2.2. TEFSĠR EKOLLERĠ VE TASAVVUFÎ TEFSĠRĠN TEFSĠR
2.2.3. Tasavvufî Tefsir
2.2.3.3. ĠĢârî Ve Nazarî Tasavvufî Tefsir
Jardim (1999, p.78-85) afirma que a “igualdade informacional mostra-se como uma dimensão indissociável da busca pela transparência já que todos os cidadãos, por princípio, podem beneficiar-se do direito às informações produzidas pelo Estado”. Para ele, o conceito de igualdade informacional se insere na formulação sobre cidadania e democracia.
A igualdade é um princípio da democracia, da cidadania e está associada ao desenvolvimento do Estado-nação. É abordada nesse sentido como propriedade das regras de distribuição – aos critérios tradicionais do igualitarismo desfraldado na revolução francesa. Jardim exemplifica os critérios da igualdade: partes iguais para todos, partes iguais aos iguais, partes iguais a um grupo relativamente grande, igualdade proporcional, igualdade meritocrática, igualdade de oportunidades, igual satisfação das necessidades e, por último, “a cada um segundo a sua capacidade”. Esse último critério relaciona-se a uma redistribuição inigualitária, sugerindo o acatamento das condições e capacidades distintas das pessoas ou grupos sociais, segundo Jardim (1999); a formulação da equidade considera essa concepção de igualdade inigualitária.
Jardim também contextualiza a elaboração teórica sobre a igualdade em relação à liberdade e suscita o debate sobre as contradições encontradas na concepção de liberdades individuais, também apregoada pela democracia, e a igualdade como oposição à liberdade. E conclui:
Em face destas considerações de ordem teórica, observa-se que a igualdade constitui um projeto e um conceito complexos, revelando diversos matizes que ultrapassam a tendência a reduzi-lo, no âmbito do senso comum, a uma referência que se define por si mesma ao operar a ação política ou a nortear práticas no campo da informação. (JARDIM, 1999, p.80)
Uma tentativa de melhor delimitar o significado de igualdade no contexto da democracia informacional foi realizada por Doctor (1992) ao cunhar o termo equidade informacional a partir da concepção de equidade social.
4.5.2 Eqüidade informacional
Democracia informacional é um sistema sociopolítico no qual todas as pessoas têm garantido o direito de beneficiarem-se através do acesso aos recursos de informação. Trata-se do empoderamento (delegação de poder) assegurado às pessoas através do fornecimento de recursos (ferramentas) necessários a participação nos processos decisórios que afetam o cotidiano dos cidadãos, segundo Doctor (1992, p.44). Essa definição é balizadora da construção teórica realizada por Doctor ao conceber equidade informacional. Ele também utiliza outras definições, como “retardação cultural”, justiça social e empoderamento.
Doctor analisa a relação entre sociedade e tecnologia como relação de mútua determinação e de interdependência. Ele parte do princípio que a tecnologia não tem significado fora do seu contexto social, pois nenhuma tecnologia é específica e pré- determinada; muito menos, é invulnerável às pressões da sociedade. Ele avalia que essa interação tem efeitos nocivos e potencialidades.
A pressão da sociedade em relação à adoção de novas tecnologias - que provocam mudanças nos padrões sociais e, conseqüentemente, novos valores culturais - modifica o
desenvolvimento tecnológico, ao mesmo tempo, o avanço tecnológico impacta sobre as vidas das pessoas, no sistema produtivo, na organização do trabalho, nas religiões, etc. Essa interação gera um equilíbrio que permite caracterizar esse processo de forma evolutiva e não revolucionária. A pressão da sociedade de forma desorganizada e até mesmo inconsciente, na imposição de seu testemunho em relação às tecnologias, foi denominada por Kranzberg42 de
retardação cultural (cultural lag), segundo Doctor (1992, p. 46-47). A noção de retardação cultural é a base da fundamentação de equidade informacional tendo por princípio a justiça social.
O avanço tecnológico disponibiliza à população um grande número de recursos tecnológicos, principalmente de informação e comunicação, que são usados e distribuídos de forma desigual. A desigualdade de distribuição desses recursos é provocada pelas condições sociais, políticas, econômicas e culturais da população, levando-se em conta os seguintes aspectos: renda, educação, faixa etária, raça/etnias, religião, desvantagem pessoal (portador de deficiência física) e outros. Também influem as condições de acesso à infra-estrutura, como em populações localizadas geograficamente nos centros urbanos ou nas zonas rurais. Essa desigualdade de acesso aos recursos informacionais e à informação gera contradições no modelo democrático de governo e até mesmo coloca-o em xeque, segundo Doctor. As contradições no processo democrático e a retardação cultural justificam e sustentam a noção de justiça social e equidade informacional. Essas noções baseiam-se na lógica redistributiva de recursos informacionais e no seu efetivo uso pela população. Dessa maneira, a distribuição não é igualitária no sentido de valor idêntico. A redistribuição utiliza-se da lógica do equilíbrio norteado por um parâmetro igual para todos. Ou seja, um grupo social pode
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KRANZBERG, Melvin. Prerequisites for industrialization. In: KRANZBERG, M.; PURSELL JR., C.W. (Ed.)
necessitar de um maior investimento para o estabelecimento de condições mínimas de acesso aos recursos informacionais, diferentemente de outros grupos.
As noções de justiça social e equidade informacional permitem equilibrar condições de participação dos cidadãos na cena política – o empoderamento. A igualdade de condição de acesso relaciona-se à questão do poder. O poder é apontado por Doctor como a questão que está subjacente à resistência a qualquer movimento em direção da democratização da informação ou democracia informacional. Ele afirma que o poder tem três fontes na sociedade, que são: o dinheiro ou a riqueza, a autoridade ou os recursos políticos, e o conhecimento. Os mecanismos que a sociedade utiliza para equilibrar o controle dessas fontes de poder afetam diretamente o sucesso das democracias. Por essa razão a noção de retardação cultural pode ser compreendida como um mecanismo de controle da fonte de poder propiciado pelo conhecimento, e a justiça social /equidade informacional seria responsável pelo equilíbrio dessa fonte.