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BİOÇEŞİTLİLİĞE DİREK OLMAYAN ETKİ İNSAN UNSURU

2. Çevreye Yönelik BaĢarı Ölçeğ

Economicamente a produção dos coletores em ecoplaca permite a sustentabilidade da marcenaria da ASMARE, pois proporciona um capital de giro para a produção, que é essencial para cumprir os pedidos e pagar os envolvidos no trabalho da marcenaria. Esse capital é proveniente à medida em quese manifesta a demanda, no caso do coletor. O cliente pede um orçamento de uma quantidade de peças, que geralmente atinge centenas de unidades, aprovado o orçamento, organiza-se a produção para a fabricação dos coletores, que é mais rentável que a produção a partir do reaproveitamento de materiais dada sua variabilidade acentuada e qualificação exigida para o freqüente exercício criativo de recriar objetos a partir de materiais com formas pré-estabelecidas e diferentes entre si.

Além disso, no reaproveitamento de materiais a demanda costuma ser mais imprevisível, segundo o Instrutor, é difícil prever se aparecerá um cliente que comprará uma peça com características tão específicas provenientes de materiais que por vezes já tem um “pré- desenho” ou são pós-consumo. Sob essa perspectiva da prática na marcenaria pode-se entender que a produção dos coletores sustenta a que se dá por meio do reaproveitamento de materiais.

181 Por outro lado, o valor econômico de uma peça proveniente do reaproveitamento pode oferecer maior margem de lucro que um coletor em ecoplaca, pois seu valor de estima83 tem maiores possibilidades de superar o do coletor.

Por exemplo, no caso da mesa para o Reciclo Espaço abordado neste trabalho a mesma gastou o equivalente a R$ 60,00 para a limpeza das madeiras (que foram doadas) e custo dos materiais utilizados para o acabamento, mais cerca de R$ 15,00 correspondentes as tintas e ferramentas para a pintura artística do tampo.

O preço da peça para um consumidor final, considerando o m² da arte84 no tampo, mais o projeto do produto85, mais o equivalente a limpeza das madeiras utilizadas mais o custo dos demais materiais e ferramentas para a produção seria de: R$ 2.025,00 (da arte no tampo) mais R$ 1.200,00 (equivalentes ao projeto do produto) mais R$ 75,00 (dos materiais, tintas e ferramentas utilizadas para a produção do objeto) o que resulta em um preço final para o consumidor correspondente a R$ 3.300,00. Ou seja, o lucro da mesa seria de R$ 3.225,00 (o equivalente a 4.300% do custo da marcenaria para a produção), considerando que o lucro no atual sistema da ASMARE é dividido por todos correspondendo ao custo do trabalho86.

Já no caso dos coletores, baseando na produção abordada neste trabalho, um coletor de capacidade de 8 l em ecoplaca fica em termos de custos de ferramentas e materiais para produção em cerca de R$ 10,00 e foi vendido para um consumidor final por R$ 20,0087, o de capacidade de 25 l fica em torno de R$ 25,00 e foi vendido a R$ 45,00, o de 45 l custa aproximadamente R$ 40,00 para a marcenaria e ficou em R$ 70,00 para o cliente, o de 60 l

83

Csillag (1991, p. 57) distingue quatro tipos de valores específicos que compõem o valor real de um produto. Entre eles está o de estima definido como: “medida monetária das propriedades, características ou atratividades que tornam desejável sua posse”. Baxter (1998, p. 185) determina a função da estima: não mensurável, ligada aos “efeitos sociais, culturais e comerciais do produto [...] são de natureza subjetiva (beleza, forma, aparência)”. Tal função está relacionada ao estilo do produto, que conforme Baxter (1998, p. 25): “é a qualidade que provoca a sua atração visual [...] Um bom estilo é sempre uma arte...”. Um bom exemplo pode ser comparar o valor de uma barra de ouro e a quantidade de ouro equivalente em jóias (considerando que as jóias sejam em apenas ouro). A diferença do valor se concentra basicamente no valor de estima que é atribuído as jóias.

84 Considerou-se como parâmetro o preço do m² (R$ 1500,00) cobrado pelo artista plástico que atuou como

voluntário no caso.

85

Baseado no valor de mercado do profissional desenhista industrial segundo horas trabalhadas no projeto do produto (considerando a média de mercado R$ 50,00 por hora trabalhada), no caso a desenhista industrial foi voluntária.

