10. ORTA TUNÇ ÇAĞ KAPLARI
10.2. Çömlekler
A abordagem do tema “Patrimônio Cultural” pela Biblioteconomia de Livros Raros propicia um olhar diferenciado em relação às bibliotecas, isto é, os locais onde as coleções de impressos de reconhecido valor cultural são salvaguardados. Em uma perspectiva de valorização de bens culturais móveis, a biblioteca é analisada sob duas abordagens: fragmentada em nível da coleção, como o local que reúne bens culturais de natureza bibliográfica; e prestigiada em sua totalidade, como um espaço patrimonial, um lugar de memória.
O termo biblioteca deriva do grego biblion (livro) e thêkê (depósito), ou seja, livraria (BLUTEAU, 1722; CABRALII; RAMALII, 1863), o lugar destinado para ter livros, sala com estantes em que os livros estão catalogados e em condições de se poderem achar e se conservar (VIEIRA, 1871). Entretanto, a biblioteca é mais que um simples depósito de livros; é um repositório intelectual, uma agência social criada para atender às necessidades da instituição e do grupo à qual irá servir. É um instrumento moldado e condicionado pela estrutura social, de acordo com os padrões e os valores culturais que regem as instituições dessa estrutura. A biblioteca como criação social reflete a cultura que a gerou e, por sua vez, atua sobre a cultura, na medida em que, vinculando seus valores, crenças e padrões comportamentais, contribui para a preservação e difusão da herança cultural (GOMES, 1983, p. 5).
As bibliotecas são setores de diferentes instituições ou a instituição que reúne coleções bibliográficas e que oferece serviços para o acesso e o uso delas. Variam de acordo com as tipologias de acervos e de usuários. Podem ser bibliotecas universitárias, escolares, especializadas, etc.
A perenidade de uma biblioteca e a manutenção do seu acervo original acabam por destacar o valor de raridade dos itens de sua coleção e o valor patrimonial deste conjunto. Segundo Carter (2004), as bibliotecas lidam pragmaticamente com o chamado “patrimônio cultural”. Dedicam-se às práticas de colecionar, restaurar e preservar objetos com o propósito de expô-los para que possam ser vistos e preencham as funções pedagógicas que lhe são atribuídas.
Garcia e Rendon (2001) esclarecem que a biblioteca histórica é a instituição, bem como a gama de serviços por ela prestados, cujo principal critério de agrupação do seu acervo é a antiguidade do objeto. Para Pedraza Gracia (2014), há dois tipos de bibliotecas que guardam livros antigos: aquelas que possuem somente livros antigos e as que possuem também livros modernos. Entre as primeiras existem as bibliotecas que não realizam novas aquisições e que permanecem com uma configuração (acervo e mobiliário) do passado e aquelas que continuam a adquirir livros antigos ou coleções completas. No segundo grupo, estão as bibliotecas que mantêm um acervo antigo da instituição sem realizar novas incorporações e aquelas que criam uma coleção de livros antigos para acompanhar as coleções de livros modernos. Podem-se acrescentar nesta categoria as coleções de livros modernos que com o passar do tempo se tornam antigos e são remanejados para as bibliotecas que guardam livros com essas características.
Na opinião de Pedraza Gracia (2014), não há consenso sobre a denominação que se pode dar ao tipo de biblioteca que guarda livros antigos: biblioteca histórica,
biblioteca-museu, biblioteca patrimonial, biblioteca de investigação, biblioteca de obras raras. Pode-se aferir que o qualitativo associado ao termo biblioteca indica o valor simbólico
que a instituição atribui à sua coleção de livros raros e antigos, bem como ao conceito mais difundido em cada país para indicar a raridade bibliográfica.
Faria e Pericão (2008) distinguem dois tipos de bibliotecas: as bibliotecas de museu e as bibliotecas de preservação. As bibliotecas de museu incluem material bibliográfico relacionado com as exposições nele realizadas e com as suas áreas de especialização. As bibliotecas de preservação conservam obras consideradas raras, podendo, contudo, ser consultadas mediante certas reservas e autorização específicas.
Para Santos (2003), tão importante quanto o bem excepcional, aquele que se distingue dos demais por sua excelência e apuro técnico ou estilístico, é o bem exemplar, aquele que reconhecidamente identifica um período histórico ou determinado momento
cultural. A noção de contexto no qual o bem está inserido atribui importância ao seu local de origem, à noção de conjunto urbano, à ambiência e ao caráter único e específico de cada lugar.
Tendo em vista a perspectiva do contexto ao qual o bem cultural está inserido, pode-se incluir uma nova categoria de biblioteca de guarda de livros antigos, além das mencionadas por Pedraza Gracia (2014). Trata-se da biblioteca patrimonial, que pode ser de dois tipos: um repositório de fontes de referência sobre bens culturais de qualquer natureza, a exemplo das bibliotecas de escritórios técnicos de órgãos de proteção do patrimônio; ou um repositório de salvaguarda de bens culturais de natureza bibliográfica patrimonializados pela sociedade. Ambas têm responsabilidade na preservação do patrimônio cultural, porque, de acordo com Mattar (2012), a proteção, a manutenção e a conservação dos bens culturais cabem às instituições da administração pública nos três níveis (municipal, estadual e federal) sob sua jurisdição. Enquanto às instituições detentoras de acervos culturais (arquivos, bibliotecas, museus, centro de memória e documentação, fundações, etc.) cabe dar acesso e preservar os acervos culturais, nos âmbitos público e privado.
Em uma perspectiva mais abrangente, a biblioteca patrimonial também pode ser compreendida como aquela (coleção ou instituição) que possui valor cultural reconhecido e que está fisicamente instalada em sítios e centros históricos, a exemplo das bibliotecas que reúnem acervos de livros raros nas cidades históricas em Minas Gerais.
Entretanto, o reconhecimento do valor cultural de bibliotecas em ambientes patrimoniais é relativamente recente, reflexo da restrição às práticas de leitura e de difusão de materiais impressos no País até o século XIX. Tal atraso tem influência direta nas metodologias, leis e políticas de proteção do patrimônio cultural relacionadas ao patrimônio bibliográfico. Na próxima seção discute-se como se deu a evolução do processo de proteção legal dos bens culturais de natureza bibliográfica no Brasil.