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2.11. Öfkenin Boyutları ve İfade Etme Biçimleri

2.11.3. Öfkenin Davranış ve Tepki Boyutu

encontradas na escola. É preciso criar condições de participação, para isso, os educadores devem ter uma consciência crítica da realidade social e buscar como objetivo a transformação. Na prática isso envolve “desde o desenvolvimento de um clima amistoso e propício à prática de relações humanas cordiais e solidárias no interior da escola, até a luta pelos direitos humanos de toda ordem no nível da sociedade global, desde as reivindicações por aumento do salário de professores e funcionários e por melhoria de suas condições de trabalho na escola [...]” (p. 166).

Assim, na década de 1980, o pensamento em gestão escolar refletiu o movimento social de luta pela democratização do país, promovendo a politização da administração da escola na perspectiva da gestão democrática que foi, assim como o direito à educação infantil, promulgada na Carta Magna de 1988, como princípio para a administração das instituições escolares públicas brasileiras (CF, 1988, art. 206).

Um novo contexto marcou a administração pública na década de 1990. As crises econômica e estrutural do Estado brasileiro foram as justificativas para o lançamento do “Plano Diretor de Reforma do Aparelho do Estado” (1995) pelo governo federal, que reformulou a administração das instituições públicas do país.

O Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado, publicado em 1995, foi elaborado pela Câmara da Reforma do Estado, presidida por Luiz Carlos Bresser Pereira14, ministro da Administração Federal e Reforma do Estado, e composta por Clovis Carvalho, ministro da Casa Civil, Paulo Paiva, ministro do Trabalho, Pedro Malan, ministro da Fazenda, José Serra, ministro do Planejamento e Orçamento e pelo Gen. Benedito Onofre Bezerra Leonel, ministro Chefe do Estado Maior das Forças Armadas.

Esse documento, como justificativa para suas propostas, responsabilizou a administração pública burocrática hierarquizada pela ineficiência do Estado brasileiro em

14 Luiz Carlos Bresser Pereira nasceu em São Paulo em 1934, cursou a Faculdade de Direito da Universidade de

São Paulo, é mestre em administração de empresas pela Michigan State University, doutor e livre docente em economia pela Universidade de São Paulo, é professor emérito da Fundação Getúlio Vargas. Foi diretor administrativo do grupo Pão de Açúcar (1965-1983), secretário do governo de São Paulo (1985-1987), ministro da Administração Federal e da Reforma do Estado (1995-1998) e presidente do CNPq (1999). Atualmente, é editor chefe da Revista de Economia Política e escreve semanalmente uma coluna para o jornal Folha de São Paulo. A maior parte de seus textos está disponível no site: www.bresserpereira.org.br.

atender as demandas da sociedade civil e, então, apresentou um novo modelo de administração pública:

É preciso, agora, dar um salto adiante, no sentido de uma administração pública que chamaria de “gerencial”, baseada em conceitos atuais de administração e eficiência, voltada para o controle dos resultados e descentralizada para poder chegar ao cidadão, que, numa sociedade democrática, é quem dá legitimidade às instituições e que, portanto, se torna “cliente privilegiado” dos serviços prestados pelo Estado.

É preciso reorganizar as estruturas da administração com ênfase na qualidade e na produtividade do serviço público; na verdadeira profissionalização do servidor, que passaria a receber salários mais justos para todas as funções. Esta reorganização da máquina estatal tem sido adotada com êxito em muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento (BRASIL, 1995, p. 7).

Nesse novo padrão da administração pública houve uma redefinição do papel do Estado, que deixou de ser o promotor do desenvolvimento econômico e social para assumir as funções de regulador, coordenador e avaliador da modernização no país. Isso significou a transferência para o setor privado das atividades do Estado que poderiam ser controladas pelo mercado e a responsabilização da sociedade civil pela oferta dos direitos, agora nomeados de “serviços sociais”.

Para isso, o Plano de Reforma propôs a criação de um novo tipo de instituição pública, a não-estatal, caracterizada pelo hibridismo do pensamento político desse momento histórico. As instituições públicas não-estatais seriam aquelas geridas pela sociedade civil organizada e subsidiadas pelo Estado. Enquadravam-se nesse tipo de instituição “os serviços de educação, saúde, cultura e pesquisa científica.” (Ibid., p. 13). Assim, os objetivos que foram impostos a esses serviços então caracterizados como “não- exclusivos” ao Estado foram:

• Transferir para o setor público não-estatal estes serviços, através de um programa de “publicização”, transformando as atuais fundações públicas em organizações sociais, ou seja, em entidades de direito privado, sem fins lucrativos, que tenham autorização específica do poder legislativo para celebrar contrato de gestão com o poder executivo e assim ter direito a dotação orçamentária.

• Lograr, assim, uma maior autonomia e uma consequente maior responsabilidade para os dirigentes desses serviços.

• Lograr adicionalmente um controle social direto desses serviços por parte da sociedade através dos seus conselhos de administração. Mais amplamente, fortalecer práticas de adoção de mecanismos que privilegiem a participação da sociedade tanto na formulação quanto na avaliação do desempenho da organização social, viabilizando o controle social.

• Lograr, finalmente, uma maior parceria entre o Estado, que continuará a financiar a instituição, a própria organização social, e a sociedade a que serve e

que deverá também participar minoritariamente de seu financiamento via compra de serviços e doações.

