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III. BÖLÜM

3.4. Verilerin Toplanması

5.2.1. Öneriler

Dentre os elementos não verbais analisados, os elementos prosódicos possuíram um papel importante, contribuindo de forma significativa para a intensificação ou atenuação da força ilocucionária das atividades de conflito.

Naturalmente a questão prosódica é muito mais ampla e possui diversos outros fatores que não são tratados nesta seção. Uma análise mais acurada dependeria de outras ferramentas que não estiveram disponíveis para este estudo e que fugiriam ao seu objetivo. Nem todas as atividades de conflito foram associadas a um tipo de entonação, mesmo que obviamente possuam características tonais específicas. Os tipos de entonação mostrados nesta seção referem-se aos momentos em que claramente se nota uma associação do uso da entonação com a atenuação ou intensificação de atividades de conflito, contribuindo para que

elas sejam realizadas de forma mais direta ou mais indireta.

4.2.4.1 Entonação enfática

A entonação enfática foi notada principalmente em momentos de atrito entre os participantes, onde eles expressam sua opinião de forma direta e com ênfase em determinadas palavras.

Tabela 25: Distribuição de ocorrências de entonação enfática

Int. 1 (masc.) alemães 47 17,60%

brasileiros 17 12,41%

Int. 2 (fem.) alemãs 27 17,88%

brasileiras 100 37,17%

A distribuição das ocorrências de entonação enfática em relação ao total de atividades de conflito mostrou-se altamente significativa (χ²=45,6; df=3; p<0,001). Nota-se uma tendência maior de mulheres brasileiras a utilizarem a entonação enfática, o que se contrasta com a frequência de realização por brasileiros do sexo masculino, a menor entre os grupos. A análise dos grupos em pares pelo teste do qui-quadrado mostrou uma diferença altamente significativa entre as ocorrências de homens e mulheres brasileiros e entre as ocorrências de mulheres alemãs e brasileiras.

A entonação enfática pode ser associada a uma realização de conflitos mais direta e agressiva. Isso pode ser visto no exemplo abaixo:

Trecho 40: ((Interação Masculina, 77:41 - 78:07 min., Tópico 2 - Consciência de falar português))

159 A2: porque isso é bonito e o outro não é? 160 B2: sonoridade.

→ 161 A2: sonoriDAde? 162 B2: [sonoridade.]

169 A2: mas por que é interessante.

→ 170 voCÊ liga a sonoridade a alguma coisa que você LÊ; 171 e não a uma coisa que foi realmente falada,

→ 172 porque você não VÊ o diá:logo entre eles, 173 você vê uma coisa escri:ta.

((...))

175 B2: é aí eu vou le/ aí eu leio em voz alta, 176 e SI::nto a sonoridade.

177 A2: ah você fala/ você lê em voz alta, → 178 [mas você LÊ. ]

179 B2: [<<all>é;=mas só é lógico] que sozinho;= 180 (depois [vão achar que eu sou doido.)>]

→ 181 A2: [você não ]FALA. 182 ninguém fala assim.

183 B2: é;

184 ninguém fala.

Nesse exemplo pode ser vista uma interação entre A2 e B2, onde as discordâncias de A2 são intensificadas pela entonação enfática. Ele usa a entonação tanto para contrastar palavras de sentidos diferentes (lê, fala, vê) ou para expressar um sentimento de desacordo ou incredulidade (“sonoridade?”, linha 161). A entonação enfática nesse caso pode ter sido um dos elementos que contribuiu para que a situação fosse interpretada como um confronto por B2 (cf. Seção 4.2.1.3).

No entanto, a entonação enfática também pode ser usada também para afirmar uma posição sem necessariamente servir como contraste. Há situações por exemplo em que elas parecem possuir um papel de exagero e intensificação dos sentimentos expressos, como se pode ver no Trecho 41.

Trecho 41: ((Interação Feminina, 94:32 - 94:58 min., Tópico 5 - Papel da mulher))

128 B5: mas existem [as mulheres fortes hoje em ][dia; ] 129 B7: [elas deveriam ser- ]

130 [mas at/ ] 131 B5: que falam eu não quero namorar agora;=

→ 132 =eu quero fazer MInha carre:ira,

133 B7: não,=mas eu [acho que não há um ] [reconhecimento social; ]

134 B5: [depois vou me relacionar.= ] 135 [=tem MUIta mulher assim também. ]

136 B7: d/ do papel dessas mulheres que susten[tam suas famí:lias,] 137 B8: [não;=tá melhorando. ] 138 B7: cê entendeu?

→ 139 ainda TEM eu acho que a televisão num aju:da, 140 essas mulher FRU:ta,

141 co_essas baixaria sabe? 142 A6: [novela. ]

143 B7: [que mulher ]é objeto,

144 que mulher/ mulher/ o papel da mulher é ser gosTO:sa, 145 cê entendeu?

