• Sonuç bulunamadı

ŞÛRALARDA, KURULTAYLARDA VE HÜKÜMET ROGRAMLARINDA ÇOKKÜLTÜRLÜ VE ÇOKDÎLLÎ EĞİTİME BAKIŞ

Gençler Arasında Barış İdealleri, Uluslararası Saygı ve Anlayış Geliştirme Bildirgesi;

EK 2 ŞÛRALARDA, KURULTAYLARDA VE HÜKÜMET ROGRAMLARINDA ÇOKKÜLTÜRLÜ VE ÇOKDÎLLÎ EĞİTİME BAKIŞ

Paviani (2006) ressalta a importância das Teorias devido à sua função de sistematização de conhecimentos adquiridos, sua possibilidade de auxiliar na transmissão, na descrição e na explicação de fatos, fenômenos do mundo ou da realidade por meio da interpretação, da crítica e da produção de novos

conhecimentos. Para Otaviano (2006, p. 52), tanto a teoria como as hipóteses são “atos intelectivos ligados à prática de pesquisa”, sendo que a hipótese, considerada como uma suposição que emerge a partir da observação de determinado fenômeno, sempre antecede a teoria, embora se saiba que a partir da teoria podem emergir outras hipóteses. Nesse sentido, compreende-se que a função da teoria consiste em finalizar a experimentação e apresentar novas hipóteses ou suposições, possuindo, também, a função de “amarração da experiência”.

Neri (2006, p. 59) define a teoria como “[...] um conjunto de afirmações sobre fatos, incluindo leis e definições de termos” que tem por objetivo a construção de um conhecimento científico realizado de forma reflexiva, sistemática, crítica, acumulativa e coletiva. Cabe destacar que toda teoria surge a partir de um conjunto de conhecimentos lógicos identificados através de áreas específicas do saber, que irão resultar num conhecimento científico. Nessa perspectiva, Paviani (2006, p. 12) ressalta que

O conhecimento pode ser entendido como uma representação de algo, de coisas e de relações entre coisas e pessoas. Nesse sentido, a faculdade do entendimento (conceitos), aliada à faculdade da sensibilidade (intuição, percepção), organiza a experiência do ser humano como ser que está no mundo. Já o pensar consiste em formar ideias, perceber, sentir, imaginar, raciocinar, planejar, resolver problemas. O conhecer e o pensar estão próximos e, por isso, são difíceis de distinguir. Por sua vez, o saber sempre indica um saber-fazer. E, finalmente, o julgar, tão pouco estudado, consiste no avaliar, no decidir. Estabelecidas essas distinções e relações, podemos concluir que o conhecimento científico implica um saber-fazer ciência, que por sua vez exige um saber-decidir e pensar.

Toda teoria científica, inclusive as relacionadas com o desenvolvimento e o envelhecimento estão referenciadas a “paradigmas científicos”, que são utilizados para representar os domínios vastos dos fenômenos. Nessa perspectiva, Neri (2006) ressalta que os paradigmas não podem ser considerados como teorias, mas como visões gerais de mundo ou grandes construções intelectuais que oferecem implicações consideradas como “restritivas” e “definidoras”, que contribuem, tanto para a construção de teorias como para a condução de pesquisas.

Identifica-se que na atualidade não existe uma teoria única sobre o envelhecimento, sendo que o interesse científico sobre este fenômeno surgiu especialmente a partir do Século XX, quando passou a receber uma maior atenção dos cientistas e profissionais de diversas áreas do conhecimento. Esses profissionais, além de identificarem as causas do fenômeno do envelhecimento,

propunham alternativas para garantir uma melhor qualidade de vida às pessoas ao longo de sua existência.

Embora a compreensão de que todos os organismos envelhecem seja universal, quando se trata de identificar quais são os indicadores para as possíveis variáveis envolvidas neste processo, percebem-se inúmeras controvérsias, impossibilitando, desta forma, a construção de conceitos fundamentais que possam ser ordenados a partir de uma estrutura lógica de conhecimento que permita uma explicação, uma elucidação, uma interpretação e uma unificação através de uma única23 teoria (JECKEL-NETO; CUNHA, 2002). Nessa perspectiva, apresentam-se algumas das Teorias Biológicas, Psicológicas e Sociológicas do envelhecimento, consideradas por alguns autores como as mais relevantes.

Teorias Biológicas do Envelhecimento.

Em geral, grande parte dos conceitos sobre o envelhecimento, oriundos das Teorias Biológicas do envelhecimento, estão relacionados com as mudanças sofridas pelo organismo com o passar dos tempos. Jeckel-Neto e Cunha (2002) chamam a atenção para o fato de que, embora não esteja oficialmente estabelecido, com frequência o termo envelhecimento é utilizado para descrever as mudanças morfofuncionais que, progressivamente, comprometem a capacidade dos indivíduos de dar respostas ao estresse ambiental e à manutenção da homeostasia. Os autores destacam, ainda, que a partir desta definição universal são consideradas apenas as mudanças verificadas ao longo dos tempos, sem, contudo, explicitar se as mesmas provocaram ou não efeito destrutivo sobre a vitalidade e a longevidade dos sujeitos analisados.

