• Sonuç bulunamadı

BĠR SĠYASĠ LĠDER VE ENTELEKTÜEL OLARAK ĠSMAL CEM

2 2 ĠSMAĠL CEM’ĠN ESERLERĠ

Após a demissão de Inácio Sampaio, os membros da Junta, em acordo comum, depois de algumas deliberações, decidiram eleger como Presidente do Governo Interino o ouvidor Paulo Couceiro. Em seguida, em uma tentativa de apaziguar os ânimos excitados pela exoneração de Sampaio, a Junta lançou uma proclamação, que, de certo modo, não deixava de ser, em essência, um alentado apelo à legalidade representada pela Junta Provisória – por certo bastante desacreditada com a saída de Sampaio.

Goianos! Confiai-vos no governo que elegestes. Para obter o sossego público e a felicidade desta província foi legitimamente criada esta junta, por causa dos boatos que ainda giravam, propôs o Excelentíssimo general a sua demissão, dando por motivo obter-se assim a tranqüilidade pública, o que aceitamos por ser este um dos pontos mais atendíveis a que se propõe esta junta: e em lugar foi por nós eleito para presidente o Dr. Paulo Couceiro de Almeida Homem. Goianos! Tranqüilizai os vossos espíritos; chamai a paz às vossas casas; lembrai-vos que somos portugueses; sede obedientes às leis e às autoridades constituídas [...]. O desvelo desta junta é a vossa prosperidade, recorrei a ela em vossas procisões; fácil vos é pedir remédio para as vossas necessidades e da vossa pátria; ela vos atenderá, e o que exceder aos limites da sua autoridade elevará à presença de do alto príncipe regente as nossas súplicas, de onde emanará sem dúvida o bálsamo para cicratizar as vossas chagas. Goianos! Fiéis Goianos! Estão quebradas as barreiras; comunicai-vos sem susto com os vossos irmãos habitantes de Palma; tornai-vos a mesma família; e vós, palmenses, persuadi-vos que a demora da vossa reunião é ainda o que dissaboreia o nosso prazer; se sois portugueses, obrai ações de portugueses, e unamo-nos, para juntos clamarmos, viva a nossa santa religião, vivam as cortes, viva a nossa constituição, viva El-Rei constitucional o Senhor D. João VI, viva o príncipe regente do Brasil, vivam os goianos! Goiás 9 de janeiro de 1822. – Paulo Couceiro de Almeida Homem. _ Inácio de Bulhões – Francisco Xavier dos Guimarães Brito e Costa. – Luiz da Costa Freire de Freitas. – Antônio Pedro de Alencastro...62

Mas era difícil e também um tanto hipócrita conclamar a população à paz

61

LACERDA, Regina. A Independência em Goiás, Goiânia, Oriente, 1972, pg. 68.

62

ALENCASTRE, José Maria Pereira de. Anais da Província de Goiás – 1863. Goiânia, Sudeco, pg. 347 1979.

quando os próprios membros da junta se digladiavam sem muita cerimônia. Nesse contexto, a demissão de Inácio Sampaio, é claro, poderia, em tese, esvaziar os poço de tensões em que se transformara a política goiana – mas apenas em tese. O fato era que a luta pelo poder desafiava qualquer lógica ou ainda qualquer apelo à sensatez. 63

Não era de todo inconveniente aos membros da Junta, por exemplo, conceder, como exigia ao já exonerado Inácio Sampaio, “uma certidão informando todos os fatos que precederam seu afastamento, inclusive uma cópia das acusações que lhe haviam sido feitas [durante a memorável sessão do último dia três]”.64 O pedido de Sampaio parecia apenas um expediente burocrático. Mas, presumivelmente, a mera desconfiança de que essa certidão fosse utilizada como evidencia ou prova em algum processo administrativo ou político em favor da inocência do ex-capitão-general ou contra os membros da Câmara e do Governo Provisório fez com que a maioria dos partícipes da Junta negasse o requerimento de Sampaio – e isso apesar dos protestos do Presidente-Ouvidor Paulo Couceiro e do Capitão Costa- Freire, antigos aliados de Sampaio.65

A negativa precipitou uma tensão incontornável entre os adversários de Sampaio e o ouvidor Couceiro. “Diante disso, o ouvidor-pesidente negou-se a comparecer a novas reuniões, exonerou-se dos cargos que ocupava e aprontou- se para abandonar a província.”66

Como de praxe em um jogo político repleto de mesquinharias, a mera vitória não bastava: era preciso denegrir e desmoralizar a imagem do adversário de tal modo que um revide político junto às Cortes se tornasse praticamente impossível. Foi certamente com esse intuito que logo após a demissão de Couceiro a Junta se preocupou em instalar contra o ex-ouvidor um processo político-administrativo, remetendo-se os autos para Lisboa.67 Em um ofício

63

Idem.

