6. BULDAN KENTSEL KÜLTÜR VARLIKLARININ
6.3 Öneriler
Na liturgia as pessoas experimentam holisticamente a relação com o sagrado e seus símbolos. O símbolo seria, pois, o elemento constituinte nuclear de qualquer processo religioso, já que aponta para concretização desta comunhão ou união de duas partes. Se nos detemos na etimologia original, em grego ―Symballein, ou seja, lançar conjuntamente ou ao mesmo tempo‖.
Francisco Garcia Bazan ilustra o nascimento de símbolo dizendo: ‖Em Homero, Symbola é uma cidade entre a Lacônia e o território de Tegeu. recebe esse nome por que no lugar se reúnem vários cursos de água. Pausanias, em seu itinerário da Grécia VIII, 54, utiliza symbola para designar a ―reunião das águas‖ o lugar em que se laçam ao mesmo tempo e ―correm unidas‖. (BAZAN, 2002, p.17)
Bazan diz ser uma questão de compor o que estava dividido:
No mundo antigo o symbolon era um objeto, de madeira, barro, ou metal quebrado em duas partes, precisava ser composto. Uma pequena imagem, um anel, um dado que carecia de se compor, uma vez dividido, para re-obter seu sentido e definição e servir como sinal de reconhecimento. Amigos pessoais ou sócios de negócio, credores e devedores, peregrinos ou também outras pessoas que estavam em outras relações entre si quebravam, ao se despedir, o símbolo e podiam mais tarde reconhecer-se ou reconhecer seus enviados em qualquer época pelo sinal que se podia compor entre si, adaptando- se inteiramente às duas partes. (BAZAN, 2002, p.17-19)
Por isso, a palavra recebeu a significação de pacto, aliança; sendo incluída na vida religiosa do povo antigo, na vida contemporânea como na linguagem eclesiástica, nas celebrações litúrgicas, indicando, a comunidade de confissão, o Credo, expressões da experiência religiosa, na formação da teologia, nos uso dos utensílios, imagens e gestos em que se expressa á fé. (cf. BAZAN, 2002, p.17)
Conforme Adriani, o símbolo toca a alma é o que dá sentido a ser humano diante e nas relações com os seres, com a natureza, com a espiritualidade e nos conflitos da vida, para ele tudo está interligado como um conjunto vivo, assim todo símbolo toca a alma: (ADRIANI, 1999)
O mundo antigo era constituído por um todo, um conjunto vivo, de que as inúmeras realidades singulares – coisas, situações, eventos e, também os homens – são precisamente participantes, e são congregados numa consciência solidária com animação e movimento <<Todo mundo é alma>> (no sentido grego da palavra, <<alma>> = <<hábito>>, <<sopro de vida>>, mobilidade e fluidez). Não há distinção entre coisas <<animadas>>, já que, precisamente, tudo é alma, que qualquer entidade é dotada de uma força individual própria: O vento que sopra a nuvem que corre o céu, a folha que oscila; as ervas e as plantas, isoladas ou reunidas na vegetação escura da floresta; a água que cai do grande mar celeste, que corre nos regatos da terra ou jorra das fontes; o fogo agitado, sempre o mesmo, mas nunca igual a si próprio; o fulgor do raio e o ribombar do trovão, a corrida do anima na luta ou na fuga; e o contínuo fervilhar da instável onda do mar. (ADRIANI, 1999)
Segundo Mircea Eliade, a descoberta mais importante feita acerca dos símbolos diz respeito à impossibilidade de uma realização completa ddo ser humano em sua existência, pois é devido a essa insatisfação que o humanidade perde-se em sua historicidade para se reencontrar com sua linguagem interior. (1991, p. 09.)
Para Rúbem Alves ―símbolos assemelham-se a horizontes (...). Quanto mais deles nos aproximamos, mais fogem de nós...‖ (cf. 1993, p. 14-23).
Na definição de Ostrowiski, símbolo assume um meio concreto da experiência religiosa que acontece na liturgia como:
Os símbolos são um meio concreto de viabilização dessa experiência que envolve o ser humano como um todo. Símbolo é um ―sinal sensível que evoca e torna presente uma realidade invisível‖. ―Os símbolos têm a capacidade de manifestar o mistério de Deus e de relacionar as pessoas com ele‖. Os símbolos, conforme relatam as pessoas, são uma forma de proximidade com o sagrado. Os símbolos também despertam afetos e sentimentos de pertença e de participação no corpo de Cristo. (OSTROWSKI, 2003, p.11-17)
A palavra símbolo (symbolon), formada a partir do verbo grego symballo, designa algo que, por trás do sentido objetivo e visível, oculta um sentido invisível e mais profundo. Segundo Jacobi ―o simbolismo transforma o fenômeno em idéia, a idéia em imagem, de tal modo que a idéia permanece sempre infinitamente ativa e inatingível na imagem e, mesmo expressa em todas as línguas, permaneceria indizível‖. (JACOBI, 1995, p.75)
Segundo Carl G. Jung (1998, v.18/1.) o símbolo não é abstrato nem concreto, nem racional nem irracional, nem real nem irreal, mas ambos. Para Jung (2002) o símbolo surge do fundo do inconsciente humano provindo dos arquétipos ou imagens primárias situadas no inconsciente coletivo.
