5. UYGULAMA
5.2 Ġncelenen Ürünlerin Üretim AĢamaları
DOMINAR O CONTEUDO, SÓLIDOS CONHECIMENTOS, FALTA DE DOMÍNIO DO CONTEÚDO
Didático pedagógica 2 4,76 FALTA DE DIDÁTICA, FALTA DE TÉCNICA PARA PASSAR O ASSUNTO
Total
7 17
NÃO MISTURAR PROBLEMAS PESSOAIS, SABER RESOLVER CONFLITOS MELHORAR A RELAÇÃO COM O ALUNO
Trabalho em equipe 0
Criatividade 3 7,14 MUDAR, SER MAIS AROJADO, FAZER DIFERENTE
ADEQUAR TEORIA E PRÁTICA, SITUAR O ALUNO SOBRE AS QUESTÕES DO CURSO, ALINHAR A PESQUISA AO CURSO
MELHORAR A COMUNICAÇÃO, NÃO SABE COMUNICAR O ASSUNTO, SABER OUVIR COM CARINHO OS ALUNOS, SABER PASSAR O ASSUNTO MAIS DO QUE SABER É PRECISO SABER DIZER,DIFICULDADE EM TRANSMITIR O CONHECIMENTO, AVALIE SEUS MÉTODOS DE ENSINO
C on he ci m en to s H ab il id ad es 3 7,14 Relac. Interpessoal 7,14 5 11,9 Domínio área do conhecimento 9 21,4 3 Comunicação Visão sitêmica
Quadro 22(4)- Sistematização da relevância das Competências individuais de ensino Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora
As competências de ensino representantes da dimensão habilidade mais uma vez foram representadas como mais relevantes entre as demais, respondendo por 50% do total geral atribuído. A competência do ensino “comunicação” representa mais uma vez essa dimensão.
Esses achados corroboram com a discussão já desenvolvida com os resultados encontrados na análise quantitativa, pois na percepção dos alunos da FACIG, a capacidade
comportamental dos docentes se mostrou mais relevante do que a capacidade técnica. Os alunos expressaram esse pensamento com as seguintes colocações:
“Quando se fala em professor universitário o que se espera dele é que ele possua sólidos conhecimentos, mas que principalmente saiba repassar esse
conhecimento ao alunado de forma a estimular direta ou indiretamente os alunos”.
“Em certos casos há uma superespecialização dos professores, que nem sempre se mostra em sala de aula, ou seja, alguém sabe demais, porém não saber passar
e trocar essas informações conosco”.
“O professor ser muito bom em termos de saber das matérias, não quer dizer que eu vá aprender com ele não. Ele precisa ter mais características como saber se
expressar de acordo com o que a gente entende, saber dar exemplos, essas coisas".
Nesse sentido, Gagné et al (1988), afirmam que a habilidade está relacionada com a capacidade de “saber fazer algo”. Ou seja, é a capacidade de saber fazer uso produtivo do conhecimento adquirido. Durand (1999) complementa o entendimento, quando diz que é preciso instaurar informações e transformá-las em ação.
Com base nessa discussão, sugere-se que na perspectiva do aluno de administração da FACIG, é preciso ao bom desempenho do docente universitário mais do que “saber”, é preciso “saber aplicar”. Fundamento sustentado através dos estudos de Boterf (1995), Fleury e Fleury (2001), Ruas(1999 ), Zarifian (2001), onde os autores reforçam a importância da “ habilidades” como um fator que confirma a competência do indivíduo, pois simplesmente possuir conhecimentos não gera mudanças nas realidades, se faz necessário mobilizar esses conhecimentos, ou seja, saber aplicar.
A competência para o ensino “flexibilidade” representante da dimensão atitude, foi considerada por 19% dos pesquisados como relevante ao bom desempenho docente.
Seguem algumas falas para ilustrar o entendimento dos alunos:
“É necessária a correlação harmônica entre o aluno e o docente tornando o convívio agradável e proveitoso para ambos. Ninguém é alguém só precisamos
de alguém para sermos alguém”.
“Os professores em sua maioria, precisam aprender que não saber tudo, que o
aprendizado é contínuo, por isso precisam estarem prontos para aprender novos conhecimentos e ser flexível em mudar sua didática quando necessário.
Precisam ser mais humildes, pois ser mestre ou doutor não o faz “Deus”, apenas os mantêm humanos, porém instruídos”.
As falas relacionadas indicaram que para que um professor tenha um bom desempenho em sala, se faz necessário que ele se coloque no lugar do outro, não se sinta superior em sua condição, ao contrário, faça disso uma referência para inspiração da aprendizagem dos alunos. Coloque-se como agente do aprendizado, da troca, do compartilhamento do conhecimento.
A literatura aborda a temática das atitudes, na perspectiva do “saber ser”. Durand (1997) e Gagné et al (1988) comentam o efeito da atitude é exatamente ampliar a relação positiva ou negativa de uma pessoa, ou seja, sua predisposição em relação ao outro, seu comportamento.
