TÜRKİYE Çizelge 1 Türkiye’nin Genel Görünümü
2. AVRUPA BİRLİĞİNE UYUM SÜRECİNDE YAPILAN VE ÖNGÖRÜLEN ÇALIŞMALAR
2.1.1. Öğretim Materyaller
O Modelo de Exemplares (PIERREHUMBERT, 1994, 2001a, 2001b, 2002, 2003, 2012; PORT; LEARY, 2005 e outros), cujas propriedades são derivadas da proposta da Psicologia para memória e classificação 24 e compatíveis em alguns aspectos com a Fonologia de Uso, propõe que as representações mentais – nessa abordagem, multidimensionais e ricas – são progressivamente construídas através da experiência com a língua (PIERREHUMBERT, 2001a, p. 137). Essas representações mentais são constituídas de nuvens de exemplares25 interconectadas (rede de conexões) e formadas de itens lexicais recorrentes e chunks da língua.
A categorização e o armazenamento dessas nuvens de exemplares na memória do usuário da língua seguem os parâmetros de regularidade e grau de similaridade fonológica
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O Modelo de Exemplares é uma extensão da proposta da Psicologia para memória e classificação no sentido de que não constitui um modelo apenas de percepção (como o modelo psicológico de que se origina), mas um modelo de análise da produção, percepção e efeitos da produção-percepção sobre o tempo. O modelo de percepção foi estendido para sons da fala por Johnson (1997) e Lacerda (não publicado), produzindo um modelo altamente bem-sucedido de categorização, de acordo com Pierrehumbert (2001a, p. 140).
25
Denomina-se “exemplar”, nessa modelagem, a forma fonética armazenada na memória de um item lexical ou chunk, bem como as informações referentes a essas formas, tais como: significado, inferências e aspectos contextuais relevantes ao seu significado (BYBEE, 2010, p. 19).
e semântica, tendo em vista todas as variações produzidas ou percebidas por ele, e as propriedades linguísticas e não linguísticas que os exemplares compartilham entre si. Essas propriedades compartilhadas tornam possível categorizar esses exemplares como “o mesmo” e fazem com que pertençam simultaneamente a mais de uma nuvem de exemplares (PIERREHUMBERT, 2001a). Além disso, a categorização e o armazenamento dependem do sinal da fala recebido (HUBACK, 2007, p. 135). A Figura 3 a seguir ilustra um conjunto de exemplares – denominado nuvem de exemplares – interconectados e relacionados a informações linguísticas e não linguísticas:
Figura 3 – Nuvem de exemplares e sua relação com informações linguísticas e não linguísticas
Fonte: Johnson, 1997 (adaptado)
As nuvens de exemplares são organizadas em um mapa cognitivo de maneira que exemplares similares estão mais próximos uns do outro e exemplares diferentes estão mais distantes. Assim sendo, o sistema é constituído de um mapeamento entre parâmetros fonéticos e classificações do sistema de categorização (PIERREHUMBERT, 2001a, p. 140- 141). Dada a ilimitada capacidade da mente para armazenar a longo prazo exemplares individuais, propõe-se que cada exemplar – memória perceptual detalhada do item lexical – não corresponde a uma única experiência perceptual, mas a uma classe equivalente de experiências perceptuais pautada na semelhança entre os exemplares armazenados, conforme proposto para as nuvens de exemplares. Contudo, como a quantidade de fala que um indivíduo processa no decorrer de sua vida é muito grande, o modelo propõe que a memória decai: quanto mais o tempo passa, menos vívida será a memória de pronúncias já ouvidas (PIERREHUMBERT, 2001a, p. 140).
Segundo Bybee (2010), o Modelo de Exemplares direciona-nos a examinar como interações específicas interagem com o geral. Assim, a partir do pensamento de que o processamento analógico é a base da habilidade humana para criar pronúncias, Bybee (2010, p. 66-67) recorre à analogia. A analogia, nessa perspectiva, é vista como um mecanismo que nos capacita a examinar como o específico dá surgimento ao mais geral, para descrever mudanças morfofonológicas em paradigmas morfológicos, aplicando a analogia tanto em processamento diacrônico quanto em processamento sincrônico. Bybee (2010) propõe que o específico (ou seja, as exceções) seja avaliado em relação à informação que fornece sobre a generalização.
A mudança analógica (BYBEE, 2010, p. 75), além de afetar os itens lexicais de baixa frequência devido à força lexical – efeito de conservação – dos itens lexicais de alta frequência, também tende a ser aplicada para 1) a expansão de um padrão majoritário, através do nivelamento analógico, e para 2) a expansão de um padrão minoritário, por meio da extensão analógica. Assim, devemos considerar dois tipos de analogias:
a) nivelamento analógico: indica a perda de alternância no paradigma;
b) extensão analógica: introdução de uma alternância (anteriormente inexistente) em um paradigma.
No caso do nivelamento analógico, a perda de alternância é caracterizada pela criação de uma nova forma regular, quer dizer, uma nova configuração. As evidências, segundo Bybee (2010, p. 66), do mecanismo de nivelamento analógico são:
a) a forma antiga não é imediatamente perdida, mas compete com a forma nova; b) o nivelamento analógico ocorre antes em paradigma de baixa frequência do que
em paradigma de alta frequência;
c) a configuração da nova forma é baseada, geralmente, na configuração do membro de alta frequência do paradigma.
Notamos essas evidências de nivelamento analógico, p. e., no inglês, quando, para os verbos infinitivos weep e creep, cujas formas do passado são irregulares, wept e crept, são criadas formas de passado regulares, weeped e creeped, respectivamente. A forma de passado irregular desses dois verbos é de baixa frequência, logo difícil de ser acessada, o que possibilita que o padrão regular, por meio de nivelamento analógico, seja aplicado. O mesmo
não ocorre com formas de alta frequência, p. e., kept e slept (BYBEE, 2001, p. 114; 2010, p. 66), já que sua força lexical as torna mais fáceis de ser acessadas, sendo pouco provável que os usuários criem formas inovadoras para elas.
De ocorrência menos comum em morfologia do que o nivelamento analógico, segundo Bybee (2010, p. 67), a extensão analógica, caracterizada pela inclusão de uma nova forma alternante em um paradigma, faz uso de um conjunto nuclear de paradigmas que compartilha uma alternância para atrair novos membros. Além disso, a extensão de uma forma irregular raramente ocorre se a alternância se dá em apenas um paradigma (dois paradigmas parecem não ser suficientes para provocá-la (BYBEE, 2001; BYBEE; PARDO, 1981)).
Há evidências de extensão analógica, p. e., em uma classe de verbos irregulares do inglês que compartilham uma mesma propriedade fonética (ring/rang/rung; sing/sang/sung, spring/sprang/sprung etc.) – no caso, consoante nasal – a qual tem atraído novos membros (strike/struck; string/strung, stick/stuck etc.). Os novos membros têm substituído a propriedade fonética compartilhada pelos membros da classe original por consoante velar em coda final.
Enfim, com a visão geral do Modelo de Redes, da Fonologia de Uso e do Modelo de Exemplares, inseridos em um panorama amplo, o da Linguística Cognitiva, iniciamos o próximo capítulo, que apresenta a metodologia adotada nesta pesquisa.