• Aumentar, assim, a eficiência e a qualidade dos serviços, atendendo melhor o cidadão-cliente a um custo menor (Ibid., p. 46-7).

Observou-se, com tudo isso, a real intenção política de desresponsabilizar o Estado pela oferta dos direitos sociais promulgados na Constituição de 1988. O cidadão foi transformado em cliente que, se quisesse ter seus direitos assegurados, deveria exigi-los através da participação na gestão e no custeio da manutenção dos “serviços sociais”. Além disso, o funcionário público tornou-se um profissional, o que significou, com a publicização, a perda da estabilidade funcional, a redução de salários e a precarização das condições de trabalho, através da intensificação das tarefas de controle, em condições materiais precárias e culpabilização pelo fracasso nos resultados da organização.

Uma característica importante da nova administração pública, proposta pelo Plano de Reforma do Estado, foi o emprego dos princípios da administração empresarial no setor público. Esse conceito foi definido no texto da Reforma da seguinte maneira:

Na administração pública gerencial a estratégia volta-se (1) para a definição precisa dos objetivos que o administrador público deverá atingir em sua unidade, (2) para a garantia de autonomia do administrador na gestão dos recursos humanos, materiais e financeiros que lhe forem colocados à disposição para que possa atingir os objetivos contratados, e (3) para o controle ou cobrança a posteriori dos resultados. Adicionalmente, pratica-se a competição administrada no interior do próprio Estado, quando há a possibilidade de estabelecer concorrência entre unidades internas. No plano da estrutura organizacional, a descentralização e a redução dos níveis hierárquicos tornam-se essenciais. Em suma, afirma-se que a administração pública deve ser permeável à maior participação dos agentes privados e/ou das organizações da sociedade civil e deslocar a ênfase dos procedimentos (meios) para os resultados (fins) (Ibid., p. 16).

Nesse contexto, a reflexão sobre a gestão da escola pública caracterizou-se pelo embate entre o uso das lógicas democrática e empresarial, para a promoção do direito à educação no país. Duas obras destacaram-se, nesse período, por relatar a experiência de educadores à frente de secretarias da educação no país. Paulo Freire, em “A Educação na Cidade” (1991)15, apresentou sua experiência como Secretário da Educação do município de São Paulo, de 1988 a 1990, na gestão de Luiza Erundina, do Partido dos Trabalhadores (PT). E, também, Guiomar Namo de Mello, no livro “Cidadania e competitividade: desafios

15 A edição utilizada neste trabalho de “A educação na cidade”, de Paulo Freire, foi a publicada em 2006 (7.

educacionais do terceiro milênio” (1993)16, que retratou o padrão de gestão que implantou como Secretária da Educação do município de São Paulo (1982 – 1985), como Deputada Estadual de São Paulo (1986 – 1990) e consultora do Banco Mundial na região nordeste do Brasil e no estado de Minas Gerais (1990-1991) (MACHADO, 2007).

Paulo Freire (Ibid.) mostrou que seu sonho era mudar a cara da escola e, para isso, seria preciso lutar contra o elitismo autoritário, através da gestão democrática. Desse modo, os objetivos da reorganização política e administrativa que propôs foram: garantir o acesso e permanência dos setores populares no sistema de ensino, democratizar o poder pedagógico, melhorar a qualidade da educação e eliminar o analfabetismo.

Na prática, Paulo Freire buscou investir na reforma dos prédios escolares, que estavam em péssimas condições quando assumiu, implantou os Conselhos Escolares, promoveu um aumento salarial para os professores de mais de 300%, investiu na formação continuada de professores, estimulou uma reforma curricular (interdisciplinaridade) com a participação popular, implementou os Projetos Políticos Pedagógicos com a participação de toda comunidade escolar (Sindicatos, Grêmios Estudantis, Associação de Pais e Mestres) e defendeu a avaliação formativa através da dialogicidade. Sua política administrativa priorizou os princípios da descentralização, autonomia da escola e participação da comunidade escolar. Sua perspectiva sobre o trabalho do educador era:

Para o educador progressista coerente, o necessário ensino dos conteúdos estará sempre associado a uma “leitura crítica” da realidade. Ensina-se a pensar certo através do ensino dos conteúdos. Nem o ensino dos conteúdos em si, ou quase em si, como se o contexto escolar em que são tratados pudesse ser reduzido a um espaço neutro em que os conflitos sociais não se manifestassem, nem o exercício do “pensar certo” desligado do ensino dos conteúdos (FREIRE, 2006, p. 29).

Em uma perspectiva contrária a de Paulo Freire, Guiomar Namo de Mello defendeu que o padrão de gestão burocrático das escolas públicas não atendia mais as demandas da sociedade global, que exigia a formação de indivíduos cada vez mais competitivos para enfrentar os problemas da modernidade.

O novo padrão de gerenciamento da educação assumido pelo Brasil em compromisso assinado na Conferência Mundial de Educação para Todos (1990), promovida pela CEPAL e Unesco, teve a finalidade de priorizar as Necessidades Básicas de Aprendizagem Sociais

16 A edição utilizada neste trabalho de “Cidadania e competitividade: desafios educacionais do terceiro

(NEBAS), isto é, oferecer através da escola instrumentos aos cidadãos para participarem do desenvolvimento social do país e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida.

Para concretizar essa política, Mello (1997) propôs dez políticas educacionais para o país: