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3. BÖLÜM: İMAR PLANI DEĞİŞİKLİKLERİ (KAVRAMSAL TANIMLAR,

3.6. ĠMAR PLANI DEĞĠġĠKLĠKLERĠNĠN ONAMA SÜRECĠ

A urgência de se garantir o efetivo direito à educação na América Latina pode ser vista como decorrência no quadro educacional precário que se desenha a partir da utilização dos indicadores de acesso, fluxo, alfabetização, aprendizado e investimento nos países focalizados,

11 As informações a respeito das iniciativas pró-educação identificadas neste estudo eram as mais atualizadas possíveis até novembro de 2009.

conforme se mostrou no primeiro capítulo dessa dissertação. Devido à magnitude desse desafio, tem sido cada vez mais frequente que, em consonância com a Declaração Mundial sobre Educação para Todos e o Marco de Ação de Dakar, não só governos, mas também atores sociais se articulem e se envolvam nos esforços direcionados à garantia do direito à educação e de um aprendizado de qualidade para todos. Na América Latina essa tendência pode ser atualmente verificada, como mencionado, em iniciativas como o Proyecto EducAR 2050 (Argentina), o movimento Todos Pela Educação (Brasil), a Fundación Educación 2020(Chile), a Fundación

Empresarios por la Educación (Colômbia) e o projeto Mexicanos Primero (México).

Este envolvimento ativo de atores sociais com a causa da educação é relativamente recente. Na América Latina, tradicionalmente os grupos que detinham maior poder – como os latifundiários, a Igreja Católica, as famílias mais abastadas, os militares, exerciam também maior influência sobre as políticas públicas. Sloan (1984) identificou como um dos principais problemas herdados do passado colonial do continente um estilo de tomada de decisões que, em larga medida, não levava em consideração a vontade da maior parte da população. Os países latinoamericanos passaram por anos de regimes autoritários, em que as decisões eram normalmente prerrogativa de poucas pessoas, que não realizavam consultas públicas e que frequentemente desconsideravam a vontade popular, atuando em processos decisórios geralmente envoltos em segredo e em proveito dos próprios grupos dominantes.

Com a redemocratização e a modernização social no continente, que sucedeu, na maior parte dos países analisados, a regimes militares autoritários de maior ou menor duração, mudanças significativas foram introduzidas nos processos de tomada de decisão na arena pública política. Como salientam Rose Neubauer Silva e Ghisleine Silveira:

O contexto político e social no final da década de 70 e início dos anos 80, propiciou a discussão, em quase todos os países da América Latina, de propostas de descentralização que enfatizavam e demandavam maior autonomia e participação da população nos mais diferentes setores governamentais, incluindo aí o da educação. Esse movimento ocorrerá lado a lado com o início do processo de abertura política, mudança de governos militares para civis e a retomada do processo eleitoral. (SILVA e SILVEIRA, 2009, p. 81).

Sloan (1984) lembra ainda que, nesse contexto, novos grupos sociais não só passaram a se organizar e a participar socialmente de forma mais ativa, trazendo novas demandas para o sistema político, como também, por meio de sua participação e suporte, tornaram-se instrumento importante para o desenvolvimento e implementação exitosos de políticas públicas.

Um conceito relevante para que se possa compreender os novos atores sociais que atuam no cenário educacional latinoamericano é o de empreendedores sociais (policy entrepreneurs). Segundo Kingdon (1995), os policy entrepreneurs são pessoas que atuam nos mais diversos setores, e que se aproveitam de uma conjuntura politicamente receptiva para advogarem pela priorização, na agenda governamental, de seus temas de interesse. Suas motivações podem derivar da preocupação genuína com determinadas questões, da busca por benefícios próprios, da promoção de valores ou do simples prazer de fazer parte e de advogar por uma causa.

Visto que a atuação dos empreendedores políticos frequentemente envolve mobilização de esforços de diversos setores, ela é importante para a que determinado(s) tema(s) torne(m)-se prioritário(s) na agenda dos governos, quando da abertura de uma janela de oportunidade política. Em termos de estratégia de ação, Kingdon ressalta que tais empreendedores podem se valer (e frequentemente se valem) de indicadores relevantes para o tema em torno de que se agregam, no sentido de fundamentarem ou orientarem suas ações e esforços, mobilizando o envolvimento dos formuladores de políticas públicas e da sociedade em geral, ou incentivando a produção e difusão de feedbacks públicos sobre o desempenho dos governos.

