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BÖLÜM 2: E-TİCARET

2.12. E-Ticarette Karşılaşılan Sorunlar

2.12.3. Ödemelerde Çıkan Sorunlar ve Ödeme Araçları

Tratou-se de um desafio metodológico exercer ao mesmo tempo o papel de psicóloga contratada pela instituição e de pesquisadora, pois a intersecção da rotina profissional e da prática de pesquisa implicava em certa convivência cotidiana com os alunos e suas cuidadoras, em momentos além dos reservados para as intervenções formais. O esforço para manter uma postura maleável ao acontecer espontâneo, sem abrir mão do olhar e o raciocínio psicológico, inspirou-se nas correlações naturais entre a prática terapêutica e a construção da pesquisa científica, apresentadas por Bohoslavsky (1996), autor argentino, de orientação psicanalítica, estudioso das questões vocacionais e profissionais.

Embora a manipulação de uma estratégia clínica guarde, em parte, relação com o “estilo” pessoal do psicólogo e tem, por isso um caráter artesanal, é fundamentalmente uma atividade científica, pois se baseia em certas hipóteses ou predições a serem verificadas, restringindo-se ao imperativo do “controle”, que caracteriza o método científico. Além disso, a estratégia é uma

observação e uma atuação autoconscientes sobre a condição humana. (...) Por exemplo, o

psicólogo considera que seu papel de observador modifica, mesmo por sua simples presença, o campo de observação. Portanto, é um observador participante e consciente dessa participação no fenômeno sob sua observação. Portanto, ao observar uma situação, está observando-se a si próprio e ao vínculo que estabeleceu com a mesma, quer dizer, molda um novo campo, do qual, uma vez que toma parte, se distancia, efetuando o que se convencionou chamar “dissociação instrumental”: é objeto que participa da situação e, portanto, a condiciona e, ao mesmo tempo, sujeito que se auto-conserva, a fim de distinguir como e quando sua presença condiciona a situação que está estudando (p.34).

Vale lembrar que qualquer interação entre o psicólogo e o paciente, mesmo fora da situação analítica formal, é permeada por projeções e afetos que se formam de acordo com o lugar que profissional ocupa na fantasia da população atendida.

Sob a perspectiva junguiana qualquer interação humana, incluindo a situação de pesquisa em psicologia, configura-se um processo dialético em que todos se influenciam mutuamente.

Destaca-se o fato do pesquisador ser uma pessoa que estará em contato com outras pessoas, e cuja simples presença já exerce um efeito sobre a realidade, ao mesmo tempo em que também vive as influências deste contato. A questão dialética também é amplificada por Furnaletto (2007):

A pesquisa transforma-se em uma experiência que implica a transformação do objeto e do pesquisador. Para Jung (1983), a experiência pode ser vista como uma ponte na qual sujeito e objeto transitam, distinguem-se e encontram-se (p. 68).

Além do estabelecimento de uma parceria em que cada integrante complementa o conhecimento outro, deve-se considerar a influência inevitável das manifestações conscientes e inconscientes do pesquisador em interação com os elementos conscientes e inconscientes do pesquisado, conforme ilustra Penna (2007):

A perspectiva simbólica arquetípica configura uma relação sujeito-objeto dialética, transformadora, que diferencia o eu e o outro, mas não prioriza um em detrimento do outro. Embora a produção de conhecimento seja primordialmente conduzida pelo pesquisador, a este não é dado, em princípio, o controle egóico da situação, uma vez que o inconsciente – pessoal e coletivo – participa e interfere constantemente. Apenas a manutenção de uma atitude simbólica em relação ao pesquisado pode favorecer o andamento do processo, que busca integrar as polaridades em questão, sem menosprezar ou sobrevalorizar uma ou outra. Dessa forma a atitude do pesquisador, particularmente em relação à participação do inconsciente, deve ser alvo de constante atenção. Desde o início do processo de pesquisa, o pesquisador deve estar atento às demandas inconscientes que permeiam suas escolhas e decisões (p. 133).

Bogdan e Biklen4 (1994) afirmam que as habilidades sociais como empatia e respeito são úteis e imprescindíveis para a integração adequada e respeitosa do pesquisador com os colaboradores e participantes. Nardi (2007) refere que em pesquisa qualitativa “um dos pressupostos da observação participante é o de que a convivência do investigador com a pessoa ou grupo estudado cria condições privilegiadas” (p. 39). Bourdieu (1993/1999) alerta que a maneira de conduzir o contato pode suscitar emoções negativas, envolvendo jogos de poder, falta de empatia e preconceitos.

Na medida em que os pressupostos do trabalho junguiano partem da possibilidade do psicólogo exercer o papel de participante e observador, é imprescindível que sua atitude seja respeitosa. Quanto maior o treino e a preparação obtida em seu próprio auto conhecimento e reflexão, maior possibilidade terá de enxergar o outro sem deixar que seus problemas e ideiais interfiram nas relações ou interpretações sobre a realidade do outro (Singer, 2002). Portanto, é natural que o psicólogo lance mão do método psicológico, definido por Bohoslavsky (1996) como a habilidade clínica e científica de “abordar uma situação humana — qualquer que seja — em nível de análise psicológica, com o propósito de investigá-la, compreendê-la, explicá-la e, eventualmente, modificá-la mediante recursos psicológicos” (p.40)

Singer (2002) acrescenta que o adequado treinamento profissional implica que o profissional também tenha empreendido a jornada de reconhecimento de seu inconsciente, conhecendo a si mesmo melhor do que ninguém. Isso favorece que os assuntos que dizem respeito à sua vida particular não interfiram no entendimento das questões pessoais do paciente.

Ao defender a importância da observação, da reflexão e da contemplação nos processos de simbolização durante os processos científicos (Penna, 2007) a pesquisa simbólica reitera a importância do pesquisador acrescentar ao relato dos dados coletados em sua pesquisa também sentimentos, sensações e percepções oriundos ao longo do processo. Pois os dados observados pelo pesquisador, quando cuidadosamente transcritos, lidos, relidos e analisados, podem ser reconhecidos em suas diversas dimensões, o que

minimiza as projeções da polaridade inconsciente do pesquisador repleta de negligências, preconceitos, teorizações e generalizações (Bogdan e Biklen, 1994).

Neste sentido, Byington (1993) incentiva a utilização de recursos expressivos nos atendimentos psicológicos, pois se trata de uma experiência em que o analista e o analisando podem vivenciar processo criativos e relevadores, vencendo alguns chavões interpretativos comuns à prática e que remetem ao predomínio da linguagem verbal e da racionalidade sobre as emoções. Este processo retira o terapêutca de sua postura neutra e o coloca em situação mais expositiva que poderá favorecer que ele próprio perceba suas atitudes defensivas e as elabore.