2) Görüşme yapılan grupların homojen olduğu varsayılmıştır.
3.1 Çevre bilinc
Imagem 14 - Aula com Mestre Shacon
Aula de percussão de Maracatu Nação. Á esquerda da imagem,Viliam, e à direita, Mestre Shacon. Fonte: Frame do vídeo Farm in the Cave-Do nitra Brazílie ... (2010)
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Alfaia: tambor grande e grave, sempre de madeira, cilíndrico, típico do Maracatu Nação. Possui pele de couro nas duas bocas, que são retesadas por cordas, permitindo afinação, de percussão indireta com duas baquetas tocando do mesmo lado. Gonguê ou ferro: diferente do gonguê do Maracatu Rural, apresenta apenas uma campânula de ferro bem maior, tocada com baqueta grossa de madeira. Xequerê é um instrumento de cabaça coberto por uma trama de miçangas que, friccionadas ou sacudidas, repercutem na cabaça. Também chamado de abê.
O Farma teve maior contato com a Nação do Maracatu Porto Rico, fundada em 1916. Os integrantes do grupo participaram de aulas de percussão e dança com Mestre Shacon Viana94 (imagem 14).
2.4.4 Candomblé
Já citei nas páginas 56 e 58 informações sobre o Candomblé e as motivações para o grupo, desde a viagem à Salvador em 2008 às palestras do polonês Leszek Kolankiewicz, passando pelas aulas com Augusto Omolu. Ressalto aqui outros elementos usados no espetáculo.
Na cena Resurrection, após a morte do Boi, a atriz Patricie Paráková, que faz Catarina, constrói sua partitura física a partir da dança do Orixá Omolu. Ele é o Orixá da morte, considerado o responsável pela passagem dos espíritos do plano material para o espiritual. Cobre o rosto com uma máscara de palha, que no espetáculo a atriz usa o próprio cabelo. A cena ritual é assistida pelos espectadores ficcionas e um deles é tomado involuntariamente pelo transe e adentra o palco/terreiro. Percebe-se que o tema é abordado tanto como possibilidade de comunicação entre o mundo dos vivos e o dos mortos (função do Orixá Omolu), para ressuscitar o Boi, como possibilidade de comunhão e de abertura para uma comunicação entre as pessoas, que não poderia existir não fosse nesse estado alterado de percepção.
No espetáculo, Dočolomanský (Informação verbal)95 usa a associação entre transe, possessão e o ofício do ator com a seguinte proposição: algo dança por meio do ator. O ator necessita estar em um estado diferenciado, dilatado. Não como personificação ou encarnação da personagem, mas como corpo-voz-mente em sinergia, totalmente disponível para a troca com o espaço, o público, com as próprias energias potenciais psicofísicas que cada ator possui. Esse paralelo ator-personagem-possessão, como já ressaltado, é uma visão de Leszek Kolankiewicz, apresentada tanto na palestra feita no Festival Farma 2007, quanto na Conferência Afro-brasileira em 2009, e defendida por Viliam em sua proposta cênica.
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Mais informações sobre o Mestre Shacon Viana, ver sítio oficial da Nação Maracatu Porto Rico. Disponível em < http://nacaoportorico.maracatu.org.br/o-mestre-e-os-batuqueiros/ > Acesso em: 20 jun. 2013.
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Imagem 15 - Cena Resurrection
Sequência da cena. Fonte: Frames do DVD do The Theatre (2010)
No instrumental usado no espetáculo advindo do Candomblé, destacam-se dois atabaques e o agogô96. O agogô é um instrumento muito importante no Candomblé, pois faz a marcação. Na cena de abertura, Papagaio, ele dá o andamento, mas não configura um toque específico de Orixá.
2.4.5 Pancararu
O contato do Farma com os índios Pancararu se deu na aldeia Brejo dos Padres, em um momento em que a comunidade fazia um ritual de cura. Martins (2013) cita que “eles estavam vestidos com uma roupa de palha e tocavam uma maraca97.”
A vestimenta de palha é o praiá. De acordo com Albuquerque (2010, p. 14), a veste só é usada durante festas cerimoniais, dedicadas a algum acontecimento milagroso ou curas em geral. As curas são atribuídas aos encantados, personificados pelo próprio praiá:
os encantados fazem parte [...] do “complexo da jurema”98. Campo religioso afro-indígena cuja linguagem ritual guarda a herança colonialista católica e as alianças territoriais, simbólicas e de parentesco entre os povos autóctones e escravos negros durante a formação histórica da região nordeste do Brasil.
Os índios Pancararu habitam a região da Serra da Borborema, nas proximidades do Rio São Francisco, entre os municípios pernambucanos de Tacaratu, Petrolândia e Jatobá. Eles se
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Atabaque: já descrito na página 60. Agogô: instrumento típico do Candomblé, também chamado de gan. Muito usado na música brasileira em geral, especialmente no samba. Possui duas campânulas presas por haste, percutidas com baqueta de madeira.
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Maraca ou maracá: tipo de chocalho com esfera oca de cabaça preenchida com sementes, conchas ou miçangas, presa na ponta de um pedaço pequeno de pau. Instrumento típico dos povos ameríndios.
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Jurema é uma planta da qual se faz uma bebida ou se fuma. Usada em cultos de religiões como a Umbanda, Candomblé de caboclo e o catimbó. Muito popular em Pernambuco. Também relacionada ao Maracatu Rural. Ver Andrade (1983).
dividem em 15 aldeias, sendo a principal delas Brejo dos Padres, que pertence ao município de Tacaratu, onde o Farma esteve.
Imagem 16 - Encantados
Aldeia Brejo dos Padres. Fonte: Frame do vídeo Farm in the Cave-Do nitra Brazílie...(2010)
O canto Chamada de Aricury de Andrade (2006, CD 1, faixa 19) é usado na cena Dream: é noite e todos vão dormir. Nessa atmosfera de silêncio, aparece uma das atrizes sendo arrastada por um boneco de olhos vendados (tecnicamente a atriz manipula um boneco que a manipula, arrastando-a. Chamam a atenção o rigor e o apuro técnicos). Embalada pelo canto, a cena marca o momento de transformação da trupe, anunciando um novo tempo, que não será dos mais fáceis. O canto é microfonado, com tratamento especial de áudio em cima de uma base harmônica gravada. Não vemos o ator que canta em cena, o que dá uma atmosfera bem mágica, de suspensão, também porque o canto tem esse caráter hipnótico e circular da repetição (partitura 8).
Existem muitos momentos no espetáculo em que o arranjo musical foi feito a partir do padrão rítmico binário e na repetição hipnótica de semínimas99 típica da marcação da maraca da música indígena. Encontra-se também na cena Resurrection, que usa o padrão indígena como iniciação do ritual de ressurreição do Boi: transe e cura se relacionam.
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Semínima é a figura musical, com bolinha preenchida e haste simples. Padrão rítmico binário se refere ao compasso 2/4. O 4 representa o valor da semínina, ou seja, no compasso binário, duas semínimas ou dois tempos é o valor máximo desse compasso. Um exemplo da figura da semínima é a partitura 5, na página 74, a linha da póica, no caso, em um compasso 4/4.