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4. BULGULAR VE YORUMLAR

4.1. Durum Tespitine Yönelik Görüşler

4.1.2. Öğrencilerden Alınan Görüşler

as tropas de fronteiras existentes no território, as quais [tropas] além dos encargos normais, teriam os relativos à agricultura."213 Ampliou os poderes do Maj. Aluízio Ferreira, confirmando as ações desenvolvidas desde a "nacionalização" da EFMM, "institucionalizando" a política "colonizadora", e realçando o caráter político da ocupação, feita através da implantação de núcleos agrícolas pelas tropas federais. A ação dos militares na criação de infra-estrutura: abertura de aeroportos, estradas de comunicação, construção de hospitais, escolas e fundação de núcleos agrícolas corroborou o "renascimento do exército colonial", propagado pelo Maj. Aluízio Ferreira.

O “mosaico” de informações era recortado pelas elites locais, visando apoiar as ações federais. Ações que lhes interessavam mais de perto: como a manutenção das tropas de fronteiras, a ocupação através dos núcleos agrícolas e, principalmente, o desmembramento das áreas pertencentes às oligarquias regionais, enfim, a constituição de um Território Federal de Fronteira.

As correspondências oficiais entre o Diretor da EFMM e o Presidente do DASP no período, permitem inferir que, progressivamente, a criação do território passou a ocupar o centro das atenções. O Maj. Aluízio Ferreira enviou, em agosto de 1942, agradecimentos ao Presidente do DASP por sua exposição ao presidente da República e informou os

passos iniciais para a autarquização da ferrovia e da criação do território. Esclareceu haver recebido instruções do Ministro da Viação para apresentar uma minuta de autonomia da EFMM, do mesmo modo que “anteriormente, também por determinação superior, eu prestara

informações ao Conselho de Segurança Nacional, na redação do anteprojeto de decreto criando os Territórios Federais do A mapá, Rio Branco, Guaporé e Iguassu.”.214 O major sugeria ao presidente do DASP alterações nos limites geográficos, estabelecidos no anteprojeto do Conselho de Segurança Nacional. Segundo ele, os limites fixados até a margem esquerda do rio Abunã, interporiam uma “cunha” de terras do estado do Amazonas entre o território a ser criado e o território do Acre, “com todos os inconvenientes administrativos, políticos e estratégicos, o que

impedirá a continuidade dos territórios federais [na faixa] de fronteiras”. O Maj. Aluízio Ferreira persistiu em suas “sugestões” junto ao presidente do DASP, recomendando a adoção da fórmula administrativa contida no anteprojeto do Conselho de Segurança Nacional cujo artigo 5.º determinava que os territórios federais fossem “comandados” pelo Alto Comissariado da Administração Territorial (posto de alta patente do Exército ou Marinha) e não pelo Ministério da Justiça e Negócios Interiores, como propôs Simões. O major, em sua “proposição”, representava interesses ligados diretamente ao Estado Maior do Exército, e todas as suas “sugestões” visavam o controle pelo Exército, em vez do controle civil:

A tropa de fronteira seria constituída pelo Exército Colonial, organizado segundo disposições que lhe permitissem o trabalho continuado de amansar o sertão, policiar as populações e contribuir para o progresso dos novos núcleos de civilização. ... Finalizando e ainda com a devida venia, quero lembrar um nome capaz de governar o novo território e de dirigir, no novo regime, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré: o do major Joaquim V icente Rondon. É um oficial que tem feito brilhante e rápida carreira; traz no sangue a energia do desbravador e no nome a responsabilidade de severas tradições.215

A defesa dos interesses do Exército, feita pelo diretor da EFMM ao presidente Vargas216, foi corroborada em outro ofício. O Maj. Aluízio Ferreira realçou a necessidade do controle militar sobre os territórios, como enunciado no anteprojeto do Conselho de Segurança Nacional de 1938. Ele sugeriu a “flexibilidade” por parte da União no controle orçamentário, devido as “dificuldades” de comunicação, reivindicação que significava

213 “Vai ser creado o nosso Território”. A L TO MA DE IRA .. Porto Velho, 23 de julho de 1942. Para uma leitura

mais aprofundada sobre as "prerrogativas sociais" das tropas do Exército na região consultar o primeiro capítulo às pág. 64~ 80.