A organização em prol de uma causa pode ser individual e coletiva, direta ou indireta. Uma das formas de organização coletiva relacionada a uma causa é a de movimento social. Segundo Snow e Soule (2009, p. 6, tradução minha):

movimentos sociais são coletividades que agem com certo grau de organização e continuidade, em certa medida de fora de canais institucionais ou organizacionais, em prol do desafio a sistemas de autoridade ou da resistência à mudança nesses sistemas12,

no âmbito da organização, sociedade, cultura ou sistema-mundo no qual se encontram.

Assim sendo, segundo esses autores, 5 elementos centrais caracterizam os movimentos sociais: a atuação coletiva, o grau de organização, o grau de continuidade, a sua atuação à margem dos arranjos institucionais ou organizacionais e o desafio a ou defesa de sistemas de autoridade. Vale ressaltar que a atuação dos movimentos sociais pode acontecer de forma direta ou indireta: ao passo que a primeira envolve ações objetivas e deixa claro tanto quais são as demandas como quem são os demandantes, a segunda pode se mostrar mais ambígua em termos de ações, demandas e demandantes.

Embora sejam similares em muitos casos, os movimentos sociais não devem ser confundidos com grupos de interesse. Como lembram Snow e Soule (2009, p. 16), a maior

diferença entre esses grupos está na maneira como eles se relacionam com o ambiente político ou com as autoridades relevantes: enquanto os grupos de interesse encontram-se contextualizados no sistema político, sendo vistos como atores legítimos, os movimentos sociais encontram-se à margem desse sistema. As estratégias de atuação também diferem: ao passo que os grupos de interesse costumam se valer de meios institucionais – como lobbies políticos - para dar voz aos seus interesses, os movimentos sociais têm por costume se utilizar de táticas extra-institucionais, tais como manifestações em locais públicos.

Em grande parte dos casos, movimentos sociais e grupos de interesse têm por objetivo influenciar a agenda governamental. Por isso, podem trabalhar juntos em prol de demandas comuns e interesses compartilhados.

Convém esclarecer que Kingdon (1995) entende por agenda o conjunto de temas ou problemas que, em dado momento, capturam a atenção tanto das autoridades governamentais quanto das pessoas externas ao governo – porém estreitamente ligadas às autoridades. Ele identifica, ainda, três dinâmicas que ajudam a explicar como as agendas governamentais são estabelecidas:

- o reconhecimento de que há problemas que precisam ser solucionados;

- os desdobramentos acontecidos na arena política que abrem janelas de oportunidades para a abordagem de alguns temas e;

- o papel desempenhado e as escolhas feitas por atores relevantes (ou atores visíveis, como denomina o autor), tais como o presidente e o primeiro escalão do governo. No entendimento de Kingdon, a combinação dessas três dinâmicas potencializa a chance de um tópico tornar-se prioritário e entrar para a agenda governamental. Ademais, para esse autor, a formulação de políticas públicas abrange diferentes processos, dentre os quais destacam- se o estabelecimento de uma agenda; um levantamento das alternativas a partir das quais deve-se fazer uma escolha; uma escolha final dentre as alternativas disponíveis, seja por meio de voto na esfera do Legislativo ou de decisão presidencial e, por fim, a implementação da decisão tomada. No entanto, esses processos são independentes e o sucesso de um não necessariamente garante o sucesso dos demais.

Aos novos grupos sociais que passaram a participar de forma mais ativa na arena política na América Latina, e que serão analisados a seguir, aplica-se bem, como se demonstrará, o conceito de movimento social. Todos eles constituem formas organizadas de ação coletiva, que

pretendem atuar com continuidade, que nem sempre seguem os canais institucionais em sua atuação, e que desafiam o status quo na Educação Básica em seus países de origem.

2.2. Os movimentos sociais pró-educação na América Latina

Benzer Belgeler