146 isso é verDAde.

147 isso é muito sério aqui.=às vezes é porque_é muito veLA:do;

A entonação enfática é usada nesse trecho tanto por B5 quanto por B7, podendo- se ver tanto passagens onde a opinião contrária é enfatizada, como na linha 139 (“ainda tem”) , quanto outras passagens onde não se nota o contraste. A ênfase é usada nesses casos para pontuar e intensificar a argumentação, podendo ser associada com a expressão de emoções. Nesse sentido, a entonação enfática nesse caso pode ser relacionada ao sentido de Brown e Levinson (1987) de exagerar o conteúdo do enunciado, gerando simpatia nos interlocutores, o que os autores classificam como estratégia de polidez positiva pelos autores. Esse uso da entonação enfática é bastante frequente na interação feminina, podendo ser parcialmente responsável pela alta frequência de uso da entonação enfática nessa interação, sem estar necessariamente relacionado a uma realização mais direta das atividades de conflito.

4.2.4.2 Entonação suavizadora

Como visto na Seção 3.2.1.2, a entonação suavizadora é o nome dado a um conjunto de características prosódicas, notados principalmente em momentos em que os participantes procuram atenuar a atividade de conflito. Possui como características um ritmo mais lento de fala e variações tonais, responsáveis pelo seu aspecto melódico, como se cantado. Pode também ser associada a prolongamentos vocálicos e a um volume de voz mais baixo.

Tabela 26: Distribuição de ocorrências de entonação suavizadora

Int. 1 (masc.) alemães 5 1,87%

brasileiros 9 6,57%

Int. 2 (fem.) alemãs 16 10,60%

brasileiras 32 11,90%

A distribuição das ocorrências vistas na Tabela 26 mostrou-se altamente significativa através da aplicação do teste do qui-quadrado (χ²=21,9; df=3; p<0,001). Enquanto as porcentagens de ocorrência nos grupos de brasileiras e alemãs foi bastante

semelhante, há diferenças significativas entre os grupos de alemães e brasileiros do sexo masculino e entre alemães dos sexos masculino e feminino. De forma geral, pode-se dizer que a realização de entonações suavizadoras é mais característica de participantes brasileiros e do sexo feminino.

Apesar de a transcrição não representar detalhes prosódicos, pode-se ver no trecho abaixo um exemplo de uso da entonação suavizadora69:

Trecho 42: ((Interação Feminina, 79:51 - 80:01 min., Tópico 4 - Amizade e falsidade))

267 A6: é falso né? 268 B7: é falso. 269 B6: uhum

270 B7: eu não so/ não consigo ser assim.

271 (.) eu num/ eu não essa coisa de falar,= 272 =ah dá meu número;=

273 =eu nunca/ eu acho que eu nunca dei o meu número. → 274 A5: depen/ eu não ia chamar isso FALso.

→ 275 (.) depen:de.

Nesse trecho, A5 usa não só a entonação suavizadora, mas também elementos linguísticos como depende e eu não ia para atenuar a discordância. Há outras situações em que apenas a entonação suavizadora é utilizada como forma de atenuação.

Trecho 43: ((Interação Masculina, 39:35 - 39:44 min., Tópico 2 - Japonês))

015 A3: porque:: japonês é uma:: a::h das línguas mais difíceis do mu:ndo.

→ 016 B2: não;=num é.

017 ((balança a cabeça)) 018 A3: não é?

019 B2: o que é difícil nela é-

020 ((aponta para um dos cantos da sala)) 021 B1: é saber desenhar né?

022 A3: é.

→ 023 B2: a sinta/ a sintaxe é be/ a sintaxe é bem simples,

No trecho acima, a discordância de B2 apresenta uma estrutura mais direta, mas a sua variação tonal faz com que seja suavizada. Essas características permitem a associação da entonação suavizadora com a estratégia de polidez negativa hedge, de acordo com a teoria de

Brown e Levinson (1987).

Benzer Belgeler