4. BULGULAR VE YORUMLAR
4.3. Üçüncü Alt Probleme İlişkin Bulgular ve Yorumlar
Nesta categoria, revela-se o que as depoentes pensam do espaço, quais seriam os espaços e se consideram adequados para a prática das aulas de movimento; como se estrutura a questão do tempo/rotina dedicadas às aulas de movimento; e os materiais e suportes disponíveis para essas práticas.
Todas foram unânimes em opinar que o espaço que a escola possui é amplo, diversificado e adequado, portanto, a escola possui excelente espaço físico. Apenas houve uma ressalva da P4 e da P7, sugerindo que alguns espaços precisam de manutenção e a quadra poderia ser coberta (P1, P4, P7 e P8).
“Possui excelente espaço físico, amplo, com três parques, vários brinquedos, quiosque e quadra (...)” (Questionário P1).
“Quadra, campinho, pátios, quiosque, que precisam de manutenção e a quadra seria melhor se fosse coberta” (Questionário P4).
“A escola ela é bastante ampla, (...) tem espaço para essas atividades, inclusive nossa escola é até privilegiada, porque já substitui muito em escolas extremamente pequenas, sem espaço, onde tinham que ficar mais na parte do pátio, e nós não... em espaço nós estamos até bem servidas” (Entrevista P6).
“A escola possui um espaço físico mesmo „pra‟ essa área de movimento... temos quadra, temos quiosque, temos a frente da entrada das crianças, temos o campo. Eh! Eu acredito que precisa um certo reajuste. O campo ele tem muitos desníveis, não é feito de maneira adequada para as crianças, que ficam tropeçando em galhos, em raízes de árvores, na quadra ela também tem boa estrutura, porém não é coberta. Depende do horário, para mim, eu que trabalho no período da tarde e fica problemático por causa do horário do sol, as vezes não dá para fazer atividade, ou então tem que se dedicar só em uma parte da quadra e acaba perdendo os demais espaços, né?! Mas assim mesmo ele é adequado, mas precisa de modificações. Mas temos um espaço” (Entrevista P7).
“A minha escola é uma escola grande, tem uma quadra, mas que não é coberta, mas tem um campinho de terra que eu mais utilizo. E tem também um quiosque que para algumas atividades, como o patinho feio, cobra cega eu gosto de dar lá porque as crianças não dispersam tanto. Eu considero adequado” (Entrevista P8).
A importância dada pelo educador em relação ao espaço pedagógico significa a intencionalidade educativa e revela sua concepção pedagógica.
O olhar de um educador atento é sensível a todos os elementos que estão postos em uma sala de aula. O modo como organizamos materiais e móveis, e a forma como crianças e adultos ocupam esse espaço e como interagem com ele são reveladores de uma concepção pedagógica (HORN, 2004, p.15).
Na quantidade de tempo reservada para determinadas práticas, está embutida a importância dada à área de conhecimento. Para tanto, foi questionada a quantidade de dias/horas dedicadas para essas aulas e como isso é estruturado na prática escolar.
As seis professoras do grupo focal que atuam com as crianças de 4 e 5 anos citaram que o trabalho consta de dois a três dias na semana, previamente determinados na rotina semanal, com flexibilidade quando necessário. Consideram, também, o momento livre de atividade no parque (aparelhos recreativos), importante momento pertencente ao movimento.
“Eu na verdade gosto de trabalhar o movimento todos os dias na hora do parque. Em alguns... quando nós estamos no quiosque, quando vou na quadra com eles. Mas, especificamente assim no parque, circuito, duas ou três vezes por semana” (Entrevista P1).
“Intencionalmente são organizados duas atividades da área na semana, mas diariamente tem o parque que está na rotina e assegura a exploração do movimento” (Questionário P2).
“Bom, o tempo é de acordo com minha rotina diária de aula. Tenho uma rotina de aula de segunda a sexta e todas as áreas estão estruturadas dentro da rotina. E eu particularmente, após o lanche eu tenho uma atividade livre que eu uso para essa... „pro‟ movimento. Então eu tenho a facilidade de ter esse horário, então de segunda à sexta depois da merenda, no último horário eu consigo trabalhar o movimento e alguns jogos com algumas coisas mais lúdicas com eles” (Entrevista P4).
“(...) Pelo menos duas vezes na semana de acordo com os objetivos que eu listei. Não vem nenhuma orientação da S.E.” (Entrevista P5).
