6. SONUÇ VE ÖNERİLER
6.1. Öneriler
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que fazem parte de uma vida de hoje, que há quarenta anos não tinham, tentando, sempre que possível, manter a força fantástica da casa. Espaços muito generosos, poucas paredes e tal. Então, as primeiras providências que eu fiz, foi limpar aquelas gorduras, tirar aquelas paredes que tinham sido feitas ao longo do tempo, que não pertenciam à casa, as paredes internas, aquele apêndice que tinha sido feito de vidro, de caixilho de alumínio, que não pertencia ao original e que não adornou bem. Estava muito feio. Visivelmente feito… Chamaram um caixilheiro qual- quer pra fazer aquilo ali. Tiramos aquilo. E aí começou um pouco esse exercício de inserir essas coisinhas novas. Então, entrou uma nova raia. O Giba, ele joga, profissionalmente não vou dizer, mas joga pôquer, todas as 2as. e 5as. à noite, num esquema quase profissional, doze pessoas, uma mesona… Então a gente tinha que fazer esse espaço dessa salona de jogos. Tinha que mexer nesse anexo e fazer o que era a demanda dela, da Alessandra, de receber a família dela. E no fundo era trazer, fazer todo um traba- lho… Ah, sim! O jardinzão lá em cima, ele, por todos os relatos que eu peguei, nunca foi usado! Muito gozado, porque você tem os quatro quartos abrindo pra lá. E a vista é fantástica. Hoje em dia você vê toda a Vila Madalena. Muito legal você olhar lá de cima. E pelo que o Lemos contou, o próprio Giba que frequentou muito a casa, ninguém nunca usou. E sempre foi… Mas, isso é fantástico. Então, a gente logo colocou isso como uma coisa… Vamos fazer um jardim aqui, voltar a usar isto aqui.
E aí vão acontecendo algumas coisinhas que são de obra. Eu acompanhei bastante a obra. Não faço muito projeto, o escritório é muito pequenininho. Minha vida é basicamente padrão. Então, as poucas coisas que eu tenho, eu vou. Eu mergulhei nisso daí com o maior tesão, paixão. Acompanhei bastante. Ia lá duas vezes por semana, na obra. Acompanhei a obra do começo até o fim. Aí algumas coisinhas foram aparecendo também na obra.
Um dia, a gente andando lá nesse jardinzão – tivemos meta- de do dinheiro de obra foi para recuperar essa casa: recuperar o concreto, toda a parte hidráulica… Uma casa de 40 anos. Toda parte elétrica. Tiramos todo aquele volume de terra, para imper- meabilizar tudo, trocar todas as coisas. Pusemos captação de água nesse jardinzão para um pouco reusar essas águas. Então teve um trabalhão grande. Aí um dia, andando, estava em obra, eu e ele, ele ia bastante, o Giba, um apaixonado pela casa, vestiu a camisa, ia lá… (Depois, agora, virou um aficionado. Cheguei lá na casa, tinha comprado a coleção completa do Le Corbusier. “Pra mim é o pai de todos!”. Então, virou um apreciador.) Então, nesse dia, a Ale, que não ia muito, chegou meio de surpresa e eu a convidei pra subir lá no jardim, pra ver. E ela: “Nossa! Ficou legal! Mas, me fala uma coisa, Carlos. Será que não dá pra gente acessar este jardim superior sem ser pelos quartos, pela área privada? Será que não dá pra por uma escada, alguma rampa – ela falava assim – Uma rampa que contorne tudo e ligue o térreo, o jardim lá de fora?”. “Não. Não dá.” Mas, ela insistiu. “Não dá. Nunca fez parte. Vai ficar esquisito”. Mas eu fiquei com aquilo na cabe- ça. Ela me perguntou umas duas vezes. E aí, já na hora que eu estava indo embora, eu olhei aquilo lá assim e “Nossa! Tive uma ideia! A única coisa que, talvez, caiba aqui! Fazer uma escadinha Santos Dumont.”. Aí eles arregalaram o olho: “O que é isso?”. Eu disse: “Mais uma boa invenção que dizem… creditam ao Santos Dumont, além do avião e do relógio”. Aí expliquei: “Não é uma escada confortável. Pesada. Você tem que pensar pra subir, pensar pra descer. Mas, tem essa imensa vantagem que ocupa pouquís- simo espaço. Então, se você olhar agora como ficou, tem o corpo da casa, aí você tem o jardim da frente, tem a raia aqui, uma raia grande de 18 m, e aqui tem todo um deck de madeira. Eu disse: “Caberia direitinho aqui no deck”. Fiz uma conta ali. Chamei o Joaquim, que é o pedreiro, a gente puxou a trena junto, tal, tal, tal.
