iniciais de ações
Paulo (2006) verificou a relação entre a oferta pública de ações e o nível de discricionariedade dos resultados contábeis. O estudo foi realizado nas companhias abertas brasileiras que efetuaram ofertas de ações no período de 2000 a 2003, através da utilização dos modelos para detecção de gerenciamento de resultados e de testes de hipóteses, com o intuito de analisar a existência de comportamentos diferentes de accruals discricionários ao longo do período observado.
A literatura apresenta evidências de que os administradores têm incentivos para alavancar seus resultados antes do lançamento de títulos no mercado de capitais, bem como estimular a elevação dos preços das ações para incrementar o aporte de recursos financeiros dos seus novos investidores. Utilizou-se a abordagem empírica através da aplicação de modelos econométricos descritos na literatura que medem os accruals discricionários (proxy para o gerenciamento de resultados) como o Modelo de Jones (1991) e o Modelo de Jones Modificado (1995).
Entretanto, apesar da existência de evidências empíricas internacionais no sentido de que existe gerenciamento de resultados entre as companhias abertas em momentos que precedem e marcam o lançamento, no estudo não foi estatisticamente constatado que as empresas gerenciam seus resultados no ano do lançamento, sendo constatado tal comportamento oportunista somente em momentos precedentes. É enfatizada ainda a importância de pesquisas acerca de eventos como os IPOs que são de extrema relevância para a economia, principalmente no contexto brasileiro, que recentemente têm vivido processo de desenvolvimento e profissionalização de seu mercado de capitais.
Já Aldrighi et al (2010) examinaram os fatores determinantes na decisão das empresas de realizaram ofertas públicas iniciais (IPOs) na Bovespa no período entre 2002 e 2007. Investigou-se a possível influência sobre essa decisão de diversas características econômico- financeiras ex ante das empresas, tais como: tamanho, gastos de investimento, crescimento das vendas, lucratividade, grau de endividamento, setor em que atuam e oportunidades de crescimento no setor. Foram analisadas ainda as escolhas dos empresários relacionadas ao formato dessas IPOs, como: i) segmento de listagem; ii) fração do maior acionista no capital votante da empresa após a IPO; e iii) a parcela de free-float. Por fim, verificou-se se há diferenças no desempenho e nas escolhas financeiras e de investimento antes e após o IPO.
econométricos em que as variáveis explicativas testadas foram o tamanho da empresa, seu grau de endividamento, a rentabilidade, as taxas de crescimento da receita, a taxa de investimento, o setor em que opera e as oportunidades de crescimento. Complementarmente, foram utilizados testes de média e outras estatísticas descritivas.
Destacam-se os seguintes resultados: (a) empresas maiores, mais lucrativas, com gastos de investimento mais elevados e maiores taxas de crescimento apresentam maior probabilidade de lançar um IPO; e (b) reestruturação financeira e diversificação da riqueza dos empresários não parecem ser motivações para os IPOs.
Trabalho também muito importante é o de Martinez (2001) que revela que um olhar
panorâmico sobre a literatura acadêmica mundial em contabilidade e, principalmente, nos Estados Unidos poderá dar a impressão de que o gerenciamento de resultados ou “Earnings
Management” se destaca como a área crítica do estudo contábil contemporâneo. De forma ilustrativa, cabe ressaltar que, nos “Top Journals” em contabilidade como: The Accounting Review; Journal of Accounting and Economics e Journal of Accounting Research a expressão “Earnings Management” têm aparecido com grande frequência nos títulos dos artigos publicados.
A tese teve o objetivo principal de demonstrar empiricamente que as empresas abertas no Brasil gerenciam seus resultados contábeis como resposta a estímulos provenientes do mercado de capitais. Utilizou-se o Modelo de Kang e Sivaramakrishnan (1995) – Modelo KS para estimar as acumulações discricionárias e pode-se verificar que as empresas brasileiras com resultados muito ruins os manejam de forma que possam piorá-los ainda mais, visando melhores resultados no futuro.
No que tange desempenho no mercado, pode-se elucidar que empresas que manejam artificialmente seus resultados conseguem seduzir seus investidores no curto prazo, entretanto, no longo prazo, o mercado identifica as práticas realizadas e essas ações são penalizadas com piores desempenhos acumulados no longo prazo, com as reversões das práticas artificiais (accruals discricionários) adotadas. A pesquisa tem importantes implicações para diversos agentes envolvidos com o mercado de capitais, dentre eles: investidores, autoridades reguladoras, gestores, auditores e advogados.
