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Âlemin Kıdemini Zulmetin İradesine Bağlayanların Eleştirisi

1. BÖLÜM

2.4. MÂTÜRÎDÎ’NİN SENEVİYYE’NİN ÂLEMİN KIDEMİNİN KAYNAĞ

2.4.2. Âlemin Kıdemini Zulmetin İradesine Bağlayanların Eleştirisi

Estamos atualmente vivendo momentos de intensos desafios, no sentido da adaptação e desenvolvimento do homem e de suas relações, decorrentes das aceleradas mudanças a que somos sujeitos, em todas as áreas do conhecimento.

A ciência tem dado sinais de que estamos diante de um novo tempo que valoriza a existência humana, a partir do resgate do campo das relações intra e interpessoais, influenciando o surgimento de paradigmas que atendam à demanda da sociedade, em busca de uma abordagem sistêmica, humanizada e integradora (VASCONCELLOS, 2002).

Behrens (2000) afirma que a proposição cartesiana não dá mais conta das exigências da comunidade científica e da formação acadêmica dos

estudantes necessária na sociedade moderna, na medida em que esta levou a um processo de fragmentação, que vem sendo superado pelo paradigma que propõe a totalidade. Para a autora, o processo de mudança atinge todas as instituições, e em especial, a educação e o ensino nos diversos níveis, inclusive e principalmente nas universidades.

Corroborando com essa idéia, Al-Mufti (2000) diz que tais alterações irão se acelerar no futuro, criando grandes tensões, principalmente, no campo da educação, que terá de dar resposta a necessidades crescentes, no sentido de enfrentar as constantes transformações das quais estamos sempre em contato.

Moreira (2001) alerta para olharmos o passado com a finalidade de aprender, o que requer uma abertura no sentido de nos despojar de nossos arcabouços atuais de pensamento, de nossas premissas inquestionáveis e da forma de ver a realidade.

Portanto, precisamos estar atentos e preparados para atuar, adaptar e criar novos cenários, uma vez que as mudanças não comportam mais a prática pedagógica conservadora, repetitiva e acrítica. A sociedade do conhecimento impulsionou alguns desafios para o meio acadêmico, no sentido de oferecer uma formação compatível com as necessidades deste momento histórico que está sendo delineado por mudanças nas esferas econômicas, sociais e políticas, influindo diretamente no modo de viver de cada um de nós.

Nesse universo de idéias, a educação, de acordo com Freire (1996), tem o sentido de processo na busca das potencialidades cognitivas, socioafetivas e de habilidades desenvolvidas por uma prática educativa, revestida de dialogicidade entre sujeitos que vivenciam o ensinar e o aprender,

como a essência da prática pedagógica, que conduz ao aprimoramento do ser propriamente humano.

Rosário (2001) aponta a necessidade de adequação prospectiva da educação, devendo ser questionados e atualizados seus códigos culturais, incluindo novos argumentos na esgrima entre as pedagogias da essência e as pedagogias da existência. Para ela, a instrução pode ser “tecnologizada”, ao passo que a educação não pode ser desumanizada, uma vez que o homem terá de ser sempre o sujeito da oração. Assim, a incansável busca de novos modelos só terá êxito se a educação, para muito além de nos ensinar, nos conduzir a uma nova maneira de pensar.

Implementar ações educativas, com vistas a atender a esta orientação implica necessariamente em rever conceitos e alguns construtos filosóficos de visão de mundo, de homem, entre outros. As crenças e valores de cada um é que possibilitam nortear o comportamento humano, numa perspectiva dialógica, cujos princípios básicos envolvem atitudes que marcam pela presença, respeito pela subjetividade de cada um e valorização ao processo interacional entre as pessoas, condições que favorecem o clima de aceitação, fundamentais para a efetividade desta proposta.

Apesar de concordar com a afirmação de que o ensino, de um modo geral, precisa ter este compromisso, Behrens (2000) compreende que compete à universidade, acima de tudo, oferecer a formação humanística em acordo com as exigências do mundo contemporâneo, por ser um espaço onde sua grande maioria é jovem, período aonde algumas incertezas vão sendo substituídas por outras, proporcionando a amadurecimento da pessoa.

Estamos atravessando, no Brasil, uma nova era das políticas educacionais na maioria dos cursos de graduação e licenciatura, que passam por mudanças curriculares, cada qual procurando atender suas especificidades, num contexto sócio-político cultural comum à todas as áreas do conhecimento. Considerando que os desafios são imensos, investir em educação pode assegurar níveis de qualidade compatíveis com o ritmo da expansão do ensino superior.

Tal situação pede respostas não somente ao nível de reorganização de planos no sistema educacional, mas na procura por metas que priorizem a excelência (AL-MUFTI, 2000). Desta forma, compreendemos que os educadores devam deixar de priorizar estritamente a qualificação técnica, conteúdos cada vez mais extensos (não mais possível nem adequado, em vista da velocidade com que o conhecimento se altera), mas possibilitar o desenvolvimento, entre outras, da competência interpessoal de seus alunos, de aprender a aprender, a refletir criticamente, a solucionar problemas, dando-lhes subsídios para transitarem bem equipados nas relações que estabelecerem, diante das crescentes demandas interacionais para os profissionais de saúde, deixando de se relevar tanto as competências técnico-científicas.

Moscovici (2002) reforça essa idéia, lembrando que a competência técnica para cada profissional não é posta em dúvida, mas alerta para a necessidade do desenvolvimento da competência interpessoal, que é igualmente passível de treino nas habilidades relativas ao estabelecimento de relações interpessoais significativas.

