3.7. Gelenek Kaybı/Yitimi ve Yalnızlık
3.7.2. Ortadan Yarısından’da Gelenek Yitimi-Yalnızlık İlişkisi
3.7.2.1. Çöp Torbası Evren
As historiadoras feministas têm utilizado diferentes abordagens para analisar o gênero. Scott (1995) resume três posições teóricas. A primeira corrente empenha-se em
explicar as origens do “patriarcado”, assumindo a defesa de que as desigualdades entre
homens e mulheres assentam-se na sexualidade. Confirma a subordinação das mulheres e a necessidade que o homem tem de dominá-las. Reconhece a desigualdade entre os sexos, mas não explica a sua origem, nem pondera sobre o fato de que ela pode estar associada a outras desigualdades.
Uma segunda visão, a da vertente marxistas defende a existência de “uma explicação material para o gênero” (SCOTT, 1995, p. 78). Esta rejeita a idéia de que a reprodução biológica, em si, determina a divisão sexual do trabalho no capitalismo. Por outro lado, reconhece que os sistemas econômicos não determinam diretamente as relações de gênero, já que a subordinação das mulheres é anterior ao capitalismo e continua no socialismo, alimentando, assim, a busca de uma explicação materialista que supere as diferenças físicas naturais (SCOTT, 1995).
A questão em debate, portanto, não é a superação das diferenças naturais, mas o entendimento de como é instituída a discriminação a partir destas, ou melhor, perceber os processos em que as identidades dos sujeitos são criadas, bem como a formação da identidade de gênero. Nas duas posturas, incide a idéia de fixidez, que tem limitado o desenvolvimento de novas análises.
A terceira posição, a da abordagem psicanalítica, distinguiu-se em várias escolas para entender o modo pelo qual as sociedades representam o gênero e se servem dele para articular as regras por que se devem pautar as relações sociais, a exemplo da relação de masculinidade x poder e da maior valorização da virilidade em detrimento da feminilidade (SCOTT, 1995).
As crianças constroem, desde cedo, os significados do que é ser masculino ou feminino, conforme o modo pelo qual a sociedade representa o gênero, e o utiliza para articular as regras de relações sociais ou para construir o sentido das experiências.
Scott (1995) afirma que é principalmente por meio da linguagem que se dá a construção do significado da diferença sexual, uma vez que a imposição de regras de interação social é generificada. Por essas regras, constroem-se hábitos, valores e concepções sobre o mundo. Eis a razão por que entendemos que o objeto maior da história das mulheres deve ser o estudo dos discursos e das práticas que garantem a aceitação por parte destas das representações dominantes da diferença entre os sexos (COLLING, 2004).
Assim sendo, as idéias e concepções sobre o masculino e o feminino são construções sociais não fixas, pois elas variam de acordo com as utilizações contextuais, diferenciando-se conforme o período histórico, a cultura, a classe, a etnia e a religião. Nesse sentido, Colling
(2004) lembra que as historiadoras entenderam que é necessário introduzir na história global a dimensão da relação entre os sexos, com a convicção de que esta não é um fato natural, mas uma relação socialmente construída e incessantemente remodelada, efeito e motor da dinâmica social. Uma relação que produz saberes e categorias de análise que permitem reescrever a história, levando em consideração o conjunto das relações humanas: uma história que interroga o conjunto da sociedade.
As estudiosas e os estudiosos das relações de gênero, atualmente, propõem-se, principalmente, uma desconstrução dessa oposição binária, num posicionamento contrário ao caráter fixo e permanente de decisões baseadas na diferença natural dos sexos. Sob tal enfoque o termo desconstrução pode ser interpretado como o ato de
[...] analisar levando em conta o contexto, a forma pela qual opera qualquer oposição binária revertendo e deslocando sua construção hierárquica, em vez de aceitá-la como real ou auto-evidente ou como fazendo parte da natureza das coisas (SCOTT, 1995, p. 84).
As teorias pós-estruturalistas vão balizar essa desconstrução no momento em que trazem para o centro do debate o discurso e a análise da linguagem, defendendo que esta não seria essencialmente “uma representação da realidade feita pelos sujeitos, mas, sim, constituidora dos sujeitos e das realidades. [...] Assim propõe a desconstrução dos princípios fundantes sobre os quais se construíram os tradicionais sistemas de pensamentos” (LOURO, 1995, p. 110).
Buscamos, conseqüentemente, o rompimento da oposição binária entendida como natural e imutável, na qual se tem a representação da inferioridade da mulher, mesmo porque um dos propósitos do estudo do gênero, hoje, é desmontar a lógica das operações binárias e, a partir daí, desconstruir as normas tradicionais de pensamento.
Analisando essa relação de poder entre mulheres e homens, Scott (1995, p. 86, grifo da autora), aproxima-se de Foucault, ao entender o poder como “constelações dispersas de relações desiguais, discursivamente constituídas em campos de forças sociais”. Da mesma forma, deve ser entendido o poder nas relações que se desenvolvem entre homens e mulheres, como sujeitos livres, em múltiplos lugares na sociedade. O que se pode fazer é uma recolocação dessa disputa junto aos diferentes grupos sociais.
A luta entre homens e mulheres, como entre outros contemporâneos, é histórica e atravessa diferentes sociedades. Essa disputa entre os gêneros insere-se numa disputa contra os privilégios do saber, o qual contribui para manutenção ou alteração de uma dada situação de poder.
As significações de gênero e de poder constroem-se reciprocamente e em muitos lugares, assim como a mudança (ou a desconstrução) poderá ocorrer em diferentes áreas da sociedade e das instituições, a começar por aquelas em que as relações são historicamente generificadas, como, por exemplo, a política ou a instituição escolar. A escola e, mais particularmente, os cursos de formação profissional, historicamente, são lugares de construção e de reprodução simbólica do que vem a ser o feminino e o masculino na sociedade: são ambientes disciplinadores, moldam o sujeito, suprimem gestos e constroem posturas de comportamentos.
Com tal compreensão acerca da história das mulheres e das relações de gênero, desenvolvemos nosso trabalho sobre a história das instituições educativas, enfocando a formação de professores e a história da Escola Normal de Natal no momento de sua transformação em Instituto de Educação (1950í1965).