5. SONUÇLAR VE ÖNERĠLER
5.2 Öneriler
Para discutirmos a Proposta Político-Pedagógica da escola, iniciamos apresentando as vozes de duas das investigadas:
(...) tudo isso, o sucesso, só é possível, se a visão política do professor e a proposta pedagógica individual estiverem claramente definidas e articuladas com a proposta maior da escola. Devo saber onde quero chegar, para em seguida, saber como vou. (Profª. MJ). Grifos meus.
A minha prática é uma prática política, no sentido da responsabilidade de contribuir com o processo de formação de tomada de consciência dos meus alunos, então, na medida em que eu construo minha proposta pedagógica e desenvolvo minhas aulas, não tem como desvincular a Profª. AU brasileira-cidadã da Profª. AU professora, uma coisa está ligado à outra. (Profª. AU).
Grifos meus.
O Projeto Político-Pedagógico possui o caráter de projeto de sua origem etimológica latina (projectu) e cumpre a função de dar um rumo, uma direção à instituição e às práticas pedagógicas. Veiga (1996) destaca o caráter político e o caráter pedagógico desse documento1 e explica que o projeto de escola é:
(...) uma ação intencional, com um sentido explícito, com um compromisso definido coletivamente. Por isso, todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso sóciopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritária. É político, no sentido de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade. (...) Na Dimensão Pedagógica reside à
possibilidade da efetivação da intencionalidade da escola, que é a formação do cidadão participativo, responsável, compromissado, crítico e criativo. Pedagógico, no sentido de definir as ações educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade. (VEIGA, 1996, p 12).
Partindo dos pressupostos elencados por Veiga (1996), percebemos nas falas e nos escritos das depoentes, que as dimensões política e pedagógica do Projeto estão bem definidas quanto ao seu entendimento. No entanto, as investigadas manifestam existir e com força uma proposta pedagógica individual de cada professor. Em análise mais acurada, entendemos que não pode existir Projeto de Escola, sem antes analisar e compreender as propostas de quem o executa no chão da Escola, no contexto social e na sala de aula. São os projetos individuais dos professores, que articulados ao projeto maior da escola é que dão alcance aos objetivos e metas.
Nesse sentido, o objetivo principal da elaboração da Proposta Político- Pedagógica de uma instituição educativa, não está ligado, apenas, às exigências legais ou aos aspectos ligados ao cumprimento de sua formalização textual, mas sim, à qualidade conseguida ao longo do processo de sua elaboração, uma vez que o Projeto Político-Pedagógico, somente se constituirá como referência para as ações educativas, se os sujeitos da comunidade escolar, com saber relacional e atitudinal se reconhecerem nele, para referendá-lo como tal.
Esse reconhecimento, nada mais é do que a estreita relação da proposta de ensino do professor com a da Escola. Conforme assinalaram as professoras, há
uma proposta institucional da Escola e outra centrada na prática docente, que se relacionam, mas na maioria das vezes, não partilham os mesmos princípios e ideologias. Entendemos que se essa relação não for uma construção interativa e congregarem os mesmos princípios, o Projeto Político-Pedagógico se transforma em um simples documento burocrático.
Conforme Veiga (1996) construir um projeto pedagógico, significa enfrentar o desafio da mudança e da transformação, tanto na forma como a escola organiza seu processo de trabalho pedagógico, como na gestão exercida pelas professoras, o que implica o repensar da estrutura de poder na escola. E explica:
Ao construirmos os projetos de nossas escolas, planejamos o que temos intenção de fazer, de realizar. Lançamo-nos para diante, com base no que temos, buscando o possível. Nessa perspectiva, o projeto político-pedagógico vai além de um simples argumento de planos de ensino e de atividades diversas. (VEIGA, 1996, p. 12),
As professoras registram suas concepções acerca de Proposta Político- Pedagógica, embasadas em saberes de ensino, centrados no aluno, sobretudo, nas teorias e nas próprias práticas e que estão próximas da subjetividade das mesmas.
A minha proposta é preparar o ser humano para a vida. É um instrumento essencial para formação de cidadania. Formar sujeitos capazes de desenvolver habilidades, possibilitando compreender e agir na sociedade em que vivemos. Ensino o respeito, preservar a vida e virtudes. (Profª. MA).
O meu trabalho de magistério, ou seja, minha proposta de ensino direciona para o trabalho com „gente‟. Assim, é necessário sensibilidade e persistência, características essenciais, naturais ou adquiridas, aperfeiçoadas e originadas, ainda, na família. Uma boa formação religiosa tornou fator determinante em minhas atitudes, no meu trabalho de professora e em comunidade. (Profª. MI).
As falas das professoras nos mostram que de um lado, existe uma Proposta Pedagógica que é propriedade do professor, construída nas diversas relações que se estabelecem na construção de sua história de vida e de trabalho, e, de outro, produz a institucionalização de um documento que é o da escola, exigido pelo sistema de ensino em padrão formalizado, respeitando às peculiaridades de cada unidade de ensino. Nas falas e nos escritos das professoras, as mesmas consideram que há um processo vertical de tomada de decisões e que a Escola é o lócus de resistência dos professores.
Reunindo todos os processos políticos formais desenvolvidos na escola, como espaços de ação política contraditórias, entre as macro e micro relações de poder, constituídas pelo Conselho de Classe, Colegiado e Projeto Político- Pedagógico, verificamos que esses novos espaços democráticos, que norteiam a prática pedagógica dos professores de sucesso trazem conflitos e uma rede de comportamentos no interior da sala de aula, que sacramentam práticas coletivas de diálogo ou novas alternativas de ação educativa, face aos problemas de aprendizagem do aluno.
Outros professores, que não conseguem estabelecer mediações com o projeto mais amplo da escola face às políticas do Estado e da Escola, fazem resistências e geram suas próprias formas de manifestações, tais como: não participar, fazer silêncio, ausentar-se da construção global das políticas e práticas escolares. Percebemos, no entanto, que as professoras de sucesso conseguem abrir portas e dialogar com os norteamentos políticos da escola fundamental e o compromisso de formação do aluno para a vida.
A análise dos saberes políticos das professoras de sucesso nos permite destacá- los de forma sintetizada em: as professoras atribuem valor ao saber aprendido no cotidiano do trabalho de magistério, o bom professor preocupa com os resultados e vê no Conselho de Classe a oportunidade de traçar metas coletivas de forma decisiva para o sucesso em sala de aula, concebem o Conselho como uma possibilidade de um projeto de avaliação mais justo, atrelado às novas demandas sócio-culturais, e, sobretudo, um espaço de avaliação e auto-avaliação de suas próprias práticas, como prática reflexiva.
As professoras de sucesso questionam acerca da função do Colegiado Escolar, que tem como prioridade as funções financeiras. Afirmam, ainda, que só é possível o sucesso do ensino, se, a visão política do professor e a proposta pedagógica individual, estiverem claramente definidas e articuladas com a proposta maior da escola.