“Bom, umas três vezes por semana... eu dou essas atividades, mas como eu falei voltado para o brincar, né?! Primeiro a gente ensina algumas regras e é assim... depois dá... assim... depois das atividades dá uma atividade de volta a calma, mas não é assim nos primeiros horários não, eu deixo isso para depois das quatro” (Entrevista P6).
“Duas vezes por semana. Está estruturado dentro do horário proposto para a turma” (Questionário P12).
Para o bom rendimento do trabalho pedagógico e intervenções necessárias com atividades que promovam o desenvolvimento das crianças, o professor
necessita organizar seu tempo didático, ou seja, organizar sua rotina, valorizando os conteúdos das diversas áreas de conhecimento.
Visando a uma boa demanda do tempo didático, não basta aumentar ou reduzir a quantidade de conteúdos dessa ou daquela disciplina, ou então equacionar qual disciplina ocupará mais ou menos o tempo da rotina escolar. Para Lerner (2002, p. 87), “o problema da distribuição do tempo deixa de ser simplesmente quantitativo: não se trata somente de aumentar o tempo ou de reduzir os conteúdos, trata-se de produzir uma mudança qualitativa na utilização do tempo didático”.
Em relação ao trabalho com as crianças pequenas, as professoras P3, P7 e P8, que lecionam para as turmas de 2 e 3 anos e, devido às circunstâncias, passam um tempo maior em atividades menos dirigidas e em ambientes mais abertos, usufruindo mais dos variados espaços da escola e menos em atividades ditas convencionalmente realizadas em sala de aula, acabam por apresentar relações tempo/espaço diferentes da das professoras que lecionam com crianças de 4 e 5 anos.
“Eu faço movimento duas vezes na semana, na terça e na sexta... quase trinta minutos, não sempre trinta minutos” (Entrevista P3).
“Eu procuro uma meia hora, menos, uns vinte minutos desenvolver uma atividade em relação à área de movimento, e então tem o horário do parque que eu procuro fazer, desenvolver alguma atividade com as crianças, né?! E ver o que ela está fazendo... o que ela está explorando e sugerir, propor desafios nas atividades do parque. E o horário do parque é hora permanente, todos os dias, mas além desses 25 minutos [refere-se ao parque] eu procuro desenvolver a área de movimento diariamente, mas antes do horário do lanche, e caso eu não consiga no horário do pátio, tem três áreas livres de parque... aparelhos recreativos na escola. O [parque] 2 é o que eu acho mais adequado para as crianças do maternal I, da faixa de 2 a 3 anos, então se eu for novamente no parque eu procuro estar desenvolvendo um trabalho nesse horário também do parque, no segundo horário” (Entrevista P7).
“São duas vezes na semana que eu tenho, na sexta e na terça, às vezes quando tem necessidade eu dou alguma coisa na sala mesmo, na própria sala ou às vezes eu fico com os dois horários” (Entrevista P8).
Essa relação tempo/espaço é importante de ser considerada na Educação Infantil, como afirmam Barbosa e Horn (2001, p. 67):
Organizar o cotidiano das crianças da Educação Infantil pressupõe pensar que o estabelecimento de uma sequência básica de atividades diárias é, antes de mais nada, o resultado da leitura que fazemos do nosso grupo de crianças, a partir, principalmente, de suas necessidades. É importante que o educador observe o que as crianças brincam, como estas brincadeiras se desenvolvem, o que mais gostam de fazer, em que espaços preferem ficar,
o que lhes chama mais atenção, em que momentos do dia estão mais tranquilos ou mais agitados. Este conhecimento é fundamental para que a estruturação espaço-temporal tenha significado. Ao lado disto, também é importante considerar o contexto sociocultural no qual se insere e a proposta pedagógica da instituição, que deverão lhe dar suporte.
As referências dadas quanto ao material e a suportes possibilitam verificar a quantidade, a variedade e a qualidade dos materiais e suportes disponíveis na escola para auxiliarem a prática da atividade, além de analisar a importância dada pelas professoras no trato com esses instrumentos de socialização e apropriação da cultura (KISHIMOTO, 2001).
Há uma grande variedade de materiais e suportes para serem utilizados, segundo registro das professoras.
“Bom, na escola a gente tem bambolês, a gente tem materiais “pra” circuito, né, eu assim... precisava na verdade aprender mais sobre movimento “pra” falar se está faltando alguma coisa... pelo que eu faço com as crianças...eu utilizo o que tem na escola” (Entrevista P2).
“Eu acredito que tenha bastante material na minha escola, mas o que eu mais utilizo é a corda, tem peteca, tem saquinho de areia para treinar equilíbrio. Eh! Esses são os que mais tenho memória de usar. Agora o que falta eu não... nunca senti falta de nada “pra” fazer meu trabalho” (Entrevista P8).
