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5. SONUÇ VE ÖNERİLER

5.2. Öneriler

Ao referirem-se aos conteúdos, apresentam-se a concepção e a importância dada à área de movimento e verifica-se uma das maiores dificuldades destacadas pelas professoras generalistas.

“Conteúdos importantes como: pular, correr, coordenação motora (grossa e fina), danças, explorar as partes do corpo” (Questionário P1).

“Eu gosto do correr e do pular, na idade deles eu acho que eles ainda têm dificuldade em correr, então. Assim, eu “to” trabalhando mais o andar de ré, de frente, lado, mas o pular eu acho mais interessante porque eles têm dificuldade de pular” (Entrevista P3).

“Exploração de diversos movimentos utilizando força, velocidade, resistência, flexibilidade (capacidades e limites do corpo), lateralidade (orientação espacial), expressão corporal” (Questionário P4).

“Bom, eh... pensando na turma desse ano... eh... eu trouxe algumas brincadeiras tradicionais que exploram algumas habilidades corporais, como brincadeiras que foram desenvolvidas ao longo dos processos históricos, a gente tem muitas brincadeiras tradicionais e que desenvolvem tantas potencialidades nas crianças. Eh... então eu penso que a partir dessa brincadeira eu possa explorar muitos conteúdos que se referem as habilidades corporais como correr, agachar, pular, como essas várias potencialidades físicas que precisam ser desenvolvidas, exploradas e ampliadas, eh... eu acredito que seja isso” (Entrevista P5).

“Movimento mais importante na Educação Infantil é atividades que desenvolve equilíbrio, a percepção de lateralidade, direito, esquerdo, é saber se movimentar rápido quando precisa, devagar quando precisa, é mais os movimentos considerados mais importantes porque vai influenciar na aprendizagem da escrita” (Entrevista P6).

“Os conteúdos todos são importantes, mas o que eu “tô” procurando focar mais, é na noção espacial, devido à idade deles, na faixa de dois anos, noção espacial, a direção, a posição, equilíbrio, coordenação. Praticamente esses conteúdos que norteiam o trabalho” (Entrevista P7).

“Lateralidade, eu gosto muito de trabalhar o equilíbrio com eles. Eh! Não me lembro de mais nada” (Entrevista P8).

Observa-se, nas respostas destacadas, que há uma grande dificuldade em discernir o que é conteúdo, objetivo, atividades (procedimentos utilizados) gerando- se uma confusão pedagógica, dúvidas e insegurança por parte das professoras, no trato com a área de conhecimento movimento.

“Olha, eu acredito assim... que os conteúdos relacionados à velocidade, né... a subir, a descer, relacionar tempo e velocidade numa corrida, eh... habilidade “pra” se movimentar no espaço, eu acredito que seria esses conteúdos. Mas, atualmente tendo contato com a proposta, muitas práticas anteriores estão sendo entendidas de outra forma” (Entrevista P2).

“Conteúdos que além da parte do corpo, equilíbrio, lateralidade, coordenação etc., resgatam o aspecto folclórico como: rodas, danças etc.” (Questionário P12)

Essa questão ficou muito clara na reunião de pesquisa-ação, quando foi trabalhado o vídeo “Corpo e Movimento na Educação Infantil” e foi solicitado fazer um levantamento dos conteúdos por idades/níveis das turmas e, no momento em que se trabalhou a parte relacionada a conteúdos no estudo da Proposta Curricular atual, as professoras manifestaram essa dúvida e alegaram que nem mesmo a proposta esclarece isso. Ficam claras as atividades que se pode trabalhar a partir das orientações dadas pelo vídeo. Aliás, observaram, no vídeo, atividades que já estão incorporadas na própria prática pedagógica, mas ainda há muitas dúvidas quanto a conteúdos e objetivos.

Se o objetivo é o que se espera que o aluno aprenda em determinada condições de ensino, e o conteúdo seja o conjunto de saberes, valores, habilidades que o professor deve ensinar para garantir que o aluno se desenvolva, então é preciso discernir, no trato com o trabalho pedagógico na área de conhecimento de Movimento, quais são os conteúdos adequados às diferentes faixas etárias da Educação Infantil.

Para Libâneo (1985), os conteúdos a serem ensinados e que devem ser assimilados são realidades externas ao aluno. Portanto, um saber que ele ainda não domina e não incorporou à sua realidade. Mas não basta que esses conteúdos sejam bem ensinados, “é preciso que se liguem de forma indissociável a sua significação humana e social” (LIBÂNEO, 1985, 39).

Nessa perspectiva, quais conteúdos devem ser selecionados para o trabalho com a Educação Infantil?

Os conteúdos a serem sistematizados devem estar ligados à realidade social, concreta do sujeito, para que compreenda os determinantes sócio-históricos dessa

realidade; ser contemporâneo, isso é um conhecimento mais moderno, vinculado aos avanços científicos e tecnológicos e adequado às possibilidades sociocognicitivas do aluno (COLETIVO DE AUTORES, 1992).

