“Hiçbir zaman kaybetmem Ya kazanırım ya öğrenirim.”
7 ÖZGEÇMİŞ ve MÜLAKATLAR
7.2 Özgeçmiş Hazırlıkları
O Colégio de São Vicente é, durante ao menos a primeira década da instalação da Companhia de Jesus no Brasil (de 1549 a 1559), o mais importante e pródigo celeiro dos jesuítas para as Missões brasileiras. É por essa época, o próspero e brilhante centro de irradiação para os mais altos pontos das Missões. É que, por sua vez, a Capitania de São Vicente, a chegada dos educadores inacianos em companhia do primeiro Governador Geral, não perdera a vitalidade de ponto fundamental da colonização brasileira, iniciada em 1532 por Martim Afonso de Souza. Se a Capitania da Baia, mal sucedida outrora em mãos desventurosas passa a ser sede do Governo Geral, isto é, a sua Capital, São Vicente, berço da colonização destes domínios portugueses vem a ser, durante a primeira década, a sede das Missões. A epopéia vicentina e sua decadência são traçadas em poucas linhas por Serafim Leite (1938, p. 260).
Por êste tempo, estava em São Vicente o mais forte núcleo de Padres do Brasil. Começou a declinar em 1556, porque Nóbrega, ao fundar ou reorganizar na Baía, o Colégio, levou alguns, assim como a fundação do Rio de Janeiro, depois da conquista atraiu outros. A resolução de se fundar Colégio no Rio tomou-se em fins de 1567 ou princípios de 1568, numa consult em São Vicente, onde se juntaram os Padres mais importantes: Inácio de Azevedo (visitador), Luiz da Grã (Provincial), Manuel da Nóbrega, Anchieta, etc.
Não se pode deixar de acrescentar que o Colégio e a Vila de São Paulo de Piratininga se fundam com o substrato humano e material da Vila de São Vicente. Daqui partiram os homens – padres, brancos e índios – e os bens e, para completarmos, também a idéia de fundação de São Paulo, a pesquisa do local e as primeiras incursões. Aliás, o relato acima não menciona, porém, uma das mais incisivas causas da decadência de São Vicente é exatamente, a transferência do Colégio e da clientela dos naturais para o planalto em 1554, e, dentre as várias razões deste procedimento, a primordial há de ser sempre o forte desejo de Nóbrega de alcançar o interior e, assim, tirar os gentios da proximidade maléfica dos colonos portugueses. Piratininga seria o primeiro passo.
E, segundo o nosso parecer e experiência que temos da terra, esperamos fazer muito fruto, porque temos por certo que quanto mais apartados dos Brancos, tanto mais crédito nos têm os Índios. E somos cada dia importunados por eles: que como tardamos tanto em os ir ensinar? (LEITE, 1955a, p. 154).
Como vemos, São Vicente é a célula mater que alimenta todos os grandes núcleos do ensino e das Missões. Poderíamos dizer que é o facho que ilumina os maiores redutos da conquista da fé e da ciência nos seus primeiros impulsos no Brasil e, à medida que alimenta com suas centelhas vivas, a estes núcleos, vai se consumindo.
Em 1591, é assaltada e incendiada a Vila de São Vicente pelos piratas ingleses. Dir-se-ia com propriedade, que ainda das cinzas de São Vicente se irradiará o calor que estimulará o início do progresso do vizinho povoado de Santos, que não mais cessará até o esplendor e a importância que assume hoje no processo de desenvolvimento econômico do país, como o seu principal porto, e na paisagem urbanística e turística brasileira, como um dos mais importantes centros de atração turística do litoral paulista (LEITE, 1955b).
Com efeito, o declínio de São Vicente, leva Santos a reivindicar-lhe a posição de centro de catequese e educação jesuíticas, junto do litoral sul.
O Colégio de São Vicente funda-se pelas mãos do dinâmico missionário do Brasil, o Pe. Leonardo Nunes, a quem os indígenas chamam “Padre que voa”, dada a sua grande disposição. Chegados ao Brasil, os jesuítas em companhia de Tomé de Souza, após devidamente estabelecidos, Nóbrega envia o Pe. Leonardo Nunes ao sul e, na vila este, em fins de 1549 ou princípios de 1550, funda o Colégio. Em
princípio, como os demais, é uma escola de ler e escrever, bem como de catequese; posteriormente ensina-se aí o latim e outras disciplinas de formação para os da Casa e os demais.