Eu disse: “Olha, acho que vai dar. Eu volto para o escritório agora, peço para a Fabi desenhar e tal e a gente vê isso aí”. E encaixou direitinho. E aí foi bem legal, porque agora eles usam sempre, as crianças usam, às vezes estão lá em cima. A gente botou um ombrelone. Aí tem uma área que ele fica ali, fica até a noite. Já fui lá… Eu frequento bastante a casa. Somos amigos. Às vezes a gen- te toma lá uma vinho à noite, as crianças sobem, descem… Ficou uma coisa legal. E era uma coisa que não tinha. Você só acessava o jardim de cima pelos quartos, que também abrem lá.
Então, foram umas coisinhas assim, que foram andando. Legal aparecer, porque eu acho que interferiu pouco na geometria, no desenho da casa, mas que trouxe uma coisa legal deles. Mesmo a Ale, que é uma pessoa resistente a usar a casa, você vê que hoje, esses ganhos aí, poder estar lá à noite, sentar, numa noite de verão, tomar um vinho com o marido, num jardim externo, são coisas que apareceram. Foram aparecendo em dois anos de obras, que a gente fez… Teve quase dois anos de obra, entre projeto e obra. Teve um momento lá, de uns oito meses, que eles pararam, por uma questão de fluxo de caixa, de dinheiro. Então, demorou dois anos.
Então, foram coisinhas legais, que eu acho… Que algumas coisas aconteceram e foram intervenções. Com relação ao aspecto mais de arquitetura, assim, tentei, sempre que possível, a gente fazer as poucas intervenções de hoje com uma cara nova, com uma materialidade nova. Então, tudo que entrou lá, ou seria de madeira ou de pedra, pra não concorrer… Pra deixar um pouco claro o que era de hoje, o que era antigo. Mesmo não sendo tombado, não sendo obrigado a fazer nada disso, mas achei que era de bom tom, um pouco de cuidado, de carinho com aquela arquitetura moderna, icônica aqui de São Paulo.
A pedra no meio do caminho: o cliente resistiu, resistiu… Então, no fim, acabou virando alvenaria com todo o revestimento, nas
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poucas paredes novas, de Fulget [revestimento]. Mas, pelo menos fica diferenciado do que são as alvenarias e o concreto originais. E a madeira. Fizemos, trouxemos lá da Amazônia, certificada. Fui escolher, tudo com a maior… Isso o Giba sempre me apoiou. Tudo que a gente queria, hoje, em termos de fazer uma coisa que ficasse um pouco de sustentabilidade… Com carinho… Foram coisas legais que foram acontecendo. Então a gente colocou – que era uma demanda deles, o que seria inevitável para um casal com essas posses – tudo ar condicionado. Então eu abri um dia, eu e o engenheiro fizemos uma simulação, mostramos pra ele o colchão de amortecimento que ele teria entre a laje, mais 55 cm de terra, pra mostrar pra ele que a gente poderia lá em baixo não ter ar condicionado. Fizemos algumas simulações. Coloquei todos os painéis de aquecimento solar lá em cima. Usamos essa água pra captar, assim como também consegui convencer a gastar um pouquinho mais e comprar madeira certificada. Então foram coi- sinhas interessantes, legais que foram aparecendo e eu ia sempre fazendo “meio aulinhas” com eles. Levava o laptop no aparta- mento deles à noite, tomando um vinho. Eles iam gostando. Virou um apaixonado. Ia contando as histórias da casa, de arquitetura, e a gente foi conseguindo…
[APOENA AMARAL] Pedagógico…
[CL] É. Foi bem pedagógico. Mas foi super prazeroso. Eles rece-
biam bem. Vinho, jantar. E eu fazia minhas aulinhas. Sou profes- sor… Então, a gente foi montando esse quebra-cabeça. Aí tivemos o jantar com o Lemos, que foi bem legal, quando acabou. Aí aconteceu uma coisa gozada, porque estava acabando a obra e, um dia, tocou lá a campainha a Lívia [Pedreira], que é editora da revista “Arquitetura & Construção”. E passou lá na frente, disse que tinha acompanhado a obra toda. Aí entrou. Eu nem estava