Diante de tantas inovações, Behrens (2000) sugere redirecionar o eixo da formação, passando da tarefa de simples ensinar para enfocar a busca

do conhecimento, formando o profissional engajado e comprometido para a cidadania, como sujeito histórico e transformador da sociedade. Esse enfoque posiciona o professor igualmente envolvido com os alunos na formação profissional, sendo também sujeito das demandas institucionais que norteiam este processo, embora desempenhe diferentes papéis na relação ensino- aprendizagem.

Morin (2001b) lembra que educar é um processo de identificação do sujeito com seu objeto, do sujeito que ensina, do sujeito que aprende, sujeito que aprende uma nova forma de ver o mundo, que seja capaz de, além de aprender seu ofício, no restrito sentido técnico, aprenda a ser e a se relacionar integralmente com as pessoas, passando a ser sujeito que ensina e que aprende.

Considerando que não mais acolhemos o limitado caráter da educação no repasse do conhecimento, dos saberes e informações, devemos nos preocupar em construir maneiras de instrumentalizar nossos alunos, de modo a contribuir para a sua adaptação num mundo de mudanças. Moran (2000) ressalta que o desafio maior é caminhar para um ensino e educação de qualidade, que integre todas as dimensões do ser humano, de forma que precisamos de pessoas que façam a integração em si mesmas, nos aspectos sensorial, intelectual, emocional, ético e tecnológico.

É preciso, pois, proporcionar situações de aprendizagem que contemplem a formação integral, em acordo com as exigências do mundo contemporâneo, procurando aliar a formação ético-humanística aos desafios técnicos e científicos que se renovam a cada dia.

Procurando dar resposta ao conjunto de suas missões, a Comissão Internacional sobre Educação para o século XXI propõe que a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais, que ao longo da vida do indivíduo serão os pilares do seu conhecimento: aprender a conhecer, que visa adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, a fim de adquirir não somente uma qualificação profissional, mas de uma maneira mais ampla, competências para agir sobre o meio; aprender a viver juntos, buscando a compreensão do outro e preparando-se para gerir conflitos, a partir do respeito ao pluralismo; e aprender a ser que traz a concepção do desenvolvimento total da pessoa, de modo a poder decidir por si mesma nas diferentes circunstâncias da vida, com autonomia, discernimento e responsabilidade pessoal (DELORS, 2000).

Nesse sentido, o autor considera que, quando a educação é vista como um todo, e sendo assim organizada, passa a cumprir seu papel na integração da pessoa, tornando-se os seus pilares do conhecimento, ao longo de toda vida. Essas afirmações implicam, portanto, em conceber a educação num sentido de totalidade, que será efetivada na medida em que incorporar as perspectivas da aprendizagem integral e contemplá-las nas reformas educativas, quer sejam no nível de elaboração de programas educacionais, quer imbuídos nos projetos políticos pedagógicos das instituições formadoras.

Os pressupostos que consideram significados de totalidade e integralidade são também apontados pela gestaltpedagogia, proposta derivada da abordagem gestáltica, que defende a globalidade da educação, facilitada pelo entrosamento entre a pessoa do professor e a pessoa do aluno, cuja relação genuína (com-viver) permite observar suas possíveis dificuldades

emocionais, que muitas vezes comprometem o aprendizado profissional (BUROW; SCHERPP, 1985). Esse modelo dá, portanto, um sentido de ser humano como ser total1, cujos processos emocionais e cognitivos funcionam integradamente e o aprendizado se dá em unidades integradas em conteúdos correspondentes aos contextos reais de vida.

Avançar neste sentido é, portanto, entender o professor como um educador, posição que amplia e lhe confere maiores responsabilidades na arte de educar. Embora reconheça que a tarefa de ensinar é inerente ao papel do professor, Morin (2001b) compreende que o ensino e a educação têm ações diferentes, sendo que, o ensino carrega um sentido mais restrito e apenas cognitivo e a educação tem a missão de deixar de ser a mera transmissão do saber, mas de uma cultura que permita compreender nossa condição e nos ajude a viver, favorecendo ao mesmo tempo, um modo de pensar aberto e livre. Para este autor, a educação deve contribuir para a autoformação da pessoa, ensinando-a a assumir a sua condição humana, ensinar a viver.

As mudanças na educação dependem, segundo Moran (2000), de educadores maduros intelectual e emocionalmente, pessoas curiosas e abertas que saibam motivar e dialogar, enfim, de pessoas com as quais valha a pena dialogar, favorecendo a relação professor-aluno, além de conferir maior efetividade nas trocas de saberes no processo ensino aprendizagem.

Considerando o desenvolvimento do docente, enquanto pessoa que releva suas atitudes e comportamentos, Burow e Scherpp (1985) citam estudos onde o crescimento psíquico-pessoal alterou o estilo dos professores, possibilitando-lhes um maior contato pessoal, maior franqueza, consciência e

1 Ser total: compreensão do ser humano como um todo; a abordagem gestáltica lhe

flexibilidade nas suas ações e conseqüentemente favorecendo seu papel de educador.

Partindo da idéia de que o conhecimento pertinente deve enfrentar a complexidade, a educação deve promover a inteligência geral apta a referir-se ao complexo, ao contexto, de modo multidimensional e dentro da concepção global. Assim, “a educação do futuro deverá ser o ensino primeiro e universal, centrado na condição humana” (MORIN, 2001a, p.47).

Conhecer o humano significa situá-lo no universo e não separá-lo dele, com riscos da sua compreensão permanecer num pensamento reducionista que restringe a unidade humana a um substrato puramente bio- anatômico. Explorar essas questões requer uma abordagem integrada, multifacetada e interdisciplinar, voltando-se para compor soluções holísticas, com vistas ao bem estar integral do ser humano.