Nesta Capitania de São Vicente adquiriu o Padre Leonardo Nunes, naquele tempo, mais moços dos Índios, por meu mandado, que em nenhuma parte. Estes pus em casa de seus pais, em Piratininga, onde por sua contemplação principalmente fiz aquela Casa, para que nós os doutrinássemos, e seus pais os sustentassem, e com eles ganhássemos e todos os mais. [...], porque muitos filhos dos Índios sabiam ler e escrever, e oficiavam as missas. (LEITE, 1955a, p. 386). [...] mormente que eu não pretendia recolher nas casas senão os de melhores habilidades, para lhes ensinar também latim, e depois de desbastados aqui um pouco, poderem em Espanha aprender letras e virtude, para voltarem depois homens de confiança: o que parece mui conforme ao espírito de V. P., e se uns hereges franceses, que povoavam certa terra deste Brasil, usavam isto, e enviavam muitos meninos a Calvino e a outras partes, para que ensinados em seus erros voltassem à terra, quanto mais razão será fazermos nós o mesmo? (LEITE, 1955a, p. 390).
O Colégio dos Meninos de Jesus da Vila de São Vicente, em princípio é mal provido pela Corte e tem suas dificuldades, sobretudo porque mantém grande número de pessoas. Nóbrega em carta de março de 1553, escreve ao Pe. Simão Rodrigues, Provincial da Metrópole: “Esta Casa tem 50 meninos e com toda a gente manterá a cinqüenta, cem ou mais pessoas” (LEITE, 1953, p. 27). Após este relato adverte Nóbrega que Portugal necessita ajudar mais. Adiante faz outra queixa: “A provisão e vestido, que sua Alteza nos manda cá dar, nos pagam muito mal, tanto que o que dão para 10, que do Reino viemos, não mantém nem veste a 3, se não fossem esmolas e o que do Reino trouxemos, que ainda nos dura” (LEITE, 1953, p. 28). Nóbrega que sempre foi enérgico com o problema da provisão, por entender que os jesuítas ali foram para ganhar almas para Deus e a vida cristã e não para perder tempo em lavrar a terra e ganhar o sustento próprio e o dos catecúmenos de suas Casas, na carta acima faz referência ao mandado de Provisão de D. João III, Rei de Portugal, a Tomé de Souza, Governador do Brasil, passado de Almeirim, primeiro de janeiro de 1551, e assinado pelo Rei. Este é atencioso para com os membros da Companhia, manda que se lhes dê todo o mantimento e vestido que necessitarem, entanto, parece-nos que mais uma vez, os seus representantes na terra do Brasil são muito restritivos para com os jesuítas.
Após a determinação real a que aludimos atrás, o Governador manda que paguem a Nóbrega a importância de cinqüenta e seis mil réis, correspondente ao sustento anual de dez padres, ou cinco mil e seiscentos réis a cada um, mais quatrocentos réis por mês, a cada um dos quatro padres que se encontravam residindo em São Vicente.
Havendo o Irmão Pero Correia13 doado ao Colégio dos Meninos de Jesus, de São Vicente, duas glebas de terra, estas passam a ser a base física e imobiliária do Colégio. No entanto, Manuel da Nóbrega que descera ao sul, vindo da Bahia, chega a São Vicente a 17 de janeiro de 1553 e transforma o patrimônio do Colégio numa Confraria, dentro dos mesmos princípios institucionais da Confraria do Salvador. Nóbrega por zelo do nome e da dignidade da Companhia institui e organiza a Confraria, mas a sua administração temporal é entregue a cidadão leigos: “Desde que cheguei ordenei a Confraria do Meninos Jesus e lhe entreguei todo o temporal para a sustentação e serviço desta casa a gente, que serve a esta Casa, para que fiquemos livres de inconvenientes e somente nos ocupemos no espiritual” (LEITE, 1955a, p. 87). Com isto demonstra Nóbrega que o interesse da Companhia pelos bens patrimoniais tem o alcance de simples meios, para que toda a sua obra reverta exclusivamente em favor do ensino e da catequese.
O valor do papel do Colégio de São Vicente não se condiciona à longevidade ou não que alcança, mas à grande contribuição que presta ao processo de organização e difusão dos centros de ensino e catequese, tanto das várias vilas e aldeias de sua região, como dos situados nas mais distantes regiões e Capitanias.