Morris e Feldman (1996) relacionam atitudes como “trabalho emocional”, interligando essa dimensão, com os aspectos afetivos voltados a pessoas ou coisas. Sendo
assim a capacidade de se colocar frente ao outro, expressar suas emoções, se mostrar aberto a receber feedback indica, segundo a percepção dos alunos, relevante à prática docente.
A terceira competência do ensino mais expressiva, conforme a análise qualitativa realizada foi domínio da área do conhecimento, esta foi apontada por 12% dos pesquisados como relevante ao bom desempenho docente. Esta competência representa a dimensão conhecimento.
Seguem algumas colocações dos alunos:
“Eu acho que quando a faculdade vai realizar contratação, deve submeter o professor a testes rigorosos de conhecimentos, pois a gente vem pra cá em busca deles”.
“Saber o que está falando é muito importante. Como aluna eu preciso confiar
no que estou ouvindo, se não o que é que eu colocar em prática por aí. Isso é
muito sério”.
“Entregar um material didático pra gente é muito importante. Pois eu estudo em cima disso. Se o professor não sabe fazer isso....como vai dar aulas ?”.
Os pesquisados expressaram sua preocupação com o saber do docente. Ou seja, percebem a importância do conhecimento à prática docente.
A relevância apontada nesse aspecto mostrou até com certo grau de apreensão, onde o aluno deixa claro que precisa confiar no “domínio do conhecimento” do seu professor, pois o tem como referência. E o que for aprendido em sala será colocado na prática. Essa confiança se estende para o material indicado para estudo também. Parece haver uma ligação, também de confiança, entre o que o professor diz e qual a fonte indicada por ele.
Davenport e Prusak (1998) relacionam o conhecimento às informações que o indivíduo possui e o faz compreender o mundo. Perrenoud (1997) aborda que os conhecimentos são a porta para a aprendizagem. Ou seja, sem a configuração dos mesmos, o processo de apreensão de novas formas de enxergar o mundo é frustrado. O aluno parece ter percebido isso quando relaciona a dependência do seu aprendizado ao conhecimento tido pelo professor. Ou seja, o conhecimento do docente influencia a aprendizagem do aluno, sua forma de analisar as diversas realidades, se colocar frente às discussões, sua postura diante dos problemas. Quanto mais os professores aprofundam os conhecimentos e suas inter- relações, mais fortalecida fica a relação de admiração, de espelho, de referência.
As análises até o momento complementam a análise quantitativa, visto que se alinha com os resultados encontrados, onde as competências mais relevantes representam a dimensão “habilidade”. Muito embora, as informações percebidas através da análise qualitativa, reflitam uma nova visão quanto ao entendimento dos alunos com relação às competências de ensino.
Nessa ótica complementar, a competência “domínio da área do conhecimento” mostrou grande peso, sendo considerada por 12% do grupo. Uma tentativa para explicação desse resultado pode ser pelo fato de que quando o aluno tem a oportunidade de se expressar livremente, sem o aspecto de objetivar as respostas, ele pode deixar mais clara à relação que faz entre os constructos. Isso foi percebido pela associação entre a competência do conhecimento e da comunicação.
Essa tentativa resposta caminha também para a relação percebida através da variável “flexibilidade”. Pois a mesma se apresentou, conforme os resultados, intermediando a relevância entre “comunicação” e “domínio da área do conhecimento”.
O aluno enxergou que para comunicar o conhecimento, é necessário ter flexibilidade. Esse entendimento está alinhado com o pensamento de Moraes (1997), quando a autora argumenta que o professor necessita de flexibilidade para acompanhar as mudanças na educação e na ciência, de forma que promova um ensino de qualidade para o
saber fazer, para o saber pensar, para o saber ser e com isso gere uma mentalidade no
aluno do aprender a aprender.
Esses achados corroboram também com Shor e Freire (1986), onde eles se posicionam que o professor precisa estar aberto a “re-aprender” o que acha que já sabe, à medida que os alunos começam a trocar e a desenvolver o senso crítico, sendo necessário para tanto flexibilizar seus posicionamentos e comportamentos.
As competências de ensino, relacionamento interpessoal, criatividade, visão sistêmica e empatia, apareceram representando 7,1 % cada uma, com relação à percepção de relevância percebida pelos alunos. Todas essas variáveis, com exceção da variável empatia, representam a dimensão habilidade.
As demais competências foram consideradas pouco relevantes, segundo essa análise complementar, por isso consideradas numa única categoria, no caso, “outras variáveis”. O gráfico 4 ilustra esse resultado.
Gráfico 4(4): Principais relevâncias das competências de ensino Fonte: Dados da pesquisa, elaborado pela autora
Algumas citações de alunos foram relevantes para análise, porém não numa perspectiva alusiva ao modelo, mas numa vertente “complementar” aos consctrutos ora estudados.
