao invés de servir a sociedade, a maioria servia aos próprios interesses e também dos seus apadrinhados.

É nesse panorama social e jurídico que o Brasil adentra ao período de sua Independência, com uma justiça que embora tenha avançado em determinados aspectos, em relação às ordenações portuguesas, não atendeu ao seu proposito maior que era servir a sociedade de maneira imparcial.