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5. SONUÇ, YORUM VE TARTIŞMA, ÖNERİLER

5.3. Öneriler

Delimitado um espaço urbano, de propriedade disponível servido por vias públicas, o proprietário construtor ficava condicionado a partir desse momento pela sua capacidade intelectual de encomendante da construção, pelas suas disponibilidades económicas, pelas capacidades de resposta dos

fabri189 e pelos condicionalismos inerentes à ecologia da construção: entre estas

a primordial, por se tratar do principal material de construção, seria sem dúvida a pedra.

Isto era especialmente importante porquanto a romanização implicou uma radical transformação dos métodos construtivos em Conimbriga, que abandonaram o adobe sobre base de pedra solta para adoptarem decididamente e desde muito cedo a pedra ligada por argamassa. Para além de outras considerações, esta modificação acarretou indubitavelmente uma necessidade aguda de prover a cidade com material de construção em quantidade e qualidade.

A pedra

A maior parte da construção doméstica em Conimbriga, tal como a monumental, utiliza o tufo local ou, em alternativa, o calcário do Lias:

188 Correia 2004b, 268-277.

189 Cf. o recente resumo de Mar 2008, 175-190, acerca das construções públicas, de que

algumas considerações se aplicam também às construções privadas, nomeadamente aquelas de maior dimensão.

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o primeiro poderia ser retirado do próprio subsolo de Conimbriga, poderia ser

Figura 93 – Origem do aprovisionamento de materiais de construção em Conimbriga (sobre a carta geológica dos arredores de Conimbriga – Alarcão e Etienne 1977, II, pl. II). 1 Quaternário aluvionar (aprovisionamento de areia), 2 Quaternário lacustre (tufos calcários – aprovisionamento de pedra de construção), 3 – Plioceno, 4 Mioceno-Oligoceno, 5 Cenomaniano e Turoniano, 6 Belasiano e base do Cenomaniano, 7 Jurássico médio (Dogger – aprovisionamento de pedra de construção), 8 Jurássico inferior (Lias – aprovisionamento de pedra de construção), 9 curvas de nível, 10 localidades, 11 barreiros com argila de composição idêntica ao material de construção de Conimbriga (Triães 2003, 22 e 97-126), 12 pedreira documentada (Reis 2003).

reutilizado das construções indígenas ou transportado das proximidades190; do

segundo existiam certamente abundantes pedreiras superficiais (como ainda hoje acontece, com graves consequências ambientais e paisagísticas) nas zonas a Oeste e Sudoeste da cidade, sem grandes problemas de circulação e acessos191.

A única evidência de pedreiras romanas nas imediações de Conimbriga foi localizada sob a actual aldeia de Condeixa-a-Velha, onde se encontrou um fragmento de coluna (provavelmente destinado ao fórum flaviano)192.

A utilização do tufo local conduziu os construtores à adopção de um aparelho classificável como opus incertum; o calcário do Lias favoreceu a disposição do aparelho ao modo vittatum193. Não há evidências de uma escolha

consciente de um modo em alternativa ao outro, pelo contrário, a escolha parece ter sido sobretudo ditada por uma preocupação económica, a utilização do calcário do Lias parece ter sido motivada sobretudo pelo esgotamento do tufo local, correspondendo portanto a uma evolução cronológica194.

A cal e argamassa

A exploração arenária em Conimbriga desenvolveu-se certamente nas várzeas próximas dos afluentes do Mondego, acarretando por isso um movimento de transporte de algum volume e dificuldade. Infelizmente trata-se de um processo de extracção que virtualmente desaparece do registo arqueológico195.

O único meio de indagação disponível seria a caracterização geológica da areia utilizada. Dois projectos de investigação dedicaram-se, recentemente, a este assunto, mas de forma não conclusiva196.

Mas nada contraria a percepção intuitiva de que estamos perante areias fluviais, utilizada em proporções relativamente estáveis, variando de acordo com a finalidade pretendida, de cal areia e aditivos (designadamente pó de tijolo, no caso do opus signinum).

190 Sobre os tufos de Condeixa, sua natureza e disponibilidade, cf. Cunha 1990, 141-148. 191 Tavares 1977, 273-274.

192 Reis 2003, s.v. 193 Adam 1989, 138-150. 194 Correia 2003a, 28. 195 Adam 1989, 76-82.

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O fabrico de cal poderia deixar vestígios de outra solidez, designadamente os fornos, mas na verdade nada foi encontrado nas prospecções no território da cidade. Tendo-se determinado que a cal utilizada em Conimbriga foi produzida a temperaturas relativamente baixas197, é também

possível que isso signifique que os fornos utilizados não fossem produto de uma tecnologia muito elaborada, tendo como consequência a sua mais rápida deterioração e consequente desaparecimento do registo arqueológico.

Figura 94 – Fragmento de dolium com restos de cal, achado ocasionalmente em Conimbriga (Termas do Sul).

As indicações de Catão198 sugerem que a produção de cal podia revestir-

se de um carácter episódico, à medida das necessidades, mas a situação urbana de Conimbriga desaconselha esta interpretação. Mesmo que a produção de cal fosse determinada estritamente pelas necessidades, o surto de construção em

197 Velosa et al. 2007, 1208-1216.

Conimbriga ao longo de todo o séc. I certamente levou à radicação de uma indústria de produção, vocacionada para responder às solicitações de um mercado em procura porventura flutuante, mas sempre com um nível de necessidade assinalável.

