3.1. Değerler Eğitimini Kazandırmaya Yönelik Uygulamalara Dair Bulgular
3.1.2. Öğretmenlerin Değerleri Kendi Branşlarıyla İlişkilendirerek Değerleri Kazanım
No sentido de trazer dados sobre questões pertinentes à formação e atuação dos juristas no Rio Grande do Sul, Engelmann (2006), partindo do processo de redemocratização política ocorrida no Brasil em 1988, a partir do qual são observadas condições para a emergência de novos usos e definições das instituições políticas e jurídicas, busca identificar a formação e atuação do campo jurídico gaúcho, tendo por objeto suas concepções de direito e os usos que fazem dela (ENGELMANN, 2006, p. 11-12).
O autor observa o campo jurídico como um espaço que é socialmente constituído por ritos, símbolos, códigos, hierarquias e garantias legais que são legitimadas pelo Estado, formado no Rio Grande do Sul por dois pólos, entre os quais classifica os juristas: o primeiro, no qual agrupa os bacharéis em direito associados às famílias com tradição jurídica e política e, o segundo, socialmente mais diversificado, que se legitima através do enfrentamento a tradição jurídica do estado.
Em se tratando de elites jurídicas mais tradicionais, associadas ao primeiro pólo, há um recrutamento que comporta uma cultura familiar com forte reprodução social. As relações de interconhecimento geradas a partir da trajetória do grupo familiar expandem-se para outras esferas com relativa facilidade. O capital de relações acumulado é facilmente reconvertido em prestígio profissional e político. Essa posição de elite favorece as disposições para a conservação da ordem social através do efeito de
aprioração capaz de neutralizar a proximidade de interesses dos habitus
ligada a formações familiares e escolares semelhantes que unem os juristas aos setores socialmente dominantes. (ENGELMANN, 2006, p. 12).
O autor relaciona a diversificação do campo jurídico com a emergência de novos e diferentes usos e definições do direito a partir da década de 90, considerando que a diversificação social dos bacharéis em direito aumenta o espaço de concorrência, fator que levaria a uma redefinição e rehierarquização no interior do campo. Através deste estudo, Engelmann verifica que as diferenças entre
características que são relacionadas à origem social, origens e trajetos escolares, bem como profissionais, políticos e universitários, são ligados às tomadas de posicionamento dogmático sobre as definições e usos do direito e da justiça (ENGELMANN, 2006, p. 15-16).
No sentido de criar suas categorias de análise, o autor recorre a Pierre Bourdieu, partindo de seu estudo sobre o campo acadêmico francês21, no qual o autor considera que
[...] para a estruturação da ascensão a posições de poder, a retradução do capital econômico cultural e social herdados (relacionados à origem e posição social) e os capitais específicos do campo acadêmico, como o capital de poder universitário (pertencimento a institutos e cargos administrativos), o capital de poder científico (direção de organismos) e o capital de prestígio científico (discursos, traduções de obras, número de citações), além de outros, como o capital de notoriedade intelectual. (BOURDIEU, 1984 apud ENGELMANN, 2006, p. 18).
Desta maneira, Engelmann apresenta duas categorias, colocadas em extremos diferentes, nas quais classifica a os diferentes tipos de uso e significados do direito para os juristas, sendo um formado pela relação entre determinantes baseados na posse de capital escolar ou científico, assim como as respectivas trajetórias sociais e origens dos bacharéis em direito que predispõem a este investimento; e outro determinado pela origem e posição social, relacionadas com o espaço de poder social político e econômico.
No Brasil, as disputas internas ao campo jurídico estariam colocadas em torno da definição do direito legítimo e de como deve ser sua aplicação social, assim como de quais devem ser as problemáticas a serem consideradas juridicamente legítimas, que seriam definidas no espaço da prática da advocacia e das carreiras de Estado (ENGELMANN, 2006, p. 27). Assim, seria no espaço de divisão de trabalho no campo judicial, entre magistrados, promotores de justiça e advogados, que concorreriam e seriam definidos os principais confrontos entre as concepções de direito.
