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3. ARAŞTIRMA BULGULARI

3.3. Av-Avcı İlişkilerinin Belirlenmesi

3.3.1. Örümcek Besleme Çalışmaları

Universidade de Edimburgo, em 1970. Esses estudos foram iniciados com o “Programa Forte da Sociologia do Conhecimento” (Strong Programme in the Sociology of Knowledge), com os pesquisadores Barry Barnes, David Bloor e Steven Shapin, que desenvolveram o Programa Forte apoiando-se nos estudos de Thomas Kuhn em sociologia clássica da Ciência, concentrando-se tradicionalmente no estudo dos antecedentes ou condicionantes sociais da Ciência, permitindo assim o estabelecimento dos princípios de um marco explicativo incompatível com o positivismo lógico e o enfoque poperiano. Tanto assim que no “Programa Forte da Sociologia do Conhecimento” a Ciência é apresentada como um processo social, em que fatores não epistêmicos (políticos, econômicos, ideológicos, ou seja, o contexto social) determinam sua origem, mudança e a legitimação de suas teorias (CEREZO, 1998; OSORIO, 2002).

Segundo Bloor (1991, p. 7), o Programa Forte possui quatro princípios. Usando esses princípios, o programa incorporou os mesmos valores em outras disciplinas científicas. As suas características são:

1. Será casual, ou seja, preocupado com as condições que estabelecem crenças ou estados de conhecimento. Naturalmente, existirão outros tipos de causas além das sociais, que cooperarão no estabelecimento de crenças.

2. Será imparcial em relação à verdade e à falsidade, racionalidade ou irracionalidade, sucesso ou fracasso. Ambos os lados dessas dicotomias irão exigir explicações.

3. Será simétrico na sua lógica explicativa. O mesmo tipo de causas irá explicar, por exemplo, crenças verdadeiras ou falsas.

4. Será reflexivo. Por princípio, os seus padrões de explicação terão de ser aplicáveis à própria sociologia. Assim como a exigência de simetria, essa é uma resposta à necessidade de busca de explicações gerais. É uma exigência óbvia de princípio, caso contrário a sociologia seria uma refutação permanente das suas próprias teorias. (BLOOR, 1991, p. 7, tradução livre).

Com o Programa Forte se inicia uma tradição que seguiu os estudos CTS de diferentes tendências e áreas, nos quais se abordaram diferentes formas de análises da relação entre o

conhecimento científico e a sociedade. Entre os principais estudos destacam-se os realizados por Pickering (1984) sobre os quarks, os de Shapin e Schaffer (1985) sobre a controvérsia Hobbes-Boyle e os de Collins (1990) sobre inteligência artificial.

Atualmente ainda existem muitos enfoques fundamentados no Programa Forte, os quais, juntos, constituem os fundamentos teóricos da tradição europeia dos estudos CTS. Entre eles destacam-se o construtivismo social de Harry Collins, da Universidade de Bath, Inglaterra, que teve seu início nos anos 1980 com a criação do Programa Empírico do Relativismo (Empirical Program of Relativism – EPOR). Esse programa concentrou-se em estudos empíricos relacionados à análise de controvérsias científicas, tecnológicas e médicas, ou seja, pautado pela sociologia do conhecimento científico, objetivou estabelecer uma estrutura minuciosa do conhecimento em uma vertente social, demonstrando a importância dos processos de interação social em relação à percepção e compreensão da realidade ou da resolução dessas controvérsias. Segundo Collins (1981, tradução livre) no EPOR cinco etapas devem ser seguidas para as análises das controvérsias científicas:

1. A primeira etapa consiste em documentar a flexibilidade interpretativa dos resultados experimentais, ou seja, recolher e analisar o papel de dados experimentais na prática científica e o papel das peças principais que contribuem para a segurança científica. Em princípio, considera-se que os resultados científicos são abertos a mais de uma interpretação.

2. A segunda etapa preocupa-se com a forma como as discussões são concluídas. Possibilitados pela ilimitada flexibilidade interpretativa de dados, tais mecanismos de conclusão incluem diversos recursos retóricos, expositivos e institucionais, que trabalham conjuntamente no âmbito da plausibilidade e outras forças de consenso. 3. A terceira etapa relacionaria os mecanismos de conclusão com a estrutura política e social em sentido amplo. Com eles se busca garantir a estabilidade na ciência, permitindo ao mesmo tempo identificar mudanças de larga escala. Observa-se que interesses políticos podem moldar as formas como os cientistas veem o mundo natural.

Nesse contexto, observa-se que o construtivismo social torna-se um sucessor do EPOR, visto que pondera que a tecnologia se constitui a partir das interações e concepções de grupos sociais relevantes, ou seja, o desenvolvimento tecnológico consiste em um processo diretamente social.