64 MOREYRA, Sérgio Paulo. O processo de Independência em Goiás, in, Dimensões 1822, Perspectiva, São

Paulo, 1972, pg. 268. 65 Idem. 66 Idem. 67

Nas palavras do historiador Sérgio Paulo "a atitude incontornável de Couceiro assustou os membros da junta, que então tomaram uma atitude duplamente falsa: expediram uma proclamação ao povo afirmando que

posterior, a Junta legitimou a necessidade de sua exoneração com base na acusação de incompetência, responsabilizando-o pela eclosão do governo separatista no Norte e pelo atraso no pagamento dos funcionários públicos, colocando em dificuldades os "filhos da folha". Nesse libelo venenoso não poderia, é claro, faltar a conveniente acusação de deslealdade para com as Cortes: era talvez o modo mais eficaz de indispô-lo com a Assembléia Constitucional de Lisboa.Com esse intuito, denunciaram Couceiro como "instrumento do antigo capitão-general", o qual, segundo asseverava o ofício, "criticava abertamente as Cortes de Lisboa", presumivelmente por um indisfarçável pendor absolutista. Além disso, acusavam o ouvidor de elogiar "suspeitosamente" o Regente, "e de ter dito em público que D. Pedro não deveria retornar a Portugal, mas permanecer no Brasil".68

Segundo o historiador Sérgio Paulo, tais acusações manifestas contra Coceiro eram na verdade "apenas um meio de se justificarem os membros da Junta diante da "metrópole (...) pelas atitudes tomadas."69 Em linhas gerais, essa uma percepção é correta e significativa, embora não sublinhada e analisada o suficiente pelo historiador Sérgio Paulo. Na verdade, tais acusações mostram muito mais do que apenas uma mera tentativa de legitimar o poder da Junta perante as Cortes de Lisboa. Mostram, antes de tudo, que, ao menos em Goiás, a aposta da elite dirigente se voltava para a crença na manutenção de um Reino Unido, constitucional, secundado por uma monarquia subalterna. Claro que se pode objetar que tais acusações seriam apenas frutos do oportunismo dissimulado da Junta. Mas em recusa a essa objeção, pode-se levantar o contexto que levara ao acontecimento de 9 de janeiro – vulgarmente conhecido como o dia do Fico. Ora, quando a Junta despachou para Lisboa o insinuante ofício contra o ouvidor Couceiro, a mobilização pela permanência de D. Pedro no Brasil já estava em pleno andamento. Portanto, tempo suficiente para que as prováveis implicações da permanência do Regente fossem conhecidas em pelo governo Provisório de Goiás. Nesse sentido, cabe uma oportuna argüição: por

ele resolvera exonerar-se de seus cargos – sem outra explicação – e instauraram inquérito contra ele, remetendo ineditamente os autos para Lisboa". Idem, pg. 269.

68

Idem.

69

que a Junta optou a essa época por legitimar-se politicamente junto às Cortes e não junto ao Regente que começava então encarnar os anseios das "classes médias" e das elites brasileiras? Seria falta de patriotismo?

Sem dúvida – sim! – mas sem querer com isso insinuar que fossem os membros da Junta traidores da causa nacional. Na verdade, nem poderiam sê-lo, uma vez que sequer existia ainda no Brasil um sentimento sólido ou consistente de patriotismo ou nacionalidade: afinal de contas, aqueles que se consideravam civilizados ou 'brancos' no Brasil se supunham ou se acreditavam , antes de mais nada, partícipes de um universo determinado e definido pela identidade portuguesa.70 Em geral, quando muito, podiam se considerar luso-brasileiros.

Os ressentimentos e as aversões contra os portugueses, como já foi dito, quando ou onde existiam, eram motivados menos por um nativismo latente ou manifesto do que por um ciúme contra o status social, político ou econômico que os imigrantes lusos galgavam na colônia – um tipo de sentimento que se manteve mais ou menos inalterado pelo menos até meados de 1822. E isso era uma verdade que podia ser pressentida e compreendida tanto no litoral quanto no 'sertão', tanto no Rio quanto em Goiás, tanto no caso da sublevação 'patriótica' orquestrada pelo Padre Marques quanto nas acusações insinuantes proferidas contra o ouvidor Couceiro.