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A desenhista industrial e o artista plástico trabalharam como voluntários, mas a experiência também serve para simular o custo que o trabalho poderia ter no caso de produção com os atores da marcenaria.

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Quando são demandadas quantidades inferiores a 10 unidades o preço aumenta, no caso do coletor de 8 l fica em R$ 25,00 (o aumento do preço vale também para os coletores de diferentes capacidades), mas aqui considerou-se o preço real de venda dos coletores no caso abordado.

182 ficou por volta de R$ 70,00 e foi vendido para o cliente a R$ 150,00. Desse modo, a média do lucro foi de 92,25% do custo para a produção da marcenaria (incluindo materiais e ferramentas), ou seja, o custo médio do trabalho equivaleu a 92,25% do da produção dos coletores.

Portanto evidencia-se o grande potencial de valorizar o trabalho dos associados com atividades mais gratificantes por meio do valor que pode ser agregado ao produto no reaproveitamento de materiais. Possibilidade esta que requisita dos envolvidos maior diversidade de competências humanas.

Vê-se também a necessidade de pontos de venda adequados a exposição do produto para venda de acordo com a fatia de mercado que se deseja atender, a falta de pontos de venda adequados, nesse sentido, tem constituído um obstáculo ao reaproveitamento. Além disso, outra forma seria uma mudança de estratégia, divulgando88 aos clientes da marcenaria e a outros potenciais os produtos feitos de reaproveitamento. Tais ações são possibilidades de promover a sustentabilidade econômica por meio do reaproveitamento de materiais.

Enfim, os materiais pós-consumo, disponíveis para o reaproveitamento, constituem um recurso que poderia ser fonte para também um capital de giro na marcenaria. Um outro aspecto é a necessidade de valorização e conhecimento dos próprios atores da marcenaria sobre as peças pós-consumo, disponíveis nos depósitos da marcenaria, entre as quais se encontram clássicos do design, objetos que fazem parte da história do design (o que pode ser observado na FIGURA 81).

Exemplos de peças com potencial valor de estima em termos de design de móveis são encontradas nos depósitos da marcenaria como a cama patente de design de Celso Martinez Carrera89, um marco histórico do design brasileiro de influência austríaca Thonet90 (FIG. 81), que introduziu o art nouveau na Europa e a tecnologia de curvar madeira.

88

Por meio de imagens ou de um portfolio ilustrado que pode ser disposto em diversos tipos de mídia, inclusive via internet com o apoio de parceiros que poderiam produzir o material de divulgação.

89

Espanhol que veio morar em São Paulo patenteou a cama em 1915. As inovações no modelo permitiram acesso a amplas camadas da população, pois seu criador foi precursor da produção de móveis seriada no país permitindo custos mais baixos, tomando parte do mercado de móveis sob encomenda (MUSEU DA CASA BRASILEIRA, 2009). A cama patente sofreu alterações após o primeiro modelo, sendo encontrada em diversas versões, como: a Cama Nobre, a Cama Salete, a Maria Antonieta e a Cama Regência. Na literatura encontram-se controvérsias sobre a autoria da cama, alguns mencionam o italiano Luiz Liscio também (ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL DE ARTES VISUAIS, 2010).

183

a) b)

FIGURA 81 – a) Versão da cama patente do acervo do Museu da Casa Brasileira Fonte: MUSEU DA CASA BRASILEIRA, 2009.

b) Partes (cabeceira e pé) de outra versão da cama patente em um dos depósitos da marcenaria

Quanto ao âmbito social, o reaproveitamento permite a aquisição de uma maior diversidade de habilidades no trabalho (apesar de requerer maior supervisão e acompanhamento por parte do Instrutor), possibilitando a integração do grupo da marcenaria da ASMARE em variadas etapas do design do produto, com maiores possibilidades de um trabalho mais gratificante e criativo, propriamente mais humano por se distanciar da monotonia e repetição própria a máquinas.

Em contrapartida, na produção dos coletores, o aprendizado acontece em variedade menor, dada a repetição das atividades baseadas num modelo seriado, o que é considerado de mais fácil em relação à fabricação e ao aprendizado do ofício.

Socialmente a formação de associados e aprendizes é um aspecto fundamental a ser considerado na organização. Foram identificados momentos de satisfação entre os aprendizes em uma atividade que envolveu a concepção de produtos e a construção dos objetos concebidos em escala reduzida. Alguns atores manifestaram maior interesse na produção a partir do reaproveitamento do que na do coletor, os que preferem trabalhar na produção dos coletores manifestam que é mais fácil, já sabem como fazer.