214 FERREIRA, Maj. A. Ofício enviado à L uiz Simões L opes, Presidente do DA SP. Porto Velho, 04/ago/1942. EFMM-MVO.P

215 FERREIRA, Maj. A. Ofício enviado à L uiz Simões L opes, Presidente do DA SP. Porto Velho, 04/ago/1942.

EFMM-MVO.P

216 FERREIRA, Maj. A. Ofício ao Presidente V argas. Ministério da V iação e Obras Públicas/ E FMM. Porto Velho,

liberdade de ação na sua administração. Em defesa dos interesses das forças armadas, o diretor da EFMM “lembrava” ao presidente que os cargos de “dirigentes territoriais” eram de interesse estratégico para a Nação. O major apoiou-se no Estatuto dos Militares que previa o “desvio” dos mesmos para a administração pública, segundo as necessidades das forças armadas.

Havia, no período da Segunda Guerra Mundial, um quadro interno e local favorável à nova divisão geopolítica do Brasil, porém, grande parte da discussão já estava posta desde o início da década de 30. Segundo Pontes Pinto, a divisão do território era uma necessidade de crescimento das elites nacionais ligadas à industrialização, representadas por geógrafos, militares, civis, cientistas, sociólogos, humanistas e entidades privadas e públicas:

As mais importantes propostas relacionadas à partilha da Nação, ..., foram apresentadas em 1933, por Everardo Backheuser (geógrafo), Maxchado Guimarães (geógrafo, Segadas Vianma (militar), Juarez Távora (militar) e pela Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro. ...

A Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, ... foi mais além, propondo a criação de 10 territórios nacionais fronteiriços: dois no estado do Pará –Amapá e Óbidos; quatro no estado do Amazonas – Rio Branco, Rio Negro, Solimões e Acre; três no estado de Mato Grosso – Guaporé, Jauru e Maracaju; um entre os estados de Paraná e Santa Catarina – Iguaçu. A justificativa para a criação dos territórios fronteiriços especificava que assim seria incentivado o povoamento, a nacionalização e a defesa das raias nacionais...217

O decreto-lei n.º 5812, de 13 de setembro de 1943, criou os seguintes territórios federais de fronteira: Amapá, formado por terras pertencentes ao estado do Pará; Rio Branco, por terras ao norte do estado do Amazonas; Guaporé, por terras desmembradas do noroeste do Mato Grosso e uma pequena porção do Amazonas; Ponta Porã, também desmembrado da parte sudoeste do Mato Grosso; e Iguaçu formado por terras do Paraná e Santa Catarina.

O decreto-lei nº 5.839, de 21 de setembro deste mesmo ano, regulamentou a administração dos territórios da seguinte forma: o Território do Amapá foi dividido entre os municípios de A mapá (capital), Macapá e Mazagão, todos formados com áreas do Pará. O Território do Rio Branco entre Boa V ista (capital) e Catrimani, em terras do estado do Amazonas. O Território do Guaporé foi dividido em quatro municípios, L ábrea, formado pelas terras dos municípios de Lábrea e Canutama e Porto V elho (capital), com a área do mesmo município de Porto Velho, todos do estado do Amazonas; o município de A lto

Madeira, formado pelas terras da antiga vila de Santo Antonio; e por último, Guajará Mirim, formado pelo município de Guajará Mirim e parte do município de Mato Grosso (Vila

217

PINTO, E mmanuel Pontes. Rondônia E volução Histórica: A Criação do Território Federal do Guaporé como Fator de

Bela) todos do estado do Mato Grosso. O Território de Ponta Porã foi dividido em sete municípios, Porto Murtinho, Bela V ista, Ponta Porã (capital) e Dourados com as áreas de seus respectivos municípios; Maracajú foi formado por áreas de Maracaju e Nioaque; Bonito formado por parte de Miranda; e Porto E sperança, com parte de Corumbá, todos do sudoeste do estado do Mato Grosso. O Território do Iguaçu foi dividido em Foz do Iguaçu que anexou parte de Guarapuava; Clevelândia, com terras do mesmo município; e

Manguerinha, formado por parte de Palmas, todas pertencentes ao Paraná; e por último,

Xapecó, pertencente ao estado de Santa Catarina.

