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Şemsettin Ünlü’nün Eserlerinde Kavram Olarak Savaş

B. Şemsettin Ünlü’nün Savaşa Bakışı

B.2. Şemsettin Ünlü’nün Eserlerinde Kavram Olarak Savaş

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De onde nos vemos ou talvez como nos percebemos? Que inspirações podem revelar quem somos, como mediamos nossas relações com as dimensões consciente e inconsciente para revolver a essência do sagrado que se encontra no humano?

Suponho que novamente as respostas não sejam reveladoras de tantas interlocuções que se movem entre o que pensamos ser e o que manifestamos por nossas ações.

A construção do humano potencializa os sensores que norteiam todo o estado de experiências que se transformarão nos princípios a serem vividos na vida adulta e ao longo de toda a trajetória humana. Por isso, ao nos defrontarmos com a perspectiva de estabelecer relações entre os mundos conscientes e inconscientes, carecemos do auxilio de alguns colaboradores da

16 PESSOA, Fernando. Não sei quantas almas tenho. Disponível em

Psicologia, e neste sentido faremos um recorte buscando esclarecer quais os postulados das escolas psicológicas que sustentam a nossa compreensão sobre a evolução humana e sua consequente inteireza, mediadas pelas espirais da subjetividade e pela sua própria autoformação.

Assim, a perspectiva de associar a dimensão consciente e inconsciente, remete a uma personalidade que é a expressão do fazer-se humano ao longo de sua evolução e para tanto, destacaremos algumas ideias de Jung17, Erikson18 e Rogers19 que favorecem essa visão prospectiva de um ser que inicialmente se desconhece, mas que ao longo de uma evolução vai buscando se apropriar de uma condição que lhe permite expandir sua consciência em relação a si, aos outros e à natureza.

Jung, em sua vasta obra, começa por retratar a estrutura da personalidade ( o ego, o inconsciente pessoal e coletivo, o self, as atitudes, as funções e as interações entre os sistemas da personalidade ), logo a seguir descreve a dinâmica da personalidade considerando a energia psíquica, o principio da equivalência, o principio da entropia e o uso da energia, para então chegar no desenvolvimento da personalidade, que trata da causalidade versus teleologia, da sincronicidade, da hereditariedade, dos estágios do desenvolvimento, da progressão e da regressão, do processo de individuação, da função transcendente, da sublimação e da repressão e por último da simbolização.

No intuito de clarificar alguns aspectos dos estudos de Jung (1975), pontuo a sua própria fragilidade de praticamente ao final de sua vida, ainda não saber quem de fato ele era:

17 JUNG, Carl Gustav. Psiquiatra criador da Psicologia Analítica. Em sua teoria, enquanto o

inconsciente pessoal consiste fundamentalmente de material reprimido e de complexos, o inconsciente coletivo é composto fundamentalmente de uma tendência para sensibilizar-se com certas imagens, ou melhor, símbolos que constelam sentimentos profundos de apelo universal, os arquétipos: da mesma forma que animais e homens parecem possuir atitudes inatas, chamadas de instintos.

18 ERIKSON, Erik. Psiquiatra responsável pelo desenvolvimento da Teoria do Desenvolvimento

Psicossocial e um dos teóricos da Psicologia do Desenvolvimento. Erikson refere-se ao desenvolvimento psicossocial destacado que os estágios de vida da uma pessoa, do nascimento a morte, são formados por influências sociais interagindo com o organismo que está amadurecendo física e psicologicamente. ( 1975, p.192 ).

19 ROGERS, Carl Ranson. Psicólogo, um dos criadores da Psicologia Humanista, tendo como

trabalho psicoterapêutico a Abordagem Centrada na Pessoa, na qual o paciente conduz a terapia e não o terapeuta.

[...] minha vida é a história de um inconsciente que se realizou. Tudo o que nele repousa aspira a tornar-se acontecimento, e a personalidade, por seu lado, quer evoluir a partir de suas condições inconscientes e experimentar-se como totalidade. A fim de descrever esse desenvolvimento, tal como se processa em mim, não posso servir-me da linguagem cientifica: não posso me experimentar como um problema científico. O que se é, mediante uma intuição interior e o que o homem parece ser

sub specie aeternitatis só pode ser expresso através de um

mito. Este último é mais individual e exprime a vida mais exatamente do que o faz a ciência, que trabalha com noções médias, genéricas demais para poder dar uma ideia justa da riqueza múltipla e subjetiva de uma vida individual. ( p. 19 )