Já Paulo, Martins e Corrar (2007) objetivaram verificar se a análise do diferimento tributário aumenta significativamente a detecção do gerenciamento de resultados nas empresas abertas brasileiras. Percebeu-se que algumas pesquisas apresentam evidências significativas de gerenciamento de resultados por meio do diferimento (ativo e passivo) de tributos, e os usuários das informações contábil-financeiras podem verificar tal prática
analisando o diferimento tributário. Por conseguinte, por meio da utilização dos modelos de Jones Modificado (1995) e Kang e Sivaramakrishnan (1995), foi verificado se existe aumento do poder preditivo na detecção do gerenciamento de resultados com a inclusão da análise do diferimento de tributos.
A pesquisa desenvolveu-se nos setores de mineração, siderurgia, metalurgia, e têxtil, durante o período de 2000 a 2004. As evidências sugerem que, para a análise efetuada nos setores e no período especificado, a inclusão da análise do diferimento dos tributos não contribui positivamente para uma melhoria na detecção do gerenciamento de resultados em seus diversos contextos. De acordo com os autores, uma das causas desse fato pode ser explicada pelo uso da flexibilidade propiciada pelo método parcial do diferimento dos tributos, o que conduziria a uma mensuração oportunista por meio do seu não reconhecimento, sendo evidenciado somente em notas explicativas anexas aos relatórios contábil-financeiros.
Neste cenário, Baptista (2008) delineou o perfil das empresas brasileiras com maior propensão ao gerenciamento de resultados contábeis. Foi investigado se existe um padrão de
accruals discricionários entre categorias de variáveis qualitativas e quantitativas que
representam os incentivos das empresas a praticar o gerenciamento de resultados.
As variáveis analisadas incluíram indicadores econômicos, de mercado, medidas de concentração acionária e tamanho, além de características relacionadas à governança, relacionamento com a auditoria, remuneração de executivos, captação de recursos em bolsa de valores estrangeira e sanção do órgão regulador responsável.
Três modelos para estimação dos accruals discricionários (proxy para o gerenciamento de resultados) foram utilizados na pesquisa. Dentre esses modelos destaca-se o modelo de Jones (1991), o qual estima os accruals discricionários a partir dos accruals totais (obtidos pelo enfoque do Balanço).
Percebeu-se que maiores níveis de accruals podem estar associados a empresas com maiores expectativas de crescimento, maior exposição ao risco e menor concentração acionária. Quanto às variáveis rentabilidade patrimonial e operacional, endividamento e rentabilidade do acionista, maiores valores de accruals foram associados tanto a menores como a maiores níveis destas variáveis. Verificou-se que são mais propensas a praticar gerenciamento de resultados contábeis as empresas não listadas nos segmentos especiais da Bovespa, que não apresentam programas de ADR e que têm planos de remuneração variável como opções de ações, entre outros.
Gioielli, Carvalho e Sampaio (2013) investigaram o gerenciamento de resultados em IPOs e o papel de gestores de capital de risco (private equity/venture capital – PE/VC) em dificultar tal prática, pois, investidores de capital de risco têm incentivos para forçar suas empresas investidas a manter boas práticas de governança corporativa, mesmo depois do IPO. Para estimar as acumulações discricionárias, os autores usaram três diferentes modelos econométricos: o Modelo de Jones (Jones, 1991), o Modelo de Jones Modificado (Dechow, Sloan e Sweeney, 1995), e o Modelo de Jones Modificado com ROA (Retorno sobre Ativos) (Kothari, Leone e Wasley, 2005) com dados no formato cross-sectional. Ao analisar o GR, os autores percebem que as empresas investidas por PE/VC e as empresas não investidas por PE/VC deveriam ser tratadas como amostras diferentes. Ao dividir a amostra, o R2 aumenta significativamente para ambas as sub-amostras. Para os IPOs de empresas com investimento de PE/VC, o GR é marginal, geralmente relacionado às características das empresas e pouco relacionado às fases do IPO. De forma diferente, para os IPOs de empresas não investidas por PE/VC o GR é significativo, geralmente relacionado às fases do IPO e pouco relacionado às características das empresas.
Por fim, Galdino (2010) faz uma listagem dos processos de abertura de capital ocorridos recentemente na BMF&BOVESPA e analisa sob o ponto de vista da companhia, classificando as ofertas públicas iniciais e fazendo uma revisão teórica acerca do processo e das etapas que o compõe. Do ponto de vista do investidor individual verifica o desempenho das ofertas e a atratividade de uma possível operação com papéis que estão estreando na bolsa. Verificou-se que o desempenho médio das ações das empresas IPO fica sempre aquém do Ibovespa (índice utilizado pelo autor para comparar os retornos das ações no mercado para com os retornos das ações das empresas IPO) em todos os períodos. Observou-se que os IPOs valorizaram menos que o Ibovespa nos períodos de alta e desvalorizaram mais que o Ibovespa nos períodos de baixa.
3 METODOLOGIA
Apresentado à introdução, caracterização do problema, objetivos geral e específicos, hipóteses, relevância e referencial teórico, pretende-se, neste tópico, apresentar os procedimentos metodológicos a serem utilizados na pesquisa.