BÖLÜM IV BULGULAR VE YORUM
4.2. Ö2 ÖĞRETMENİNE AİT BULGULAR
4.2.1 Ö2 Öğretmeninin Soru Sorma Esnasındaki Davranışlarına İlişkin Bulgular Bulgular
No contexto cultural atual brasileiro, as práticas educativas de ambos os pais para com seus filhos estão num processo de transformação, passando de uma postura de rigidez para uma de maior permissividade. Esta mudança reflete a redefinição mais ampla no papel da figura paterna, uma vez que uma porcentagem cada vez maior de mulheres está entrando no mercado de trabalho, e os homens estão tendo que assumir um envolvimento maior no âmbito familiar (Bertolini, 2002; Brandth & Kvande, 2002; Cabrera, Tames-LeMonda, Bradley, Hofferth & Lamb, 2000; Dessen & Costa, 2005; Tiedje, 2004). Esta nova divisão de tarefas resulta em uma melhoria nas relações familiares, uma vez que ambos os membros do casal entendem a importância das demandas profissionais e familiares e as crianças se beneficiam do maior envolvimento do pai (Oliveira & cols., 2002; Pacheco, Teixeira & Gomes, 1999; Weber, Prado,
Viezzer & Brandenburg, 2004). Assim, existe uma oportunidade importante para intervir com o pai para maximizar a qualidade do relacionamento entre pai e filho e, conseqüentemente, propiciar melhores condições para o desenvolvimento infantil.
Considerando a importância da relação pai-filho, acredita-se que, por meio de intervenções com os pais, que promovessem a qualidade das relações com seus filhos, seria possível evitar parte dos problemas de desenvolvimento apresentados pelas crianças, que estão iniciando as atividades escolares. Mais especificamente, seria interessante oferecer orientações que visem a promoção da qualidade do envolvimento paterno, e o ensino de práticas parentais que favoreçam comportamentos pró- acadêmicos, por parte dos filhos. Sabe-se que as crianças das séries iniciais do Ensino Fundamental têm maior probabilidade de apresentar problemas socioemocionais e baixo desempenho acadêmico, por se encontrarem em uma fase de transição, aprendendo a lidar com novas demandas sociais.
Dada a importância potencial do envolvimento paterno para a maximização do desenvolvimento infantil, e a escassez de estudos focalizando especificamente a participação do pai em programas de intervenção direcionados para a figura paterna, nota-se a necessidade de realizar um programa de intervenção para o pai de uma criança iniciando as atividades escolares, com o objetivo de maximizar o autoconceito, o desempenho acadêmico e o desenvolvimento social do seu filho. Dessa forma, poderia minimizar o número de crianças classificadas como tendo necessidades educacionais especiais (com história de fracasso escolar ou problemas socioemocionais) no contexto brasileiro, sendo considerado um aspecto de prevenção primária para possíveis deficiências, contribuindo para o desenvolvimento da área de prevenção em Educação Especial. Os objetivos da presente pesquisa serão divididos em dois blocos: centrais e secundários.
Objetivo principal
Avaliar o impacto (a curto e longo prazo3) de um programa de intervenção com o pai, na qualidade do relacionamento entre pai e filho, no autoconceito, no desempenho acadêmico e na prevenção de comportamento dos filhos.
Objetivos específicos
Em relação aos pais:
Comparar as condições de trabalho, o bem-estar pessoal e familiar, o envolvimento paterno (segundo pais, mães e crianças) e o repertório de habilidades sociais dos pais, nos três momentos de coleta de dados (pré-teste, pós-teste e follow-up), entre o grupo de pais que participaram da intervenção, o grupo de pais cujas esposas participaram da intervenção e o grupo de pais que não participaram da intervenção e nem as suas esposas.
Em relação às crianças:
Comparar o desempenho acadêmico (segundo crianças e professores), o autoconceito, os problemas de comportamento (segundo pais, mães e crianças) e o repertório de habilidades sociais (segundo crianças, pais, mães e professoras), nos três momentos de coleta de dados (pré-teste, pós-teste e follow-up), entre o grupo de crianças cujos pais participaram da intervenção, o grupo de crianças cujas mães participaram da intervenção e o grupo de crianças cujos pais e mães não participaram da intervenção.
Em relação à intervenção:
Avaliar a opinião dos pais sobre os temas abordados e os procedimentos adotados na intervenção.
3
O termo curto prazo, está se referindo ao período logo após a intervenção, ou seja, decorridos três meses da coleta de dados do pré-teste. O termo longo prazo está se referindo ao período de um ano após a coleta de dados do pré-teste. Este período de um ano foi determinado, pois acredita-se que poderiam ser verificadas, a manutenção das alterações das medidas do desenvolvimento infantil avaliadas nestes estudo, em decorrência da intervenção com o pai/mãe.
Objetivos secundários
1. Verificar a existência de correlações entre as condições de trabalho, o bem-estar
pessoal e familiar, o envolvimento paterno (segundo pais, mães e crianças) e o repertório de habilidades sociais dos pais;
2. Verificar a existência de correlações entre o envolvimento paterno (segundo
pais, mães e crianças) e o repertório de habilidades sociais dos pais e o desempenho acadêmico (segundo crianças e professoras), o autoconceito, os problemas de comportamento (segundo pais, mães e professoras) e o repertório de habilidades sociais das crianças (segundo pais, mães, crianças e professoras). A pergunta formulada neste estudo foi: Se for conduzido um programa de intervenção junto ao pai ou a mãe, poderá aumentar o envolvimento paterno, o autoconceito, o desempenho acadêmico e o desenvolvimento social de crianças iniciando suas atividades escolares?
Método Participantes
Pais e Mães
Pré-teste e Pós-teste
Esta fase do estudo contou com a participação de 97 pais e mães (29 do GE1, 34 do GE2 e 34 do GC), de crianças da 1ª e 2ª séries do Ensino Fundamental. A média de idade dos pais era de 35 anos, variando entre 23 e 58 anos e a média de idade das mães era de 32 anos, variando entre 20 e 55 anos. O número de filhos foi, em média, dois e todos os participantes eram casados. Em relação à classe socioeconômica, 7,1% das famílias eram de classe socioeconômica D, 50,5% eram de classe socioeconômica C, 35,4% eram de classe socioeconômica B2 e 7,1% eram de classe socioeconômica B1 (segundo critério Brasil, que tem por objetivo o de medir o poder aquisitivo do consumidor e classifica a população em cinco classes socioeconômicas). Quanto à renda familiar, 1% dos pais tinha uma renda menor de um salário mínimo, 24,2% tinham renda de um a dois salários mínimos, 59,6% tinham renda de dois a quatro salários mínimos e 15,2% tinham renda de mais de quatro salários mínimos. Todos os pais e 97,0% das mães exerciam algum tipo de atividade remunerada.
Crianças
Pré-teste e Pós-teste
Foram participantes desta fase do estudo 99 crianças4 (29 do GE1, 36 do GE2 e 34 do GC), com idade média de oito anos, variando entre seis e nove anos. Destas crianças, 49 foram do sexo masculino e 50 do sexo feminino, sendo que 21,2% estavam na 1ª série e 78,8% estavam na 2ª série do Ensino Fundamental.
4
Professoras
Pré-teste e Pós-teste
Participaram desta fase do estudo 20 professoras, com média de idade de 40 anos (variando entre 25 e 59 anos), sendo que seis delas lecionavam para a 1ª série e 14 para a 2ª série do Ensino Fundamental. Em média, estas professoras lecionavam há 14 anos (variando entre dois e 35 anos), sendo que no estabelecimento de ensino, onde a coleta de dados foi realizada, elas lecionavam, em média, por dois anos (variando entre um e nove anos). Dentre esse contingente de professoras, duas delas estavam cursando o terceiro grau (com formação em pedagogia), tendo apenas a formação de magistério, e o restante tinha 3º grau completo (15 professoras formadas em pedagogia, uma em Letras, uma em História e outra em Pedagogia e Letras). Uma professora era mestre e duas estavam cursando o doutorado. O ano de conclusão do 3º grau variou entre 1974 e 2004.
Aspectos éticos
A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFSCar (Anexo 1). Tanto os pais quanto as professoras e a diretora da escola receberam, juntamente com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 2) para a sua participação (os pais também receberam um termo para autorizar a participação de seus filhos), informações acerca dos objetivos da pesquisa, a forma como ocorreria a coleta de dados e a intervenção. Foram assegurados o sigilo de suas identidades e o das crianças, uma vez que era previsto que os dados obtidos na pesquisa seriam divulgados em periódicos de pesquisa e em congressos, resguardando a identidade dos participantes. Os participantes tiveram total autonomia em relação à sua participação no estudo. Caso eles quisessem desistir durante a realização da pesquisa, esta foi suspensa com os mesmos.