Jung (1975) ainda nos deleita, com sua criticidade, quando afirma: [...] assim, pois, comecei agora, aos oitenta e três anos, a contar o mito da minha vida. No entanto, posso fazer apenas constatações imediatas, contar histórias. Mas o problema é somente este: é a minha aventura a minha verdade? [...] sei que em muitos pontos não sou semelhante aos outros homens e no entanto ignoro o que realmente sou. [...] cada vida é um desencadeante psíquico que não se pode dominar a não ser parcialmente. ( p. 19 )

Destaca-se, nessas reflexões, o continuo processo do autoconhecimento, a necessidade de compreender nossos anseios. Jung, em toda a sua trajetória pessoal e profissional, buscou alcançar uma resposta parcial para suas elucubrações, todavia, acredito que pelo rigor de sua vasta obra e pela tentativa de dar uma qualidade ao seu ser, que mesmo no alto de sua idade cronológica, queria alcançar um estado de equilíbrio entre o seu ser inconsciente e consciente e confrontar os estados psíquicos e/ou psicológicos pelos quais procurou desvendar com suas teorias e estudos complementares, auxiliado por colaboradores da corrente da Psicologia Positiva.

Erikson (1998) trata sobre a personalidade, desenvolvendo-a a partir de um ciclo formado por oito etapas ou idades inter-relacionadas. Revela para tanto, a interação entre as dimensões psíquica e social, as quais formam a personalidade, que seria fruto justamente dessa interação.

O Ciclo de Vida Completo compreende os estágios psicossociais que envolvem: a confiança básica versus desconfiança básica; autonomia versus vergonha e dúvida; iniciativa versus culpa; diligência versus inferioridade; identidade versus confusão de identidade; intimidade versus isolamento; generatividade versus estagnação e integridade versus desespero. A passagem para o estágio seguinte vai ser desencadeado por uma crise, pois o propósito é a formação da personalidade. Para Erikson (1968, p.92) “tudo o

que cresce tem um plano básico, e [...] desse plano básico surgem as partes, cada parte tendo o seu momento de ascendência especial, até que todas elas tenham surgido para formar o todo que funciona”. Isso é conhecido como o

principio epigenético, um termo tomado emprestado da embriologia.

Enquanto Rogers acredita que a pessoa, qualquer pessoa, contém dentro de si o potencial para um desenvolvimento sadio e criativo. O fracasso em realizar esse potencial se deve às influências coercitivas e distorcedoras do treinamento parental, da educação e de outras pressões sociais. Mas os efeitos prejudiciais podem ser superados se o individuo estiver disposto a aceitar a responsabilidade por sua própria vida. Há em seus estudos a preocupação com as experiências das pessoas, seus sentimentos e valores e tudo o que está contido na expressão “vida interior”.

Segundo Rogers (1951, p. 487), o organismo tem uma tendência e uma

busca básica – realizar, manter e melhorar o organismo que experiencia. A tendência realizadora é seletiva, prestando atenção apenas àqueles aspectos do ambiente que prometem levar a pessoa construtivamente na direção da realização e da completude; Por um lado existe uma única força motivadora, o impulso auto-realizador; por outro, existe uma única meta de vida, auto- realizar-se ou ser uma pessoa completa.

Percebe-se que a ousadia de compreender o ser humano é praticamente utópica, pois as dimensões constitutivas encerram uma infinita gama de pequenas novas sub-dimensões, que talvez não revelem o seu pretenso significado. Será que de fato, podemos almejar essa compreensão?

O ser humano carece estar em conexão com o outro e com a natureza, mas essa auto-compreensão não pertenceria a sua subjetividade e nós, queremos, justamente que ele revele aos outros quais as suas características e o que guarda em seu intimo.

Parece-nos uma ironia, contudo, não carrega uma contradição, mas um entrelaçamento entre o pensar e o agir. Uma necessidade de ser transparente para si e para o outro, construir um auto-retrato de tudo o que há no seu recôndito sagrado e o que deseja externar nos espaços que transita.

Emerge nesta busca, inúmeros sentimentos, sensações e indagações, entretanto, é este revolver que desestabiliza e faz o ser humano ir além, mesmo que ainda não esteja totalmente convencido que é o seu ser em desenvolvimento que faz a diferença e a promove, para gerar as conexões necessárias a sua ampliação de consciência e indubitável movimentação para o alcance da Felicidade.

Csikszentmihalyi20 (1992, p. 14), afirma que a Felicidade não é algo que acontece, não é o resultado da boa sorte ou do acaso. Não é algo que o dinheiro possa comprar ou que o poder possa controlar. Não depende de acontecimentos externos, mas sim de como os interpretamos. A felicidade, na realidade, é um estado que precisa ser preparado, cultivado e defendido por todos nós [grifo nosso]. As pessoas que aprendem a controlar sua

vivência interior serão capazes de determinar a qualidade de suas vidas; isso é o mais próximo que qualquer um de nós consegue chegar do estado de felicidade.