lá. O Engenheiro deixou entrar. E aí ela já queria publicar a casa. Não estava nem pronta ainda. E já tinha gente lá. E daí o Giba falou: “Carlos, vamos fazer logo o jantar para o Carlos Lemos, antes de o pessoal começar a falar desta casa…”. Então, uma das primeiras coisas que a gente fez, um dos primeiros jantares deles lá na casa foi pra receber o arquiteto original da casa, o Lemos. E aí foi bem legal. Ele jantou lá com a gente. Fizemos um tour pela casa. Ele já está, eu acho, com mais de 80. Está bem lúcido. Ele contou um monte de história da casa, do Magalhães, do pro- prietário, das outras casas que ele fez lá pra família. Contou que ele e o [Eduardo] Corona, na verdade, nunca tinham trabalhado juntos. O Magalhães Gouveia pediu pra ele, Lemos, por causa de um relacionamento pessoal com ele, fazer um estudo para aquela casa. E, paralelamente a isso, procurou [o Eduardo Corona], por- que também tinha relacionamento com o Magalhães Gouveia, independentemente, não tinha nenhum contato com o Lemos. E o Magalhães Gouveia… Segundo o Lemos, era meio notívago, não cumpria prazo, ficou demorando, demorando, demorando… O Le- mos entregou o dele. Aí o Magalhães Gouveia, disse: “Puxa! Muito bom! É isso mesmo! Mas, olha… Não dá pra vocês tentarem trabalhar juntos aí? Se não vai ficar uma coisa meio chata, eu pedi pra ele também…”. E, segundo as histórias do Lemos, o projeto foi meio assim. Ambos assinaram e, segundo ele, o projeto é dele. Essa é a historinha que ele contou. Contou lá pra gente nesse dia. Diz ele que fez várias outras casas pro Magalhães Gouveia, pra construtora dele, pra família dele. A Adriana foi no jantar também. Eu vi ali. Eles foram bem próximos. Bem próximo da família. E foi super legal. Rever o Lemos acho que depois de doze anos que eu não via. Gostou da casa. Elogiou. Disse que tinha ficado melhor do que antes. É um gentleman. Super generoso. Enfim, pra mim foi legal porque, primeiro, eles estão lá, estão gostando da casa; segundo, que sempre dá um medinho a gente mexer na casa de
um mestre. E, principalmente pra mim, que não faço muitos pro- jetos. Faço apenas alguns poucos aí. Uns dois por ano. E esse aí foi um projetão grande. Teve muita visibilidade, foi publicado. O Lemos foi lá e gostou. Então foi bem legal ter esse retorno dele. Esse carinho. Andou lá comigo pela casa. Gostou. Depois a Lívia, da revista, fez um… Ela também apaixonou pela casa. Publicaram. Saiu na capa da revista. Depois fizeram um outro livro, que eles publicam sempre, de casonas, de casas de sonho. Você já viu um? Te mostro. Está ali. Eles publicam as maiores, por ano, casonas. E aí eles fazem uma premiação, todo ano, lá… Esse ano foi no Memorial da América Latina. Na premiação anual da revista… Aí fizeram. Me ligou pra fazer também… Encerrar a noite, fazer um depoimento pro Lemos. Enfim, a casa acabou sendo super exposta, publicizada. Eles não gostam muito, o Giba, a Ale, princi- palmente ela. Mas, faz parte. Compraram uma casa que… Bom, ele sempre frequentou, sabia disso… Que tinha aí uma coisa bem especial. Acho que é isso! Que eu me lembre… Das histórias…
[AA] Você estava falando lá, do concreto. Estava, em geral, em
bom estado?
[CL] O concreto estava. Estava. Nenhum problema de ferragem, de
nada. Foi só 40 anos de uso. Então, a gente lixou tudo. Bastante coisa. Aquelas duas empenonas. As duas faces delas. Laje toda. Bastante coisa. Basicamente foi só lixar quase tudo. Uma ou outra coisinha ali que a gente… Gerente de obra, também, um cara excelente, Eduardo Taunay. Se você quiser conversar um dia com ele, um cara muito legal. O irmão dele está fazendo o atual projeto do Santa Cruz, acho que pelo Una. Fazendo a obra. Um cara bem legal, eu não o conhecia, foi o Giba que me indicou, amigo dele. Eduardo Taunay. Eu te dou o telefone, se você quiser. Foi ele que fez a obra inteirinha. Teve essa paradinha no meio, depois voltou.
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Um cara bem cuidadoso. Bem legal. Tudo que tinha ali ele ligava. A gente foi indo sempre junto. Foi bem legal também.