Outro enfoque apoiado no Programa Forte é a “Teoria de Rede de Atores” (Actor- Network Theory – ANT), de Bruno Latour e Michel Callon, que representa a

[...] radicalização do ponto em que o programa forte fazia referência à reflexibilidade que conduzia a presunçosos exercícios retóricos que experimentavam com a multivocalidade e as novas formas literárias; a radicalização da simetria, entendida agora como simetria relacionada não somente à verdade/falsidade ou racionalidade/irracionalidade mas também à natureza/Sociedade e sujeito/objeto, as dicotomias-chave do pensamento moderno, se concentram na teoria da rede de atores da escola francesa de Latour e Callon, segundo a qual a tecnociência (termo

com o qual se pretende capturar o caráter próprio das redes cujos modos estão constituídos tanto por atores humanos como por atores não humanos que negociam a um mesmo nível a construção conjunta da natureza e da Sociedade). (BARRAL et al., 1999, p. 42, tradução livre).

Nessa teoria o conhecimento científico só existe se é sustentado por uma rede de atores, modelo que, para Pereira (2000, p. 7),

[...] permite remover todo e qualquer centro (o cientista, o sociólogo, a Física, a Biologia, a Sociologia, o Humano, o Não-humano, o Estado-Nação, entre tantos outros candidatos a uma posição central que detém a verdade das coisas) e não confere nenhum privilégio a um ponto da rede (nós) em relação ao outro.

Em contraponto à tradição europeia, a tradição norte-americana dos estudos CTS (em inglês Science–Technology-Society), que teve sua institucionalização administrativa e acadêmica inicialmente nos Estados Unidos, centra-se nos estudos das consequências sociais e ambientais da Ciência e da Tecnologia.

Um de seus principais marcos, como já mencionado, foi a publicação do livro “Primavera Silenciosa” por Rachel Louise Carson, o que revela o caráter mais ativista dessa tradição, que também está relacionada aos protestos contra os desenvolvimentos científicos e tecnológicos ocorridos nos anos 1960 e 1970. A tradição norte-americana se caracteriza principalmente por discutir as consequências sociais e ambientais dos produtos tecnológicos e sua influência no modo de vida da Sociedade e nas instituições, não se restringindo à discussão dos antecedentes sociais de tais produtos, como ocorre na tradição europeia dos estudos CTS (CEREZO, 1998; GONZÁLEZ; CEREZO; LÓPEZ, 1996).

Outra diferença entre as tradições destacada por González, Cerezo e López (1996) está relacionada ao fato de a tradição europeia ser predominantemente acadêmica e a norte- americana, mesmo sendo desenvolvida nas universidades, possuir um caráter mais prático e um importante alcance valorativo, o que a fez desenvolver estudos sobre a reflexão educativa e ética, assim como sobre os processos de tomada de decisão em discussões acerca de políticas tecnológicas e ambientais. Em geral, a reflexão teórica da tradição norte-americana CTS remete-se ao pensamento europeu continental e a autores como José Ortega, Martin Heidegger, Jacques Ellul e Jürgen Habermas, entre outros.

Segundo González, Cerezo e López (1996), a tradição norte-americana tem como fundo epistemológico os conhecimentos advindos de disciplinas como a ética, a história da Tecnologia, a teoria da educação, as Ciências políticas e a filosofia social. Tem como marco a criação da Environmental Protection Agency (Agência de Proteção Ambiental – 1969) e do Office of Technology Assessment (Escritório de Avaliação de Tecnologias – 1972). Os

principais autores dessa tradição são Albert Borgmenn, Stanley Carpenter, Steve Cutcliffe, Paul Durbin, Steven Goldman, Larry Hickmann, Don Ihde, Melvin Kranzberg, Helen Longino, Dorothy Nelkin, Leonard Walks, Ivan Illich, Carl Mitcham, Kristin Shrader- Frechette e Langdon Winner (PINHEIRO et al., 2009).

Para González, Cerezo e López. (1996), ambas as tradições objetivam desmitificar a imagem tradicional da Ciência e da Tecnologia. A principal diferença entre a tradição europeia (1) e a norte-americana (2) se relaciona com a dimensão social da Ciência- Tecnologia:

1) A «dimensão social» entendida como os condicionantes sociais, ou a forma como fatores sociais contribuem para a gênese e a consolidação de complexos científico-tecnológicos;

2) A «dimensão social» entendida como as consequências sociais, o modo em que os produtos da Ciência-Tecnologia incidem sobre nossas formas de vida e organização social (GONZÁLEZ; CEREZO; LÓPEZ, 1996, p. 66-67).

No Quadro 2 Veraszto et al. (2011, p. 185) realizam uma síntese das principais diferenças entre as tradições CTS.

Quadro 2. Distinção entre as tradições CTS.

Tradição europeia Tradição norte-americana

Origens na década de 1970 nas instituições

acadêmicas europeias. Origens nas instituições administrativas e acadêmicas norte-americanas. Ênfase nos fatores sociais antecedentes:

ampliação do alcance e do conteúdo da sociologia tradicional.