90

De Masi et al. (1997) caracterizam os móveis Thonet como exemplo de autênticos valores estéticos obtidos por meio de aspectos artesanais: do design do produto ao primor dos acabamentos manuais, além das inovações na fabricação e montagem.

184 Considerando que é difícil ou inconsistente a comparação de uma atividade conhecida e vivenciada com outra que se conhece pouco, participando apenas da fase de limpeza do material e acabamento por vezes, seriam necessárias experiências de participação do grupo nas diversas fases do design do produto com o reaproveitamento de materiais para determinar a qual categoria de atividade é atribuída maior motivação dos atores.

A partir das evidências da pesquisa de campo acredita-se que maior potencialidade de motivação para o trabalho está no design e fabricação de produtos a partir do reaproveitamento de materiais. Outro ponto importante na formação dos envolvidos no trabalho são as parcerias com profissionais que permitem vivenciar novas experiências, e possibilitam aprendizado que se reproduz com aplicações em diversos casos.

Ambientalmente pode-se levar em conta a consideração do uso de critérios ambientais, que não se apresentam como prioridades nas práticas de trabalho devido às urgências de natureza econômica no contexto social existente. Percebe-se que, de acordo com os clientes entrevistados, não há uma percepção de distinçãoentre o produto que utiliza ecoplaca e o que é feito a partir do reaproveitamento de materiais, ambos são vistos como benéficos em uma perspectiva socioambiental.

A partir da interpretação e conclusão da ACV, pode-se notar que ainda existem vários pontos da cadeia produtiva da ecoplaca dos quais não há informações disponíveis, como sobre a logística reversa das embalagens cartonadas e de quais cidades especificamente são provenientes tais embalagens pós-consumo, considerando que as fábricas e pontos de coleta concentram-se no estado de São Paulo. Considerou-se que o benefício ambiental é maior por meio do reaproveitamento de materiais, pois, em uma análise qualitativa, está inserido em um contexto local que contribui para o desvio de grandes volumes nos aterros sanitários que recebem os resíduos da cidade de Belo Horizonte, inserindo os mesmos em novos ciclos de valor, contribuindo assim para uma abordagem ambientalista.

A FIG. 82 ilustra a relação do ecodesign na marcenaria da ASMARE e sua relação com a sustentabilidade da associação a partir da perspectiva deste estudo.

185

FIGURA 82 – O ecodesign como um dos fatores de sustentabilidade da ASMARE

A FIGURA 83 sintetiza os resultados da pesquisa segundo a concepção de ecodesign adotada nesta dissertação, considerando as dimensões econômica, social e ambiental.

FIGURA 83 – Uma síntese dos resultados da pesquisa segundo a concepção adotada sobre ecodesign Sustentabilidade

ASMARE

Econômica: melhora da renda dos associados;

Social: formação dos associados, inserção social;

Ambiental: desvio de resíduos pós- consumo dos aterros sanitários, reintrodução dos materiais em novos ciclos de valores.

Marcenaria

Econômica: Melhora da renda dos associados e demais atores, aumento do valor de estima dos produtos; Social: inserção de jovens em empresas externas e aprendizado do ofício, motivação para o trabalho, parcerias com profissionais;

Ambiental: design de produtos ecológicos.

Ecodesign

Ecodesign

Social

Reaproveitamento: maior motivação para o trabalho, desenvolvimento de variadas habilidades

Produção seriada dos coletores: lucro obtido muitas vezes ao custo do trabalho humano repetitivo (rentabilidade),

aprendizado mais limitado, dores musculares

Econômica

Reaproveitamento: Possibilidade de ampliação da fatia de mercado, maior margem de lucro

Produção seriada dos coletores: dificuldade em obter padrões de qualidade industriais como os demais produtos de mercado (rotatividade e aprendizagem do ofício) e abranger clientes além

do relacionamento ASMARE, maior rentabilidade – produção x tempo)

Ambiental

Reaproveitamento: uso de recursos locais e gratuitos, desvio de materiais pós-consumo do aterro sanitário

local

Produção seriada dos coletores: fornecedores externos, faltam informações sobre a cadeia produtiva e sobre o

Benzer Belgeler