[AA] Você fez o projeto todo antes e depois foi pra obra ou foi
feito meio em conjunto?
[CL] Não, não. Fiz o projeto inteiro, executivo. Aprovou. Aí a gente
começou. E, durante a obra, acho que de mudança… Que eu me lembre… É. Essa edícula lá atrás, esse corpo lá atrás, talvez tivesse sido uma decisão que talvez tenha tido uma mudança, pra ficar como ficou, do jeito que ficou hoje. Talvez tenha sido na obra. Mas, fora isso… E essa coisa da escadinha Santos Dumont, que liga lá em cima. Fora isso acho que não. Fizemos o projeto executivo completo. Nessa época a Fabiana já estava… Foi ela que fez, acho, todo o executivo. Acho que foi tudo, enfim, como manda o figurino. Tudo direitinho. Pagou tudo direitinho. Nós fizemos tudo direitinho. Não teve grandes dramas.
Teve um surtão, na época. Ele parou lá, o Giba. Um domingo lá, surtou. Ele era ansioso. Cliente ansioso. Acompanha bem tudo. Todo dia ia lá. Não lembro se ele não estava super ocupado… Ele é vice-presidente de uma empresa de importação-exportação. Viaja muito. Mas, o cara ia lá direto na obra. Então, teve um do- mingo que ele mandou todo mundo embora. Surtou, assim. “Meu dinheiro está acabando. Esses caras… Tá demorando muito…!”. Deu um surtão lá. E falou que ia fazer tudo sozinho, sem enge- nheiro. Nossa! Ficou louco! “Carlos!”. Me ligou. Num domingo! “Mandei o Taunay embora. Mandei todo mundo embora. Essa coi- sa não anda!…”. Deu os cinco minutos. A mulher dele me ligou chorando. “Carlos! O Giba ficou louco!”. “É. Ficou. Ficou porque tem, no mínimo, uns oito meses de obra pela frente. O Giba não vai fazer isso sozinho. Ninguém faria!”. Mas, aí deu seis meses lá… Se eu já ia, passei a ir mais lá. Respira fundo…
[AA] É duro, porque se você não teve nunca contato com obra
desse porte, você assusta. A gente está treinado, de certa maneira, para respirar fundo e saber que uma hora acaba. Agora, o cliente, ele olha e fala: “Não vai acabar! Não vai dar certo!”.
[CL] O cara vai vendo o dinheiro sair. E tem uma hora ali… Dá
pra entender!
[AA] Aquela hora que nada aparece e já gastou muito.
[CL] E uma casa dessas. Uma reformona. O cara botou metade
do dinheiro em coisas que não vê. Aquilo que é infra-estruturai na casa. Aí o cara não vê. O cara vai ficando maluco. Ele quer ver o piso novo. Ele quer ver o novo! E não o velho recuperado. Aí demora. O concreto demora pra lixar. Aí uma coisa amarra a outra… Tudo atrasa… O tempo passando e o dinheiro do cara indo… Aí ele surta!
Mas, tinha um pedreiro fantástico, o Joaquim. Um cara maravilho- so, esse menino! Trinta e poucos anos. Super preciosista. Fantásti- co! Ele ficou nesses seis meses. Único cara que o Giba deixou lá. “O Joaquim assume”. “Ah, sei. Você vai transformar o Joaquim em engenheiro de obra.”. “É, é! Vou aumentar um pouco o salário dele. Você passa a ir lá três vezes por semana e a minha secretária vai fazer todas as compras. Vamos economizar. Vamos tirar o Tau- nay. Estou cancelando minhas viagens nos próximos seis meses”. Ele queria ir até o fim assim. Passaram-se seis meses e ele ligou pro Taunay: “Vamos voltar”.