A P1 e a P4 relacionam vários materiais que utiliza e apontam outros que julgam serem necessários e a escola não possui.
“Na escola tem o parque que dá para trabalhar bastante e desenvolver o pular, o correr, eh... tem os bambolês que eu gosto muito! A bola, para trabalhar com eles, a corda. Falta ter os cones, para fazer circuitos, alguns obstáculos” (Entrevista P1).
“Nós temos saquinhos de areia, corda, suporte de basquete, temos argolas, temos bolas, peteca, raquete, nós temos jornal; que eu gosto muito de trabalhar com jornal, material reciclado, garrafa, eh... tem bastante material que a gente pode trabalhar. O que falta, talvez, velotrol, bicicleta... brinquedos para as crianças” (Entrevista P4).
Verifica-se que há, na escola, muitos materiais e suportes que podem ser utilizados como recursos para as aulas de movimento; porém, como relata uma das professoras, a sua dificuldade não está no uso dos recursos materiais e de suporte, mas sim no que fazer com eles, como trabalhar adequadamente com essa área de conhecimento, utilizando-se desses materiais e de suportes.
“(...) Eh... aqui nós temos bolas, bambolês, saco de areia, eu acredito que dá para se organizar com os recursos que se tem... criar obstáculos, percursos com as coisas que se tem ai no momento. Eu acredito que pelo menos para mim não é essa dificuldade que eu tenho em relação à área de movimento. Eh... até porque, se a gente for pensar nas brincadeiras infantis que a gente desenvolve dentro dessa área com as crianças necessita... necessita de muito pouco recurso. Realmente a compreensão dessa área de movimento é como fazer, que acaba esbarrando na dificuldade” (Entrevista P5).
Como apontam a P7 e a P12, há uma gama de materiais; porém, nem todos são de boa qualidade e em quantidade necessária para o atendimento de um número grande de crianças em uma aula. Outros, como bolas, túnel e bambolês (arco) precisam ser substituídos.
“Olha, temos materiais. Materiais da área de educação física, temos túnel, temos corda, temos bola, algumas bolas, bolas de meia, temos vários materiais que são disponibilizados, mas as vezes a quantidade não é tão apropriada, né... devido... o túnel. O túnel tem um túnel, se tivesse dois, um exemplo, né, seria mais fácil para no tempo de vinte, quinze minutos que temos com a criança, já daria para trabalhar com maior quantidade de criança... né, mas assim, é.... tem material, mas ainda falta em relação à quantidade e também de qualidade, porque muitas vezes a gente tem bastante material, mas está danificado o material. Precisa ter qualidade no material também” (Entrevista P7).
“Bola, bambolês, boliches, túnel, saquinhos de areia, cordas, sacos de estopa, bastões. Os bambolês e túnel precisam de conserto” (Questionário P12).
Observa-se que, no geral, as professoras conhecem os materiais e suportes existentes na unidade escolar. Comentam sobre a qualidade ou quantidade, aqueles que precisam de conserto, ajustes, troca e reconhecem que, se, procurarem poderão encontrar outros que ainda não utilizam ou por desconhecimento, ou por negligenciar a sua necessidade.
“Materiais que temos: boliche, bolas... bolas... cordas, tem aqueles sacos né... que a gente dá corrida de saco. Os materiais eles são simples, mas eu “tô” acostumada com esses materiais, tem circuito também que quase a gente, no caso, eu, não exploro, deveria, mas eu não exploro, talvez... pela correria do dia a dia, eu inclusive preciso me policiar com essa questão” (Entrevista P6).
“Para mim é suficiente. Nós temos cordas, temos a bola, tem bastão, tem... eh... o espaço... “Pra” mim o material “tá” bom. Eu acho que se procurar na escola deve ter mais materiais ainda. Mas, eu gosto da corda, da bola, e tem outros materiais que eu acho que ainda não descobri muito para trabalhar com eles” (Entrevista P3).
Faz-se necessário considerar que os instrumentos, materiais específicos de uma atividade cultural, no caso dos instrumentos próprios da Educação Física, como arcos, bolas, petecas etc. representam objetos culturais produzidos pelo homem; portanto, parte de sua cultura e, por isso, possuem um significado histórico e carregam em si um conhecimento acumulado (LEONTIEV, 1978). Esse conhecimento encarnado no objeto precisa ser apropriado pela criança, para o desenvolvimento de funções superiores psicomotoras, para o enriquecimento da cultura corporal e de sua humanização.