Esse eixo de análise é decorrente das respostas dadas às questões 7 e 8 do questionário, ou seja:
7. Em algum momento de sua carreira ou na vida, você teve contato com algum tipo de conscientização para trabalhar valores humanos em suas aulas? Comente.
8. Em sua formação acadêmica, teve subsídios para trabalhar a Educação Matemática baseada em valores? Em caso de resposta positiva, como foi?”
As respostas dos professores constam da Tabela 8.
TABELA 8 - Como aconteceu a conscientização para o trabalho com valores
Formas de conscientização Total de respostas
1- Não houve formação acadêmica 22
2- Aprendeu com a experiência de sala de aula 9
3- Em reuniões e palestras 4
4- Faz parte do projeto da escola 3
5- Origem na família 2 6- Em curso de capacitação 2 7- Campanha da fraternidade 1 8- Em curso de especialização 1 9- Na formação acadêmica 1 10- Em branco 2 11- Não especificou 3
Inicialmente analisamos as questões relacionadas à tomada de consciência quanto à necessidade da inserção de valores humanos nas aulas e de que maneira isso aconteceu em sua formação, tanto acadêmica quanto através da prática e da experiência.
Constatamos que a grande maioria dos docentes que respondeu ao questionário (22) apontou que não houve nenhum tipo de contato com o assunto em sua trajetória acadêmica. A princípio, somos levados a acreditar ser essa resposta passível de uma reflexão crítica de nossa parte, pois percebe-se haver na maioria dos cursos de formação docente, nas diversas disciplinas que compõem os currículos, discussões no âmbito filosófico e pedagógico, onde aparecem questões como a ética e procedimentos didáticos que podem ser facilmente relacionados com educação em valores humanos. No entanto, se analisarmos os documentos oficiais, como o Relatório do INEP 2003, por exemplo, sobre as condições de formação dos professores egressos das licenciaturas em Matemática, constatamos que a maioria dos cursos não contempla um currículo voltado à análise das questões sociais, políticas e culturais da realidade brasileira. Na análise de Nacarato (2006) a ausência dessas discussões remete à educação continuada a necessidade de se buscar essa formação mais ampla para os professores de Matemática.
Tal possibilidade também foi apontada por alguns professores, como em especializações e cursos de qualificação.
Na época em fiz minha especialização comentava-se muito em valores mas nada fundamentado, apenas nas práticas/debates. Muitos professores (colegas de curso) não aceitavam esse tema em uma aula de Matemática. (P2)
Não, dado que minha formação acadêmica é de mais de vinte anos, onde a Educação Matemática não era um movimento tão forte e estabelecido. Já na minha especialização, houve algum subsídio na disciplina de Modelagem Matemática. (P19)
Outros professores responderam que seu contato com o assunto acabou acontecendo devido aos projetos pedagógicos de algumas escolas onde trabalhavam e também através da experiência em sala de aula. É a escola possibilitando a formação continuada dos professores.
Tive contato através de palestras e encontros. Essas palestras são oferecidas pelo nosso colégio periodicamente aos pais e professores, no mínimo duas ao ano. (P19)
Na escola que trabalho já tivemos muitos encontros de formação onde nos conscientizamos e aprimoramos nossos conhecimentos em relação aos valores humanos. (P23).
Em nossa escola é desenvolvido o projeto Virtudes que tem como objetivo desenvolver os valores humanos em nossa crianças e jovens. Portanto, além de trabalhar os valores humanos como um todo, focamos principalmente a importância da solidariedade, tema da 6ª. Série, na qual eu leciono. (P8)
Por fim, analisamos de forma geral as questões 10 e 11 que correspondem ao acesso à bibliografia sobre o assunto e se no espaço de trabalho do professor existe uma preocupação institucional sobre o assunto.
Constatamos nos questionários respondidos, que apenas sete professores disseram ter tido acesso a revistas e periódicos, como as revistas Veja e Nova Escola, porém, não sendo citada nenhuma obra educacional mais específica. Três professores trazem referências a livros como: Pais brilhantes, Professores fascinantes de Augusto Cury; Educação: a
solução está no afeto, de Gabriel Chalita e Uma vida para seu filho, de Bruno Bettelheim. Somente um professor destacou obras educacionais, como: Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire e Matemática da vida cotidiana, de José Roberto B. Giardinetto. Dois professores comentaram sobre autores como Perrenoud, Nóvoa, Gordillo, Maturana, Freinet e Edgar Morin, porém, não citaram os nomes específicos de suas obras. Dois professores citaram que viram material sobre o assunto, porém não lembram o autor e o tema. Seis professores responderam que nunca tiveram qualquer tipo de acesso a uma bibliografia específica sobre o tema e dois não souberam responder.
Quanto à preocupação institucional com o tema relacionado aos valores humanos na educação, nas instituições onde atuam, as respostas se configuraram desta maneira:
•Sete professores informam sobre a existência de um projeto voltado ao desenvolvimento de valores em sua escola.
• Em outros seis questionários, há a informação de que existe a preocupação da escola, porém, não há um projeto específico sobre o tema.
• Um professor citou que apenas as séries iniciais têm essa preocupação na sua escola e, embora o assunto esteja no Projeto Político Pedagógico da instituição, ele o vê como algo burocrático.
•Um professor teve um discurso mais radical e disse que os encaminhamentos sobre o assunto são enviados ao conselho tutelar ou a um psicólogo, o que nos pareceu uma resposta bastante confusa, pois diverge totalmente do que se está discutindo.