O estado interior o qual Csikszentmihalyi se refere no ser humano está vinculado aos níveis subjetivos e esses, notoriamente só poderão ser descobertos, se nos dispusermos a partilhar com o outro, nossos nichos sagrados e por meio dessa vinculação, explorar o que ainda é desconhecido ou subjacente ao próprio inconsciente. O desvelamento obriga a uma transparência total, o espectro da consciência não consegue esconder nada, uma vez que, é justamente pela fluidez dos estágios que manifestamos o avanço dos níveis que constitui o homem.

Csikszentmihalyi corrobora nossa reflexão, quando novamente aponta que ao pensar como nos sentimos a respeito de nós mesmos, a alegria que experimentamos por estarmos vivos, depende diretamente, afinal, do modo como nossa mente filtra e interpreta as experiências diárias. Sermos felizes ou

20 CSIKSZENTMIHALYI, Mihaly. Psicólogo e Professor de Psicologia húngaro, que emigrou

para os Estados Unidos, quando tinha 22 anos. É conhecido por seu trabalho no estudo da Felicidade e da Criatividade, mas é mais conhecido como o ARQUITETO DA NOÇÃO DE FLUXO e de seus anos de pesquisa e redação sobre o tema.

não depende da nossa harmonia interior, não do controle que exercemos sobre as grandes forças do universo. Por certo, devemos continuar aprendendo a dominar o meio ambiente externo, porque nossa sobrevivência física pode depender disso. Mas esse domínio não acrescentará quase nada ao nosso bem-estar como indivíduos, nem diminuirá o caos do mundo, tal como o conhecemos. Para que isso aconteça, precisamos aprender a ter domínio sobre nossa própria consciência. (1992, p. 24)

As pistas para a construção e vivência deste equilíbrio interior é um propósito que, por vezes, parece inatingível, entretanto a ousadia é validada por esse desejo de transformação e urgente autoconhecimento do eu, permeado pelas dimensões consciente e inconsciente, que no nosso entendimento levará ao desenhar real das inspirações e das revelações subjetivas do ser humano.

Para tanto, a consciência procura desenvolver a capacidade de ultrapassar suas instruções genéticas e estabelecer seu próprio curso de ação independente. (Csikszentmihalyi, p.45). Este curso de ação independente associa-se ao movimento da espiral do desenvolvimento da consciência, uma vez que, só podemos ultrapassar um nível se estivermos bem, mas carregando sempre conosco as construções que experienciamos.

Elucidando as reflexões acima, Csikszentmihalyi (1992) pontua que:

[...] a função da consciência é representar a informação sobre o que está acontecendo fora e dentro do organismo de modo que isso possa ser avaliado pelo corpo e este possa agir de acordo Nesse sentido, ela funciona como uma central informativa que processa sensações, percepções, sentimentos e ideias, estabelecendo prioridades entre os diversos dados. Sem a consciência, nós ainda “saberíamos” o que está acontecendo, mas teríamos de reagir de modo reflexivo, instintivo. Com a consciência, podemos avaliar deliberadamente o que os sentidos nos dizem e reagir de modo correspondente. Podemos também inventar uma informação antes não existente: é por termos consciência que podemos sonhar acordados, mentir e escrever lindos poemas e teorias científicas. (p. 45)

Os diversos estudos na área da consciência insistem que o ser humano é o único que pode, mesmo que já tenha uma trajetória definida, realinhar ou

redimensionar sua existência. Pensar sobre o que deseja, suas escolhas e propostas, carregam em si, a possibilidade do erro, que aqui não é compreendido como uma dicotomia (acerto / erro), mas como o retomar de uma escolha que não foi a mais bem sucedida, para então, buscar outra trajetória que o levará ao alcance de suas metas ou projeções.

Desta forma, destacamos que, alguns autores, ao aprofundar seus estudos na Psicologia Positiva ou mesmo aqueles que ampliaram seus estudos a partir da Teoria do Caos, da Antropologia e da Filosofia, tinham o desejo que nos fazer reflexionar sobre a existência humana e tudo o que a cerca, para que, diante das mais diversas interrogações, pudéssemos repensar o nosso agir e a própria condição de ser humano em construção permanente, um eterno vir-a-ser, que compreende no meu entender, o movimento do ser, que se faz pequeno, retoma a sua originalidade e as suas heranças culturais, para então, personalizar sua subjetividade, respaldando-a com o que deseja preservar, com tudo que supõe carecer de renovação e possível transformação.

4.2 - OS ESPELHOS DA ALMA: PARECER SER E VISLUMBRAR O NÃO