Nesse aspecto, é conveniente lembrar que a Independência só se consumou enquanto opção política à elite brasileira e à regência depois de esgotadas todas as esperanças de que as Cortes de Lisboa pudessem ser equânimes na definição política e administrativa entre as duas grandes metades do Reino Unido. A denuncia contra Couceiro frente as Cortes, em absoluto detrimento do simbolismo incipiente representado pelo Príncipe Regente a partir dos estertores de 1821, evidencia precisamente essa ausência relativa do que poderíamos chamar de um autêntico germe patriótico ou nacional.

Por fim, não podemos deixar de mensurar as perspectivas políticas expressa subliminarmente no gesto da Junta goiana em relação ao Ouvidor. Afinal de contas, a denúncia de Coceiro à Corte, revela-nos que a maioria de seus membros não só eram descrentes quanto à representatividade política da

70

Na verdade, parece significativo o fato de que nas declarações públicas realizadas pela Junta durante o ano de 1821 sempre se procurava ressaltar a origem 'portuguesa' dos goianos.

Regência face aos interesses brasileiros como também desdenhosos em relação à uma possível insubordinação de D. Pedro frente às determinações das Cortes. E tudo isso não era fruto apenas do um oportunismo maquiavélico, da ausência de um sentimento patriótico ou uma miopía política. Nesse caso específico, o que podemos conjecturar é que, provavelmente, para a maioria dos membros da Junta, em Janeiro de 1822 – como possivelmente para alguns membros da elite brasileira de então – não só era pouco verossímel como também algo insólito que o herdeiro presumível da monarquia pemitisse ser envolvido em um jogo polítivo de traços nativista que, sob determinados aspectos, não deixavam de potencializar a ação e a relevância daqueles pequenos grupos que abertamente clamavam pela independência.

Contudo, em uma escala hierárquica de fatores, esta contradição aparente representada pela rebeldia do Príncipe Regente provavelmente se subordinava a uma compreensão política que entrevia as forças e a legitimidade das Cortes de Lisboa como maiores e mais efetiva do que aquelas que envolviam, respaldavam e orientavam a ação política ''anticonstitucional' de D. Pedro I. Não se pode esquecer que a eclosão das Juntas provisórias em todo o Brasil – inclusive Goiás – se deu graças ao 'liberalismo' da Corte. Portanto, era natural que para os membros das Juntas instituídas em todas as províncias do Brasil buscassem a manutenção do poder e da ‘dignidade’ recentemente adquirido no lastro do regime político proclamado pelas Cortes, que se instituíra, desde o princípio, ao

menos no discurso, contra o absolutismo vigente – absolutismo que tanto em

Goiás quanto nas demais capitanias do Brasil sustentara e legitimara o poder dos capitães-generais e governadores de capitania – elementos que em Goiás recordavam a infausta figura de Inácio Sampaio.

Em uma forma esquemática, podemos afirmar que no pensamento associativo da Junta, em termos dos sistemas políticos, as Cortes de Lisboa encarnavam tanto o liberalismo desejável quanto encarnava o Príncipe Regente o espectro rondante (e indesejável) do velho absolutismo. A paulatina inclinação da Junta e da burocracia goiana em direção à figura e à autoridade de D. Pedro começou quando a maior parte da elite política brasileira, nos meses iniciais de 1822, decidiu-se congregar em torno do Príncipe Regente contra as intenções "recolonizadoras" das Cortes. E isso tampouco podia ser exemplo típico de um

autêntico gesto "patriótico". Na verdade, essa inclinação política só ocorreu depois que foi divulgado e posteriormente confirmado os decretos das Cortes que suprimiam "os órgãos centrais da administração e os tribunais superiores de justiça no Brasil; [subordinava] cada uma das províncias, separadamente, ao governo de Lisboa; [e entregava] o governo destas não mais a representantes eleitos, mas indicados pelas Cortes."71