Ione Buyst em símbolos da liturgia ressalta a importância do conhecimento do significado do símbolo para que suas ações funcionem nas pessoas: ―Os símbolos e as ações simbólicas são uma forma de abranger a pessoa como um todo, na celebração. Os símbolos são um meio concreto de tornar visível algo invisível. Símbolos e ações simbólicas só funcionam em um culto quando a comunidade conhece seu significado‖. (BUYST, 1998, cap V)
O símbolo faz uma ―ligação concreta‖ com o dia-a-dia no sentido de ―se tornar uma ação possível‖ν isto não quer dizer que ele possa ser explicado a partir de ―termos concretos‖, isto é, o símbolo não pode ser explicado por uma definição limitada e generalizante. A história conta a respeito de uma aventura bem sucedida de um herói que demonstra como os mitos e símbolos surgiram para explicar os rituais e as crenças da sociedade. Como afirma Campbell em um ritual liturgico:
Os pés negros das planícies da América do Norte, contavam a história de Scarface (rosto com cicatriz), um jovem caçador ferido no rosto quando era pequeno. Apaixonado por uma donzela que a Pessoa do Alto, o Sol, reivindicara para si. Scarface saiu a viajar por amor a ela, esperando encontrar o grande poder e obter a autorização para se casar. Pediu auxílio a pessoas e animais, que não puderam ajudá-lo, até que dois cisnes o transportaram através das águas profundas, cheias de monstros. Na outra margem, Scarface conheceu um jovem chamado Early Riser (madrugador), a estrela da manhã, que hoje identificamos como o planeta Vênus, que lhe disse que sua mãe era a Lua e seu pai o Sol. Scarface conquistou o afeto da família celeste e viveu com ela durante muito tempo. Finalmente, foi autorizado a se casar. Na despedida, o Sol, ensinou-lhe a construir e utilizar uma tenda de curandeiro. Para demonstrar o poder da maia, demoveu a cicatriz do rosto do jovem índio (história que simboliza a saúde e a fertilidade que essa prática traria para todo o povo). De volta à casa, Scarface construiu e cuidou da tenda de curandeiro, local de culto religioso e de cura espiritual. Quando estava dentro da tenda, usava sempre duas penas de corvo que lhe tinham sido ofertadas pelo Sol. Ao envelhecer, entregou as penas e o seu poder a um novo guardião da tenda de curandeiro. O mito explicava a origem da prática religiosa dos pés negros, centrada na tenda de curandeiro e em seus rituais e garantia-lhes uma ligação com as grandes forças incontroláveis. ―O Sol e a Lua, os seres mais importantes do céu. (CAMPBELL, 2003, p. 232)
O teólogo Paul Tillich chegou à conclusão de que ―a linguagem da fé é o símbolo‖, ao afirmar: ―A fé, como a condição em que se está tomado por aquilo que nos toca incondicionalmente, não conhece outra linguagem a não ser a do símbolo‖. (cf. TILLICH, 2000, p. 16-17)
Tillich afirma que as pessoas só conseguem compreender e expressar a sua fé, a sua religiosidade, num sentido bem amplo, quando utiliza do visível para falar do invisível, do presente para falar do ausente, do humano para falar do divino, do imanente para falar do transcendente.
Para Rúbem Alves o estudo sobre os símbolos faz o individuo descobrir o valor cognitivo das estruturas do pensamento simbólico, uma mensagem no espelho de si mesmo e para si mesmo do inexplicável ou acontecimento do seu cotidiano:
Os símbolos não eram apenas figuras ou imagens sem sentido de um inconsciente perturbado, mas sim uma expressão daquilo que não poderia ser explicado pela linguagem falada ou escrita, isso quer dizer que os símbolos passaram a ser entendidos como estruturas usadas para demonstrar ou explicar fenômenos ou ações que não têm uma ligação concreta com o dia-a-dia. O símbolo entra em ação justamente quando a realização de um ato não se torna possível, por isso, ele se torna, de certa maneira uma ―testemunha das coisas ausentes, saudades das coisas que ainda não nasceram.‖ (ALVES, 1984, p. 22)
O que toca o ser humano incondicionalmente precisa ser expresso por meio de símbolos, pois, somente uma linguagem simbólica consegue expressar o incondicional. (cf, TILLICH, 1974, p. 30)
No vídeo ―Os símbolos‖, Rúbem Alves (1984, p. 22) afirma:
[...] eles têm a capacidade de costurar as nossas experiências;
[...] através do símbolo eu sou capaz de recuperar uma coisa que perdi;
[...] é uma imagem que mora dentro das coisas; no trigal da raposa morava um símbolo querido que era o pequeno príncipe;
[...] o Sacramento é um sinal presente de uma felicidade ausente.
Elementos que promovem a participação integral das pessoas também estão contidos em vários tipos de símbolos.
As hierofanias29 são as que revelam a modalidade do sagrado expresso na realidade da vida cotidiana incorporando a sacralidade ao mundo. Para tanto, usaremos um modelo observado por Eliade:
As hierofanias vegetais (isto é revelado através da vegetação) encontram-se tanto nos símbolos (a árvore cósmica) ou nos mitos metafísicos (a árvore da vida) como nos ritos ―populares‖ (o cortejo das árvores de maio, as fogueiras, os ritos agrários), nas crenças ligadas à idéia de uma origem vegetal da humanidade, nas relações míticas existentes entre certas árvores e certos indivíduos ou sociedades humanas, nas superstições à fecundação pelos frutos ou pelas florestas, etc. (cf. ELIADE, 1991, p. 08-15)
O que acontece na celebração, onde se apresentam objetos do dia a dia que expressam uma realidade espiritual, numa expressão litúrgica nos diz que todas as coisas, nas relações e nos acontecimentos sempre se apresentam ao ser humano como símbolo de si mesmo e do ―totalmente outro‖, do sagrado. (cf. ELIADE, 1991, p. 08-15) Os elementos simbólicos litúrgicos ligados à natureza eram comuns nas celebrações judaico-cristãs, para os rituais do calendário, evidenciando as obras da Criação, ações de graças pela colheita e as maravilhas feitas nas obras do Criador.