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Na década de 1960, dois julgados que liminarmente concederam a ordem de habeas corpus, são os precedentes históricos dessa providência de urgência no Brasil. Trata-se dos habeas corpus de nº.s: 27.200/Estado da Guanabara e 41.296/Estado de Goiás.

8.2.1 Habeas corpus nº. 27.200/Estado da Guanabara

De acordo com Fernando da Costa Tourinho Filho:

Malgrado as críticas que, injustamente, se fazem à Justiça Militar, cumpre registrar que tal providência – liminar em pedido de habeas corpus – foi

concedida, pela primeira vez, entre nós, pela Justiça Militar. Concedeu-a o Almirante José Espínola, ilustre figura que perolou no STM188.

Nessa senda, eis sinteticamente a história.

No dia 31 de agosto de 1964, em pleno regime militar, o Ministro do Superior Tribunal Militar (STM), Almirante de Esquadra, José Espínola, concedeu liminar ao habeas corpus impetrado pelo Causídico Arnoldo Wald em favor de Evandro Moniz Corrêa de Menezes.

O habeas corpus fora impetrado com o fito de evitar-se que o paciente fosse investigado por fato ocorrido em repartição pública. Fato esse sem qualquer liame com a administração militar189.

A liminar deferida determinava que, o encarregado do inquérito militar, que fora instaurado contra o paciente do remédio heróico, abstivesse-se de praticar qualquer ato prejudicial a este, até que houvesse um definitivo pronunciamento do STM sobre o caso.

É importante acrescentar que, posteriormente, no dia 23 de setembro de 1964, a liminar concedida foi confirmada por unanimidade pelos ministros do STM.

8.2.2 Habeas corpus nº. 41.296/Estado de Goiás

Este writ preventivo foi impetrado no STF, pelos advogados, Heráclito Fontoura Sobral Pinto e José Crispim Borges, em favor do então Governador do Estado de Goiás, Mauro Borges Teixeira; e teve como relator o Ministro Gonçalves de Oliveira, então Presidente do Pretório Excelso.

Eis a história.

188 TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Prática de processo penal. 24. ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p. 660.

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Em novembro de 1964, a Auditoria da 4ª (quarta) Região Militar decretou a prisão de Mauro Borges Teixeira e, como corolário, as tropas sediadas em Anápolis-GO começaram a marchar rumo à Goiânia, para o cumprimento dessa ordem judicial.

Foi quando os advogados do Governador, diante da iminência da prisão deste, impetraram um habeas corpus, que recebeu o nº. 41.296.

Em apertada síntese, a petição habeascorpal: um, alegava que desde que se tornara vitorioso o movimento armado de março de 1964, os adversários de Mauro Borges Teixeira empenhavam-se em afastá-lo do Governo do Estado de Goiás, para o qual fora eleito pelo povo.

Dois, apontava que a coação partia do, à época, Presidente da República, Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, uma vez que o preposto responsável direto pelo constrangimento exercia sua função como delegado de imediata e absoluta confiança do Presidente.

Três, continha vários recortes de jornais, que mostravam que deveras o paciente estava em vias de ser preso, em decorrência de um inquérito policial militar que já fora remetido para a Auditoria da 4ª (quarta) Região Militar.

O remédio heróico foi distribuído ao ministro-relator, Gonçalves de Oliveira, em uma sexta-feira, dia 13 de novembro de 1964. Nesse dia, não haveria sessão no STF, nem do Plenário, nem de suas Turmas.

Como aguardar a próxima sessão de quaisquer órgãos do STF significaria permitir que a violência fosse consumada, dado o risco premente à liberdade de locomoção, bem como resultaria na imprestabilidade da ulterior análise do remédio heróico, tendo em vista a concretização da coação sobre o paciente e a perda do objeto do writ, no dia 14 de novembro de 1964 – um sábado – foi concedida a liminar pelo Ministro-relator.

A liminar em sede de habeas corpus, deferida pela segunda vez na história do Brasil, determinava que, fossem sustadas quaisquer medidas ou

providências emanadas pela Auditoria da 4ª (quarta) Região Militar e ou do próprio STM, contra o paciente, até que fosse julgado pelo STF o mérito do writ impetrado.

Posteriormente, na primeira reunião do Plenário do STF, em 23 de novembro de 1964, a liminar deferida foi confirmada em votação unânime, pelos ministros: Evandro Lins, Victor Nunes, Pedro Chaves, Villas Boas, Cândido Motta Filho e Hahnemann Guimarães, além do próprio relator.

Tendo sido, como corolário, determinado que, o Governador somente poderia ser processado, após e se julgada procedente a acusação que lhe era feita, pela Assembléia Legislativa do Estado de Goiás.

É importante registrar que, o Ministro Pedro Chaves, ao confirmar a liminar deferida, afiançou que, “se existe perigo de se consumar a violência contra o direito, não é lícito expô-lo ao risco do sacrifício para só a posteriori ditar medidas de ordem reparatória, nem sempre úteis para essa finalidade” 190. [sic].

Outrossim, é bastante oportuno trazer a lume, o trecho do relatório do Ministro Gonçalves de Oliveira que justificou a concessão in limine do writ de nº. 41.296 – ad litteris et verbis:

O habeas corpus, do ponto de vista da sua eficácia, é irmão gêmeo do mandado de segurança. Quando este último foi instituído na Carta Política de 1934, dispôs o art. 113, § 33, que o seu ‘processo será o mesmo do habeas corpus’. O processo, como se vê, é o mesmo. A Constituição de 1946 trata do habeas corpus e do mandado de segurança num dispositivo junto ao outro, os parágrafos 23 e 24. Se o processo é o mesmo, e se no mandado de segurança pode o relator conceder a liminar até em casos de interesses patrimoniais, não se compreenderia que, em casos em que está em jogo a liberdade individual ou as liberdades públicas, a liminar, no habeas corpus preventivo, não pudesse ser concedida [...]191.

190 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas corpus nº. 41.296 – DF. Impetrantes: Heráclito Fontoura Sobral Pinto e José

Crispim Borges. Paciente: Mauro Borges Teixeira. Relator: Ministro Gonçalves de Oliveira. Brasília, 23 de novembro de 1964. Disponível em: <http://www.soleis.com.br/julgamentos_históricos10_integ.htm>. Acesso em: 14 set. 2007, 16:00:00.

191 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Habeas corpus nº. 41.296 – DF. Impetrantes: Heráclito Fontoura Sobral Pinto e José

Crispim Borges. Paciente: Mauro Borges Teixeira. Relator: Ministro Gonçalves de Oliveira. Brasília, 23 de novembro de 1964. Disponível em: <http://www.soleis.com.br/julgamentos_históricos10_integ.htm>. Acesso em: 14 set. 2007, 16:05:00.

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Benzer Belgeler