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A RAŞTIRMASI Y APILMASINA D AİR Ö NGÖRÜŞMELER
A reflexão incitada no tópico passado entre crença, crédito e culto ao ser explorada no retorno etnológico ratifica a afirmação feita pela via da própria formação da palavra, uma vez que crédito e crença possuem a mesma matriz.
Émile Benveniste é o autor que nos apresenta pontualmente a questão. Considerando o termo latino credo e seus derivados Benveniste esclarece a origem antiga da ideia não diretamente econômica de crédito.46
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Sobre a importante questão do sacrifício, no intuito de aprofundá-la são muito interessantes os apontamentos de Marcel Mauss e de Henri Hubert. Cf. MAUSS, Marcel e HUBERT, Henri. Sobre o
sacrifício. Tradução de Paulo Neves. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 7-24.
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Seria interessante a consulta ao texto Direito e magia de Willis Santiago Guerra Filho incorporado à obra Teoria política do direito. CF., para tanto, GUERRA FILHO, Willis Santiago e CARNIO, Henrique Garbellini. Teoria política do direito, cit., cap. 3.
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BENVENISTE, Emile. Vocabulario de las instituciones indoeuropeas, Madrid: Taurus, 1983, p. 112-117
A noção de creance – crédito, crença – se encontra aplicada desde o começo da tradição de crença (croyance). O sentido desta significação evidencia o problema de saber como se relacionam estas noções em latim, porque os termos correspondentes em outras línguas denotam também a antiguidade da noção e a estreita relação dos dois sentidos.
O autor aponta como a herança léxica da ideia foi fielmente conservada. Por um lado, em latim, credo (cretim no irlandês), e no outro extremo do domínio europeu, sânscrito sraddhã e paralelamente zrazdã em avéstico.
O interessante é que na conjugação das línguas se considera em geral kred como uma palavra distinta que significa força mágica, kred-dhê significa, portanto, “por em alguém a kred” (confiança). Sendo que kred vem como primeiro elemento da palavra coração (lat. cor, cordis).
Mais interessante ainda é que aprofundando a investigação, se o termo em védico refere-se a crença não irá referir a um credo teológico, mas a confiança que o fiel testemunha aos deuses, um conceito religioso central na religião do sacrifício (a religião védica) apresentado numa sucessão de três termos: 1) Treue (fé); 2) Hingabe (o fato de dar) e Spendenfreudigkeit (alegria de oferecer, liberalidade no dom).47
De “fé” a “oferenda liberal no sacrifício” a evolução se realizaria primeiro no nome, logo no verbo. Se encontra nos textos védicos estes conceitos divinizados pela deusa śraddhā, aquela que se encarrega da oferenda.
No Bhagavad Gītā – provavelmente, a mais importante Escritura sobre a ciência do sagrado e da sua dialética com o profano – se encontra a exploração das implicações teológicas de se desenvolver śraddhā (convicção, fé em-si-mesmo, fervor, coragem, entusiasmo e certeza interior, fruto do amor em ação). “Este termo
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que, embora não sinalize nenhuma oposição com a razão, costuma ser, insatisfatoriamente, traduzido nas distintas edições da Gītā correntes no ocidente como ‘fé’”.48
Śraddhā, na realidade, nada representa de dogmático. Enquanto fé dogmática, śraddhā não implica na aceitação automática de qualquer crença, mas nos lembra que: há uma dimensão sensitiva que a razão não é capaz de explicar totalmente. Essa palavra expressa o domínio e o controle sobre o processo de formação da vontade. De forma literal, significa, “considerar racionalmente (dhā) sob a sagrada luz do coração (śrat)”.
Retomando à ideia de uma “oferenda liberal no sacrifício” também pode se encontrar em Mauss – e Hubert – uma interessante investigação no seu afamado ensaio publicado originalmente como Essai sur la nature et la fonction du sacrificie na Année Sociologique (segundo volume, ano de 1899).
Estes autores descrevem que o sacrifício sugere imediatamente a ideia de consagração, chegando a poder se pensar que as ideias se confundem. Em todo sacrifício um objeto passa do domínio comum ao domínio religioso. Ocorre que as consagrações não são todas da mesma natureza, algumas esgotam seus efeitos no objeto consagrado, indiferentemente do que este seja coisa ou homem. Já no sacrifício, pelo contrário, a ideia de sagração vai além da coisa consagrada, atingindo, entre outras coisas, a pessoa moral que se encarrega da cerimônia.49
Todos os participantes do ato sacrificial são enredados numa teia que os modifica no acontecimento do sacrifício. O crente que forneceu a vítima, por exemplo, não é, ao final da consagração, o que era no seu começo, pois adquiriu um caráter religioso que não possuía, ou, também pode acontecer de ter se desembaraçado de um caráter que o atingia, elevando-se a um estado de graça ou
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TURCI JUNIOR, José Rubens. Uma Visão Polifônica sobre a Gênese da ciência do sagrado na Bhagavad Gītā in Numen: Revista de estudos e pesquisa da religião, Juiz de Fora, v. 14, n. 2, p. 251- 251.
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MAUSS, Marcel; HUBERT, Henri. Sobre o sacrifício. Trad.: Paulo Neves, São Paulo: Cosac Naify, 2005, p. 15.
mesmo saindo de um pecado. De qualquer forma, o que o marca é que, em todos os casos, ele é religiosamente transformado.
O sacrificante, aquele que recolhe os benefícios do sacrifício ou se submete a seus efeitos, pode ser ora um indivíduo, ora uma coletividade, como uma família, um clã, uma tribo ou nação. Na representação coletiva, o grupo pode assistir em conjunto ao sacrifício, mas também pode delegar a um de seus membros a função de agir em seu lugar. Assim, a família é geralmente representada pelo seu chefe e a sociedade por seus magistrados.
Outra complementar noção é a ideia de que os objetos do sacrifício, que são as coisas em vista das quais o sacrifício é feito, são também atingidos, uma irradiação da consagração sacrificial não se faz sentir diretamente, somente no próprio sacrificante, mas em algumas coisas mais ou menos diretamente ligadas a sua pessoa. Esta seria a representação da ação irradiante do sacrifício, que de forma particularmente sensível, produz um duplo efeito: um sobre o objeto pelo qual é oferecido e sobre o qual se quer agir, outro sobre a pessoa moral que deseja e provoca esse efeito.
No apanhado geral a ideia que resulta do termo é a de que há uma estrutura similar em contextos religiosos diferentes, em que há conflito entre os deuses e que os homens intervêm apoiando em uma ou outra causa.
O mesmo marco aparece em qualquer manifestação de confiança. Confiar alguma coisa é entregar algo a alguém sem preocupação de risco. O mecanismo é o mesmo para uma fé propriamente religiosa e para confiança num homem, seja o compromisso por palavra, promessa ou dinheiro.
Ao final, arrematando a abordagem, Benveniste indica que kred seria uma espécie de aporte, oferta, oferenda, algo material, mas que compromete também o sentimento pessoal, uma ideia que retoma a noção incitada anteriormente
de uma força mágica que pertence a qualquer homem e que se coloca num ser superior.50
Esta investigação no revela as claras linhas pelas quais a sociedade moderna vai se estruturando em torno culto mercadológico e da relação com a força mágica do capital que, ao final, na forma do dinheiro, se coloca no ponto alto, soberanamente, na vida dos homens, sendo perpassado completamente por ele o dualismo entre guerra e paz.
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