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2.2 Yönetim Süreçleri

2.2.7 İletişim

2.2.7.3 Örgütsel İletişim

Nós nos detemos somente sobre algumas reações acerca da centralidade e da caracterização da noção de observabilidade propostas por van Fraassen e talvez isso não seja suficiente para fornecer o quadro da situação nos primeiros anos que se seguiram à publicação do Scientific Image e que resultou no livro Images of Science.

A contribuição de Paul Churchland a Images of Science, com o artigo The

ontological status of observables: in praise of the superempirical virtues, retoma seu

texto de 1982 praticamente com as mesmas palavras. Aquela de Alan Musgrave, por outro lado, resultou em um artigo, Realism versus Constructive Empiricism, que amplia e aprofunda os temas contidos em Constructive Empiricism versus Scientific Realism, de 1982.

Boa parte das críticas de Musgrave relembram aquelas de Churchland, Hanson e Levy, particularmente com relação ao fato de poder-se aplicar à adequação empírica de uma teoria o mesmo argumento cético que pode ser levantado acerca da sua verdade. O mesmo diga-se com relação ao relegar o poder explicativo a simples virtude pragmática, ao peso, considerado excessivo, atribuído à distinção observável / inobservável, e

178 A opinião de que a posição de van Fraassen de considerar observáveis somente fenômenos detectados (ou detectáveis) sem o auxílio de instrumentos não fosse em si um princípio e que, por conseguinte, a dicotomia observável / inobservável fosse sem fundamento, levou a alemã Sara Vollmer, em 2000, a propor um princípio diferente para sustentar a dicotomia, como veremos (cf. Sara VOLLMER, Two Kinds of Observation: Why van Fraassen Was Right to Make a Distinction, but Made the Wrong One,

outros. A novidade da posição de Musgrave é um sério ataque à possibilidade de traçar a linha divisória de forma coerente no interior do empirismo construtivo. É essa objeção que passou a ser conhecida, na literatura, como ‘o problema de Musgrave’. Como veremos, van Fraassen o liquidou em poucas palavras, mas nem todos ficaram satisfeitos com a resposta do filósofo holandês e a questão continuou a ser debatida ainda em recentíssimos artigos.

Musgrave acredita haver uma incoerência de fundo insuperável, em traçar uma distinção entre observáveis e inobserváveis, quando se permanece fiel aos princípios do empirismo construtivo. O argumento dele é que se é próprio da ciência desvelar o que é observável e o que não é, a teoria onde isso acontece deve, evidentemente, ser aceita pelo seu usuário. Ora, se o usuário for um empirista construtivo, a aceitação da teoria implica na crença da verdade de suas sentenças empíricas, tais como “A é observável”. Com relação aos inobserváveis, por outro lado, o juízo será suspenso e isso aplica-se, portanto, a sentenças como “B é inobservável”. Um empirista construtivo coerente não pode acreditar na afirmação ou na postulação, feita por uma teoria que ele aceita e considera empiricamente adequada, de que um dado fenômeno não-observável seja, de fato, inobservável para os seres humanos. Ou seja, conclui Musgrave, “o empirismo construtivo requer uma dicotomia que ele não pode traçar de maneira consistente.”179

Images of Science se conclui com um artigo de van Fraassen, Empiricism in the Philosophy of Science, no qual ele reitera que, na concepção dele, empirismo significa

que a experiência é a única fonte de informação legítima acerca do mundo.180 Com efeito, o filósofo holandês diz não entender como se possa negar a relevância epistemológica da evidência acessível, a não ser com base em um ceticismo extremo ou

179 Alan MUSGRAVE, Realism versus Constructive Empiricism. In: CHURCHLAND, P. M.; HOOKER, C. A. (eds.), Images of Science. Essays on Realism and Empiricism, with a Reply form Bas C. van

Fraassen, p. 208 (tradução nossa).

180 Cf. Empiricism in the Philosophy of Science. In: CHURCHLAND, P. M.; HOOKER, C. A. (eds.),

um ato de fé incondicionado.181 Contrariamente ao que Musgrave sustenta, e com ele Churchland, acreditar na verdade de uma teoria, ao invés de na ‘simples’ adequação empírica, não implica, para van Fraassen, em adotar uma atitude mais corajosa e nem mais vantajosa. Já que nunca poderemos averiguar o total isomorfismo entre uma teoria e o mundo, a coragem dos realistas parece a coragem dos soldados que sabem que nunca enfrentarão um combate, como van Fraassen afirma no Scientific Image. Melhor, então, manter uma atitude mais modesta e mais adequada às nossas limitações, como a que é representada pelo empirismo construtivo.

Com relação à suposta impossibilidade de traçar a distinção observável /

inobservável de maneira coerente por parte de um empirista construtivo, van Fraassen

acha que essa objeção surgiu provavelmente por ele não ter sido suficientemente claro na exposição do conceito de adequação empírica. Retomando o exemplo proposto por Musgrave, o filósofo holandês considera uma teoria T e a sentença “B não é observável para os seres humanos” e escreve:

Suponhemos que T inclui tal sentença. Então T não possui nenhum modelo em que B ocorre nas subestruturas empíricas. Portanto, se B é real e observável, nem todos os fenômenos observáveis cabem em um modelo de T da maneira correta, então T não é empiricamente adequada. Consequentemente, se eu acredito que T é empiricamente adequada, então eu também acredito que B é inobservável se for real. Acho que isso basta.182

Jeffrey Sicha, autor de uma resenha de Images of Science, se diz convencido de que van Fraassen conseguiu, no artigo final, responder à maioria, talvez todas, das objeções levantadas no texto.183 Com relação ao ‘problema de Musgrave’, todavia, nem todos concordam com Sicha. O primeiro a declarar-se insatisfeito com a resposta de van Fraassen foi o próprio Alan Musgrave: “van Fraassen (1985, 256) forneceu uma

181 Cf. Empiricism in the Philosophy of Science. In: CHURCHLAND, P. M.; HOOKER, C. A. (eds.),

Images of Science. Essays on Realism and Empiricism, with a Reply form Bas C. van Fraassen, p. 254.

182 Ibid., p. 256 (tradução nossa). O argumento é reproposto praticamente com as mesmas palavras no prefácio à edição italiana do Scientific Image, publicada no mesmo ano.

183 Cf. Jeffrey F. SICHA, Reviewed Work: Images of Science. Essays on Realism and Empiricism, with a

resposta sucinta para a crítica de Musgrave, que Musgrave (2002) confessou não entender “e ninguém para o qual eu tenha perguntado conseguiu me explicar”.”184

Benzer Belgeler