Por outro lado, as recomendações vitruvianas acerca da idade da cal reforçam este aspecto de uma indústria em continuidade, com capacidade de resposta aos picos e às especificidades da procura199.

No que diz respeito à localização das produções, parece correcto localizá-las junto das próprias fontes de matéria-prima, que poderia bem ser constituída por um sub-aproveitamento da exploração de pedra para a construção.

De concreto, sabe-se apenas, por achados esporádicos, que a cal era mantida em dolia enquanto se aguardava a oportunidade de a utilizar.

O tijolo

O fabrico de materiais cerâmicos de construção foi a actividade subsidiária da construção que deixou um mais sólido conjunto de vestígios arqueológicos, não só pela óbvia sobrevivência do material, mas também pela epigrafia associada 200 e pelo projecto de investigação que sobre estes materiais

foi possível traçar201.

Junto com a construção integralmente em alvenaria, a adopção dos telhados em material cerâmico foi sem dúvida uma alteração fundamental na construção em Conimbriga que, aliás, parece ser anterior à própria adopção sistemática daquela, pois o bairro indígena a norte do fórum, ainda em adobe sobre pedra, utilizava já tegulae na sua cobertura202. Sem dúvida que a explosão

construtiva em Conimbriga a partir de Augusto explica o sucesso das múltiplas oficinas, que gozavam de acesso a matéria prima abundante na vizinhança da cidade203 e combustível para a cozedura nas mesmas condições, razões que

199 Da arquitectura VII, 2, 1-2 apud Maciel 2006, 265-266; cf. Adam 1989, 78. 200 Correia et al. 2001, 151-171.

201 Correia et al. 2004, 297-320. 202 Triães et al. 2002, 153-164. 203 Triães 2003, 100-126.

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certamente contribuíram para que as oficinas conimbrigenses abastecessem não só a cidade mas também os centros urbanos próximos204.

Figura 95 – Tipologia dos materiais cerâmicos de construção produzidos em Conimbriga, segundo Correia et al. 2003, 300, fig. 1.

A variabilidade tipológica dos materiais e a estandartização dessas tipologias205 falam simultaneamente da muito larga gama de utilizações dadas

aos materiais (sem que, no entanto, tenham chegado a existir em Conimbriga edifícios em opus latericium, pois os materiais cerâmicos foram sempre reservados para aspectos decorativos e técnicos) e do rigor técnico que os

204 Correia et al 2004, 313-315.

construtores seguiram na utilização em condições precisas dos materiais ao seu dispôr206.

Estão documentadas em Conimbriga cinco 207 marcas de oficinas produtoras de materiais cerâmicos de construção (a que se devem somar mais seis antropónimos gravados na argila fresca, cujo estatuto é duvidoso208) entre

elas, uma outra marca corresponde à sigla RPC, interpretada como R(es)

P(ublica) C(onimbrigensis)209, que pode corresponder a material produzido numa

oficina privada, destinado especificamente a uma obra municipal210.

Estas oficinas produzem materiais utilizando matérias-primas provenientes do entorno próximo da cidade, sendo aliás difícil distinguir grupos, devido à similitude do fundo geológico trabalhado211. Outro elemento

de proximidade entre estas oficinas é a sua proximidade cronológica, que corresponde também ao ponto de concentração da datação dos edifícios ao longo do séc. I212.

A produção destas oficinas abasteceu a cidade e também as civitates vizinhas de Aeminium (a Norte) e Sellium (a Sul)213; este facto é atestado pela

análise fisico-química de proveniências, pois se é certo que a diferenciação

206 Triães 2003, 34-70.

207 Seis possivelmente, mas é incerta a sede de MAKR (Correia et al. 2001, 155). As quatro

oficinas privadas documentadas são as de Duatius, de Maelo, de Primus, e a dos Allii Aviti.

208 Id. ibid., 153-155. 209 Id. ibid., 154.

210 Seguimos aqui uma interpretação divergente da original (loc. cit. e Correia et al. 2003, 308) de

que a marca corresponderia à produção de oficinas municipais. Esta segunda interpretação é sugerida pela marcação de tria nomina em tijolos utilizados em obras públicas de Mérida (Durán 1998, 155-173) que demonstra que partes da produção de certas oficinas poderiam ser marcadas, com fins de controle de produção, com marcas que certamente não correspondem ao proprietário da oficina. É de continuar a insistir na divergência quanto à cronologia, que se sustenta ser alta, contra Etienne et al. 1976, 136. O argumento aqui exposto é de molde a poder ser testado em condições de grande rigor, atendendo ao número possível de casos atestáveis em condições de grande segurança.

211 Correia et al. 2003, 311-313.

212 O mesmo fenómeno foi identificado para a actividade figulina, que parcialmente recobre a

realidade da cerâmica de construção, nomeadamente através de outras cerâmicas industriais, como os pesos de tear (Correia 2004c, 223-225). Este facto, aliás, obriga a levantar algumas questões de interpretação global dos fenómenos pós-deposicionais e propriamente técnico- científicos subjacentes á formação do corpus da evidência epigráfica disponível (loc. cit.).

200

Figura 96 – A distribuição geográfica da actividade dos produtores de materiais cerâmicos de construção documentados em Conimbriga, segundo Correia et al. 2003, mapa 1, p. 315. Identificação das marcas:  Maelo;  Allia Avita;  L. Allius Avitus;  Primus;  Duatius;  Fronto;  Res Publica Conimbrigensis.

Benzer Belgeler