Dias depois, o Correio da Manhã publicou extenso artigo do professor Feijó Bittencourt sobre a “constitucionalidade” da criação dos territórios, defesa que indica haver críticas e resistências a tal ato. Como estratégia para emprestar legitimidade à fala e avaliação do jurista, o artigo destacou seu extenso currículo:

A propósito do aspecto constitucional, digamos nacional, da creação dos 5 territórios federais ouvimos o dr. Feijó Bittencourt, nome acatado em todo o país pelo seu saber de constitucionalista e de historiador e que, além de ser um dos secretários do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, é professor de direito constitucional na Faculdade Nacional de Direito, como livre-docente na Escola do Estado Maior do Exército e na Escola Amaro Cavalcanti.218

A interpretação do jurista alicerçou-se em critérios ideológicos, forjando uma interpretação em que caso as áreas fronteiriças não alcançassem o “desenvolvimento social ideal”, a União poderia desmembrá-las sem ferir direitos das unidades federativas. Para comprovar sua tese, ele travou uma longa discussão entre “autonomia” e “soberania”, já que, para ele os estados tinham autonomia, mas, não soberania. Fundamentou-se no princípio de que a autonomia estadual era uma conquista política a partir do desenvolvimento social. O estado tinha legitimidade se fosse autogovernado por suas classes sociais organizadas. Segundo ele, as regiões desmembradas não possuíam as mínimas condições de se autogovernar, mantendo-se à margem da “economia nacional” com suas classes sociais débeis. A alegação econômica e social para o desmembramento feriu o princípio constitucional de autonomia dos estados, superpondo-se violentamente aos atores constituídos historicamente. O espaço, na visão dos governantes “juristas”, era desprovido de seu caráter histórico, podendo ser regulamentado pela técnica, pela ciência, pela razão econômica, em nome da “integração nacional”. Bittencourt apoiou o governo autoritário condenando os “entraves” constitucionais;

218 “O aspecto constitucional da criação dos cinco territórios”. CORRE IO DA MA NHÃ . Rio de Janeiro, 16 de

É necessário afastar da organização política nacional esta ficção de direito constitucional, esta falsa prática de princípios que na realidade nada regulam. É necessário reconhecer o que não tem expressão de Estado-membro para no Brasil se o considerar como território. ...

A Federação consultou o interesse desses grupos locais instituindo-os com expressão própria e estabelecendo equilíbrio político entre eles, visto ser a maneira de todos influirem.219

O jurista considerou a constituição muito idealista para a nossa realidade, precisando ser “aparada”. Paradoxalmente, buscava a legitimação das medidas arbitrárias do governo federal, baseado no “consenso político”, conseguido junto aos grupos locais. Como havia observado anteriormente, as incipientes elites locais, em crise, desejavam a tutela ampla e irrestrita do governo federal.

Com a convocação de uma Assembléia Constituinte, em 1946, as vozes caladas durante o Estado Novo recuperaram seu poder. A partir do fortalecimento da democracia liberal, as ações do período ditatorial foram discutidas e revistas, sendo que, a criação de territórios federais, foi uma delas. Para as oligarquias regionais destes estados, o desmembramento de suas áreas significou perdas reais na queda da arrecadação de suas alfândegas e na diminuição do capital político com a diminuição de seus currais eleitorais. Segundo as elites regionais, o governo federal havia capitaneado essas perdas, pois, além dos recursos da União para projetos de assistência, elas perderam o controle sobre um montante considerável de verbas federais. Já as elites locais dos vales do Madeira-Guaporé defenderam com todas as suas forças a permanência dos territórios federais, considerando o retorno à dependência de Cuiabá e Manaus um golpe fatal à sua sobrevivência.

Em função das perdas regionais, os senadores e deputados constituintes do Amazonas: Severiano Nunes (UDN), Álvaro Maia (PSD), Leopoldo Peres (PTB) e Valdemar Pedrosa (PSD) além de constituintes de outros estados, como os udenistas baianos: Manoel Novais, Luis Viana, Dantas Junior, Nestor Duarte, Aliomar Baleeiro, Rui Santos, Clemente Marini, Albérico Fraga, e Rafael Cincorá; os udenistas cearenses: Egberto Rodrigues, Fernandes Távora, Gentil Pinheiro Barreira, Paulo Sarasate Ferreira Lopes; os udenistas catarinenses: Tomás Fontes e Tavares Amaral. E, mais: Erasto