Diante disso, era natural que procurando estar em sintonia com as inclinações 'patrióticas do povo brasileiro' e mais ainda (certamente) em sintonia com os próprios instintos de sobrevivência política, buscassem os membros da Junta se "congregar" aos desígnios da Regência – sobretudo depois que as principais forças políticas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas começaram a se articular em torno da figura do Príncipe Regente. Curiosamente, a Junta de Goiás só compreendeu ou pressentiu a conveniência – e a necessidade – de se alinhar aos projetos políticos orquestrado pela Corte do Rio de Janeiro após o já tardio mês de maio 1822, sem dúvida pela relativa incapacidade de apreender corretamente o significado dos acontecimentos que se processaram na Corte durante os quatro meses precedentes. Tanto isso é verdade, que a repercussão dos acontecimentos do dia 9 de janeiro de 1822 – o dia do Fico – não deixou de ser duplamente interpretado pela junta: primeiro como uma garantia necessária aos "direitos dos brasileiros"; segundo, como um lastro poderoso do "vínculo indissolúvel" a sedimentar a união entre Brasil e Portugal:72

Proclamação. – Tendo sido nesta província manifestada a sábia deliberação que tomou S. ª Real, o príncipe regente do Brasil, de suspender a sua saída para Portugal, demorando o prazer de voltar à sua cara pátria e ao seio de sua família, só por realizar a felicidade do povo que tem a dita de se reconhecer seus súditos, cumpre-nos também não deixar em silêncio os sentimentos de gratidão de que estamos possuídos. A Junta administrativa do governo em vosso nome vai agradecer ao mesmo augusto senhor tão heróico sacrifício, e protestar que os goianos constitucionais não são menos briosos que os seus

71

LACERDA, Regina. A independência em Goiás, Goiânia, Oriente, 1972, pg. 26.

72

ALENCASTRE, José Maria Pereira de. Anais da província de Goiás – 1863, Goiânia, Sudeco, 1972, pg. 376.

irmãos, e que nunca perderão ocasião de dar decididas provas de amor, adesão, respeito, obediência à sua sagrada pessoa, reconhecendo a imperiosa necessidade da sua residência no Brasil, como garantia dos direitos dos brasileiros, como primeiro defensor da sagrada constituição, e finalmente como vínculo indissolúvel que prende um a outro hemisfério português. Vivam as Cortes da nação portuguesa, viva a nossa santa constituição, viva el-rei constitucional o senhor D. João VI, viva S.M. Real o príncipe reagente do Brasil, que se sacrifica pela felicidade da nação, viva a reunião do Reino Unido. Goiás, primeiro de abril de 1822. – Francisco Xavier dos Guimarães Brito e Costa. – Antônio Pedro de Alencastro. – Luiz da Costa Freitas de Freitas. – João José do Couto Guimarães. – Inácio Soares de Bulhões.73

2.2 A Eleição do Governo Provisório

Em substituição ao ouvidor demissionário, os membros da Junta decidiram escolher para o cargo vacante de Presidente do Governo Provisório o senhor Francisco de Guimarães Brito e Costa, que além de membro da junta ocupava o cargo de vigário da vara da Cidade de Goiás. Poucos dias depois dessa alteração nas rédeas no poder executivo, apoiado por quase todos os partícipes do Governo instituído, decidiu o novo presidente empossado nomear para o governo das armas o Coronel Álvaro José Xavier. Essa escolha feriu – talvez propositadamente – o Coronel Costa Freire, que face a esta atitude decidiu renunciar ao cargo de Presidente da Junta.74

A exoneração de Costa Freire contribuiu para pacificar politicamente a Junta, que se mostrara instável e tendente aos sobressaltos políticos desde a instalação do governo provisório. Na verdade, essa tensão era natural e previsível desde que na constituição do novo governo se tornou evidente a articulação de dois grupos antagônicos e inconciliáveis: o primeiro ligado ao ex-capitão-general e outro agregado em torno do vereador José Rodrigues Jardim e do capitão e Francisco Xavier dos Guimarães.75 A demissão do Coronel Costa Freire representou, em termos políticos, o alijamento cabal dos partidários de Inácio

73

Idem, Ibidem, páginas 375 e 376.

74

MOREYRA. Sérgio Paulo. O Processo de Independência em Goiás, in, Dimensões 1822, São Paulo, Perspectiva, 1972, pg. 269.

75

Sampaio.

