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O coordenador pedagógico foi citado em várias entrevistas como um elemento-chave para apoiar o trabalho do professor em sala de aula. O papel e influência desse profissional sobre os professores também foi percebido desde o início deste estudo, quando se posicionou a favor ou contra o desenvolvimento da pesquisa.

A coordenadora entrevistada referiu-se a uma estratégia muito interessante com relação ao trabalho dos professores que se inicia desde a escolha da sala.

— Uma coisa que eu costumo fazer muito com as professoras e que tem dado certo, é fazer um perfil das salas. [...] Outra coisa que a gente costuma fazer é determinar a formação de salas. A gente consegue combinar que tipos de salas nós vamos ter, que tipos de alunos tal professor vai pegar, tal professor vai atender. Isso que é o mais legal: a gente consegue combinar com o professor, geralmente a gente respeita a vontade e a escolha do professor (Entrevista 6). Dentre todas as entrevistas, esta foi a primeira vez em que o trabalho de inclusão apareceu atrelado ao desejo e não a uma imposição. Nesta escola, em particular, a partir do trabalho de sua coordenadora, passou-se a dar possibilidade de escolha aos professores. Dessa forma, aqueles que tinham alunos com deficiência na sua sala fizeram uma escolha, e, desde o primeiro contato com os professores dessa escola, foi possível perceber uma identificação, um prazer no desenvolvimento do trabalho. O grupo de profissionais da escola se colocou como parte do processo.

— Quando os casos chegam na escola, eu faço uma conversa com os pais, e a gente procura colocar a criança junto com o professor que mais tem acesso, que vai aceitar melhor esta criança, porque não são todos os professores que querem trabalhar com crianças de inclusão (Entrevista 6).

Consideramos que essa postura da coordenadora pode ser entendida como uma estratégia que a profissional utiliza para a inclusão de crianças com deficiência. Na verdade, parece que a coordenadora encaminha os casos de crianças com deficiência aos professores mais abertos à realização desse trabalho. No entanto, é importante que essa ação não fique paralisada, de forma que os conteúdos envolvidos na não-aceitação também possam ser discutidos, para não se reiterarem atitudes preconceituosas que levam à manutenção de circuitos de exclusão.

Além disso, não faz sentido falar de uma escola inclusiva quando existem alunos "de inclusão", professores "de inclusão". O projeto deve ser da escola, pois existe a possibilidade de o professor deixar a escola ou de o aluno mudar de professor e o trabalho realizado se perder.

Uma das atribuições do coordenador pedagógico é precisamente dar suporte pedagógico ao trabalho do professor em sala de aula. Durante a entrevista, a coordenadora explicou:

— Eu acompanho bastante as crianças, até mesmo em

sala, converso muito com as professoras.

Mensalmente, a gente senta, faz relatórios, conversa sobre o trabalho que foi feito, o que pode melhorar, o que não pode, e com a vinda da Isabel, que é a professora da SAAI, ela também tem ajudado muito. Ela acompanha, faz as anamneses, conversa com as mães, senta comigo, a gente toma providências, ela organiza os horários de atendimentos com as crianças (Entrevista 6).

Além de aparecer nessa fala uma das suas atribuições, a coordenadora também destaca a importância do trabalho da professora da SAAI, como apoio fundamental no desenvolvimento do trabalho, sobretudo porque é uma profissional que tem mais possibilidades de conhecer a criança na sua individualidade, levantando seus interesses e possibilidades. A professora especializada ajuda os professores, mas também auxilia no trabalho do coordenador pedagógico.

Vista a importância do coordenador na escola, podemos refletir sobre como é fundamental que ele tenha bom relacionamento com os professores, para que o trabalho flua e dê bons resultados.

Outra questão discutida refere-se à imposição de programas pela Secretaria Municipal de Educação e o desrespeito a algumas diretrizes da inclusão:

— Seria bom que tivesse um pouco menos de alunos nas salas. Então, só pra você ter uma idéia, essa sala em que eu tenho dois alunos surdos, é uma 4ª série que tem 46 alunos, entendeu? É a Coordenadoria que deveria assistir melhor a escola, entendeu? Mas a justificativa é: "Vocês têm demanda, vocês têm que atender", porque rege uma lei maior que diz que crianças de 7 a 14 não podem ficar fora da escola, entendeu? Então, lá a gente tenta (Entrevista 6).

Essa fala é interessante, pois ajuda a confirmar o quanto a Educação Inclusiva é apenas uma das vertentes da política educacional. Em outras palavras, existe uma diretriz relacionada à inclusão que sugere um número menor de alunos na sala, mas também existe uma lei maior que determina que todas as crianças com idade para cursar o Ensino Fundamental não podem ficar fora da escola. Dessa forma, a idéia primeira acaba ficando para

o segundo plano. Por isso, ao discutirmos Educação Inclusiva, precisamos nos remeter sempre ao sistema educacional geral.

A imposição de programas e a importância dada a estes é algo que muitas vezes atrapalha o andamento da escola, que se vê pressionada o tempo todo.

— Esta administração tem cobrado realmente muitos números. A gente tem passado momentos de muitas cobranças, não só em relação à Prova São Paulo [que avalia alunos da rede municipal de 2ª a 8ª séries de Ensino Fundamental nos conteúdos de português e matemática] e à Prova Brasil [que avalia alunos da rede municipal de 4ª a 8ª séries de Ensino Fundamental de todo Brasil nos conteúdos de português e matemática), mas, mensalmente, a gente tem que mandar relatório das classes de 1ª série, de 2ª série e do 4º ano do PIC. É uma classe formada por alunos não alfabetizados na 4ª série, a gente tem que mandar relatórios de alfabetização pra administração todo mês. Isso é um pouco cansativo pra escola, porque é uma coisa que às vezes a gente perde o fôlego, porque a escola não se move só em cima disso (Entrevista 6).

A angústia gira em torno dessas cobranças, pois as exigências estão muito relacionadas a aspectos quantitativos do desempenho dos alunos, e estes são considerados como termômetros sobre o trabalho desenvolvido pela escola. O que os coordenadores e professores levantam como queixa é que, na maior parte das vezes, os números aparecem de forma isolada, descolados de um contexto, e só ajudam a aumentar a pressão sobre os professores, que são apontados como os principais culpados pela baixa qualidade do ensino.

Assim, tanto a coordenação pedagógica como a direção da escola têm papéis fundamentais na condução da prática educacional. Ao coordenador e diretor da escola cabe a função de mobilizar professores, funcionários e

demais membros da comunidade escolar para realizar um trabalho de cooperação, no sentido de efetivar práticas inclusivas.

8.4. A entrevista em grupo: um ponto de vista coletivo sobre a questão