Segundo Engelmann, a mudança na forma de serem selecionados os bacharéis em direito para a ocupação de carreiras jurídicas do Estado, que até os anos 30 eram dadas pelas relações sociais e indicações por parte de autoridades políticas e econômicas, por mecanismos institucionais de seleção, acaba por gerar
uma reconversão dos bacharéis para outras esferas de atuação, como a advocacia privada, que seria facilitada pelo acúmulo de capital social acumulado por grupos familiares tradicionais (ENGELMANN, 2006, p. 27-29).
A partir do final da década de 80 passa a ocorrer um processo de politização das instituições judiciárias brasileiras. Este processo amplia a interferência política nas relações estabelecidas entre juristas para a movimentação entre as esferas de poder.
A própria organização interna do Judiciário opõe os concursos públicos para a Justiça de primeiro grau às indicações para a composição dos tribunais superiores. Essa estrutura tende à clivagem entre instâncias judiciais que julgam conflitos interindividuais, como a Justiça de primeiro grau e os tribunais superiores, mais políticos. (ENGELMANN, 2006, p. 42).
Ainda assim, a maior abertura do Poder Judiciário passa a possibilitar novos usos do direito, fato que tem como conseqüência a maior judicialização da vida social.
Esse processo compreende a entrada para o cenário jurídico de um conjunto de problemas identificados às causas coletivas (direito do consumidor, direitos humanos, direitos ambientais, direitos sociais e outros). Em termos gerais, essa judicialização da política e da vida social pode ser caracterizada como um fenômeno que aumenta o potencial de mediação de conflitos sociais pelo Poder Judiciário. (ENGELMANN, 2006, p. 42).
Paralelamente, um movimento de legitimação das ações do Poder Judiciário, assim como das instituições ligadas a ele, ocorreria como um efeito da descrença social nos mecanismos tradicionais de mediação política. Este fenômeno de legitimação estaria ligado tanto ao processo de diversificação social, ocorrido pelo recrutamento por concurso para os cargos públicos, quanto à possibilidade de novos conceitos de direito.
As variáveis a serem consideradas na relação entre a diversificação e os usos do direito não envolvem apenas as origens sociais dos novos recrutados, mas a relação de suas características sociais e as disposições para determinados usos do espaço jurídico e judicial. (ENGELMANN, 2006, p. 45).
No caso do Rio Grande do Sul, a formação e a manutenção de uma tradição jurídica estaria relacionada às reconversões de grupos familiares que tradicionalmente ocupam posições de destaque nos campos jurídico e político por várias décadas. Mesmo que diferenças nas trajetórias sociais dessas famílias sejam verificadas, o autor observa a existência de um conjunto de características em todas elas.
Em primeiro lugar, o pertencimento à elite social, que facilitaria a múltipla inserção em posições de destaque que transcendem o mundo jurídico se ampliando para a ocupação de posições em diversos domínios profissionais e culturais. Tal multiplicidade é garantida pela possibilidade de reconversão de uma série de capitais, principalmente, o capital cultural e o capital de relações sociais, advindos também do grupo familiar. (ENGELMANN, 2006, p. 61).
No campo jurídico, o nome familiar apresentaria um valor substancial, o que facilitaria a entrada tanto na advocacia privada, quanto na carreira jurídica pública.
Na ocupação de postos em que está em jogo a confiança a ser depositada no profissional, a reconversão da tradição familiar e de pertencimento à elite social também tem grande peso. O capital herdado do grupo familiar, em alguns casos, é ampliado através de alianças matrimoniais. (ENGELMANN, 2006, p. 61).
Porém, nos anos 80 e 90 é verificado um fenômeno de inserção no campo jurídico por bacharéis em direito desprovidos de capitas que caracterizavam os grupos relacionados à tradição jurídica gaúcha, amparada pelo poder gerado pelo pertencimento a certos grupos familiares.