Gaertner da UDN do Paraná,Coelho Rodrigues do Piauí, Armando Fontes do PSD do

Paraná, Lino Machado do PR do Maranhão, e Raul Pila do PL do Rio Grande do Sul apresentaram a emenda ao projeto de Constituição: “Ficam extintos os Territórios do Guaporé e

Rio Branco, reincorporados aos E stados do A mazonas e Mato Grosso as circunscrições destacadas desses E stados para a formação daqueles Territórios.” Os conflitos submersos, sob a truculência do

219 “O aspecto constitucional da criação dos cinco territórios”. CORRE IO DA MA NHÃ . Rio de Janeiro, 16 de

Estado Novo, vieram à tona. Os constituintes revisionistas representavam os interesses das oligarquias centrais, subtraídas de seu poder pelas ações populistas de Vargas.

O jornal A lto Madeira articulou intensa campanha pela manutenção dos territórios federais, junto aos constituintes “engajados” na questão. Esse movimento, a exemplo do abaixo-assinado de 1937 endereçado a Vargas, veio amalgamar a identidade “guaporeana”; comerciantes, seringalistas, funcionários públicos e militares perceberam que seus interesses eram distintos e estavam em rota de colisão com os das oligarquias matogrossenses e amazonenses. O sentimento de identidade local já vinha se esboçando desde a “nacionalização” da EFM, quando o A lto Madeira observou o conflito entre as elites locais e sua dependência em relação às oligarquias de Manaus e Cuiabá. O poderio das elites regionais era proveniente de seu papel de mediadora entre os grandes financiadores estrangeiros e a economia de seus estados.

A falta de capital em função do modelo econômico implantado na economia da borracha, foi um dos obstáculos para a “ocupação” e para o “desenvolvimento” da região. A célula básica da economia era o aviamento no barracão, resultando na acumulação infinita da mais valia nos países centrais. A permanência dos territórios “alimentados” pela União, era a condição fundamental para a “manutenção” e fixação das populações, pois não havia como desenvolvê-los sem o “auxílio” das “sobras das fortunas do sul”. Esses termos teriam sido utilizados pelo ex-governador, Cel. Aluízio Ferreira, em audiência com o presidente Gen. Dutra: “A Marcha para o Oeste, senhor Presidente, seria um amontoado de

palavras vãs, se não correspondesse a um processo de valorização do homem e produção de riquezas. V imos pedir à V . E xcia. Meios que nos permitam mobilizar as sobras da fortuna existente no Sul, no sentido de atenuar o extremo pauperismo do Norte.”220

Com o final dos Acordos de Washington em 1946, e extinção de subsídios diretos à produção e ao comércio da borracha, bem como o fim do preço artificial, a crise voltou a rondar e a política populista de “integração das fronteiras” em nome da segurança nacional deu seus últimos suspiros. A articulação do Cel. Aluízio Ferreira junto ao Gen. Dutra visou a “manutenção” do populismo de fronteira, contando com os recursos advindos da arrecadação comercial e industrial do sul do país.

Pode-se afirmar a existência de uma “Campanha pela não extinção dos Territórios”, que contava com “manifestações” dos grupos locais aos deputados constituintes, aos militares de alta patente, ao Ministério da Justiça, ao presidente Dutra, à imprensa carioca e às associações de classes do Rio de Janeiro. O A lto Madeira, no período, publicou em todos

os números a coluna “Pela Não Extinção dos Territórios”, relacionando os telegramas enviados às diversas autoridades, suplicando a intervenção junto aos constituintes, a militares e ao presidente Gen. Dutra:

Brigadeiro Lisias Rodrigues - O diretório udenista no Território do Guaporé lança veemente apelo ao ilustre militar afim de intensificar por todos os meios legais a justa propaganda pró continuação dos Territórios Federais que tanto incremento vem trazendo aos trechos lindeiros do País, outrora em completo abandono. ...

Ministro Carlos Luz – Ministério da Justiça – Rio: O diretório da UDN no Território do Guaporé, auscultando o pensamento unânime do povo desta região, apela para o profundo espírito democrático de Vossa excelência, no sentido de interceder junto ao Governo da Nação, a favor da continuação dos Territórios Federais, visto os mesmos estarem preenchendo com franca precisão a finalidade social e patriótica com que foram criados. Pelo Diretório Dr. João Fernandes. ...

General Eurico Gaspar Dutra – Presidente da República – Rio. Apelando à V. Excia. O anseio das classes conservadoras [UDN] pela manutenção dos Territórios, esperamos que nossa justa aspiração seja coroada de êxito, satisfazendo plenamente propósitos do povo desta região. Pela Associação Comercial do Guaporé. Júlio Cantuária. ...221

As manifestações partiram tanto de populares: ferroviários, soldados dos Contingentes Especiais de Fronteira e seringueiros, bem como de setores das elites: Maçonaria, Igreja Salesiana, representada no prelado Monsenhor Dom Pedro Massa, Associação Comercial do Guaporé, etc. Não havia distinção ideológica em se tratando da manutenção do território, naquele momento constituiu-se um “consenso” entre as classes. Tais manifestações demonstraram a capacidade de organização e de pressão acima das prováveis diferenças: “ Nesta capital tem havido numerosas demonstrações de protesto, partidas de

todas as entidades sem cor política, unidas num brilhante movimento de uniformidade e cohesão na defesa comum.”222 Segundo o artigo, o povo de Porto Velho se reuniu na praça General Rondon e manifestou por meio de seus oradores o descontentamento pela “medida impatriótica” dos constituintes. Os chefes políticos arrebanharam a massa. No palanque da “Permanência” estavam a UDN, o PSD e o PCB, além do representante dos ferroviários, o engenheiro Araújo Lima, dos comerciantes o seringalista Julio Cantuária e, em nome da mulher guaporense, Nilce Silva. A multidão, após os discursos de repúdio aos “traidores”, se dirigiu numa longa passeata para a residência oficial do governador, o Ten-Cel. Joaquim Vicente Rondon, que se comprometeu a representar os interesses dos “guaporenses” junto às autoridades federais. As manifestações foram de culto cívico, com direito a banda da Guarda Territorial, e os discursos foram transmitidos pela rede de alto falantes espalhada pela cidade.

220“Grande Plano de Recuperação da Amazônia”. A L TO MA DE IRA . Porto Velho, 02/mai/1946. 221“Pela não Extinção dos Territórios”. A L TO MADE IRA. Porto Velho, 25/abr/1946.

222

O Brigadeiro Lisias Rodrigues, presidente da Viação Aérea de S. Paulo, respondendo ao apelo dos udenistas de Porto Velho, publicou na imprensa carioca um artigo em defesa da permanência dos territórios. Sua argumentação “genealógica” retrocedeu às capitanias, criticando a estrutura de divisão política do Brasil em unidades federativas. Segundo ele, a redivisão territorial do país era necessária para a segurança, bem como para a “coesão” política em áreas subordinadas à União. A sua genealogia territorial reportou-se a Varnhagem, Pimenta Bueno, Backheuser e Oliveira Viana até a constituição da Sociedade de Geografia do Rio de Janeiro, todos “engajados” na divisão científica e “racional” do país contrariando o jogo político. O brigadeiro “demonizou” os constituintes favoráveis à extinção dos territórios, rotulando as oligarquias regionais de

“fruto dos preconceitos estultos do arrivismo e do regionalismo estadual”; a sua crítica se endereçava ao Glebarismo amazonense. 223

A imprensa paraense, contrária à extinção dos territórios, organizou o “Plebiscito

para os Territórios”. A defesa do jornal Folha do Norte sedimentava-se nas mudanças sociais, advindas com a transformação da região do Madeira-Guaporé em território federal. Na sua visão, a criação do território alavancou um “sensível” progresso na área: do saneamento, pela melhoria da assistência médica e sanitária, crescimento do setor educacional, ampliação e melhoramento das vias de transporte, comunicação fluvial e rodoviária, produção de gêneros de primeira necessidade e regularização do abastecimento. A mesma defesa foi feita pela cadeia dos Diários A ssociados e pela imprensa carioca, através dos jornais e agências de notícias: A gência Meridional, A Noite e Jornal do

Comércio, unânimes na defesa da permanência dos territórios federais. A Folha Carioca classificou a criação dos territórios como uma das maiores realizações de Vargas, associando os territórios ao seu capital político. O periódico comunista Tribuna Popular defendeu com sua peculiaridade a permanência dos territórios federais, dando ênfase à