Ênfase nas consequências sociais: atenção aos efeitos sociais do desenvolvimento tecnológico, com preocupação social e política e a busca por renovações educacionais e avaliações

da C&T suas políticas. Prioriza a Ciência e, de forma secundária, a

Tecnologia.

Prioriza a Tecnologia e, de forma secundária, a Ciência.

Caráter teórico e descritivo. Caráter prático e valorativo. Marco teórico: Ciências sociais (Sociologia,

Psicologia, Antropologia etc.).

Marco avaliativo: Ética, Teorias da Educação, Ciências Políticas, Filosofia Social etc.

Fundamentação básica:

1. Sociologia da Ciência: amplia teorias sociológicas existentes (como as de Marx, Durkein, Scheler, Mannheim) para a análise da Ciência como prioridade na comunidade científica e nos seus aspectos institucionais, tais como normas éticas, sistemas de remuneração, status etc., sem abordar a análise sociológica do conteúdo científico (MERTON, 1973, 1974, 1977, 1979).

2. Nova Sociologia do conhecimento científico (Programa Forte de Bloor): o conteúdo da Ciência e não somente seu sistema de organização social, consiste em objeto de análise

Temas de importância para fundamentação:

1. História da cultura tecnológica: explora as diferenças entre a Tecnologia contemporânea e as técnicas antigas, fixando períodos de desenvolvimento e mostrando como escolas tecnológicas se relacionam com as mudanças sociais (MUNFORD, 1934; 1969; ORTEGA e GASSET, 1939; KRANZBERG, 1990; WHITE, 1963).

2. Filosofia geral da Tecnologia: estudos conceituais e epistemológicos da definição da Tecnologia e suas relações com a Ciência e com critérios de eficácia tecnológica (MITCHAM, 1980, 1989; 1994);

3. Ética da C&T: defende imposição de limites ao desenvolvimento para preservar valores humanos. Trabalhos

Tradição europeia Tradição norte-americana

sociológica. Contrapondo com a teoria anterior, não se pensava somente na aproximação da verdade, mas também na sua construção, partindo dos processos sociais das Ciências (BARNES e BLOOR, 1982; BLOOR, 1981).

3. Core set: definição dos interesses sociais são fundamentos das táticas de negociação não científicas utilizadas para a produção do conhecimento (COLLINS, 1981);

4. Estudos de laboratório: o estudo da prática científica dentro do local onde eram realizadas – os laboratórios e os textos produzidos pelos cientistas (LATOUR e Woolgar, 1979; WOOLGAR, 1988, 1991).

5. Estudos pós-modernos: investigações desconstrutivas e relativistas que apontam que, da mesma forma que não se pode dizer que a atividade científica é uma representação real do mundo, tampouco é possível afirmar que a reflexão sociológica seja uma representação fiel da atividade científica.

6. Tecnociência: mostra a convergência das duas tradições (BIJKER, 1987; BIJKER, HUGHES e PINCH, 1987).

em diversas áreas: ética ambiental, ética nuclear, ética biomédica, ética informática etc.

4. Autonomia da Tecnologia e determinismo tecnológico: discussões acerca da existência ou não de leis de desenvolvimento, que fogem do controle humano (ELLUL, 1954; WINNER, 1986).

5. Crítica política da Tecnologia: estudo das relações entre Tecnologia e sociologia, analisando problemas políticos da Tecnologia (WINNER, 1986).

6. Avaliação e controle social: análise de modelos de gestão mais apropriados para controlar de modo mais eficaz e legítimo o desenvolvimento das C&T, com propostas de democratização da política tecnológica ou reflexões sobre as consequências sociais das Tecnologias particulares, investigações sobre riscos e avaliações de Tecnologia etc. 7. Crítica religiosa da Tecnologia: explora a relação entre Tecnologia e natureza humana considerada em sua dimensão religiosa (teológica ou moral), abordando temas como recuperação da espiritualidade perdida na Sociedade tecnológica e a compatibilidade entre a cultura cristã e a tecnológica (CLARKE, 1963).

Segundo González, Cerezo e López (1996), a divisão geográfica da origem dos estudos CTS é realizada para fins puramente expositivos, pois não existem atributos intrínsecos que exijam essa classificação por continentes, já que atualmente alguns desses estudos convergem. Nas palavras dos autores:

Não existem características intrínsecas que façam necessária esta classificação por continentes, como mostra a existência de abundantes exceções, assim com a convergência que está ganhando lugar recentemente em ambas as tradições, ou a possibilidade de realizar outras classificações geográficas (com a do pensamento anglo-americano frente ao pensamento europeu continental). Por outro lado, a distinção entre as duas tradições só é real para a primeira década dos estudos CTS. (GONZÁLEZ; CEREZO; LÓPEZ, 1996, p. 69, tradução livre).

Portanto, na primeira década do desenvolvimento dos estudos CTS observa-se uma grande distinção entre os estudos europeus e os norte-americanos, distinção que ainda prevalece sutilmente em alguns estudos e marcadamente na realização de seus próprios livros, congressos, periódicos, associações etc., independentes e com poucas colaborações entre si.