Com base em Fernández-Ballesteros (2009b), no quadro que segue apresentam-se algumas Teorias Biológicas do Envelhecimento, ressaltando-se, inicialmente, que existem três conceitos básicos que estão presentes em cada uma

23 Sobre este aspecto, Jeckel-Neto e Cunha (2002) destacam ainda outros fatores que impedem a

construção de uma única teoria sobre o envelhecimento: a falta de uma compreensão comum sobre o envelhecimento; a falta de recursos financeiros para comprovar cientificamente todas as teorias existentes; as teorias são recentes e pouco discutidas; associado à pouca discussão e aos poucos recursos existentes, existem poucos cientistas envolvidos no processo de investigação do envelhecimento; a existência de forte influência cultural por parte dos pesquisadores e das populações investigadas; a falta de interesse das agências de fomento às pesquisas do envelhecimento, pelo fato das mesmas serem demoradas, possuírem altos custos e pouco retorno em termos de publicação e de aplicabilidade; devido à complexidade que envolve o estudo do fenômeno do envelhecimento, a testagem das teorias exige a participação de uma equipe multidisciplinar, o que dificilmente se consegue organizar.

delas: o organismo experimenta três etapas essenciais, o crescimento e desenvolvimento, a maturidade e o declínio, desde que não exista algum erro biológico ou morte do individuo; durante o envelhecimento são produzidos dois processos que apresentam determinada ligação, um declínio fisiológico e uma maior propensão a doenças; existem alguns processos considerados básicos que possibilitam a continuidade da existência com êxito, e que têm a ver com a atividade celular, a participação dos sistemas de regulação (nervoso, endócrino e imunológico), bem como com a capacidade de adaptação às condições ambientais.

Quadro 3: Síntese das Teorias Biológicas do Envelhecimento

Teorias Biológicas do Envelhecimento Teorias Características

Teorias Genéticas

Estão centradas nas estruturas genéticas de cada espécie e defendem que cada uma delas, assim como cada ser vivo, possui um tempo de vida pré- determinado geneticamente.

Teorias

celulares Possuem grande relação com as Teorias Genéticas. Partem da concepção de que as células não se duplicam eternamente. Ressaltam-se as Teorias dos Radicais Livres (relacionadas com a degradação celular a nível estrutural e funcional) e a Teoria da “Des-diferenciação” celular (postula que, com o passar do tempo, as células perdem a habilidade da especialização e sua necessária diferenciação, e que a membrana celular sofre redução de sua fluidez).

Teorias

Sistêmicas A partir de Teorias da “Deterioração da Função Imune”, acredita-se que exista um mecanismo de mutagênese que dirija e forneça a autoimunidade. Defende-se, também, através da microteoria da deficiência hormonal, que um declínio hormonal que prejudica os sistemas do organismo.

Teorias dos Eventos Vitais Biológicos

Postula-se que a acumulação de eventos vitais biológicos (como anestesias, traumatismos cranianos, etc) produzem um estresse nos sistemas vitais que provocam, ao longo do tempo, uma falha em todos os sistemas.

Outras

Teorias Teoria do Desgaste (dos sistemas biológicos), Teoria dos Resíduos (debilitação do equilíbrio normal do organismo), entre outros. Fonte: Fernández-Ballesteros (2009b)

Teorias Psicológicas do Envelhecimento

Os pressupostos das Teorias Psicológicas do envelhecimento evidenciam suas diferenças com relação às Teorias Biológicas, anteriormente citadas, que apresentam uma preocupação em explicitar aspectos fisiológicos (ligados especialmente à biologia celular e à biologia molecular), desconsiderando totalmente os aspectos sociais, culturais e psicológicos, que também constituem a velhice em sua totalidade. As Teorias Psicológicas apresentam um olhar mais ampliado sobre o tema, a partir da identificação e do estabelecimento das relações entre os processos

de continuidades e de mudanças verificadas ao longo do desenvolvimento e de envelhecimento humano, levando em conta os seguintes elementos, tais como:

Tempo transcorrido desde o nascimento, tempo histórico, contexto sócio- cultural, gênero, classe social, nível de renda, nível de escolaridade, funcionalidade física e mental e status de saúde são os critérios mais comumente usados pelas teorias psicológicas do envelhecimento para agrupar os indivíduos e perguntar por diferenças e semelhanças entre eles. Entre esses processos, os mais estudados são a inteligência, a memória, a atenção, a aprendizagem, a motivação, a afetividade, as autocrenças, a personalidade e as relações sociais (NERI, 2006, p. 59).

Entre as Teorias Psicológicas do envelhecimento destacam-se algumas consideradas de maior relevância, que estão classificadas em quatro grupos: as Teorias do Desenvolvimento, a Teoria do Ciclo Vital, a da Atividade e a da Continuidade. As Teorias do Desenvolvimento, em geral, consideram apenas as primeiras etapas da vida. Destaca-se, em especial, a Teoria Psico-social (ERIKSON, 1998), que pressupõe uma visão evolutiva que abarca todo o ciclo vital humano. Com base nessa Teoria, o envelhecimento se estabelece a partir dos 65 anos, sendo destacadas como situações de crise/conflito a integridade e o desespero, e a prudência e a sabedoria como virtudes24.

O Enfoque do Ciclo Vital (Life Span), mais que uma teoria, representa uma orientação geral ou uma reflexão metodológica e conceitual sobre o desenvolvimento (MENÉNDEZ, 1998). Os próprios autores a consideram como um “enfoque”. Neri (2006) refere-se a “paradigma do ciclo vital” e ressalta que o mesmo possui uma visão pluralista (considera múltiplos níveis e dimensões do desenvolvimento) e integra a noção organicista, e as ideias dos paradigmas contextualista e dialético, no que se refere às influências psicológicas, genéticobiológicas, socioculturais e ecológicas.

A base do ciclo vital foi elaborada por Baltes (1987) e se resume a cinco aspectos: (1) verifica-se, ao longo de todo o ciclo da vida, um balanço entre o declive e o crescimento; (2) existem algumas funções biológicas que declinam com a idade, como a inteligência mecânica ou fluida, e outras, como a inteligência pragmática ou

24 Para Erikson (1987) o desenvolvimento humano compreende oito etapas predeterminadas que

constituem o ciclo vital como um contínuo, onde cada uma delas influencia a seguinte. O “ego” (no sentido freudiano) passa por distintas fases de crise no ciclo vital e ao sair delas o indivíduo estaria com seu ego mais fortalecido ou mais frágil, conforme a vivência do conflito. Ou seja, o crescimento e o desenvolvimento do indivíduo estaria totalmente imbricado no seu contexto social.

cristalizada, que não; (3) a variedade inter individual sofre modificações no decorrer do ciclo vital, tornando as pessoas cada vez mais diferentes entre si; (4) durante todo o ciclo da vida, identifica-se a existência de uma capacidade de reserva, que pode ser estimulada através de manipulações externas ou treinamentos; (5) existem três formas de envelhecer: normal, patológica ou com êxito (mediante mecanismos de otimização, seleção e compensação).

Teorias Sociológicas do Envelhecimento.

Com base em Fernández-Ballesteros (2009b), destacam-se as Teorias Sociológicas consideradas mais importantes: Teoria da Desvinculação, Teoria da Subcultura, a Teoria da Modernização e a Teoria da Atividade. A Teoria da Desvinculação, desenvolvida nos anos de 1960, por Cummings, parte do pressuposto que, tanto a sociedade como o indivíduo, possuem a mesma meta ao longo do processo de envelhecimento, a “desvinculação funcional” entre ambos, que ocorrerá com a morte do individuo. A partir da Teoria da Subcultura, parte-se do pressuposto de que a velhice possui uma relação com a solidão e o isolamento, fatores que podem ocorrer nesta fase da vida. Diante dessa realidade, os idosos costumam desenvolver uma cultura própria relacionada com as crenças e interesses desse grupo etário, e acabam por serem “excluídos” ou “segregados” em um mesmo contexto (como os conjuntos residenciais e os clubes de idosos) (SIQUEIRA, 2002).

A partir da Teoria da Modernização, como ressalta Siqueira (2002), compreende- se que existe uma relação inversamente proporcional entre a postura social e o status do idoso, e a modernização, situação que reflete no seu poder de influência e nos seus papéis de liderança, provocando o seu desengajamento da vida comunitária. Com base na mesma autora (SIQUEIRA, 2002), apresenta-se a Teoria da Atividade, que salienta a necessidade da manutenção dos níveis de atividade da vida adulta, como forma do idoso permanecer ativo e evitar o desengajamento social.

Considerando-se o caráter multidimensional do envelhecimento, constata-se que não existe uma única teoria capaz explicar este fenômeno em sua totalidade. Por outro lado, com exceção das teorias que consideram somente um aspecto do real (como por exemplo, o biológico), compreende-se que as demais, no seu conjunto, são importantes, necessárias e apresentam uma utilidade na medida em que permitem a elucidação de aspectos biológicos, psicológicos e sociais do

envelhecimento, além de apontarem pistas para sua aplicabilidade que podem contribuir para a solução de problemas humanos.

Pelos motivos apontados, justifica-se a referência estabelecida entre algumas teorias ressaltadas nessa investigação, devido à sua importância enquanto referencial teórico necessário para a compreensão do objeto deste estudo, da qual pretende-se identificar as contribuições da participação dos idosos em grupos de convivência, tendo em vista a garantia de seus direitos e de sua autonomia.

No item que segue, apresentam-se algumas propostas internacionais sobre o Envelhecimento.