[AA] Seis meses durou mais… Com essa etapa, ficou mais lenta…
[CL] É! Esses seis meses ficou devagar. Imagina! A coitada da
secretária do cara, nunca tinha comprado… Enfim, ele viu a di-
ferença que é ter um engenheiro de obra. Isso no dia que ele me ligou, eu falei: “Olha, estou fora! Eu sei o que é, cara! Já fiz. Estou fora. Não vai dar certo! Você vai quebrar a cara!”. “Ah, não! Vamos tentar!”. Aí faz parte…
[AA] Parece que é pouca coisa, quando você vê lá pronto. E nesse
processo, logo quando você começou… Porque é interessante o que você disse: uma casa que é ícone, referência…
[Interrupção]
[CL] Isso daí foi bem legal. No dia em que eu entrei lá – Acho que
não tem uma foto aqui. Mas, no PowerPoint que eu te mandei tinha, no pdf? – ele estava, aqui neste cantinho, com umas oito peças prestes a cair, mas por sorte estava tudo lá, integral. Aí, no dia seguinte, eu fui lá com a estagiária e a gente meteu umas fitonas, só pra segurar. Aí eu falei pro Giba: “Nossa, cara! Isso daqui eu não sei de quem é, mas isto daqui é super importante! Temos que recuperar”. Aí eu chamei uma menina da FAU [FAU- USP, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo], não sei se você conhece, Fernanda Craveiro Cunha. Ela fez FAU e deve estar formada há uns oito anos, talvez. E ela sempre trabalhou, sempre gostou de restauro, patrimônio. Ela fez algum curso, não sei se na Itália, em Veneza, em uma dessas escolas boas de restauro e patrimônio. E começou a trabalhar um pouco com isso. Ela tinha trabalhado com o Piratininga. Até foi a Fabi que me indicou. “Olha, chama a Fernanda. Legal que ela é arquiteta”. Aí eu chamei a Fernanda e a Fernanda fez toda a recuperação. Foi bem legal. Mapeou tudo. Como manda o figurino. Peça por peça.
[AA] Soltou tudo?
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[CL] Não. Algumas peças. Mas aí fizeram todo trabalho direitinho,
de mapear tudo, de catalogar tudo isso. Deu pra mim e pro Giba um livrão. Contou toda a história do Lula Ayres. A Casa Conrado. A história do cara… O livro está lá, na casa do Giba, guardado. Esse aí foi feito especialmente. Aí o Lemos, quando foi lá, contou do Lula, que era amigo dele. Na verdade, mais amigo do dono, do proprietário, Magalhães Gouveia. E aí a gente recuperou tudo isso e, por sorte, nesses anos todos, não tinha perdido nenhuma peça. E agora está tudo lá, marcadinho, peça por peça. Mapeado, catalogado. Se precisar, algum dia, recuperar, a Fernanda hoje… Eu tenho também, material aí. Tudo guardado. Então isso foi bem legal. Ficou bonitão. Ficou lindo. Você vai ver lá. Aí a gente botou esse trilho aqui. Aí a noite ele fica iluminado. Fica bem legal. Hoje eles têm uma mesona aqui, de comer aí fora. Ficou bem legal esse espação aí. Ele tem uma presença legal, esse painel nesse volume de concreto.
[AA] E nesse processo, logo quando você começou a fazer o pro-
jeto, alguma… Porque a referência de intervenção na arquitetura moderna é um tanto escassa… Você partiu um pouco dessas re- ferências básicas, Carta de Veneza, legibilidade?
[CL] É… Na verdade, assim: eu sempre soube que tinha pouca
coisa a fazer aí. Não teria nenhuma grande intervenção na casa. Então, na verdade, foi meio assim o básico. Um pouco, assim, tentar o que eu podia recuperar do original da casa. E, depois, deixar um pouco marcado, separado, em termos de lin- guagem e de estética, do que era a intervenção de hoje. Então, se você for ver, em termos de construção nova, de alteração, é pouca coisa. Eu diria que a única coisa que eu não consegui fazer concessão – sempre há… O cliente… – são as cores desses painéis lá em cima, que eu queria colocar exatamente
como era. E um dia ele chegou lá, pintou e falou assim: “Não fala nada. Você não vai concordar, mas está feito”. Eu disse: “Está bom”.
[AA] Também está lá… Se quiser raspar um dia…
[CL] Está lá. Está fotografado. A Fernanda também tirou as
amostras.
[AA] Ah! Ela fez a prospecção da casa toda, não só do painel?
[CL] Fez. Fez. Foi bem legal. Isso está documentado.
[AA] Estava vendo o corte e estava com uma dúvida. Porque tem
este corpo aqui – aquele corte que você mandou, da planta mes- mo. Aí esta sala, ela já se pronunciava originalmente?
[CL] Aí a gente tem uma parede. Esta parede vinha até aqui. Não
foi executada. Nunca foi executada, mas estava no projeto original dele, do Lemos. O Lemos também não lembrava. Quando entrei na casa, estava morrendo aqui. E no projeto original, essa parede vinha até aqui. Então, na verdade, eu quis resgatar. Uma coisinha que foi, olhando o projeto original e um pouco pela demanda