Para o Coletivo de Autores (1992), a Educação Física é uma disciplina que trata pedagogicamente de conhecimentos de uma área denominada de Cultura Corporal. O estudo desse conhecimento visa apreender a expressão corporal como linguagem. Assim constituem-se como conteúdos dessa área: o jogo, o esporte, a luta, a ginástica, a dança, o contorcionismo, o malabarismo, a mímica, entre outros. Esses conteúdos devem ser selecionados, organizados e sistematizados com o objetivo de promover a leitura da realidade. Para tanto, deve-se analisar a origem do conteúdo e conhecer o que determina o seu ensino.

Nessa perspectiva, conteúdo é conhecimento e deve ser ensinado numa evolução espiralada em todos os níveis escolares (COLETIVO DE AUTORES, 1992).

Na Proposta Pedagógica de Educação Infantil de Bauru em relação à Cultura Corporal, os conteúdos foram divididos em três eixos: a) Brincadeiras de situações opositivas; b) Brincadeiras de destrezas e desafios corporais; c) Brincadeiras de imitação e criação de formas artísticas.

Essa proposta se apoia em autores que vêm discutindo a cultura corporal a partir de uma perspectiva histórico-cultural (COLETIVO DE AUTORES, 1992; TAFFAREL, ESCOBAR, 2009; NASCIMENTO, 2014).

Nessa proposta, defende-se que a área de cultura corporal abarca atividades historicamente constituídas a partir de relações não utilitárias em relação às ações corporais (relações não produtivas/úteis) e relações voluntárias com as ações corporais (relações corporais conscientes).

Essas relações não utilitárias e voluntárias com as ações corporais foram desenvolvidas e estão objetivadas em atividades como, o Jogo, a Dança, a Ginástica, a Luta, o Atletismo, o Circo, a Mímica, a Capoeira e – também – nas muitas formas de brincadeiras infantis (BAURU, 2015, p.208).

Nessa proposta, o brincar reconstitui um ou outro conteúdo das atividades humanas do mundo adulto (atividades produtivas). Em referência às atividades da cultura corporal, isso também acontece. Elas reconstroem uma ou outra relação com as ações corporais desenvolvidas, como: a luta, o atletismo, os jogos etc. Nelas

estão explícitos conteúdos ou motivos e objetivos específicos que organizam as ações corporais na brincadeira (BAURU, 2015).

Exemplifica-se que, nas brincadeiras de situações opositivas, está explícita uma relação corporal opositiva como motivo principal, que, na cultura corporal do mundo adulto, referem-se aos jogos coletivos e a lutas e se encontram manifestadas em brincadeiras infantis, como: corre cutia, pega-pega, mãe de rua, gato e rato etc. Nas brincadeiras de destrezas e desafios corporais, o motivo principal relaciona-se ao domínio da própria ação corporal e, na cultura corporal, estão objetivadas em conteúdos, como ginástica (artística e rítmica) e atletismo. Assim, no universo infantil, encontram-se manifestadas em brincadeiras, como: pula sela, pular corda, amarelinha, carrinho de mão, cambalhota, vivo/morto etc. Para as brincadeiras de imitação/criação de formas artísticas, revela-se como motivo principal a relação de criação de uma dimensão artística com as ações corporais e estão presentes na dança, circo, mímicas etc. e,na realidade infantil, estão manifestadas em brincadeiras de roda, de estátua, de circo, mímica, andar na corda como equilibrista, brincar de bailarino, dançarino etc. (BAURU, 2015).

Nessa perspectiva, o trabalho pedagógico proposto para essa área objetiva “fomentar na criança uma consciência na execução de suas ações motoras” (BAURU, 2015, p. 210).

Considerando-se que o desenvolvimento cultural da criança de 4 e 5 anos, em idade pré-escolar, dá-se pela atividade principal que é o jogo, como defendido por Leontiev (1988) e que, no jogo, a criança se apropria da realidade social, o papel representado pela criança no jogo, como atividade, é central, pois é ele que irá organiza o seu comportamento. Portanto, ao brincar de circo, a criança pode assumir o papel de equilibrista, ou de domador de animais, ou de contorcionista etc.

Nesse sentido, Nascimento e Dantas (2009), consideram significativo que o trabalho educativo com o jogo para essa faixa etária situe-se em torno de um tema da realidade como o circo, os jogos olímpicos, a vida do índio etc., pois representa a forma pedagógica da realidade social.

O trabalho com temas na Educação Física Infantil não equivale a uma “tematização” da aula. Ele não significa o acréscimo de um contexto às habilidades motoras que se queira trabalhar (arremesso, chute, cambalhota), mas significa a organização de uma realidade relacionada à cultura corporal, organização essa que permita à criança tomar parte/se apropriar dessa realidade. Trata-se do estudo teórico e prático de uma atividade social real (como o circo, os jogos olímpicos, a vida do índio...),

que serão apropriados pela criança em forma de jogo. É importante ter claro que o trabalho com temas na Educação Física Infantil não desconsidera os conteúdos específicos dessa disciplina ou as aprendizagens que ela exige (NASCIMENTO e DANTAS, 2009, p. 155).

Portanto, considerando-se esta pesquisa, justifica-se a proposição de uma proposta curricular a partir do tema Corpo, com o objetivo de propor uma reflexão de conteúdos a partir de uma realidade concreta e objetiva, que serão sistematizados e organizados em um campo interdisciplinar.

4.4 Elaboração do Projeto Político-Pedagógico e sua estrutura/organização

Benzer Belgeler