Local da coleta de dados
A coleta de dados junto aos participantes (alunos, pais e professoras) e a intervenção com os pais ocorreu em duas escolas municipais e em uma escola estadual, localizadas em um município no interior do estado de São Paulo. Para a realização da coleta de dados com os pais e as crianças, as escolas disponibilizaram uma sala multimídia. A coleta de dados com as professoras foi realizada na sala dos professores ou nas salas de aula.
Dados descritivos da Escola 1:
Tratava-se de uma escola com 413 alunos, distribuídos da 1a à 4a séries do Ensino Fundamental. Essa escola estava localizada em um bairro carente e tinha os seguintes projetos para atender a comunidade: Criando Asas – Comunidade da
Aprendizagem – transformação da escola para a comunidade; Aulas de flauta, espanhol, inglês, informática; Alfabetização para adultos; Grupos interativos – auxílio para os alunos em sala de aula; Biblioteca coorporada – atendimento a comunidade; Tertulio – Leitura de livros para adultos; Orientação sexual; Cursos para os professores. Em média, nessa escola, tinha dois alunos com dificuldades de
aprendizagem, por sala de aula.
Dados descritivos da Escola 2:
Uma escola com 946 alunos, distribuídos da 1a à 8a séries do Ensino Fundamental. A instituição estava localizada em um bairro formado principalmente por moradores que trabalhavam em uma empresa da cidade. A escola tinha os seguintes projetos para atender a comunidade: Comunidade da aprendizagem – transformação da
escola para a comunidade; Escola nossa; Informática; Aulas de inglês; Os animais; Nosso amigo e Alfabetização para adultos. Em média, nessa escola, tinha de dois a três
Dados descritivos da Escola 3:
Escola estadual, com aproximadamente 800 alunos, distribuídos da 1ª à 4ª do Ensino Fundamental. Essa escola localizava-se na região central, atendendo populações de diferentes níveis de poder aquisitivo. A instituição tinha um projeto central chamado
Escola da família, oferecendo atividades recreativas e de lazer para a comunidade e os
familiares dos alunos. Em média, nessa escola, tinha dois alunos com dificuldades de aprendizagem, por sala de aula.
Parceria escola-família nas três escolas
As três instituições de ensino desenvolviam trabalho sistemático com as famílias dos alunos, a fim de criar uma parceria entre família e escola, como por exemplo, reunião com os pais para discussão de regras e atividades a serem desenvolvidas com os alunos, realização de atividades festivas para que os pais participassem com os seus filhos. Além disso, as reuniões escolares eram realizadas ou no início do dia (a partir das 7:00 da manhã) ou no final da tarde (a partir das 17:00 horas), permitindo que os pais que trabalhavam pudessem participar.
Sistema de avaliação dos alunos nas três escolas
As escolas públicas aderiam à progressão continuada, em que existia divisão em dois ciclos, sendo que os Ciclos I e II são correspondentes aos quatro primeiros anos do Ensino Fundamental. Para o aluno ser retido em um ciclo, todos os professores tinham que concordar, ou seja, o aluno precisava ter um rendimento insatisfatório em todas as disciplinas. Para a decisão de reprovação, era considerado se o aluno havia sido retido em alguma série e a idade do mesmo. As avaliações dos alunos eram realizadas bimestralmente, por meio de provas e de avaliação contínua. Os alunos também eram avaliados no final do ano, por uma prova nacional de avaliação do ensino básico.
Em casos de alunos que apresentavam dificuldades de aprendizagem, os professores eram orientados a trabalhar separadamente com os mesmos, retomando atividades desenvolvidas nas aulas (apoio). Esses alunos também contavam com o apoio de uma professora (reforço) que os atendiam no período oposto ao da aula, tendo aula uma a duas vezes por semana, e os pais eram orientados a auxiliar o filho na realização de tarefas de casa.
Medidas avaliativas Medidas do pai
Roteiro de entrevista para o pai
Os pais preencheram “Avaliação do bem-estar pessoal e familiar e do
relacionamento pai-filho – Versão paterna” (Anexo 3), que foi construído com base em
instrumentos já existentes (Cia, 2005) e foi utilizado na pesquisa de mestrado da proponente, na qual verificou-se a boa confiabilidade das suas medidas (α de
Cronbach>0,75, para cada escala tipo Likert) e está dividido em três partes: