2. Rhodobacter sphaeroides 3. Rhodobacter capsulatus
4.1 MORFOLOJİK ÖZELLİKLERE AİT BULGULAR
4.1.2.5 Çiçek Sayısı
Desta maneira, o que o Texto Constitucional não acolheu, isto é, a necessidade de integrar a temática de saúde e os povos indígenas, será regulamentado posteriormente pela legislação infraconstitucional.
Desta forma, o setor saúde tem na Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, conhecida como “Lei Orgânica da Saúde”, a base legal para orientar a organização
do Sistema de Saúde (12). Destacam-se na Lei Orgânica, relacionados com nossa dissertação, os artigos a seguir:
Art. 2º A saúde é um direito fundamental do ser humano, devendo o Estado prover as condições indispensáveis ao seu pleno exercício.
§ 1º O dever do Estado de garantir a saúde consiste na formulação e execução de políticas econômicas e sociais que visem à redução de riscos de doenças e de outros agravos e no estabelecimento de condições que assegurem acesso universal e igualitário às ações e aos serviços para a sua promoção, proteção e recuperação.
Art. 3º A saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da população expressam a organização social e econômica do País(12).
O texto da Lei nº 8.080 trata, dentre diversos assuntos, das diretrizes que norteariam a organização do Sistema Único de Saúde (SUS), como as de integralidade e descentralização. No entanto, além da referência à saúde dos trabalhadores, a temática sobre a saúde de grupos populacionais específicos, inclusive os indígenas, não foi mencionada na Lei quando esta foi sancionada.
O reconhecimento das especificidades da parcela indígena da população brasileira na Lei Orgânica somente ocorreu após nove anos da primeira formulação deste texto legal. Foram então acrescidos à versão original, que regulamentou o SUS, o Capítulo V e os respectivos artigos que integram a Lei nº 9.836/1999, conhecida como “Lei Arouca.”
Esta homenagem ao eminente sanitarista justificar-se-ia, pois, naquele momento, Arouca exercia o mandato de Deputado Federal e foi o autor, na Câmara, do projeto de modificação da Lei Orgânica. Ao acrescentar o Capítulo V à Lei nº 8.080, a Lei Arouca forneceu as bases legais para a criação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena. Do texto da lei, destacamos os citados a seguir:
Art. 19-A. As ações e serviços de saúde voltados para o atendimento das populações indígenas, em todo o território nacional, coletiva ou individualmente, obedecerão ao disposto nesta Lei
Art. 19-F. Dever-se-á obrigatoriamente levar em consideração a realidade local e as especificidades da cultura dos povos indígenas e o modelo a ser adotado para a atenção à saúde indígena, que se deve pautar por uma abordagem diferenciada e global, contemplando os aspectos de assistência à saúde, saneamento básico, nutrição, habitação, meio ambiente, demarcação de terras, educação sanitária e integração institucional.
Art. 19-G. O Subsistema de Atenção à Saúde Indígena deverá ser como o SUS, descentralizado, hierarquizado e regionalizado (13).
Neste último, art.19-G, contemplou-se um dos grandes diferenciais do Subsistema em relação ao SUS, ou seja, a organização em Distritos, como diz o parágrafo:
“§ 1º O Subsistema de que trata o caput deste artigo terá como base os Distritos Sanitários Especiais Indígenas.”.
Ressalta-se que o próprio SUS, em seus primórdios, foi pensado como um sistema que deveria ser organizado com base em Distritos. Esta proposta foi abandonada em benefício da municipalização, modificando a base territorial de organização dos serviços.
Outro dos artigos da lei que confere importância e visibilidade política ao Subsistema diz respeito à garantia de participação de representantes indígenas nas instâncias colegiadas de deliberação do SUS, como diz o texto abaixo:
Art. 19-H. As populações indígenas terão direito a participar dos organismos colegiados de formulação, acompanhamento e avaliação das políticas de saúde, tais como o Conselho Nacional de Saúde e os Conselhos Estaduais e Municipais de Saúde, quando for o caso(13).
Assim, as ações de saúde indígena, agora parte do corpo legal que regulamenta a política setorial, ganharam uma dimensão desconhecida até então. Esta foi aprimorada com a formulação de uma Política Nacional de Saúde para os Povos Indígenas (PNSPI), que consolidou os debates e proposições das Conferências Nacionais de Saúde Indígena (CNSI) como será demonstrado à frente.
Também, a partir da Lei Arouca, foi criado, no âmbito da Fundação Nacional de Saúde, o Departamento da Saúde Indígena (Desai), que propiciou uma qualidade diferenciada no trato das questões administrativas da saúde indígena(87). Este Departamento foi extinto recentemente com a criação da Secretaria Nacional de Saúde Indígena (Sesai), dentro do Ministério da Saúde, fruto de articulação política que trataremos posteriormente.
Estes avanços na legislação propiciaram um rearranjo no setor saúde de forma geral e na saúde indígena em particular, afetando diretamente a disponibilidade de serviços ofertados à população e aos povos indígenas. Este é o lado aparente de intensas articulações e debates ocorridos no período.
Assim, tiveram papel fundamental na contínua incorporação para os avanços legais, como a Lei 8080 e a Lei Arouca, a mobilização e discussão ocorridas nas Conferências de Saúde. A começar da 8ª CNS e sua congênere indígena 1ª CNPSI,
realizadas em 1986, estas instâncias foram e permanecem como fóruns de críticas, formulações e deliberações de suma importância, ao incorporar democraticamente os diversos segmentos que atuam na área de saúde na definição de diretrizes para a política setorial como veremos no capítulo sobre o tema.