Uma aluna do 6º período expressou a seguinte opinião:
Principais relevâncias das Competências de Ensino
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Flex ibilid ade Rela cionam ento Cria
tividade Empatia Outros Competências de ensino F re q u ên ci a 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 % F %
“Gostaria que alguns professores fossem mais humildes. Para quando um aluno precisar fazer alguma pergunta sobre o assunto, o professor não responda ok!” vou explicar novamente !”
Uma aluna do 7º período colocou que:
“Tão importante quanto ensinar, é ser generoso. A partir do momento que o professor se dispõe a compartilhar a sua atenção, a nossa vontade de participar é maior”.
Um aluno do 4º período abordou que:
“No meu ponto de vista, o professor é um formador de opinião e ele detém o
poder de influenciar a turma não só pela autoridade constituída que possui, mas
principalmente pela forma que ele pode motivar e fazer com que seus alunos desejem o conhecimento e se espelhem no seu próprio exemplo, que deve ser sempre aquele que busca aprender mais e transferir esse conhecimento para o
cotidiano, melhorando a vida daqueles que o cercam e contribuindo para que
cada um daqueles que forem seus alunos possa ser melhorado, ou melhor, aprimorados por seus ensinamentos e que isso se torne um processo cíclico’”.
Nessas evocações foram colocadas características como humildade, generosidade e influência (inspiração). Onde no Modelo desenvolvido por Pereira (2007), não foi contemplada diretamente essas “definições operacionais” para as suas competências.
A característica de influência (inspiração), associa-se com “modelo”, “referência”, “exemplo”. Onde, pela forte ligação relacional com os alunos, o professor tende a ser referenciado por essas percepções.
Como visto, o papel do educador vai além do conhecimento técnico, teórico, conceitual. Pois as relações criadas, desenvolvidas em sala de aula, são relações de caráter formativo. Onde o individuo (aluno) compartilha das opiniões, pensamentos, idéias,
procedimentos éticos. Dessa forma o professor passa a ser uma figura de referência; referência de saber, de caráter, de ser humano, de mediador para a descoberta dos “novos saberes”.
Considerando esse papel de desenvolver pessoas, de conduzir, acompanhar, ajudar, apoiar, os estudos sobre mentoria, coaching, tutoria corroboram com achados, intensificando as relações. O desenvolvimento de pessoas pode ocorrer de muitos modos. Uma abordagem tradicional são as interações de desenvolvimento que envolvem relações entre duas ou mais pessoas, focando as metas de desenvolvimento pessoal ou profissional e aparecem sob várias formas como coaching, tutoria, ações de ensino-aprendizagem e mentoria.
Segundo Cunha (2007), a mentoria tem sido definida como um processo intencional de criação-formação. Isso inclui identificação, admiração e internalização. Considerando o contexto organizacional, os pesquisadores entendem um mentor como normalmente uma pessoa bem mais antiga, experiente e madura: um professor, conselheiro ou padrinho. Já o mentorado é a pessoa que se beneficia da experiência, maturidade e proteção do mentor (LEVINSON et al, 1978; KRAM, 1988; BURKE, 1984).
No caso de sala de aula, a relação é percebida exatamente pela referência gerada através da experiência do professor, empatia, pela capacidade de articulação e transmissão do conhecimento, respeito às opiniões (diversidade) e como Freire (1997) aborda, pela forma como o docente se coloca, com ele seduz.
Antes de conhecer o sujeito se interessa por... é “curioso”, é “esperançoso” (FREIRE,1997). Daí a importância do trabalho de “sedução” (Nietzsche) do professor, da professora, frente ao aluno, à aluna. Seduzir no sentido de encantar pela beleza e não como técnica de manipulação. Daí a necessidade da motivação, do encantamento. Motivação que deve vir de dentro do próprio aluno e não da propaganda. É preciso mostrar que “aprender é gostoso, mas exige esforço”.
Nesse contexto são destacadas as “competências de vida” ou os “saberes de experiência”. Conhecer é construir categorias de pensamento, é “ler o mundo e transformá- lo”. A transversalidade e a transdisciplinaridade do conhecimento é mais valorizada do que os conteúdos longitudinais do currículo clássico.
Dessa forma, as características apontadas pelos alunos (influência, referência, generosidade, humildade) como importantes ao bom desempenho do professor são relacionadas e se mostraram adequadas e pertinentes. Paulo Freire (1997) em sua obra Pedagogia da autonomia, reflete sobre todas essas questões. Nela o autor coloca que para que haja docência é necessário existira discência. E partindo dessa premissa o professor é colocado como um agente de mudança onde o ensinar exige um pensamento voltado para o outro, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de preconceitos.
Freire (1997) também coloca a importância do bom senso,da humildade, da apreensão da realidade,da alegria e da capacidade de escuta”. A obra de autor se mostrou contemporânea e adequada segundo a percepção dos alunos, refletindo seus entendimentos e expectativas para um bom desempenho docente.