A ascensão desse segmento ocorre principalmente pela profissionalização na docência, na gestão universitária e na mobilização de títulos de Mestrado e Doutorado como recursos para sua ascensão social. Pode-se relacionar tal fenômeno com a diversificação do mundo jurídico, expresso na expansão do número de vagas ofertadas a partir da década de setenta nos cursos de graduação e na formalização dos concursos públicos para as carreiras de Estado. (ENGELMANN, 2006, p. 77).
Também se pode pensar no critério de impessoalidade dos concursos públicos como outro importante fator para o crescimento de representação nas carreiras jurídicas de Estado por parte daqueles indivíduos que não possuíam trajetórias sociais ou políticas que estivessem ligadas aos padrões jurídicos de famílias tradicionais. Porém, concomitantemente, outro fator dentro do campo
jurídico no estado passa a ser considerado: a legitimação da especialização acadêmica.
Desta maneira, pode-se falar na reestruturação do campo judiciário no Rio Grande do Sul, tanto nas carreiras ligadas ao Estado, quanto no ensino universitário, o que faz com que sejam influenciadas desde decisões institucionais acerca de qual o papel que deveria ser desempenhado pelas profissões e pela formação superior, até outras ―estruturas de capitais e características sociais e intelectuais dos juristas que apostam na redefinição das teorias jurídicas e na carreira acadêmica como meios de ascensão social‖ (ENGELMANN, 2006, p.78).
Pode-se considerar que a expansão do ensino de direito, na década de 90, cria possibilidades de legitimação e ascensão para diversos juristas que eram desprovidos dos capitais sociais referentes ao campo jurídico.
Na década de 90, o espaço universitário se tornou uma porta para ascensão de agentes com origem geográfica interiorana, de baixa ou média origem social e descolados das famílias tradicionais. A posse de títulos de doutorado propiciou a ocupação de postos de direção em cursos de pós- graduação nas instituições privadas. Abriram-se também diversas posições no mercado de ensino jurídico, nos cursos de graduação e nos cursos preparatórios para concursos articulados a partir das entidades associativas das carreiras de Estado. (ENGELMANN, 2006, p.79).
Neste sentido, pode-se dizer que a reprodução social das relações de dominação, pautada pela posse de capital social, cultural e simbólico de determinados grupos familiares, é verificada na realidade do campo jurídico no Rio Grande do Sul, assim como a utilização do direito como mecanismo de conservação da ordem social. Mesmo com a utilização de mecanismos institucionais de seleção para a ocupação de cargos jurídicos estatais, os recursos sociais e políticos continuam sendo fortemente considerados para a ascensão no interior do campo jurídico (ENGELMANN, 2006, p. 198).
Porém, a legitimação de juristas que não eram membros das famílias ligadas tradicionalmente ao campo jurídico começa a ocorrer, na medida em que passam a ocupar importantes posições acadêmicas nas universidades. Deste modo, começam a ser desenvolvidas as lutas internas ao campo de como se dizer o direito e quais devem ser os seus usos na sociedade, pautadas, no caso de operadores do campo, ligados ao direito penal, em questões que vão desde a interpretação legal voltada a
promoção e manutenção dos direitos individuais, até interpretações que desconsideram substancialmente tais direitos.
3
Prisão Preventiva no Brasil: História, Previsões Legais
e Jurisprudência
O desenvolvimento, ao longo dos últimos séculos no Brasil de uma legislação penal, a princípio preocupada com a manutenção da ordem social, ocorreu em paralelo a uma série de mudanças sociais que ocorreram no período. A criação das medidas de prisão cautelar no país é realizada no sentido de que sejam garantidos e protegidos os meios, bem como fins processuais do direito penal, devendo estas serem utilizadas somente em circunstâncias excepcionais. Atualmente, verificam-se dados que apontam para a utilização crescente da medida como forma de proteção e defesa social.
É no sentido de que se possa compreender quais são as previsões legais para que uma medida de prisão cautelar possa ser decretada que este capítulo está estruturado. Primeiramente trata do desenvolvimento histórico da legislação brasileira a respeito do tema, para depois versar sobre suas previsões legais atuais e por fim, sobre a interpretação dos Tribunais a respeito do tema.