O novo arranjo político garantiu a governabilidade relativa da província de Goiás até o pleito de 8 de abril. A princípio, o escrutínio fora oficialmente marcado para o dia primeiro do referido mês, mas só pode se concretizar 7 dias depois em virtude do atraso dos eleitores dos julgados. Nessa ocasião, eram candidato a presidência o ouvidor Antônio Galvão, o Coronel Álvaro Xavier e o bacharel e presidente da Junta da Fazenda Raimundo Nonato Hyacinto. Contabilizados os votos, declaram-se eleitos Álvaro José Xavier – presidente (presidente), José Rodrigues Jardim – secretário (9 votos), Raimundo Nonato Hyacinto (8 votos) – João José do Couto Guimarães (10 votos), Joaquim Alves de Oliveira (9 votos), Luís Gonzaga de Camargo Fleuri ( 10 votos), Inácio Soares de Bulhões.76

Em termos políticos a eleição de 8 de outubro determinou a vitória de um consórcio político formado pelas principais lideranças da Cidade de Goiás e do julgado de Meia-Ponte.77 Segundo as crônicas da história de Goiás, a eleição, apesar de disputada, transcorreu sem que nenhum grave incidente fosse registrado. Contudo, a esperança de que a constituição de um governo eleito "democraticamente" fosse suficiente para garantir uma legalidade mínima que tornasse possível uma governabilidade razoável para a província se desvaneceu tão logo se tornou conhecido o resultado do escrutínio. Inconformado com a derrota, "o ouvidor Galvão fez [um] violento protesto público contra eleitores e eleitos, passando a fazer, a partir de então, [acerba] oposição ao governo".78

Todavia a ameaça que pairava sobre o novo governo não era tanto a oposição do ouvidor Galvão em si – que isolado poderia fazer pouca coisa – , mas a liga oponente que ele tentava congregar em torno da sua pessoa, "liga" esta que desde logo teve a adesão de outro grande derrotado no pleito do governo provisório: o Coronel Antônio Pedro Alencastro. Entretanto, nem o ouvidor Galvão

76

Idem, Ibidem.

77

O domínio político da Cidade de Goiás e Meia-Ponte era inevitável em virtude de, juntas, somarem quase metade dos eleitores habitados para o escrutínio ( Cidade de Goiás 5, Meia-Ponte 3, Anta 1, Santa Luzia 2, Santa Cruz dois ( um dos quais não compareceu), Pilar dois, Traíras um, São Félix um, Crixás um ( este último não compareceu).

78

MOREYRA, Sérgio Paulo. O Processo de Independência em Goiás, in, Dimensões 1822, São Paulo, Perspectiva, 1972, pg 272.

nem o Coronel Alencastro pareciam constituir um perigo imediato para o novo governo eleito. A mesma certeza, porém, não se tinha em relação ao tenente- coronel Costa Freire. Afinal de contas, durante o governo da primeira Junta, foi ele uma voz destoante pelo seu apoio as presidência de Inácio Sampaio e Paulo Couceiro. Agora, por certo, era com dissabor que contemplava a eleição de candidatos que haviam sido desafetos durante o governo da primeira Junta, e que o haviam "impelido" a pedir demissão em virtude da nomeação do Coronel Álvaro José Xavier para o Governo das Armas– o mesmo que graças ao pleito acabara por se alçar ao posto de presidente do Governo Provisório. Para completar "os maus antecedentes", o sobredito tenente-coronel era, segundo do historiador Paulo Sérgio, "compadre" do impetuoso o ouvidor Manuel Galvão.79

A aliança entre dois oficiais de alta patente e um ouvidor que ainda por cima acumulava o cargo de presidente da Câmara podia criar uma oposição política irresistível. A junta deve ter ponderado isso. De qualquer modo, um tenente-coronel – isolado ou em grupo – não deixava de representar um eventual perigo golpista. Por isso a Junta decidiu agir rapidamente. No mesmo dia da eleição, quando as principais autoridades da Cidade de Goiás prestavam juramento de fidelidade ao novo governo instituído, um grupo de Dragões e Pedestres compareceu diante da Junta e diante de Costa Freire (que estava presente à cerimônia), "e o denunciou por dupla tentativa de sedição da tropa. No mesmo instante, foi afastado do comando e instaurou-se inquérito contra ele, sendo-lhe dado oito dias para abandonar a província".80.

A demissão humilhante do tenente-coronel Costa-Freire não intimidou nem a Galvão nem a Alencastro. Nos meses seguintes, ambos – secundados pelo

Benzer Belgeler